Ai, acordar cedo. Quem gosta? Eu não gostava, mas acaba me acostumando depois de algumas semanas. Eu dormia tarde, herança dos meus pais, que ficavam na sala assistindo tevê até altas horas da madrugada. Aí o relógio do meu pai despertava e na porta do meu quarto eu podia ouvir três batidas “toc, toc, toc, quinze para as sete!”. A rotina se repetia cinco dias por semana. E eu não gostava nem um pouco.
Eu morava á poucos quilômetros da escola e por isso acordar quinze minutos antes da aula começar nunca foi um problema. Eu e meu irmão levantávamos, tomávamos um copo com leite e achocolatado, comíamos qualquer coisa e meu pai já estava dentro do carro à nossa espera. Escovávamos os dentes e em três minutos estávamos na sala de aula. Já chegamos atrasados várias vezes, nada preocupante, mas minha agenda continha alguns carimbos de atraso.
Na hora de ir embora era diferente. A aula terminava e ficávamos esperando por muito tempo alguém vir nos buscar. A mamãe era menos enrolada, mas como fazia o almoço, raramente vinha nos buscar. Meu pai era muito mais enrolado. Não sei porque, mas nós sempre ficávamos vinte, trinta minutos à sua espera. Por várias vezes presenciamos crianças do turno vespertino chegando à escola. Eu ficava muito nervosa, mas com o tempo desenvolvi algumas atividades para me tirar do tédio. Ficava na biblioteca ou conversando com alguém que também esperasse o pai ou conversava com o porteiro.
Passei por essa rotina vários anos e sempre reclamei, sempre fiquei com a cara feia e meu pai perguntava “para que essa tromba de elefante na cara?”. Eu dava uma risadinha e dizia “até parece que precisa dizer”. O dia que o sino da escola tocava e eu descia para o pátio à espera dele e ele já se encontrava lá na porta, eu ficava irradiante. Mal podia acreditar e dava um abraço dizendo “milagre!”.
Estudei em várias escolas até terminar o Ensino Fundamental. Durante a 7ª e 8ª série, fiquei na mesma e pude me adaptar bem a meus colegas. A escola era privada e se chamava Atual 2000 (depois que passou o ano 2000 eles mudaram o nome da escola para Atual) e ficava na Vila Rezende, bairro da grande Goiânia, capital do Estado de Goiás.
Esse pequeno episódio que agora conto para você, aconteceu no ano de 1999. Eu era um estudante feliz da 7ª série e tinha 13 anos. A aula em questão era de Língua Portuguesa e a professora se chamava Ialba, se não me falha a memória. A sala não tinha mais do que 25 alunos, o máximo permitido na escola. Mas os poucos que tinham eram capazes de fazer bagunça pelos 50 das escolas públicas.
Eu não era muito de fazer bagunça. Gostava de me sentir “a estudiosa” e prestava atenção. Fora os momentos em que ficava conversando a mil por hora, como tagarela, com a minha melhor amiga, Nádia. Mas nesse dia acho que não estávamos sentando perto uma da outra.
Me lembro que a professora escrevia algo no quadro enquanto a turma toda jogava giz uns nos outros. Eu não estava participando da brincadeira. Os líderes de sempre eram o Gabriel Garcia, o Sandro, o Mário, o Eurípedes Neto e mais alguns que não me lembro o nome.
De repente vi que vários pedaços de giz me acertavam. No início eu não quis revidar, mas quando vi que estava repleta deles próximo aos meus pés, não hesitei. Peguei um e joguei em direção ao Eurípedes. Na mesma hora que eu estava jogando, a professora olhou para trás e disse: “Bruna, Eurípedes, Nádia, Gabriel e Sandro, já para coordenação”. Eu me levantei e disse que não estava brincando, que aquele havia sido o único pedaço que eu jogara. Ela foi relutante e disse: “Desçam todos, agora!”.
Pela primeira vez levei uma Advertência. Ouvi uma bronca enorme e fui para casa com um carimbo enorme na agenda “advertido por bagunçar na sala de aula”.
Nunca mais eu brinquei com giz.
Querida Bruna:
Outro dia me acusaram de não tido "arte" para dizer que não gostei de um texto. Por isso, invocando a proteção de todas as musas quero te dizer que não considero seu texto adequado.
Pense assim, Bruna: quantos leitores do seu texto nunca participaram, como vítimas ou como protagonistas, de uma guerra de giz, principalmente de uma assim tão genérica e inconseqüente . Penso que não há o que justifique a leitura desta sua "experiência", menos ainda a advertência recebida, a não ser que a guerra fosse imbuida de um conteúdo emocional, o que não ocorreu.
