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A Egolatria Digital [Texto Performático]

Construção e TXT - M.M.Soriano
EgoDigital - M.M.Soriano, 2007
1
EgoDigital · Santa Maria, RS
29/7/2007 · 96 · 10
 

[Pensamento em reedição permanente]
__________________________

Argumentação in off:
A presente performance textual propõe uma abordagem crítica questionável, mas que revida a unanimidade de questões como o processo de digitalização cultural, focalizando a Internet como um veículo midiático opressor e massificante e não como instrumento ou ferramenta de criação e democratização da cultura.

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Frase mise-en-scène:
Atualmente, quase não existe sublimação;
a predominância é da desmaterialização.
Vejo a cultura se dissolvendo, do real
ao digital, quando o ideal, acredito, seria
a culturalização da matéria.

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Proposta de Reflexão-Monólogo 1: O Pós-Mundo Internet
Viver o presente é caminhar sobre muros. Não mais aqueles antigos e pesados muros de tijolos prestes a ruir (emocionante aventura!); mas, muros eletrônicos, firewalls, que compõem a divisão política dos territórios demarcados pelo gregarismo etnocêntrico das "correições humanas e anti-humanas" que superpovoam este pós-mundo denominado Internet.

__________________________

Proposta de Reflexão-Monólogo 2: O ping da dependência virtual
Digo "carpe diem!" a mim mesmo no espelho, por hábito diário, mas o que determina meu dia, não depende só de mim. A mídia influencia. Os duros ossos do ofício que tenho de roer. A família que sabe a verdadeira fraude que sou. As corporações que facilitam a aquisição de bens e estabelecem dívidas e prazos de pagamentos avassaladores. E, surgindo como novo teste de conectividade vital-interpessoal, ei-la: a Web. Quase não há mais como manter o entusiasmo existencial (do grego enthusiasmós, composto por três partes: en, em; thu, abreviação de theós=Deus, e mos, terminação de substantivos). Entusiasmo significaria, pois, ter um Deus dentro, ser tomado por Deus; ou como prefiro "Deus em Si", soa mais musical pela nota Si. Voltando... Não há mais como viver e conviver sem o "ping" que determina a nossa conexão com a grande rede.

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Proposta de Reflexão-Monólogo 3: A Internet a serviço dos interesses corporativos
Por trás, ou escondida sob o mobiliário virtual, a Grande Rede está ligada ao plug dos interesses das grandes corporações.
A luz do monitor pode ofuscar a visão da realidade. A luz do monitor, não é "luz que não se apaga"; rótulos evangelizadores ou teorismos religiosos a parte, a cultura, ao meu ver, é a verdadeira "luz que não se apaga". A cultura literária, a gráfica, a dramaturgia, os eventos, a música, escultura, artesanato e manifestações folclóricas, e daí por diante, passando pelas bibliotecas e sebos, bem como pelos bancos de conhecimento científico e academicistas. Antes praticada e exercida de modo original, psico-bio-fisicamente e com muito esforço braço-intelectual, agora, atente-se, a cultura está sofrendo um processo de digitalização banal... Escanerizar uma imagem e publicá-la para que seja vista em janelas de navegadores e, não raras vezes, roubada com o botão direito do mouse, não é produzir arte, nem mesmo democratizar o acesso a obras de arte! Baixar músicas em mp3 e distribuí-las aleatória e descriteriosamente, remixadas sem a participação ou aprovação do autor, está longe de tornar um "piloto-de-computador" em um DJ, num MC, num Produtor Cultural! Tenho lido textos rasos, sem mensagem; letras pornográficas, não eróticas; crônicas e contos desorganizados e sem conteúdo literário e não textos pós modernos, alternativos, contestadores ou revolucionários... As vezes, interferência sonora, é destruição e não desconstrução e recomposição musical! Da mesma forma, cito os dejetos jogados contra planos de fundo e delírios amorfos.
O pior, de tudo isso, é que tenho testemunhado críticos, formadores de opinião, pensadores, enfim, atores sociais contemporizando, admitindo, aceitando de modo passivo (e as vezes até servindo de promoters, incentivadores ou cúmplices) ao pseudo-culturalismo.

