"Em certos momentos da nossa vida, nada parece estar acontecendo, nada de bom, nada de mau, simplesmente nada. A gente se agita freneticamente, confundindo movimento com ação e quanto mais nos agitamos, menos acontece”
Foi com esta sensação que David Miller resolveu abandonar sua terra natal, a Irlanda do Sul, e cruzar o Atlântico de navio, rumo ao Canadá.
Era jovem, recém-casado, e a vida era pouco promissora para um aventureiro nato, com formação em Contabilidade e Auditoria. Verdade que a carreira foi escolhida por sugestão de seu pai e rapidamente percebida como um equivoco. Sem dinheiro e sem esperança, encarou a amarga experiência de emigrar, deixando para trás seu lar e sua familia.
Dez anos se passaram e a inquietação ainda o rondava. Seu casamento acabou e, com sua nova companheira, uma argentina, resolveu tentar a vida no Brasil. Os costumes estranhos, o povo muito extrovertido e um pouco indolente, cidades sem planejamento urbano, a violência, nada disso o intimidou. Foi arrebatado pela luz, pelo calor, pela beleza das mulheres e principalmente, pela exuberância da natureza.
A cidade que escolheu para viver foi o Rio de Janeiro. Apaixonou-se pela cidade e, indignado com o descaso das autoridades com a preservação da Mata Atlântica, iniciou um projeto de vida voltado para a conservação da natureza.
Foi num dia escaldante de verão que David conheceu a Região Serrana do Rio. As encostas montanhosas, a temperatura amena e a Mata Atlântica nativa, foram o suficiente para convencer que sua missão era salvar aquele pedaço de paraíso. Comprou mil hectares de terra no meio da floresta, na Serra dos Órgãos e hoje mora dentro do recém-tombado Parque Estadual dos Três Picos, em Macaé de Cima, município de Nova Friburgo. Uma reserva ambiental onde as portas estão abertas para cientistas, pesquisadores, amantes de orquídeas e da biodiversidade da floresta tropical.
Izabel, sua atual mulher, uma brasileira de Alagoas, uniu-se a ele no projeto de fotografar e catalogar as mais de mil espécies de orquídeas da região. Um trabalho primoroso, de quase duas décadas.
Hoje, Bel e David recebem turistas de todo mundo, interessados na trilha das orquídeas. Uma aventura no meio de picadas abertas na mata, onde encontramos essas flores delicadas e raras, vivendo em seu habitat natural. Dependendo da espécie, florescem apenas uma vez na vida. Existem orquídeas que, de tão pequenas, só podem ser vistas com lupa.
Sem televisão, sem Internet, cercado de livros, flores e beija-flores, seu patrimônio, agora, pertence a Humanidade. Publicou um livro sobre as Orquídeas, reconhecido no meio cientifico, e outro, sobre suas aventuras de “gringo” no Brasil. Izabel, sua parceira e companheira de vida, orgulha-se de ter transformado o "intruso" em membro pleno da "tribus paradise". Diante de seu sonho, entre uma caipirinha e outra, ele afirma, sem qualquer pretensão, que bastou ter fé para realizá-lo. A natureza, exultante, agradece.
Quem quizer entrar em contato com David ou conhecer sua linda propriedade, basta enviar e-mail para david.izabel@gmail.com
bjk
Crispinga, encantei!
Vou passar o email para meu irmão que é orquidófilo.
Excelente sua matéria.
Parabéns!
Um abraço mineiro.
Um prazer, Ana
O David ainda nao sabe desta surpresa.vai ficar feliz.
Beijos, querida
Cris
Que colaboração prima. Que trabalho relevante para o Brasil este David fez e sua esposa Bel. Nunca imaginei que houvesse algo assim no Rio. Ótimas fotos. Vou mandar pra um amigo eng° agronomo do IAC.Cris, você surpreende!
Cinthia, minha querida poeta!
Comovente a dedicação deste casal! A Serra dos Órgãos é um dos últimos redutos de Mata Atlântica no Brasil
grande beijo
Querida Cris:
Não consigo entender como uma reporter de mão cheia como você consegue se intimidar com a mera entrevista de velha mestra que deve ser, como você é, um encanto de pessoa.
