Há algum tempo já que fiquei pensando se eu deveria escrever ou não este texto por conta da profissão que exerço. Mas, como eu não consigo ficar calada diante de certo tipo de situação, aqui estou. E tomara que eu não me prejudique futuramente.
Bom, as eleições se aproximam. Tá, grande novidade. Mas não sei se alguém pensou nisso que eu venho pensando desde a decepção que tive com o meu partido do coração (PT): todos são iguais, só mudam o discurso e as cores da bandeira. Ah... teve gente que pensou. Bom, deixe-me ver... alguém pensou em como solucionar isso? Não, estou perguntando se pensaram de verdade, assim... em como conseguir fazer com que a população seja a única beneficiada diante das disputas meramente políticas. É loucura isso, mas eu pensei.
Por exemplo, aqui no Estado de Sergipe, duas famílias são as donas do pedaço. Estão no poder há mais tempo do que eu tenho de vida, conseguindo se manter da forma mais simples e previsível possível: usando dos meios de comunicação. Não que não tenham feito nada, mas de certa forma, conseguiram fazer sua credibilidade a partir da imagem que conseguiram diante da mídia local (da qual são proprietárias). Por anos, elas pulam entre um cargo e outro da alta política sergipana e brasileira e são amigas, estabelecendo assim a manutenção do seu pão-de-cada-dia e o discurso da classe empresarial. E eu sei que isso não acontece só aqui. Alagoas com Fernando Collor, na Bahia com Toinho Malvadeza... vixi minha nossa... e tantos outros.
Só que a situação por aqui “mudou” há um certo tempo. Tá, exagero, foi só uma ironia. Mas sim... Após a pseudo-consciência democrática do povo, um partido de esquerda conseguiu se eleger em um cargo de grande importância. Que eu me lembre foi na época da mesma “Onda Lula”. Minino, era uma maravilha ver aquelas bandeiras vermelhas tremulando nas ruas, acendendo a esperança de uma política em prol da sociedade... Run... ledo engano. Aí, passam alguns anos e papoca (aqui o verbo “papocar” significa estourar; na verdade o termo seria pipocar... mas regionalismos à parte...) o escândalo do mensalão. Mídia apela, partidos de direita usam isso como arma para o jogo das eleições... uma verdadeira farra. Gente dizendo “eu sabia”, gente afirmando “isso já acontecia antes”, mas mais gente ainda pensando: EM QUEM EU VOU ACREDITAR AGORA? E quem sabe? Minha esperança na honestidade das pessoas também foi jogada fora. Então, aí a partir disso eu desenvolvi uma “tese”, que eu acho que poderia resolver mesmo a situação, já que solução, não tem mais (ou nunca teve). Porque sinceramente eu não sei o que é que a gente pode fazer contra a paixão arrebatadora que o PODER causa.
Tese
O que não tem remédio, remediado está, né? Não podemos fazer com que os políticos sejam perfeitos, então, o que fazer? Jogar com eles, do mesmo jeito que jogam com a gente. Siga a lógica: você elege um vermelhinho pra presidente. Um vermelhinho pra governador e um vermelhinho pra prefeito. Todos são camaradas e tal. E quando há camaradagem, as coisas correm frouxas, não há quem faça uma marcação. Mas aí você elege um verdinho, um vermelhinho e um azulzinho. Aí o azul quer ser melhor que o verde, que quer ser melhor que o vermelho. Forma-se uma ciranda de disputas. Um tenta ser melhor que o outro e o outro melhor que o um, e um terceiro tenta passar por estes dois últimos. Ou seja: Competição. Eles vão fazendo, construindo e edificando coisas, tentando mostrar pro povo que são os melhores e que vale a pena continuar votando neles. E assim o povo vai ganhando. Político tem um ego maior que o bolso (ou tão grande quanto ele). Quer coisa melhor do que “você votar em mim pra prefeito porque eu fiz mais do que fulano”?
Rapaz, agora eu penso assim. Não vou por cara e nem por coração apresentados na TV. Vou por lógica. E por peso de importância. Assim, acho que todo mundo fica feliz. O político rouba, mas faz pra investir em sua posterior candidatura e o povão? O povão inverte a lógica das coisas e passa a comandar a situação.
Agora, a única coisa que eu não consegui pensar ainda foi como fazer pra que os candidatos sejam eleitos nesta escala. Isso é o que vem comendo meu juízo...
Interessante!
Uma tese bem semelhante considera que votar nos mesmos partidos durante vários anos também não é muito inteligente.
E é isso que está acontecendo em Sergipe há quarenta anos.
Se isso no momento favorece o PT aqui no Estado, em Porto Alegre foi o contrário e Viva a democracia! que possibilita trocar os dirigentes do poder de vez em quando, democracia que tanto mais será verdadeira quanto maior for a possibilidade dos "lascados" terem três almoços diariamente, serem alfabetizados
e terem acesso a produção e fruição artistica, especialmente a boa leitura e a internet através das escolas públicas.Votarei pensando nisso!
Um abraço.
Mais do mesmo.
Quando eu expresso o pensamento acima, estou falando como alguém que conhece e participa de movimentos sociais e culturais da periferia de Aracaju e região metropolitana.
Não estou me atendo a propaganda politica via televisão, rádio ou noticiário da imprensa e como não moro no céu, procuro discernir muito bem a perceber os gestos, não apenas as
boas intenções, que apontam para a construção da tão sonhada e decantada democracia
em nossa cidade, estado e país. Por isso, quem aponta para a superação de forma mais real e consistente dos problemas que elenquei acima e que merecerá o meu voto.
Hehehehe, interessante ;)
Sabe por que eu gosto de você, Debs? Sua lógica com as coisas da vida me parecem sempre bem legais... Curto muito quando você propõe soluções para problemas loucos da nossa existência, parabéns mesmo. É por colegas como você que eu acho que o jornalismo ainda tem futuro... ;)
E é isso aí. Pensar direito para votar direito e tentar ter um governo direito prá esse povo de meu Deus :D
Errata
Onde está escrito "três almoços", leia-se "três refeições".
eita que isso já foi motivo de conversa de boteco entre você, eu e thiago!
Tatiana Hora · Aracaju, SE 16/10/2006 13:49Cheguei atrasado para a discussão, mas só gostaria de ressaltar a simplicidade com que a tese é elaborada. Uma forma singela de abordar um grave problema do cotidiano. Gostei muito!
Fernando Júnior · Aracaju, SE 21/11/2006 15:38Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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