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Proposta de Reflexão-Monólogo 4: Cultura digital ou digitalização cultural?
Admiro a possibilidade de manifestação cultural e expressão através de uma identidade digital. São inquestionáveis o alcance e a potência dos canais que acessibilizam a busca e a apreensão do talento e, até mesmo, da genialidade possivel através do desdobramento das fibras óticas e do ping (pong) eletrônico, porém, deveríamos ter mais cuidado em não limitar nossos olhos à luz da tela dos monitores e a nossa mente ao engano cultural proposto pela facilidade de "ser quem se diz ser" e não "ser quem ainda não se é". Todo o artista é compulsivo no seu objeto. Mas são raras e tortuosas as compulsões que impelem um indivíduo sobre a trilha da cultura verdadeira ao encontro admirável do "Deus de Si Mesmo" com o "Deus em Si Mesmo". O "Navegar é preciso; viver não é preciso." de Fernando Pessoa, neste caso, tem a ver com precisão, foco, orientação e personalidade; não com necessidade de reconhecimento imediato, desarranjo mental ou ânsia de aceitação e inserção no contexto social da pseudolatria (adoração do falso).
Cultura é indicador de vida real e afirmação da consciência humana. Cultura não é suicídio ou soberba intelectual. Mas algo deveria ficar claro: no acesso a esta esfera experiencial, não há porteiros, nem seguranças, nem corporações que detenham títulos de propriedade ou sindicatos de nobreza. Só há praticantes e aplicados buscadores da Expressão Ideal. Ideal, esta trilha que talvez nos leve e eleve aos pés da Arte Secreta da Encarnação Coletiva da Realização. Afinal, existe uma cultura digital? Ou apenas, o que estamos presenciando e gerando são releituras, revisitas, reciclagens, adaptações, enfim, o que se tem, de fato, é processo de digitalização da cultura, sem inovações efetivas e significativas?

__________________________

Frase de saída:
Quem nunca atirou uma pedra, que cometa o primeiro pecado!

__________________________

Et finis

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EgoDigital
 

"Quem nunca atirou uma pedra, que cometa o primeiro pecado!"
[Versículos Pós-Modernos - Soriano,M.M. 2007]

EgoDigital · Santa Maria, RS 26/7/2007 16:42
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EgoDigital
 

Sei que o texto é um pouco longo, mas, gostaria de trocar idéias com os colaboradores...

EgoDigital · Santa Maria, RS 27/7/2007 09:33
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EgoDigital
 

Será que tá agressivo demais? Digo, a linguagem?

EgoDigital · Santa Maria, RS 27/7/2007 13:57
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Ilhandarilha
 

Tá legal, já tinha preparadas todas as pedrinhas pro seu texto, mas meu comentário foi tão longo que o tempo de login terminou e quando finalmente acabei ele não foi enviado.
A primeira observação é que isso aqui tá mais pra manifesto / performance que pra análise. E no overblog a gente espera ver mais análise e menos palpite. Assim como está, seu texto, do meu ponto de vista, ficaria melhor no banco de cultura.

Concordo com o seu texto/performance a maior parte do tempo, mas em algumas coisas discordo radicalmente. Vamos às discordâncias: vc radicaliza ao falar dos projetos de inclusão digital, colocando todos no mesmo saco. Não entendi se vc não acredita NO projeto (no sentido de não acreditar na necessidade de inclusão) ou NOS projetos.
Quando fala de egos digitais, parece que esquece que a web é só uma ferramenta, um instrumento para pessoas de verdade se expressarem. Egos são egos, digitais ou não. E se manifestam na web, na sua casa, na faculdade, no boteco da esquina. Portanto, o ego virtual que a gente vê na web é só reflexo do real, lá do vivente que escreve e publica seja lá onde for.

Quanto à falta de profundidade que a gente também vê na web, a gente vê também na banca de revista (vc conhece alguém que aprendeu ciências lendo superinteressante?), na livraria (dá-lhe Paulo Coelho!), na sala de aula da universidade... Vc, parece, está em uma e sabe o quanto fútil pode ser uma aula se o professor e os alunos não tiverem o menor interesse no aprofundamente.

Então, antes que o meu login se vá, termino (e não concluo) com a seguinte indagação: se a gente é que faz a web, e ela é tão superficial quanto vc aponta, isso quer dizer que é a gente está na superfície?
Abraços!