Aliás, ao que tudo indica, este foi o resultado de uma entrevista com o casal Bel e David, ou estou enganado? Fico contente de ver que você se sai bem não apenas falando na primeira pessoa – Fui, vi, gostei – como na impessoalidade com que narrou a avendura do casal David e Bel – Veio, Viu, casou!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca querido:
Impossível não se apaixonar por este casal que conhecí, por acaso, numa das viagens para Nova Friburgo. David é muito espirituoso e sua história sensacional!
Dona Umbelina, me aguarde! Agora, com seu apoio, acho que vai sair uma conversa bem legal!
BJOCA!
Querida, obrigado pelo seu convite, estou embevecido, dá até pra sentir o perfume de todas as flores, chama o Beto Guedes !
Um beijo, Alcanu, votadíssimo !
Minha Doutora,
já lhe dei muitos nomes, funções, já lhe botei muitos adjetivos não resisto a mais este - Minha Cronista. Consegue
transformar uma convivência entre amigos em uma reportagem,
crônica, como se distante de si e dos amigos, legal, parabens,
um abraço, andre.
Alcanu, cadê a Dora??? rsrs... Saudades de você e das suas poesias!
André, meu querido!
Estou "me achando" a Marta Medeiros, obrigada!
Venham conhecer a Serra dos Órgãos, imperdível!
O amor do David pela natureza é um exemplo!
Valeu, Cris
A região serrana de Mata Atlântica, do Rio e de São Paulo é mesmo maravilhosa. Eu não troco meu pedacinho de serra por nada!
Só que aqui na minha região predominam as bromélias... Tal como as orquídeas, lindas!
Beleza de trabalho, Cris.
Abraços!
Oi, Van, um prazer ter você como amiga!
Nydia, querida!
As bromélias são impressionantes. Brotam na pedra, sobrevivem em baixas temperaturas, gostam de altitude mas também gostam de calor e adaptam-se em qualquer lugar.
Já as orquídeas são mais caprichosas, por isso mais raras.
Estou indo morar nas montanhas, também! O clima é muito gostoso, prefiro o frio ao calorão!
Beijos, querida!
Cris, é primorosa sua colaboração, e você é maravilhosa.
Beijocas carinhosas
Belíssima colaboração.
Vou voltar e ler tudo novamente.
Votei.... mais nove pontos...
Valeu!
Pedro, adoro suas histórias. Fã de carteirinha.
Rubenio,
Saudações pantaneiras! Seja bem-vindo à Floresta das Orquídeas!
Gostaria de agradecer meu amigo Cláudio Bhorer, Doutor em Mata Atlântica, parceiro e amigo de toda vida, por ter me apresentado ao querido casal . Você é o cara!!!
David e Bel, pela hospitalidade, pelas aulas de botânica, por salvarem essa beleza, a "tribus paradise" agradece, eternamente!
Beijos e abraços!
Cris
Ai Cris, que lindo tudo, imagem e texto.
Lanças-me assim um pretexto
para um pequeno texto,
em verso e prosa.
Vê se tu aprovas:
"Todas as manhãs,
a caminho do trabalho,
numa curva semi-aberta,
elas despontavam perfeitas,
Orquídias Lilases, á espreita
do meu olhar carregado
de segredo para lhes contar,
mas eu só conseguia olhar,
enquanto o ônibus seguia,
eu adormecia a alegria,
de na manhã seguinte,
saber que elas estariam, lá,
e eu as poderia apreciar
sem me apropriar,
um dar e receber,
sem esperas nem quimeras,
sem razões, nem fatos,
apenas essa troca
em toques intactos."
Teu texto também me lembrou um orquidófilo carioca lindo e
dautônico mas sensível o suficiente para amar orquídias e seguir mundo à fora com a desculpa esfarrapada, mas remunerada, de que é um ávido pesquisador dessas encantodoras peosias em pétalas e formas, quantas selvagens ele teve o prazer quase profano de tocar?
