A luta para manter a tradição popular

Tati Magalhães
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Tati Magalhães · Maceió, AL
24/5/2006 · 104 · 10
 

Em destaque, as cores dos chapéus de guerreiro: e quem é rei, como faz para manter a majestade?

Quem já viu, não esquece: é simplicidade unida à alegria das cores e brilhos de fantasias e chapéus e à vitalidade dos mestres, senhores e senhoras, em sua imensa maioria já idosos, que dedicam parte de sua existência a coordenar as brincadeiras, como eles se referem aos autênticos folguedos alagoanos. As danças e músicas já serviram de inspiração a vários artistas, os quais colhem pérolas populares e as revestem com novos arranjos. O cantor e compositor catarinense/alagoano Wado, por exemplo, deu nova roupagem à composição Grande poder, de Mestre Verdelinho, que anteriormente já havia sido gravado pelo então grupo Comadre Florzinha (hoje Comadre Fulozinha). Bom, mas da mesma forma que parece quase unanimidade que essas manifestações expressem a alma do povo - sua história, suas crenças, sua forma de ver o mundo - assim como se configuram em fonte de inspirações para arranjos, digamos, antropofágicos, é possível afirmar que mantê-las vivas em sua forma mais autêntica se torna um desafio cada vez maior em tempos pós-modernos. E sendo Alagoas o estado que detém, segundo pesquisadores, a maior diversidade de folguedos do País, quais iniciativas vêm sendo tomadas no intuito de manter vivas as tradições da cultura popular? Como manter acesa essa chama se o interesse do público por estas manifestações já não é o mesmo?

Freqüentemente, Alagoas é tido como um estado que não tem o mesmo culto à cultura popular como, por exemplo, acontece em Pernambuco e no Maranhão. Mas para o pesquisador e folclorista Ranilson França, uma das maiores sumidades de Alagoas no assunto, a questão vai mais além. “Acredito que Alagoas é o único estado do País que ainda mantém vivos os grupos em seu habitat. Com essa onda de espetacularização do folclore, as manifestações acabam sendo incorporadas por pessoas que não vivenciam aquela realidade, e os grupos tradicionais acabam sendo isolados”, afirma. Na sua opinião, ações são necessárias por parte do poder público, mas se deve ter cuidado para não cometer ingerências, direcionando a forma como os folguedos devem se apresentar. Não que o pesquisador seja contra a influência dos guerreiros, por exemplo, na produção musical da atualidade. É que uma coisa não substitui, nem deve substituir, outra. “Eles não precisam de resgate, mas de estímulo e incentivo. Basta um lugar para ensaiar, roupas para dançar e instrumentos para tocar que eles levam a brincadeira adiante”, enfatiza.

Realmente. Basta observar que, na programação preparada pela Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (Asfopal), para o Natal do ano passado, se apresentaram em Maceió diversos grupos que já estavam quase desativados, como o Reisado de Olivença (município alagoano). Outros, como o Fandango do Pontal (ao que consta, o último do gênero em atividade no país), os Caboclinhos de Passo de Camaragibe (outro município do Estado) e o samba de matuto de Zé do Pão também voltaram à ativa através de incentivo, inclusive através de articulação da Asfopal junto às prefeituras. A própria criação da entidade, há 20 anos, que conta atualmente com 30 grupos, representando 1.500 dançadores, foi uma forma de tentar incluir novamente os folguedos no calendário natalino do Estado, uma vez que a maioria tem nesta festa seu momento áureo. Ainda hoje, os grupos de guerreiro saem em peregrinação pelo interior do Estado para apresentar sua arte. Vai a família inteira de dançadores nos ônibus, sem saber ao certo se serão bem recebidos nas cidades que visitam. No caminho, vão se arrumando, recebendo uns trocados para seguir com suas apresentações.

Registros

Reconhecidamente, a Asfopal tem cumprido um importante papel ao colocar em destaque as questões pertinentes aos folguedos e organizar suas apresentações. Mas esse processo de valorização das manifestações populares em Alagoas não teve início com a sua fundação. Na década de 40, o pesquisador e colecionador Théo Brandão (que teve seu riquíssimo acervo de cultura popular doado ao Museu que hoje leva seu nome), iniciou uma campanha nacional em defesa do folclore brasileiro. Assim, baianas, guerreiros, fandangos e cocos tiveram seu registro em disco, lançado em 1970 em todo o País. Depois disso, não mais se gravaram os folguedos in natura, e até pouco tempo houve uma espécie de silenciamento geral no que se refere à divulgação da cultura popular alagoana através de registros sonoros. A retomada foi em 1998, com o professor Davi Gatto, que lançou o projeto Das Lagoas e investiu para gravar em CD os principais grupos do Estado, como a chegança de Rio Largo (cidade localizada próxima à Maceió), Mestre Venâncio, Fandango do Pontal (bairro maceioense), Pagode da Mestra Hilda e o Bumba-meu-Boi de Maragogi (município do litoral norte de Alagoas). Foram mais de 30 horas de gravação que resultaram em um disco indicado ao Prêmio Sharp de música tradicional brasileira, merecendo destaque nos cadernos de cultura do Brasil inteiro, como relata Ranilson França.

