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A força da cena reggae unida

Yusseff Abrahim
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Yusseff Abrahim · Manaus, AM
17/8/2006 · 135 · 6
 

Cansados de esperar pelo interesse dos produtores locais, duas bandas amazonenses de reggae e dois músicos solo se unem para organizar semanalmente o Projeto Reggae Point. O evento acontece aos domingo, às 21h, sempre no Ao Mirante bar e o resultado pode ser avaliado com a comprovação de uma cena consolidada, onde a presença de um público fiel torna-se o melhor indicador da qualidade das bandas manauaras do gênero.

A festa sempre começa com o simpático grupo de covers que leva o nome de seu vocalista, natural da Guiana Inglesa e radicado em Manaus, Silinci Niguci (foto) – pronucia-se salinçái niguçái – apresentando aquele pacote simpático de hits que animam qualquer festinha como sweat a la la la la long e clássicos de Bob. Participam ainda do projeto o cantor Salomão Rossy, com repertório próprio de temática essencialmente regional; Marcelo Ipanema, ex-Deskarados, tocando músicas de sua autoria que consagraram uma das mais importantes bandas da história do reggae em Manaus, além da criatividade do som místico-florestal da banda Ayuhaska, falando de duendes, chás, substâncias e experiências astrais ao mesmo tempo em que brinca com instrumentos que imitam sons da floresta.

Também produtor do evento, Marcelo Ipanema (em segundo plano na foto) conta que o Reggae Point surgiu como alternativa para dar visibilidade às bandas locais. “Também é uma boa oportunidade para galera se antenar no que rola fora o circuito popular da cidade que gira em torno do axé, pagode e forró”, completa. Assim como as atividades que acumula, Marcelo oscila em seu discurso o ar preocupado do cantor com o otimismo do produtor cultural. “Em geral falta ousadia, os produtores locais e proprietários de casas há anos utilizam uma fórmula cansada de covers para a maioria das bandas locais em festas, e não utilizam bandas novas”, critica. “Apostamos na diferença, aqui temos espaço para cantar nossas músicas e estamos mostrando que este ‘diferente’ é um bom nicho de mercado”, comenta Marcelo, que ri ao ser questionado sobre a ironia de se referir à produção local usando o termo diferente. “Diferente é o não-convencional, né? É chato, mas Manaus tem disso”, comenta.

Com um espaço livre para tocar o que quiser, longe da manipulação do repertório por parte dos donos das casas de shows e produtores, a certeza do caminho escolhido pelos participantes está da presença do público que todo domingo freqüenta o local, no último dia (14/08), a bilheteria calculou 314 ingressos vendidos, superando ligeiramente a margem estimada pelo produtor. “Não é à toa que está dando 250 a 300 pessoas, a mesma quantidade de público na programação normal de casas noturnas similares e consagradas”. Vale destacar que boa parte do sucesso do projeto também se deve a escolha do local, o Ao Mirante bar é um local único na cidade, não chega a ser grande, mas seu espaço ao ar livre com palmeiras e vista para o rio Negro propicia uma atmosfera ideal para o reggae amazônico.

Cultura e outras bandas

Embora seja um evento musical, o projeto abre espaço para outras manifestações, como a apresentação de grupos de capoeira, danças afro, exposição de artes plásticas e performances teatrais que enriquecem o cenário divulgando cultura, ao mesmo tempo em que distrai o público nos intervalos entre bandas. “A partir de setembro vamos abrir espaço para a galera do graffitte também”.

Realizado como uma cooperativa entre músicos, evento começou com sete bandas organizadoras, mas mesmo com o número atual a festa está longe de ser restrita, semanalmente, uma banda é chamada para se apresentar como convidada especial. “Financeiramente, aqui a gente precisa dividir o resultado bom e o resultado ruim. Mas tem muita banda boa na cidade e agora que temos espaço e público, todo mundo tem que aproveitar”, comenta Marcelo. A repercussão do Reggae Point também começa a romper a divisa entre estados vizinhos ou mais distantes, fato que proporcionou apresentações recentes do cantor roraimense Eliakim Rufino, e das bandas O Cãimbra de Minas Gerais, Dago Miranda de São Paulo e a niteroiense Linha Rasta. Ficou afim de conferir? O ingresso custa R$ 10 e dá direito a uma cerveja. Estudantes com carteira pagam apenas R$ 5, mas não ganham a cerva de cortesia. Maiores informações pelo telefone 0xx92 8121-2258.