Sendo anda mais sincero, eu não a estimulo a reescrever pois, é evidente, a guerra de giz, da maneira que nos contou, é um episódio totalmente marginal exterior, uma lembrança, eu diria, mais do que uma memória, nada que traga uma carga maior de empatia, uma maior identificação do leitor com você.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca, você tem todo direito de demonstrar sua opinião acerca do meu texto. Toda vez que escrevo e publico algo aqui no overmundo fico esperando os comentários. Sei que sempre surgirão os bons e os contrários ao que eu gostaria de ouvir.
No entanto, não concordo com sua análise sobre meu texto. Para mim essa sua frase "a guerra de giz, da maneira que nos contou, é um episódio totalmente marginal exterior" não condiz com o que eu pensava do texto. Primeiro, porque todo mundo pode ter levado bronca por brincar de guerra de giz, mas isso não tira a importância do fato para mim. E foi nisso que eu pensei. Para mim foi o fim do mundo e era isso que eu queria mostrar para o público do overmundo. De uma coisa totalmente comum eu tirei algo que me marcou para o resto da vida.
Quando li um texto seu que falava sobre uma japonesa chamada Aarin... (não me lembro direito o nome), foi interessante mesmo sendo algo comum. Quem nunca teve um colega japonês na sala? Quem nunca ficou com o nome diferente dele na cabeça?
Creio que seus valores acerca do texto estão um pouco deturpados.
Para não te decepcionar com seu projeto sobre reminiscências (que agora deveria ser mudado para reminiscências relevantes), modifico agora o nome do meu texto, aí não precisa ser encontrado com "reminscicências" já que se trata de algo comum.
Todo mundo já brincou de guerra de giz e "não há nada que justifique a leitura desta (...) experiência".
Obrigada pelo comentário construtivo, mas o texto fica. Quem quiser "perder tempo" ou se identificar com meu texto, que vote nele.
Abraços,
Bruna Célia.
Querida Bruna:
Deus me livre de achar que é a minha opinião e acabou. Acho que você tem todo o direito de manter o texto e, mais ainda, se acredita nele.
"Aarin Chu", você tem toda a razão (excetuado o fato de que ela era chineza) não existe recordação mais banal, no entanto muita gente gostou dele, inclusive você (foi o mais bem votado dos meus textos sobre escola)
Só não posso concordar é com o seu irônico "comentário construtivo" porque não fiz nada com a intenção de destruir coisa alguma, apenas colocar minha sincera opinião de leitor.
Aliás, tem sido uma tortura para mim não gostar dos textos das pessoas mesmo que diga porque não gostei. Mas eu gostei muito do seu texto anterior e disse. Para mim são duas faces da mesma moeda, e se quero que acreditem nos meus elogios devo dizer, sinceramente, que não gostei dos textos de que não gosto. Penso que as pessoas devem compreender que não é nada pessoal, inclusive o elogio. Fico até incomodado quando me agradecem. A única coisa que se deve agradecer, no meu ponto de vista, é o comentário crítico (latu sensu), não o seu conteúdo elogioso ou critico. A gente pode, como vc fez, não concordar com a critica mas não deve se ofender com ela, assim como, não concordar com os elogios como fiz recentemente com um jovem futuro grande amigo meu, (ele me chamou de doido)
Acho que o escritor só o é quando publica, e a publicação (e as críticas e elogios) é o que o faz crescer como escritor, isto é, escrever cada vez melhor, visto que recebe um feed-back.
"Eu morava há poucos quilômetros" quando o certo é "Eu morava a poucos quilômetros".
Fique bem, e principalmente, não me queira mal!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Seus comentários sempre são bem vindos, Joca!
Desculpa se pareci rude... mas às vezes certas palavras intrigam...
Abraços e continue lendo meus textos, pois seus comentários me ajudam a ser melhor...
abraços repetidos
Bruna, talvez seu texto pudesse ter sido melhor editado. alíás, disto não tenho dúvida.
Acho que o seu grande valor, é histórico. Ele mostra a realidade de uma geração que, até agora, apresentou poucas contribuições para o projeto. Desculpe-me dizer, uma geração de filhinhos muito paparicados, muitas "patricinhas" e muitos "mauricinhos". Nós fomos uma geração de pais que tentou fazer diferente. Protegeu muito em função da violência que estava aumentando a olhos vistos. Mas nem sempre acertou. A sua mais inesquecível guerra de giz retrata bem esta turma, esta fase da vida e da cultura brasiliera. Alguns trechos do seu texto poderiam ter sido escritos por um de meus filhos. Como uma contribuição histórica para o projeto, recebe o meu voto, portanto. Beijo grande.
Os inocentes pagam pelos verdadeiros culpados.
Um abraço.
