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A insuportável violência que tomou Pernambuco

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Felipe Leal · Rio de Janeiro, RJ
22/11/2006 · 91 · 8
 

A cidade do carnaval, do maracatu, do povo alegre e hospitaleiro (entre outros lugares comuns) está entregue às baratas. Mesmo. Uma intraqüilidade aparente se transforma em um estado quase alucinatório de caos e insegurança total quando você começa a observar a mídia. Da última sexta-feira até agora, foram 23 homicídios. No último feriado do dia 15 foram mais de 45 mortes, comparável ao Iraque. O Estado é campeão de mortes de mulheres e possui o segundo maior índice de mortes de jovens. Não há um dia sequer que o Recife não acorde com corpos perfurados de bala.

Engana-se quem pensa que o rastro da violência seja restrito a bolsões e localidades de baixa renda, como no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Um exemplo foi a morte de um jovem de classe alta, em plena orla do bairro de Boa Viagem, metro quadrado mais caro do Nordeste. Além deste caso ocorrido ontem, mais quatro pessoas foram mortas nos últimos dois anos, ali, na cara dos turistas. É o cartão postal. Praia com sangue. E para pior ainda temos os tubarões.

No Recife, remediar é melhor do que prevenir. Prevenir gasta dinheiro, é caro. Assim, os cadernos de Cidades dos três grandes jornais locais, todos os dias, ficam repletos de tiroteios, facadas, mortes em emergências, fotos de assassinos, indiciados e mortos prematuramente. É um festival de fuzilados, arrastados e esfaqueados.

Dia 17 foi a vez de dois bandidos causarem o caos no Centro do Recife. Em frente a prédios públicos importantes, como o Teatro Santa Isabel e (vejam só!) a Casa Militar. Certamente que a polícia atuou com responsabilidade no caso, mas a ousadia dos assaltantes foi impressionante. Causaram pânico ao saírem armados com R$ 500,00 roubados de uma casa lotérica. A população, atônita, observava aquilo tudo.

Na comparação nacional, Pernambuco apresenta as maiores taxas de homicídios em jovens, só perdendo para o Rio de Janeiro. O terceiro lugar fica com o Espírito Santo e o quarto com São Paulo. Recife tem aproximadamente 568.780 jovens, correspondendo a 40% da população total. Cerca de 51% deles vivem em famílias com renda mensal inferior a um salário mínimo e muitos estão em situação de rua.

As mortes com armas de fogo somam 72,7% do total e as medidas criadas pelo governo do Estado parecem não surtir efeito. Programas de profissionalização, atuação de ongs, projetos de participação público-privadas, cursos educativos, incentivos para estudos... parece que nada adianta. Isto acaba por criar um conformismo insubstituível e uma situação de incredulidade enorme.

Faço trabalho voluntário no bairro mais violento da minha cidade, Santo Amaro, e dou aulas de jornalismo para entre cinco e oito crianças. Vejo tantas outras iniciativas parecidas e igualmente nobres, mas enquanto uma dessas crianças consegue empreender trabalhos conscientes, outras dez acabam morrendo na guerra diária do estado.

Outra triste marca é a que Pernambuco é o estado campeão de mulheres mortas no país. São mais de 270 desde janeiro, o que dá uma média de mais ou menos 0.8 mortes/dia. Proliferam centros de proteção à mulher, campanhas, a lei Maria da Penha, sancionada pelo Governo Federal, e nada. O machismo nordestino contribui claramente para esta questão, já que maioria dos homicídios é cometido pelo próprio marido ou namorado.

A morte da menina Laís, de nove anos, também aumentou estas estatísticas. Estrangulada, esquartejada, estuprada (nessa ordem) e queimada, o caso deixou os pernambucanos embasbacados por quase dois meses, o tempo em que ela ficou desaparecida. Os termos são fortes, mas isto são só palavras. Imagine ver todo dia em imagens e no real.

Muitos estudiosos afirmam que a melhora estaria em uma educação mais eficaz, diferente daquela compulsória a uma realidade virtual, como a do Bolsa Escola. Outros afirmam que o ideal é o pleno emprego, dar oportunidades aos jovens. E ainda há aqueles que defendem que violência só se combate com mais bala. E não são só eles. É comum a polícia ter que proteger criminosos para que estes não sejam linchados publicamente pela população.

O caldeirão de mazelas sociais aqui em Pernambuco está se tornando praticamente insuportável. Violência é o assunto do dia de várias pessoas. A fixação por ela reflete bem o medo com que vivemos e o pânico que tomou de arrastão toda a cultura que temos por aqui. Está cada vez mais complicado.

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Alê Barreto
 

Oi Felipe. Que iniciativas existem em Recife para combate destes problemas? Pergunto porque sou de Porto Alegre, não conheço sua cidade.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 20/11/2006 13:52
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Felipe Leal
 

Alê, há várias como o Estação Futuro, que são aulas e cursos para crianças e adolescentes carentes, há programas educativos que utilizam carga horária extra-curricular visando dar mais condições a eles, sem falar de inúmeras ongs e instituições ligadas ao governo e empresas privadas que tentam amenizar essa questão. outras iniciativas que tentam disponibilizar inclusão social a partir de projetos culturais como oficinas de dança, audiovisual, entre outros, também são opções.

mas mesmo assim a situação é a descrita acima.

abraço!

