Observatório

A história do Overmundo na memória de seus colaboradores
O Overmundo foi pensado para trazer à luz a cena cultural brasileira, independente da grande indústria cultural e que, justamente por ser independente, não costumava figurar com destaque nos grandes meios de comunicação. Algum tempo passado, constatamos que ainda há muito o que fazer e que, a cada dia – sobretudo com o advento da internet colaborativa e de ferramentas de autopublicação... leia

 
A festa, o dj e a música eletrônica
patricktor4 · Aracaju (SE) · 25/9/2006 00:11 · 135 votos · 8 comentários ·  
 
1
overponto
foto por kosta kostov
o público e os djs, sintonia que nunca deve acabar
As festas fazem parte da vida humana sobre a terra há muito tempo, mas, muita gente acredita que estas badalações são de certa maneira padronizadas em suas atrações e formatos. Há quem não consiga imaginar uma festa sem banda por exemplo, ou ainda, que dj seja sinônimo de música eletrônica. Para tentar discutir algumas destas questões lanço mão de argumentos e pensamentos que são nada mais que a opinião de alguém que curte a festa na teoria.

Desde os tempos mais longínquos, o homem nas diversas culturas conhecidas se utiliza de rituais de celebração. Esses ritos cheios de significados e citações são usados tanto na forma de divertimento, comemorando entrada e saída de ciclos, quanto na forma religiosa, onde sacrifícios e oferendas são pontos importantes na relação de nós, seres encarnados e festivos, com espíritos e entidades que cultuamos. Ou seja, desde que o mundo é mundo, juntar pessoas em volta de uma mesma música é normal, divulgar e compartilhar uma crença com o objetivo de atingir algum tipo de transe hipnótico ou ainda celebrar a vida sem motivo algum é até tradicional em culturas antigas e contemporâneas.

A música é, e sempre será, um artifício de inclusão social. Ela tem a capacidade de unir em um mesmo espaço pessoas diferentes, de fazê-las sentir as mesmas emoções e estímulos. A música ultrapassa até mesmo a barreira física do som, vide Beethoven e tantos outros que desprovidos do sentido da audição ainda sim conseguem percebê-la.

Música ao vivo nos terreiros e nos salões e até mesmo em campinas são a principal atração das celebrações em todas as partes do mundo, desde os vestígios mais antigos de humanidade. Porém, com o desenvolvimento das tecnologias de captação e gravação, novos instrumentos começaram a fazer parte do mundo musical. Estes eram a chapa gravada (ou disco) e o seu respectivo aparelho reprodutor - particularmente não sei quem veio primeiro se o disco de carnaúba (parente mais velho do disco de vinil) ou a vitrola (vó por parte de pai do toca-disco ou pick-up). Mas, com toda certeza quando conseguiram “prender” a música em algum lugar ficou muito mais fácil de se levar as orquestras e grupos musicais de baixo do braço.

Com o advento do capitalismo, este mal que assola o nosso mundo artístico, e o altíssimo custo para se contratar uma orquestra de baile, e a real necessidade da existência destes bailes, surge a figura do operador de vitrola (tataravô do dj)
que no decorrer da noite colocava todo mundo pra “bombar” nas pistas ao som dos hits de gente como Glenn Miller e outros grandes nomes do início do século XX.

Com o surgimento da freqüência modulada (FM) e a necessidade de uma programação radiofônica de 24horas a música passa a ser o carro chefe deste veículo que até então funcionava em poucas horas do dia. É nesse momento histórico que o operador de vitrola passa a ser chamado de disc-jockey e suas habilidades na seleção musical passam a integrar o universo artístico mundial, pois por suas mãos passava toda a produção musical feita na época, voltada diretamente para os ouvidos sedentos de jovens e adultos. Com a grande revolução do funk, da disco music e a febre das discotecas nos anos 70, o dj passou a ser figura muito importante na vida noturna das maiores metrópoles do planeta.

E a música eletrônica?

