A HERANÇA AFRICANA NA MODA E NO DESIGN BRASILEIROS

Babilonia Cultura Editorial lança "O africano que existe em nós, brasileiros"
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Canto do Trabalho · Rio de Janeiro, RJ
4/2/2015 · 13 · 2
 

Livro sobre cultura africana e suas representações artísticas marca a estreia do catálogo da Babilonia

Negros e mulatos foram considerados pelo antropólogo Darcy Ribeiro “o mais brasileiro dos componentes do nosso povo”. Com o objetivo de entender o processo histórico que os envolveu e identificar as raízes africanas na cultura do Brasil, a designer Julia Vidal usou a arte africana e sua influência em figurinos e acessórios, design e tipografia brasileiros como fios condutores do livro O africano que existe em nós, brasileiros.

O título é o primeiro do catálogo da Babilonia Cultura Editorial, em coedição com a Fundação Biblioteca Nacional, em parceria com a Secretaria de Políticas da Promoção da Igualdade Racial/Ministério da Cultura, e será lançado com sessão de autógrafos no próximo dia 5 de fevereiro na Livraria Travessa de Ipanema, no Rio de Janeiro, a partir das 19h.

Construção de identidade
Na obra, o leitor encontra a cultura africana representada em histórias, costumes, comportamento e nas cores e nos desenhos estampados no vestuário dos brasileiros. Todos os modelos retratados no livro são criações da autora, que concebeu dez coleções durante suas pesquisas.
Ao elencar a moda como forma de representação da influência africana no Brasil, Julia tem como finalidade contribuir no processo de construção da identidade do indivíduo, que entende melhor suas origens, além de reunir materiais que não são tão facilmente encontrados por quem quer estudar a cultura afro-brasileira.

A moda dos estados que tiveram maior influência africana e os trajes que constituem a identidade da moda afro-brasileira estão na obra. A carioca, por exemplo, é considerada a mais ousada, com vestimenta semelhante às camisolinhas, mas sem deixar a elegância de lado. Já as baianas, afeitas ao algodão branco, criavam sua moda, com realce para o uso de joias adornadas com símbolos religiosos católicos e africanos.

Por meio da moda, do design e da iconografia africana, e em benefício da transmissão de códigos culturais e informações entre sociedades, o livro aborda o período da escravidão em um capítulo sobre a comercialização de africanos como negócio lucrativo. A autora mostra como a escravidão é a responsável pelas possíveis origens étnicas de negros africanos vindos para o Brasil e a dificuldade, portanto, de definir esta origem. O livro trata ainda as heranças étnicas na música, culinária e na arte. As religiões de matrizes africanas, entre elas o candomblé e a umbanda, e seus símbolos no Brasil, também compõem a publicação.

A obra nasceu do desejo de reviver o cotidiano de Salvador, cidade constantemente visitada por Julia na infância. “Pesquisar e estudar a cultura afro-brasileira foi o passaporte para voltar lá. Queria entender porque eu gostava tanto de tudo o que vivi em Salvador, para além do aspecto lúdico do lugar, e trazer do meu inconsciente para o consciente a necessidade de conhecer mais a cultura brasileira, que sempre fez parte da minha vida”, complementa a autora.

Catálogo
O Africano que existe em nós, brasileiros é um dos livros de estreia do catálogo da Babilonia Cultura Editorial que serão lançados no primeiro semestre de 2015. O projeto editorial mapeia culturas, história, memória, gastronomia, design, ficção, arte, sociedade e personagens. “O ponto de partida do catálogo é o mesmo conceito da criação da empresa, uma babel de cultura e conhecimento”, explica a jornalista Michelle Strzoda, diretora editorial e sócia-fundadora junto ao designer e diretor de arte da Babilonia, Rafael Nobre.


JULIA VIDAL (Rio de Janeiro, 1980) é descendente de africanos, indígenas e europeus. Graduada em Comunicação Visual pela EBA|UFRJ e com sua brasilidade acentuada após dois anos de graduação em Diseño Gráfico na Universidad de Buenos Aires, Julia retorna ao Brasil com olhar apurado para maior percepção das culturas africanas e indígenas no design brasileiro. Esta trajetória se fortalece com a pós-graduação em História África–Brasil, Laços e Diferenças, na Universidade Católica de Petrópolis e com cursos técnicos em design de estamparia pelo Senai e Senac. A atuação com moda começou em 2005 com a grife afro-brasileira Balaco, que recebeu seu nome após dez anos de pesquisa em design para etnias indígenas. Desfiles no Rio de Janeiro, em Bogotá e Londres abriram espaço para Julia assinar figurinos de TV, em palcos e eventos brasileiros, e em desfiles de moda como o Fashion Rio. É reconhecida como designer sustentável que celebra a herança cultural na campanha mundial Make the Future, da Shell Live Wire. O africano que existe em nós, brasileiros é seu primeiro livro.

Trecho do livro
“Para entender como uma identidade cultural se transformou em moda, precisamos resgatar de onde nasceu seu primeiro desenho, o traçado inicial. Foi através da escrita, de símbolos com múltiplos significados, que comecei este trabalho de documentar a origem estética da identidade brasileira, materializado no design de moda. Analisar a simbologia e a maneira de se comunicar de etnias africanas me proporcionou entender um pouco mais a minha cultura. A partir daí, busquei identificar formas e ritos que fazem parte do nosso cotidiano, para sabermos separá-los, a fim de identificar sua origem – se africana, indígena ou portuguesa. Mas o resultado dessa mistura é uno, é brasileiro.(p. 15)

SERVIÇO
Lançamento | Sessão de autógrafos
Quinta-feira, dia 5 de fevereiro, a partir das 19h
Livraria Travessa de Ipanema
R. Visconde de Pirajá 572 – Rio de Janeiro
JULIA VIDAL
27 x 27cm, 104p.
ISBN 9788566317022
R$ 75,50

IMPRENSA
Canto do Trabalho Comunicação | 21. 3852-7922
Jaciara Rodrigues >> jaciara@cantodotrabalho.com | 21. 98121-2474
Andréa Drummond >> dea@cantodotrabalho.com | 24. 8824-1512

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Paulo Sebin
 

Esse livro parece ser muito legal. Isso me faz lembrar a respeito de como os brasileiros se comportam quando acompanham alguma roupa nitidamente caráter africana. Já vi negros e negras com penteados legais, bem característicos, assim como roupas pontuais. As pessoas observam com olhar de estranheza. Seria a mesma coisa quando alguém do Oriente Médio aparece em um shopping com as roupas características e as pessoas observam com certa estranheza, infelizmente. De qualquer modo, é muito legal ver a influência de outras culturas na moda brasileira. Não é minha área, trabalho ultimamente como freela para comunicação na empresa de roupa infantil EcaMeleca de São Paulo, ou seja, moda infantil, mas achei interessante esse artigo, já que pesquiso sobre o assunto.

Paulo Sebin · Londrina, PR 7/7/2016 12:20
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Silvia Araújo Motta
 

Bela homenagem à herança brasuileira. Votei.

Silvia Araújo Motta · Belo Horizonte, MG 29/11/2016 08:04
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