Felipe Leal · Rio de Janeiro, RJ 20/11/2006 14:19
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Luisa Pitanga
 

Felipe, está "E para pior ainda temos os tubarões." Acho que quer dizer "E pra piorar....", né? Já ouvi falar que Pernambuco é o estado onde existem mais ongs atuando, é verdade? Sei que algumas ongs financiadoras internacionais tem escritório em Recife. Acho que existe um descaso absurdo com as comunidades pobres do Recife, além do descaso, além do preconceito arraigado contra juventude pobre, criminalizada à primeira vista. Isso é o retrato da mal sucedida experiência da metrópole, Rio e São Paulo são exemplos para o resto do país. Falta oportunidade, falta investimento e principalmente ser tratado como cidadão. Beijo

Luisa Pitanga · Rio de Janeiro, RJ 20/11/2006 23:12
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Luisa Pitanga
 

ERRATA: além do descaso, há o preconceito arraigado...

Luisa Pitanga · Rio de Janeiro, RJ 20/11/2006 23:13
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danny klein
 

ola felipe, gostei muito do artigo acima e queria falar contigo a respeito de uma possivel cooperacao. sou fotografa, moro em berlim e passei sete anos no recife. acabei de voltar com uma serie de fotos sobre este mesmo tema. voce ainda contribui para este site?
meu email: yellaklein@web.de
tentei seu hotmail, mas nao funcionou. espero que isso agora de certo.
ate logo, espero!
daniela

danny klein · Alemanha , WW 15/10/2008 17:02
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bebeto_maya
 

Interessante perceber esta passagem:

"O machismo nordestino contribui claramente para esta questão, já que maioria dos homicídios é cometido pelo próprio marido ou namorado."

A idéia do politicamente correto não deixa as pessoas perceberem o óbvio: A mulher nordestina, por ter mentalidade provinciana tacanha, tem insuportável atração por canalhas violentos. Quem escolhe também é culpado. Acham que ser macho é "dá porrada"
e dão brecha para esses sociopatas em suas vidas. Simplesmente odeiam homens delicados e humanizados.

bebeto_maya · Olinda, PE 19/11/2008 01:02
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CALL CENTER
 

Felipe, somos de Recife,Empresa CALL CENTER CURSOS que vem com Proposta de capacitar Mulheres Estado Recife/ PE. em situação de Violência.Nosso Projeto
entende que uma vítima(moral ou física) não tem como se sustentar,sem condições financeiras ela volta ao seu agressor. Temos Tentando ser Ouvidos pela secretaria da Mulher(prefeitura/estado PE) sem êxito. acreditamos que só uma qualificação aliado a um trabalho pode mostra na prática soluções para sair de um ciclo vicioso, devolvendo sua alto estima.Sediada em Recife, nós trabalhamos com Mulheres sem limite de idade, independente de experiência, inclusive com ensino fundamental onde treinamos e oferecemos 100% de encaminhamento ao trabalho. Temos Parcerias com empresas declaradas ao Projeto. Precisamos que Entidades(pública ou Privada) se Interessem em Fazer Parceria para Capacitação de mulheres que serão encaminhadas por ongs(clarice lispector,casa da mulher,delegacia da mulher, entre outros) tudo divulgado através syte ao público.
O Projeto AS FILHAS DE GANDHI vem com soluções na prática,Podemos enviar nosso Portfólio para Divulgação e Parcerias;
OP.CALLCENTER@YAHOO.COM.BR
Viviane Viana 81*32241162

CALL CENTER · Rio Formoso, PE 18/5/2011 10:00
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CALL CENTER
 

CALL CENTER/ RECIFE PE - APOIO A PROJETOS SOCIAIS

As FILHAS DE GANDHI
LUTA CONTRA A VIOLÊNCIA AS MULHERES
Através Destas CARTILHAS EXPLICATIVAS, é uma das Formas de Conseguir Mostra o Cotidiano das Pessoas em situação de Violência, Mostrando Leis e Direitos. A Idéia é Atingirmos nosso Público Alvo, fazendo divulgações em Bairros menos assistidos, e Informam a Sociedade Quais as Formas que Podemos Oferecer para Melhorar a nossa Convivência com a Diferença em Nosso Estado. EMPRESA-Sediada em Recife, A Call Center, Realizou Parceria com, as Maiores Empresas da Região. Elaborando Projetos Personalizados, Oferecendo Estrutura para Capacitação de profissionais, Instalação de Call Centers e Ministrando Cursos Profissionais. Realizando Palestras de Desenvolvimento de Marketing Pessoal nas Empresas, e Encaminhamentos Profissionais de Telemarketing e Recepcionista para Empresas.
Curso é Dividido, na Instituição de Ensino Call Center, em Duas Partes;
01. Na Teoria; do Curso o Aluno Terá Descriminado em seu Diploma, no Término do Curso, com a Quantidade de Horas Realizada, que vem com o Conhecimento de Código de Defesa do Consumidor, Conduta ética, Redação, Etiqueta Profissional, Dicção e Excelência do Atendimento, Técnicas de Vendas, Marketing Pessoal, Comportamento e Cultura, Ética Profissional, Cidadania, entre Outros.
02. A Prática; é Através de um Estágio que o Aluno Terá Descriminado em seu Currículo com a Quantidade dos Meses Realizado, que vem com o Conhecimento de Negociação, as Quatro Operações do Telemarketing, Superações de Objeções, Metas. Com o Critério de Desenvolver Habilidades; Dicção, Interpretação de Texto, Ética Profissional, Motivação, Trabalhar em Equipe, Formação de Opinião, Fonologia, entre outros...
CONTATO; OP.CALLCENTER@YAHOO.COM.BR

CALL CENTER · Rio Formoso, PE 18/5/2011 10:19
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