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A Imagem da Mina Nagô
Eduardo Júlio · São Luís (MA) · 2/8/2007 15:01 · 289 votos · 22 comentários ·  
 
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overponto
Filha de santo da Casa de Nagô, pelas lentes de Márcio Vasconcelos
A Casa de Nagô, um dos principais terreiros de culto afro de São Luís, terá registro em livro de fotografia e história. O projeto “Nagon Abioton – Um Estudo Fotográfico e Histórico sobre a Casa de Nagô” foi idealizado pelo fotógrafo maranhense Márcio Vasconcelos, 49, obtendo aprovação no mais recente Programa Petrobras Cultural.

A finalidade é apresentar a trajetória e as atividades do terreiro, através de textos e imagens. A Casa de Nagô, localizada no festivo e cultural bairro da Madre Deus, na área do Centro de São Luís, é considerado um dos terreiros matrizes do culto afro-maranhense tambor de mina, que possui importância semelhante ao candomblé, da Bahia. Sabe-se que a casa teria sido fundada por “malungos” africanos, sendo a Mãe Josefa, a fundadora do culto no final do século XVIII. “Trata-se de um dos terreiros mais tradicionais e dele se derivaram diversas outras casas de culto, da mesma linhagem, no Maranhão”, explica o fotógrafo.

Além de Márcio Vasconcelos integram a equipe de produção do livro, o poeta e jornalista Paulo Melo Sousa, o pesquisador Sebastião Cardoso Junior e a antropóloga Mundicarmo Ferretti.
Márcio explica que apesar da importância e do prestígio, no momento, a Casa de Nagô enfrenta diversas dificuldades, como o pouco número de dançantes (mãe e filhas de santo) em atividade no local. Há somente quatro, todas entre 80 e 100 anos de idade, que integram o terreiro sob o comando de Dona Maria Lúcia, de 102 anos, a chefe da casa. Além disso, por dificuldades financeiras, elas não conseguem cumprir o calendário anual de festas. “Há pouco tempo existia um número significativo de dançantes, mas a quantidade diminuiu drasticamente, por morte ou por incapacidade física”, diz.

Ele acrescenta que há diversos trabalhos acadêmicos sobre a Casa de Nagô, porém não existe nenhum registro semelhante ao proposto pelo projeto dele. “Esta foi uma das razões para idealizarmos este livro, com registro imagético e literário. O objetivo é mostrar todas as festas realizadas pelo terreiro, com prioridade para a memória oral, colocando a voz das mães de santo”.

O fotógrafo enfatiza que mesmo com a finalidade de cobrir todas as atividades da casa, a parte imagética do livro priorizará a linguagem da arte. “Não será um trabalho narrativo ou didático e sim estético. Mas é claro, todas as filhas e mães de santo terão o seu retrato”.

Segundo Márcio Vasconcelos, serão relatados detalhes acerca do culto, como cânticos, rituais, alimentos utilizados, plantas sagradas de cunho ritualístico, danças, entre outros elementos.

Ele conta que desde quando começou a fotografar, há quase 20 anos, registra os festejos e atividades das principais casas de tambor de mina de São Luís. “Acompanho de perto outros terreiros, mas a minha aproximação com a Casa de Nagô ainda é tímida. Por isso, a primeira etapa do projeto é criar um forte vínculo de amizade com as filhas e mães de santo do local”, ressalta.

FESTAS
As festas dedicadas ao vodum Jêje Sobô, deusa dos ventos e da tempestade, sincretizada com Santa Bárbara, no mês de dezembro, e ao vodum Xapanã, relacionado com a entidade gentil Rei Sebastião, sincretizado com São Sebastião, em janeiro, são alguns dos festejos que integram o ciclo anual da casa.

ORIGEM
Relatos apontam que o tambor de mina se origina da cultura dos negros do Reino de Daomé, atual Benin, por causa do porto de São Jorge de Mina, de onde teriam partido a maioria dos negros que vieram escravizados para o Maranhão. Deles, surgiram dois segmentos étnicos, diferenciados pelo dialeto: mina Jêge e mina Nagô.