O nome do homem por dentro do orquidófilo? Pedro, que quer dizer pedra, de onde nascem, entre algumas fissuras algumas destas poesias selvagens.
lindíssima, você agora arrasou, linda, tal qual uma poética orquídia.
Beijo e obrigada, a propósito, a poesiasinha das orquídias que sempre serão minhas, é tua, como agradecimento meu.
Ai, Dora...
Você é a musa do Alcanu, não é?
Fiquei muito emocionada com seu comentário. Agora podemos entender esse fascínio que essas flores despertam...Olhá-las e não tocá-las. Simplesmente, admirá-las. Tão lindas, tão frágeis, tão caprichosas, cheirosas.
Obrigada, Dora.
Sensível demais, você.
Musado alcanu...?
Parece que sim.
se tiver outra eu viro bicho.
Extrupício...
desses de hospício...
rsrsrssssssssssssssssssssss
Não sobra pedra sobre pedra do poeta.
Rolando o maior clima! Namoro no Overmundo! rsrs
Beijos, Dora-musa-do-Alcanu
Crispinga:
Acho que vc não sabe nem da metade
http://www.overmundo.com.br/overblog/um-paulistano-acerca-de-pernambuco
Salve Davi e Izabel!
Salve a natureza! (Nos dois sentidos!)
E salve tu, adorável Crispinga!
Belo texto e belo exemplo a ser seguido.
A propósito, tem um SEDEX te esperando...
http://www.overmundo.com.br/banco/sedex-1
Bjs
Cris querida, olá!
E lá vem vc me acendendo lembranças e esquentando a saudade que guardo aqui dentro, desse meu pedaço querido, do chão carioca. Vc será a minha guia predileta quando voltar por aí. Rsrsrsrs!!
Muito obrigada por nos mostrar todas essas belezas.
Bj
Adilson,
Já despachei o Sedex, já encomendei o caminhão, agora falta alugar o container...rsrs
Obrigada por ter vindo!
Ligia,
Subindo a Serra porque aqui embaixo está muito calor!
Quando estiver no Rio vamos para Lumiar!
beijos
Gostei muito dessa história recheada de orquídeas e beija-flores, muito bom.
Lu&Arte · Porto Alegre, RS 16/2/2008 21:59
Oi Lu!
"Um intruso no Paraíso" mais que bem-vindo!
bjk
Nem medo, nem Medeiros, que és reporteira de prima. Não te achica, guria.
Lascou uma conversinha mole no gringo amigo da terra e tirou dele três orquídeas, se não me perdi nas contas. Parece um sujeito daqui que conheço bem de perto.
Lilás, laranja e outras cores mis, tem um passeio tri di legal que vem junto duma matéria que fiz aqui sobre os 200 anos do parque da Redenção. Mesmo parque do Bric, em que nosso amigo comumm, o Adroaldo, fez há pouquinho uma apresentação dum artista nosso que se apresenta lá, o Zé da Folha.
Bonito passeio deste a nós. Grata.
Beijin
Juli,
Palavra de dentista, sua boca é de fazer cirurgião plástico se inspirar, mas para ter uma assim, só nascendo de novo!
Vou ler a sua matéria, minha repórter investigativa preferida!beijos e abraços, em ti, no Adro e na sua vozinha, guria!
Fala, conterrâneo Daimao,
Já sabe, é só subir a Serra!
Bia,
Salve, querida!
Mais um motivo para voltar!
Hoje, aniversário da minha florzinha Gabi, uma Floresta de Orquídeas de presente para você!
Beijos de mãe, infinitos!
Oi, Cris!
Parabéns pelo texto.
Sou apaixonado por orquídeas. Meu textos são inspirados nelas.
Aqui no norte há criatórios fantásticos.
Agropalma, Vale do Rio Doce são empresas que mantém criação e preservação destas jóias raras da natureza.
Tanto gosto delas que, além de cultivar algumas espécimes, dou nome ao meu blog de "Orquídeas Selvagens de Benny Franklin.
