A Guerra do Maranhão

montagem: zina nicácio
Uma das cenas feitas por Ronilson Freire. No detalhe, a capa de Beto Nicácio
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Zina Nicácio · São Luís, MA
25/6/2009 · 0 · 2
 

Chega ao público o álbum ilustrado ‘Balaiada: a Guerra do Maranhão', com roteiro de Iramir Araújo e arte de Beto Nicácio e Ronilson Freire

Por Zina Nicácio

Há 171 anos, mais precisamente no dia 13 de dezembro, no então povoado Vila da Manga, interior do Maranhão, Raimundo Gomes Jutahy, um vaqueiro, incapaz de aceitar a injustiça cometida contra seu irmão e seu povo, mobilizou alguns companheiros e bateu de frente contra o poder instituído à época. Dera início a um dos maiores movimentos populares pela liberdade no Estado, a Balaiada.

Neste início de segundo semestre, a Balaiada volta à tona, desta vez, na Galeria do Sesc, através de um álbum ilustrado em linguagem de História em Quadrinhos, possibilitando aos que não conhecem o enredo, um mergulho no mais importante evento em prol da liberdade no Estado, e uma referência em termos de movimento negro no Brasil.

Segundo o autor do álbum, Iramir Araújo, Balaiada - A Guerra do Maranhão foi concebido com o objetivo de ser um incentivo a que estudantes e a comunidade em geral despertem para a importância de conhecer a história e a cultura locais. “Trata-se da quadrinização de um dos eventos capitais na História do Estado, a Balaiada, que se inscreve entre as revoltas que puseram em xeque o império brasileiro no início do século XIX”, resume.

Para o idealizador do projeto, que além de roteirista é historiador e publicitário, apesar de ser o principal evento social no Maranhão, o pouco conhecimento do tema por parte dos autores de livros didáticos, faz com que ele apenas seja citado nos livros que chegam às escolas.

“É extremamente positivo e de grande benefício para nosso povo, conhecer os heróis formadores da nossa história. Personagens como o vaqueiro Raimundo Gomes, Francisco dos Anjos, o Balaio e o Negro Cosme Bento, que ao longo dos tempos foram colocados na condição de vilões na História do Maranhão”, completa.

Segundo Iramir, a sociedade precisa conhecer os diversos ângulos do evento; outras facetas que não foram exploradas pela história escrita nos manuais. “Elementos de suma importância para a elevação do senso crítico e motivação para apreender novos aspectos da história brasileira”, analisa.

Reconstituição – Para a produção do álbum, Iramir se imbuiu do faro de pesquisador e foi atrás de todas as peças para montar o grande quebra-cabeça, que foi a Balaiada, uma vez que no Estado, as referências iconográficas estavam resumidas. Logo para a construção do roteiro, o autor reconstituiu historicamente todo o cenário e objetos nos idos de 1838.

“Há pouca referência iconográfica à disposição no Estado. Quase não há obras como gravuras, ilustrações ou pinturas produzidas no Maranhão à época ou referentes a ela que tratem do tema. O que nos serviu de fonte foram as consultas bibliográficas em que pontuam obras que fazem uma reconstituição dos acontecimentos no momento em que ocorriam, como o livro escrito pelo secretário de Caxias; outras que refazem a memória oral da Balaiada, a partir dos descendentes dos que se envolveram no movimento, além de análises históricas feitas por estudiosos do tema”, explicou.

Toda a pesquisa poderá ser observada em cada uma das 80 páginas, carregadas de ação e detalhes através dos traços de Beto Nicácio e Ronilson Freire. O lançamento está agendado para o próximo dia 02, a partir das 19h. Na ocasião estarão expostos os originais produzidos pelos dois artistas. O projeto foi patrocinado pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura e também foi contemplado pelo Programa BNB de Cultura edição 2009.

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Hermano Vianna
 

oi Zina:

valeu pela informação sobre o lançamento!

sabe se o livro tem distribuição nacional e poderá ser encontrado fora do Maranhão?

procurei por Iramir Araújo na web e encontrei este link com mais informações sobre seu trabalho

e sobre quadrinhos no Maranhão temos esta outra colaboração aqui no Overmundo

abraços!

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 26/6/2009 13:41
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Zema Ribeiro
 

hermano, querido,
não sei se a revista será encontrada fora do maranhão. mas posso falar com iramir e ele faz uma chegar às suas mãos.
abração,
zema

Zema Ribeiro · São Luís, MA 17/7/2009 09:51
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