ARTESANATO
Além do futuro livro sobre a Casa de Nagô, Márcio Vasconcelos preparou uma publicação sobre o artesanato maranhense, “Arte nas Mãos – Mestres Artesãos Maranhenses”, que foi aprovada na Lei Rouanet e está pronta, mas espera recursos para a impressão.
“O livro destaca a figura dos artistas. Não é um trabalho sobre objetos, mas de pessoas que confeccionam peças de artesanato”, define o fotógrafo.

A publicação vai abranger mestres que trabalham com cerâmica, madeira, fibras vegetais, artesanato indígena e arte do bumba-meu-boi, de todas as regiões do Maranhão. Foram registrados aproximadamente 50 artesãos. Para realizar o projeto, Márcio Vasconcelos contou com o auxílio do pesquisador Jandir Gonçalves, um dos mais importantes de São Luís, e novamente com o poeta e jornalista Paulo Melo Sousa. “Este livro estava aprovado para ser impresso com recursos do Sebrae, mas com a mudança da diretoria da instituição, o projeto foi suspenso”, explica.

O AUTOR
Nascido em São Luís, Márcio Vasconcelos é fotógrafo independente e se dedica a registrar as manifestações da cultura popular do estado. Costuma atender a várias agências de publicidade de São Luís e de forma paralela desenvolve projetos autorais em comunidades negras quilombolas, colônias de pescadores e aldeias indígenas do interior do Maranhão.

A primeira exposição individual dele, intitulada “Filhos da Lua”, tratava da comunidade de pescadores da Ilha dos Lençóis (não confundir com Lençóis Maranhenses). A mostra foi apresentada em 1992, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, em São Luís. A mais recente, “Brilho de São João – Registro do Bumba-Meu-Boi do Maranhão” esteve em cartaz no Museu do Bonde, no Rio de Janeiro, em 2007. Entre as revistas que Márcio Vasconcelos já colaborou, constam Caminhos da Terra, Viagem e Turismo, Exame e Você S/A.





tags: São Luís MA artes-visuais


 
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Então, Eduardo, muito boa colaboração. É importante trazer à tona pessoas como o Márcio que insistem - muitas vezes contra a maré - em mostrar para o resto do mundo retratos de uma parcela do Brasil que precisa, que merece ser vista.

Só uma dica: se acrescentares espaço entre os parágrafos, a leitura ficará mais fácil e o texto, mais bonito.

Abraço.
Labes, Marcelo · Blumenau (SC) · 30/7/2007 14:06 
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Boa dica Labes. A partir de agora vou prestar atenção neste detalhe.
Abraço,
Eduardo
Eduardo Júlio · São Luís (MA) · 31/7/2007 09:06 
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Remisson Aniceto Oi, Eduardo. Gostei muito do texto. O Brasil tem tantas belezas escondidas que precisam ser mostradas. Parabéns!
Remisson Aniceto · São Paulo (SP) · 1/8/2007 13:36 
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Eduardo, tinha visto feito a minha entrega; agora votei para votar e pedir um voto, Oxalá - minha mãe, a propósito hoje estou postando

MEDALHAS, por uma mãe negra.
se puder passa lá.

-
Andre Pessego · São Paulo (SP) · 1/8/2007 17:39 
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Eduardo,

beleza de post. beleza de foto (não consegui abri o crédito dela, é tua?)

Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 2/8/2007 07:50 
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Não é minha Spírito Santo. Não coloquei os créditos, porque aponto o autor na legenda: Márcio Vasconcelos.
Abraços,
Eduardo
Eduardo Júlio · São Luís (MA) · 2/8/2007 09:43 
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É mesmo, cara! Que coisa! E nem vi

Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 2/8/2007 09:59 
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Acho super importante este registro da cultura popular transmitida oralmente de geração a geração. Embora seja do RS (onde há uma preservação bem grande dos cultos africanos já hibridizados) fico contentíssimo com a manutenção através de registro escrito do nosso arcabouço cultural. Um abraço e parabéns pelo texto!
Dico da Fonseca · São Paulo (SP) · 2/8/2007 14:32 
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Que colaboração bacana. Respeito às tradições e resgate... essa é a pegada. Abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal (RN) · 2/8/2007 15:15 
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Tudo já foi comentado Eduardo.

Passo apenas para deixar meu voto para esta bela colaboração.
Higor Assis · São Paulo (SP) · 2/8/2007 16:17 
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Muito boa essa colaboração, Eduardo.
Também sou maranhense e fico feliz por personagens como este que fazem parte da nossa história.