Valeu. O texto é primoroso.
Bjs.
Benny,
Orquídeas selvagens combinam com sua poesia, Benny! Raras e caprichosas!
Cris,
muito agradecida
pela visita
pronta e bunitinha
feita a meu postado.
Descarada eu,
Faço aqui um panelaço
Quando der, sem apressar,
passa lá no Reviva, que é também um flor
e uma homenagem ao Benny,
que nos inspira amor,
pira e quem não admira
é porque ainda não viveu
ou não sofreu dor de viver.
Beijin, quase em Beijing.
Lindo, lindo, lindo....amei...matéria apaixonante! Principalmente para os orquidófilos.
Parabéns!
Já viu um filme, sobre orquídeas, chamado Adaptation, do Spike Jonze?
Nilmar Barcelos · Belo Horizonte, MG 17/2/2008 12:33
Obrigada, Teka
Foi um prazer e um privilégio conhecer a Floresta das Orquídeas.
Nilmar,
Não ví o filme mas vou procurar. Fiquei curiosa! Valeu a dica!
Juli,
Você conhecia o blog do BennY? Será Inconsciente Coletivo!
bjk
Cris, gostei muito. Que ensinamente esse Seu David dá, não é mesmo? A fotografia que abre a matéria é muito bonita, excelente...
Escrevi, por aqui, sobre Augusto Ruschi. Se quiser, SÓ CLICAR AQUI : O HOMEM DAS FLORESTAS
Salve, salve, Felipe!
Vou já conhecer seu Homem da Florestas!
Trabalho muito Especial pra gente com carinho e Amor Exaltar.
Trabalhos iguais a este inspiram e elevam a formação da Juventude.
Sáo Trabalhos Iluminados.
Maior alegria de votar.
Parabéns sempre.
Azuir,
Hoje recebí e-mail da David e da Bel, muito felizes, dizendo que foram inundados por um mar de esperança.
Obrigada a você e a todos que prestigiaram.
Uma trilha das mais bonitas. Parabéns.
Fala, meu brother!
Um passeio na mata, na trilha das orquídes selvagens!
Caríssima Cristina.
Moro num apartamento confortável, mas sem exageros. Ele está no 11o. andar e tem três pequenas varandas. Em cada varanda parafusei cerca de 40 (quarenta) vasos de barro (com traseira achatada) nas paredes. Em cada vaso um pé de orquídea. Rego a cada dois ou três dias, dependendo da maior ou menor secura do ar. Adubo a cada 15 dias. Sempre tenho orquídeas abertas ou nascendo. Os dois blocos de apartamentos têm juntos cerca de 50 apartamentos. Só eu tive essa idéia genial. Por que?
Uma senhora argentina escandalizou-se porque os funcionários do prédio onde ela mora, situado no mesmo bairro, jogavam fora os pés de phalenopsis, que decoravam o saguão, depois que as flores secavam. Pode?
Essa indiferença pela Natureza é um escândalo!
Oportuníssimo o teu trabalho.
Caro Suannes,
Como apreciador de orquídeas, um passeio até Nova Friburgo, de preferência no verão, para fugir do calor e conhecer a propriedade do David e da Bel. Imperdível. Eles o levarão pela trilha das orquídeas, Mata Atlântica adentro. Você verá estas formosuras no seu habitat natural.
Além de profundos conhecedores são muito engraçados. O David é uma "figuraça"!
As orquídeas são muito voluntariosas, não florescem em qualquer lugar. Dependem da época do ano, também. Felizes os que possuem a sensibilidade de apreciá-las.
Ah, lembrei-me também dos vagalumes! Impressionante, Suannes. Aos montes, de noite, parecem um céu estrelado!
Esse lugar deve ser um paraiso! realmente deu pra sentir o perfume das flores...
Boa materia Cris, adorei!
bj na alma!
Agora moradora de Nova Friburgo, espero ter o privilégio de estar de novo com David e Bel, no Caminho das Orquídeas".
Feliz 2009 para todos que tem fé e não perdem a esperança!
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