Aniversário com CD ao vivo

O Reggae Point completou um ano no último dia 31 de julho, mas longe do comodismo, os participantes querem aproveitar o bom momento para aumentar a divulgação de sua música. “Estamos programando um evento em setembro para comemorar o aniversário de um ano do Reggae Point com a gravação de um CD ao vivo”, revela. Marcelo conta que a intenção é priorizar o material em qualidade pensando na melhor distribuição possível, o maior problema enfrentado por bandas do Amazonas. “A intenção é distribuir nacionalmente para lojas de trabalham com artistas alternativos, internet, mas o ideal é conseguirmos uma distribuição maior, via gravadoras como EMI, Indie Records ou Central Reggae”, afirma.

No caso do planejamento não se concretizar, Marcelo se sente à vontade para falar em nome de todos os integrantes do Reggae Point, dando como exemplo o esforço feito para divulgar o primeiro CD de sua ex-banda Deskarados, quando o projeto Valores da Terra, da Secretaria de Estado da Cultura, gravou três mil cópias para o grupo. “Saímos pessoalmente para vender aqui no Amazonas, nas praias pelo Nordeste oferecendo de mão em mão e fizemos isso até quando fomos para Margharita, na Venezuela”.

História de esforço e profissionalismo

Muita coisa mudou desde o primeiro show de reggae na cidade realizado no início da década de 1990 e promovido pelo cantor Cileno, o primeiro militante do gênero musical. De lá, o ritmo ainda precisou superar o estigma de "música para maconheiros", para depois de alguns anos conquistar as primeiras oportunidades mesmo sob a forte desconfiança dos poucos donos de casas noturnas que, no seu entendimento, arriscavam a reputação do seu ambiente. “Tivemos que arregaçar as mangas e encarar a música como profissão, o resultado disso, hoje, são as muitas casas que dedicam dias específicos ao reggae e as novas bandas que já surgem fazendo música e realizando seus próprios eventos”, afirma Marcelo, confirmando o exemplo da Jamao Manao que já fez parte da organização do Reggae Point.

A postura profissional dos reggaeiros amazônicos já rendeu os primeiros ídolos locais no melhor estilo maintream. A banda Casulo possui uma exposição na mídia manauara digna de bandas nacionais, e são o melhor resultado em termos de massificação desta abnegada construção coletiva sobre uma cena que teria todas as características necessárias para estagnar no underground de uma cidade como Manaus. Um exemplo apropriado para a excelente cena roqueira da cidade, que, à exceção de trabalhos isolados, parecem imersos no conflito entre a vida de garagem e uma carreira realmente profissional.

Longe de descansar sobre os louros, em geral, os resultados demonstram por meio do volume de produção musical a consciência dos meios necessários para se manter. “Tem que criar, compor, movimentar sempre, se não vem outro ritmo dito "da moda" e domina o espaço que era teu”, conclui Marcelo. No mais, resta dedicar a toda esta nação colorida pelo verde, vermelho, amarelo e preto, os parabéns pela façanha e congratulações pelo ímpeto! O reggae venceu!

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achr
 

O Overmundo é realmente fantástico, muito tri!
Não imaginava uma cena reggae tão consistente no Amazonas.Claro que sempre tem um espaço, mas não com a tamanha organização...que foi exposta no texto...parabéns aos amigos manauaras. Eu tô aqui em Porto Alegre no outro extremo do Brasil, na minha vila. Que beleza d ediversidade no nosso Brasil. Tri legal a matéria, fiquem todos na PAZ.

achr · Porto Alegre, RS 18/8/2006 01:29
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Zezito de Oliveira
 

Um abraço para a galera que curte reggae em Manaus e e todo o Brasil.
O texto mostra que união e organização é fundamental.
Valeu!

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 19/8/2006 11:15
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Vanexxinha
 

Como frequentadora assídua do reggae point eu posso afirmar, q ali o ambiente de positividade é 100%! E que esse movimento só ajuda o reggae amazonense a se firmar!

um braço,

Vanessa :)

Vanexxinha · Manaus, AM 21/8/2006 19:01
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sacibh
 

RELMENTE FIQUEI SURPRESO E FELIZ COM O MOVIMENTO E A ORGANIZAÇÃO DO REGGAE AMAZONENSE PARABÉMS E PAZ PARA TODOS.
RIVA SACI

sacibh · Belo Horizonte, MG 22/9/2006 23:19
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Goiamum
 

Pow, parabéns a toda essa galera que busca "fazer acontecer" a cena cultural local, seja reggae, seja baião, o grande lance é o de incentivar a própria comunidade artística local, como este projeto tem a cara de fazer.
é isso ai!

Goiamum · Natal, RN 1/10/2006 21:31
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Eduardo EGS
 

Bah, se rola um Inner Circle só pode ser bom!

Gostaria de confraternizar com a MASSA REGUEIRA manauara.

Abração!

Eduardo EGS · Porto Alegre, RS 15/1/2007 15:59
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