Ilhandarilha · Vitória, ES 27/7/2007 15:26
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EgoDigital
 

Vamos às réplicas e tréplicas... :-))
Em primeiro lugar, mil vezes obrigado por ter paciência de ler tudo isso aí de cima e me ajudar a fundamentar e deixar mais "palatável" o texto!
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Sobre as tuas discordâncias, as quais, já adianto, achei bem pertinentes, pois presumo que em algumas partes do texto fui muito nebuloso... Então, vamos ver:

- Manifesto para o banco de cultura ou texto para o Overblog? Vamos pensar e decidir juntos... Até pensei, no caso do Banco de Cultura, substituir o título do "texto/performance" para IMPRESSÕES DIGITAIS. O que achas? [Eu ainda não estou me situando legal sobre os conceitos OVERBLOG e BANCO DE CULTURA, apesar de já ter lido e relido ambas as propostas.

- Sobre os Projetos de Inclusão... Já militei bastante nessa área, mas por puro idealismo... Uma de minhas propostas foi o Projeto do PROIDEM - Programa de Internetização da Eng. Mecânica da Federal aqui de Santa Maria. Infelizmente, meu contrato de Profe Substituto chegou aos 2 anos e meu contrato teve de ser finalizado.Voltando... Claro que acredito NO(s) projetos de inclusão, tanto que, tenho tentado buscar uma brecha de tempo no meu ritmo de trabalho para tentar desenvolver (projetar mesmo!) um Programa de Inclusão Digital envolvendo um clube de Xadrez virtual destinado a portadores de necessidades especiais... Fora isso, já tenho "algum" portifólio de Projetos Sociais "na rua"... Bom, mas, então, qual o porquê do meu desgosto pela maioria das propostas que tenho visto e conhecido? Tchê! (Interjeição com tom carinhoso) Só destravam, pra frente, aqueles que têm, em seus meandros, nos entremeios, contemplação de interesses políticos e/ou financeiros!!!! Bá! Olha, acho que poderia escrever uma edição com dezenas de volumes sobre isso, acreditas?! Mas não é hora ainda; se é que vai chegar a hora de eu me dedicar de corpo e intelecto a isso!!! Ainda prefiro tentar manter acesa minha chama idealística! :-))
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Pô, acho q isso aqui tá ficando longo demais!
Depois complemento! Bjs e abraxs

EgoDigital · Santa Maria, RS 27/7/2007 18:32
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EgoDigital
 

Antes que não dê mais tempo de prosseguirmos... Gostaria de dizer que concordo com quase tudo que colocastes... E na indagação se "a gente é que faz a web", eis a questão! Há os que fazem a web; a estes minha força e reconhecimento! Agora, há os que pela web estão sendo feitos... A esta carne que direciono meus canhões. Não sei se consegui me expressar claramente. Tomara! Caso contrário, daremos prosseguimento neste artigo muito em breve, ou em outras colaborações do gênero. Valeu! E thnx pela força e apoio. Este tipo de discussão tem sido rara através da web; ao menos para mim! Um abraço

EgoDigital · Santa Maria, RS 27/7/2007 23:27
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EgoDigital
 

Uma dúvida:

Se o bolo está estragado, mas no recheio, alguns morangos se mantêm deliciosos... Como avaliamos a fatia?

A televisão, as bancas de jornais, a Internet... Vejo isso como um glutão esfomeado... 3 dias sem comer... O bolo. A fatia. Os morangos. A fome com a vontade de comer... Encher-se a barriga é diferente de nutrir-se... Mas na falta, não temos escolha.

Xi, viajei! hehehe

EgoDigital · Santa Maria, RS 28/7/2007 08:34
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Ilhandarilha
 

Acho que todos que estamos ligados o tempo todo na informação somo, de alguma forma, glutões esmomeados. Mas mantenho a (quem sabe ilusória) esperança de que eu ainda tenha paladar para reconhecer o morango mofado da fatia. Ou melhor, não vejo a web como um bolo (almálgama de ingredientes).

Ilhandarilha · Vitória, ES 29/7/2007 17:15
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Ilhandarilha
 

somos!!! esfomeados!!!

Ilhandarilha · Vitória, ES 29/7/2007 17:18
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EgoDigital
 

Yhnx pela participação sempre pertinente! bjs

EgoDigital · Santa Maria, RS 29/7/2007 19:16
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