Nos anos 40, numa cidadezinha do interior sul-mato-grossense, onde a lua se banha no rio Paraguai antes de dormir e o filho sem pai é chamado de filho do boi, Porto Murtinho hospedava um velho fazendeiro, que vivia infeliz, pois a vida não havia lhe dado o tão sonhado filho. Toda cidade se alegrava nas festivas natalinas, pascais ou no dia das crianças, mas o senhor Hélio, sequer acendia as luzes da Fazenda Encanto.
Do outro lado do rio, as promesseiras de Caacupé, cansadas de tanta tristeza, pediram a santa milagreira do Paraguai que atendessem suas preces, e que desse aquele homem pantaneiro o tão esperado filho.
Sebastião, o negro capataz, foi testemunha do milagre da virgem paraguaia.
– Eu estava sentado no jacarandá, aprumando um paiero, quando um touro grande adentrou a fazenda, e consigo trazia um garrote franzininho, pequenino, que mal parava em pé. Em uma referencia ao patrão o touro disse:
- Não me tema, sou o touro Candil, uma dádiva da Santa de Caacupé, e vim lhe ofertar meu filho, o bezerro Encantado, que de agora em diante não é mais meu bezerro é teu filho amado. Nossa Senhora de Caacupé atendeu as preces, eis teu filho por mim gerado.
Os anos se passaram e o garrote foi tomando corpo, ficando forte. As novilhas se derretiam por ele no curral. Certo tarde, quase anoitecendo, mais precisamente no dia 8 de dezembro de 1946, o tourinho foi pastar próximo ao rio Paraguai, quando uma luz forte quase o segou. Era ela, a santa milagreira, Nossa Senhora De Caacupé.
– Encantado, vejo que seu dono soube te amar e te criar como um verdadeiro filho homem. Por essa noite, não mais pastaras, serás belo e formoso. Tome forma de um Ãndio, e dê ao seu pai, apenas por hoje, a alegria de ter um filho em seus braços.
Senhor Hélio estava à lareira esquentando uma chaleira de água para o mate, quando entra em sua sala um jovem bugre, cabelos escorridos, olhos cor de jabutica e corpo de um guerreiro, que lhe disse: – Sou seu filho, sou eu, o Encantado. A santa me fez homem para que eu pudesse te abraçar, mas será um momento único, depois disso voltarei a ser touro novamente.
O abraço entre pai e filho durou uma noite inteira, lágrimas corriam dos olhos do fazendeiro, que por uma noite teve a alegria de ser pai. “Vá meu filho, que Nossa Senhora de Caacupé te proteja, vá cumprir o seu destinoâ€, soluçou o velho fazendeiro. O filho homem tomou a benção de seu pai e saiu pela porta, logo o touro trotou ao desconhecido.
Nossa senhora de Caacupé resolveu dar outra oportunidade ao touro, e em noites de lua, ele volta à forma humana, seu dever agora é gerar filhos capazes e amar o próximo, assim como ele amava seu pai.
Sinhazinha Laura era filha do senhor Quinzinho, dono da Fazenda Fronteira. Certa noite, noite de lua cheia, estava banhando-se no rio Paraguai, quando um jovem Ãndio galanteador se aproximou e lhe ofereceu um terço de ouro. Em troca, Laura lhe deu sua pureza.
Nove meses se passaram e uma linda criança nasceu. A mãe foi condenada por toda região. Nas ruas muito se ouvia dizer: “lá vai a sinhá e o filho do boiâ€.
Encantado continua a distribuir rosários pela fronteira do Brasil com o Paraguai. Se você ouvir por aà alguém dizendo “este é filho do boi†saiba que é uma criança encantada, que veio ao mundo para amar e cumprir os mandos da santa paraguaia.
Gerado pela divindade paraguaia, Encantado luta contra outro famoso touro da região; o touro Bandido, para ser reconhecido como único e verdadeiro, filho legÃtimo, do touro Candil.
Bom seria que esse encantamento reinasse no coraçõa dos incrédulos. Essa lenda é maravilhosa e você , estimado Rodrigo, é um bom contador de histórias. Sua narrativa me anima e se soma agora a tantas outras histórias que eu gosto de recontar. Maravilha, maravilha, maravila....Bjos, Grauninha
graça grauna · Recife, PE 14/11/2009 09:29Nossa Grauna, nem sei o que responder, nem sei contar histórias, apenas me inspirei na lenda dos touros Encantado, Candil e Bandido, vindos da Fronteira paraguaia com Porto Murtinho (Interior de MS). Quanto a recontar a lenda, será uma honra aos nossos amigos pantaneiros que seja exportada para todo o Brasil, a começar por Recife. Beijos no seu coração. Saudações pantaneiras.
Rodrigo Ostemberg · Campo Grande, MS 14/11/2009 18:05
Rodrigo,
que bela história que eu ainda não conhecia
Sempre há algo de verdade em nossas lendas e crenças
que vale a pena tomar conhecimento.
bjs
Salve, Rodrigo!
O resgate de nossos costumes e tradições é traçar um caminho sólido para as novas gerações.
Abraço Pantaneiro.
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