Também estou com uma colaboração na fila de votação.
Veja o que você acha. Se quiser votar, eu agradeço.

Um abraço!
River Coelho · Rio de Janeiro (RJ) · 2/8/2007 16:26 
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Bom saber.
Bacana.
um ab
Mansur · Rio de Janeiro (RJ) · 2/8/2007 17:22 
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Maravilha! Realamente o Maranhão é um lugar muito especial! Parabéns! Você conhece a Maria Mazzillo? Ela tem um trabalho muito bacana sobre os Cazumbás, fe um livro muito bacana também.
Sorte!
Dyonne
dyonne boy · Rio de Janeiro (RJ) · 2/8/2007 18:18 
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É bom ver esse tratamento com as religiões afro, até que enfim. O problema é pouca gente tem acesso e ela continua marginalizada...

Boa matéria!
Alexandre Grecco · Fortaleza (CE) · 3/8/2007 08:36 
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Alô Dyonne,
Conheço a Maria Mazzillo e tenho o livro sobre os cazumbás. Nós nos tornamos amigos na última temporada que ela passou em São Luís.
Abraços,
Eduardo Júlio · São Luís (MA) · 3/8/2007 09:31 
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isso eh que eh uma boa noticia. aguardamos ansiosos. parabens a todos!
diginois.com.br · Rio de Janeiro (RJ) · 3/8/2007 15:19 
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Eduardo, valeu pela colaboração.
Coincidência ou não, tava mesmo lendo sobre o tambor de mina ontem. Só uma pergunta: o trabalho do Márcio vai incluir algum material musical, já que "o objetivo é mostrar todas as festas realizadas pelo terreiro, com prioridade para a memória oral, colocando a voz das mães de santo" ? tô curiosa.
falando em petrobras cultural, achei a distribuição por regiões do brasil deles péssima. são paulo ficou com quase metade dos patrocínios, mas fico feliz em saber que pelo menos um pedacinho foi pro maranhão.
um abraço.
Clara Bóia · Blumenau (SC) · 3/8/2007 19:53 
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Olá Clara,

O livro de Márcio será uma publicação de fotografia e história (texto), não vai incluir material de música. Quando ele declarou "a voz das mães de santo" estava se referindo à voz de forma "escrita".
Sobre o Petrobras Cultural, parece que tiveram mais dois projetos do Maranhão aprovados. Bom, acredito que se compararmos com tempos passados, a descentralização aumentou.

Abraços,
Eduardo Júlio · São Luís (MA) · 6/8/2007 10:44 
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César Choairy Edu, finalmente tive a oportunidade de ver o site. Bacana! Parabéns. Muito legal a qualificação nova dessas entidades como a Casa de Nagô, o tambor de crioula etc. Márcio Vasconcelos merece destaque. Grande profissional. É isso aí. Abração
César Choairy · Viana (MA) · 6/8/2007 14:19 
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Ratao Diniz Olá meu querido companheiro Marcio, parabensssssss pela conquista de sua luta. Sou Ratão, morador do conjunto de favelas da Maré, formado pela Escola de Fotografos Populares/Observatorio de Favelas do Rio de Janeiro, um projeto criado pelo nosso grande mestre J.R Ripper.
Estou ak q possamos trocar contatos. Se vc puder deixar o seu email, quem sabe poderemos fazer um intercambio fotografico. Qualquer coisa me envie um email.
ratanarkos@gmail.com / rt_diniz@yahoo.com.br

Beijos e fortes abraços solidários unidos a muita forçassssss e meus parabens novamente pelas belissimas imagens
Ratão Diniz
Ratao Diniz · Rio de Janeiro (RJ) · 17/10/2007 19:07 
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Salve a Cultura Afro!!!
Essa vai pro meus favoritos!

para_raros · Belém (PA) · 23/11/2007 20:15 
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Achei muito interessante o tema abordado. E acho que realmente devemos valorizar mais a cultura Afro.
O terreiro de Nagô faz parte da cultura maranhense, e foi uma iniciativa muito legal da parte de vocês divulgarem um pouco disso, pois muitos ainda não tomaram conhecimento do que vem a ser esse terreiro e da importância que ele tem, como forma de engrandecer nossa cultura.
Parabéns pelo trabalho.





Bebel** · São Luís (MA) · 1/5/2008 02:33 
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