Depois da invenção da fita magnética nos idos dos anos 30 na Alemanha, este país europeu trouxe para a realidade musical (tão humana) da época a possibilidade de equipamentos transformarem impulsos elétricos em música. Estudos destes sintetizadores de áudio eram feitos em laboratórios com o interesse de uso na música erudita. Após algum tempo, já nos anos 60, a evolução tecnológica dos aparelhos sintetizadores já faz parte da música de grupos alemães como Can, Tangerine Dream, Neu! e Faust. Porém, o grande e estrondoso desenvolvimento da música eletrônica vem pelas mãos do KRAFTWERK, que além de inventar novos equipamentos de produção de áudio apontam para que lado a musica mundial iria a partir do inicio dos anos 80.

As festas, os djs e a música eletrônica “estão” um sinônimo que não terá uma vida muito longa. Os caminhos a serem tomados por estes elementos do fim de semana contemporâneo são praticamente em sentido contrário. Em um futuro próximo, imagino djs tocando em festas de música orgânica (com sons tribais e bem primitivos), a música eletrônica sendo usada para finalidades terapêuticas na cura de alguma doença degenerativa, e as festas... ...Bem, as festas nunca deixarão de celebrar a nossa imaginação.

Patricktor4, é dj e músico da banda naurÊa.

tags: Aracaju SE musica organica dj eletronica


 
canto_esquerdo comentários rss postar novo comentário canto_direito
 
fico com as polcas da romênia

Rafa oliva · Aracaju (SE) · 22/9/2006 13:23 
2 pessoas acharam útil
Sua opinião: Útil   

Grande Tor4!!! Finalmente!!!! hehehehe
Se ligue nas linhas quebradas, deve ter sido na hora de copiar o texto para cá... e uma linha entre os parágrafos dá uma leitura melhor também.
Abraço!!!!
Marcelo Rangel · Aracaju (SE) · 22/9/2006 14:52 
1 pessoa achou útil
Sua opinião: Útil   

celebremos, celebremos, a loucura da curta vida, que tudo passa, e é tão breve!
eduardo ferreira · Cuiabá (MT) · 27/9/2006 21:02 
1 pessoa achou útil
Sua opinião: Útil   

Tor4, já leu esse texto aqui? Se ligue, tudo a ver com esse seu.
Marcelo Rangel · Aracaju (SE) · 19/10/2006 11:29 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

é uma pena que a música eletrônica ficou associada apenas às festas e DJ´s e esquecem (eu não) de vez o pierre schaeffer e o Karlheinz Stockhausen. Mas o Kraftwerk realmente é o 'inventor' da música eletrônica 'pra dançar'.
chatus imensus · Aracaju (SE) · 30/10/2006 19:13 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

Chatus, concordo com você. Inclusive eu faço música eletrônica sem ser voltada para DJs. Postei algumas coisas do Yanna Lee lá no banco de cultura.

Porque de fato, música eletrônica aqui tem se resumido a produções de djs.
Ganso Gracioso · Alto Alegre (SP) · 18/11/2006 16:05 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

PEYOTE DJ PATRICK TORQUATO OU TORQUATRO? PRA QUÊ ISSO BICHO? DJ NÃO É MUSICO, RARO MOBBY E ALGUMA MEIA DÚZIA...SE DJ FOR MÚSICO GARÇOM É COZINHEIRO, PQ VCS SE ACHAM? A CENA MUSICAL SERGIPANA É UM FIASCO, EU SOU SERGIPANO MAS JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA COMPRARIA NADA QUE SE REFERISSE A MÚSICA LOCAL.
PEYOTE · Aracaju (SE) · 3/4/2007 17:39 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   

Exageros à parte, vale o mesmo comentário que já fiz em uma outra colaboração.
Só a diversidade de opiniões nos salva! rs
E abraços, sempre!
Marcelo Rangel · Aracaju (SE) · 3/4/2007 18:22 
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião: Útil   
 



  Adicione seu comentário: para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

 
canto_esquerdo   canto_direito