Bruna.
Histórias que o tempo já escondeu, o que vale realmente é esse teu belíssimo texto.
Beijos
Noélio
Salve, Bruna!!
Achei, realmente, muito fora de propósito e até grosso o comentário do Joca!
Acho até que deveria ter feito o comentário via e-mail, de uma maneira mais pessoal. Mais parece um daqueles professores ultrapassados com uma régua na mão.
Bom, deixa pra lá!
Se eu contasse as barbaridades que já fiz em minha época de escola,
isso seria de rachar de rir!!!
Adorei seu texto, Bruna!!!!!!!!!
Salve Bruna Célia.
Achei seu Trabalho admirável.
Um texto muito agradável e Você náo deve de se preocupar deter tido esse carimbo na sua caderneta agenda.
Deve é de se orgulhar de ter sido a jovem cheia de sentimentos que foi durante seu Período Escolar.
Um belo registro da memória de uma estudante.
Veleu, vai aprofundando e resgatando toda mem[oria que voce puder.
Voto com orgulho por você.
Seu Trabalho esta em bom lugar.
É para toda a Juventude ver.
Receba um grande abraço.
Querido Rangel Castilho:
"Salve, Bruna!!
Achei, realmente, muito fora de propósito e até grosso o comentário do Joca!
Acho até que deveria ter feito o comentário via e-mail, de uma maneira mais pessoal."
Não sei o que você entende a respeito de "propósitos" mas o meu comentário teve claramente o propósito de externar a minha opinião sincera, não sobre a Bruna, a quem eu respeito e admiro e por quem nutro uma grande simpatia, mas sobre um texto seu do qual eu não gostei.
Por outro lado, se você acha que cheguei a ser grosseiro com ela não consigo entender em que seria menos grosseiro se lhe falasse em particular, como você sugere. Quando alguém posta num site como o Overmundo deve estar disposto a ouvir críticas tanto quanto elogios. Aliás, de minha parte eu não me sentiria nada bem criticando o texto da Bruna em particular, como se eu fosse "mais" que ela, coitadinha. Não tem mais, nem coitadinha, aqui somos todos colaboradores e eu julgo que, externando minha opinião sincera a respeito de um texto, ainda que esta opinião seja negativa, na próxima vez que elogiar a Bruna (ou qualquer outra pessoa) ela saberá que estarei , da mesma forma, expressando a minha verdadeira opinião.
Por outro lado, meu querido, não vou sair por aí comentando textos que eu não gosto (afinal, não matei meu pai a socos) mas os textos atinentes ao livro, porque não estou brincando de ser editor, me sinto na obrigação de dar a minha opinião.
Sei que tem existido, informalmente, e até tem sido incentivado , um "código de ética" segundo o qual só se elogia em público, e só se critica, assim mesmo em último caso, em pvt.
Julgo tratar-se esta postura de um engano pois a crítica e o elogio fundamentados nos ajudam a crescer e, principalmente, a aguçar a principal bússola de todo escritor que é a sua auto-crítica. Quero lembrar a todos que ninguém nasce escritor e que quem tiver esta pretensão deve saber que está sujeito a críticas e elogios. Lembro também que elogios gratuitos são muito mais prejudiciais (aqueles que incham o nosso ego) que críticas fundamentadas (que podem doer na hora mas nos ajudam a crescer).
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca, você foi a primeira pessoa no overmundo que me incentivou a escrever mais e mais.
Fiquei um pouco magoada com sua sinceridade, mas isso é um defeito do ser humano. rs
Para mim você será sempre o Joca que diz coisas boas...
e posso pedir uma coisa?
Não acho legal essa perda de tempo com discussões que não levam a nada.. vamos discutir temas interessantes... por favor!
aqui cada um fala o que quer... o que está afim.. e quem se sujeita a isso tem que aceitar... portanto, já entendi sua crítica....
e que continuemos a escrever e ler os textos uns dos outros....
opinião é opinião e pronto
abraços!!!
Olá Bruna Célia, lendo teu texto logo pensei no desconforto de quem dedica uma vida ao ensino e, por vezes, se depara com atitudes que beiram o vandalismo. Confesso que fiquei chocado, pois não achei compatível com o que tens escrito neste site. Também achei deselegante como descreveu o fato de ter que esperar seus pais. Talvez fosse melhor encontrar outro adjetivo, ao invés de “enrolados”.
Pedro Monteiro · São Paulo, SP 22/10/2007 23:40
rs
Mas meu pai é enrolado mesmo! E ele sabe disso!
E não vejo outra palavra que descreva isso!
Sorryyyyyyy!
Sem comentário.
Pedro Monteiro · São Paulo, SP 23/10/2007 07:46Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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