A gente que faz memória!

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Michelle Portela · Manaus, AM
8/1/2007 · 87 · 0
 

Quem chega à aparentemente pacata cidade de Maués, interior do Estado do Amazonas, não imagina a movimentação do lugar, nem de perto as histórias que ele esconde. A cultura do guaraná se manteve ao longo dos anos como a principal alternativa econômica do município e, por isso mesmo, tem lugar de destaque no Museu de Maués, o único na região a abrigar bens arqueológicos e ambientais dos povos da região.

Maués é uma das cidades mais belas do Amazonas, conhecida como cidade do guaraná porque mesmo os seus primeiros habitantes, os índios mundurucus e maués, já o cultivavam. Sendo ainda hoje, e até pela valorização nacional do produto, o mais cultivado na região. Além das praias, há várias outras opções em atividades de lazer e culturais: esportes, passeios de barco, igarapés, além do contato direto com a cultura de algumas civilizações indígenas ainda presentes, estas responsáveis por uma variedade de artesanato e lendas, destacando-se o artesanato Saterê-Maué, grupo étnico que habita um trecho do rio Urupadi, sob a jurisdição da Funai, e a lenda do guaraná.

Como toda a Amazônia, Maués produz história e tem memória.
Nas comunidades da região, as pessoas "tropeçam" em material arqueológico. É muito comum ouvir a frase: "Ah! você está falando daqueles cacos que a gente encontra no chão?", referindo-se à cerâmica e artefatos arqueológicos da região. Apesar dos moradores terem consciência de que não foram os primeiros habitantes daquelas terras, são poucos os que conhecem a história e zelam para mantê-la viva. Não é o caso do artesão Valdo Mafra Monteiro, que de apaixonado por História passou a colecionar de artefatos antigos, alguns mais antigos do que ele (os mais velhos podiam identificar), o que os tornava ainda mais valiosos – ao menos para Valdo. Então, em 1999, sem apoio do Poder Público, o professor de educação física inaugurou o Museu de Maués, para reunir essas peças tão valiosas e ainda valorar o patrimônio imaterial da comunidade – terminologia que passou ser comum desde então.

A “abertura” da casa vem fazer justiça à região que produz história e, por isso mesmo, tem memória. Como diz Valdo, se pudéssemos fazer como certas culturas indígenas, que quando dançam fazem a terra contar histórias, ouviríamos as diferentes vozes que habitaram a região de Maués há mais de mil anos. A nossa cultura, porém, prefere recorrer à arqueologia para desvendar os mistérios da história.

O fato é que o museu não foi feito só por pesquisadores. A idéia era contar com a participação popular. "Os alicerces são as histórias contadas pelo pessoal daqui", diz Valdo Mafra, que ficou responsável por traçar o perfil do Museu de Maués. A participação dos moradores da cidade vai desde a doação de fotografias, desde o início do século ao período atual, à produção artística com guaraná.

Bens arqueológicos e ambientais, um recorte bem feito da cidade da época de sua expansão – como a chegada de uma usina da Ambev no município, há 40 anos -, vão pontuando o trajeto dos visitantes desse museu. Há pinturas e artefatos de pedra, quadros que retratam a região e um rico acervo de instrumentos e máscaras usadas em rituais indígenas. "Em geral, a arqueologia é tratada separadamente da história da cidade. Isso impede que as pessoas possam interagir com o material arqueológico", comenta Valdo, que continua: "Quisemos fazer um museu tal o qual as pessoas se sintam responsáveis".

A sede do Museu de Maués é na avenida principal da cidade, rua São Sebastião. O rio Maués–Açu que passa em frente à cidade tem seu merecido destaque, em fotografias recentes e antigas, com ribeirinhos e os animais aquáticos (várias espécies de tartaruga empalhadas, por exemplo).


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