Outro projeto que contribuiu para colocar novamente em evidência essas manifestações foi um mapeamento musical no Brasil, coordenado por Hermano Vianna. De Alagoas participaram grupos como as baianas de Santa Luzia, Mestra Virgínia, Hilton de Capela (cantador de coco e palhaço de guerreiro), Mestre Verdelinho, Mestre Venâncio, os torés das tribos indígenas de Palmeira dos Índios, entre outros. Posteriormente, foi a vez da própria Asfopal lançar um disco com registros novos e antigos, trazendo inclusive a histórica mestra Joana Gajuru cantando. O médico alagoano Gustavo Quintella foi outra figura que contribuiu para que os personagens principais dessa história tivessem vez e voz: levou aos estúdios os grupos e conseguiu um material que totalizava mais de 50 horas de gravação. Um CD com quatro pastoris também foi lançado ao público, desta vez pelas mãos da assistente social e pesquisadora do folclore alagoano, Carmem Omena.

Projetos

Não é somente no que se refere ao registro sonoro de CDs que (sobre)vive o folclore alagoano. O programa musical Balançando o Ganzá, na rádio Educativa FM, é uma iniciativa pioneira: criado em setembro de 1987, desde então vem sendo coordenado por Ranilson França, tendo como foco, claro, o folclore alagoano. As gravações com os grupos devem resultar em mais outro compact disc, a ser lançado em breve. Outra ação foi o reconhecimento dos mestres como patrimônio cultural por parte do governo do Estado. Mas pouco tem sido feito em relação à manutenção desse patrimônio: apenas nove deles recebem a ajuda mensal da Secretaria Estadual de Cultura, no valor de um salário mínimo, e ainda aguardam a construção de uma vila de casas as quais seriam doadas a eles. Na verdade, essas ações contribuem para a divulgação e maior conhecimento das manifestações folclóricas, mas, sozinhas, não são capazes – aliás, o que seria? – de manter os grupos em atividade. Também são eficazes em relação à aproximação da juventude, uma vez que, até pouco tempo, eles eram vistos apenas como coisas exóticas e distantes da realidade da população urbana, quando não ignorados.

Um dos principais projetos que busca botar novamente nas ruas os grupos folclóricos, assim como criar um público cativo de admiradores da cultura popular, é o Projeto Engenho de Folguedos. Mesmo sem incentivo governamental, o projeto leva todas as quintas-feiras, às 20h, no Museu Théo Brandão, no bairro do Jaraguá, em Maceió ( local onde a Asfopal se reúne quinzenalmente) os mais diversos grupos de folguedos do Estado. A partir do momento em que a entidade ganhou mais credibilidade, mais pessoas e instituições resolveram apostar na viabilidade da iniciativa, que hoje tem o apoio da Universidade Federal de Alagoas e da Cooperativa dos Usineiros.

Promover a familiarização dos jovens estudantes com os grupos foi também a preocupação do projeto Folguedos nas Escolas. Como coordenador de ação cultural da Secretaria Executiva (estadual) de Educação de Alagoas, Ranilson (sempre ele!) sugeriu a contratação de mestres e mestras, assim como violeiros e flautistas, como agentes culturais. O trabalho que eles desempenham é, basicamente, passar seus conhecimentos para alunos da rede estadual. Até o ano passado eram 12 mestres, atuando em 12 escolas e no Núcleo de Expressões Artístico Culturais, localizado no maior complexo educacional do Estado, em Maceió. Entretanto, com a finalização do contrato, os mestres foram dispensados e estão no aguardo de uma nova convocação - que deve ser feita caso haja a aprovação do secretário de educação. Com dois anos de trabalho, os grupos para-folclóricos ou de projeção de folguedos, como são chamados, já somam mais de 10, e já se apresentaram ao público em diversas ocasiões. “Tem gente querendo chamar os grupos das escolas em detrimentos dos originais, mas este não é o papel deles. A função com a qual foram criados é didático-pedagógica”, explica o pesquisador e idealizador do projeto.

Além disso, vem crescendo o número de pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal de Alagoas, cujo foco é esta temática, a exemplo do site guerreiros por natureza. Recentemente, dois ícones do folclore alagoano – Mestre Juvenal Leonardo e Mestre Venâncio, foram agraciados com a Comenda do Mérito Educativo, distribuída anualmente a 10 personalidades que contribuem para o avanço da educação no Estado. “São ações de reconhecimento, mas ainda passam longe da importância que eles têm para a nossa cultura”, acredita Ranilson.

Diversidade

A diversidade dos folguedos identificados em Alagoas (mais de 30, sendo 27 deles catalogados) é decorrente da própria história e localização do Estado. Recebendo a influência da Bahia e de Pernambuco, o povo alagoano foi criando e recriando danças e jornadas, dando-lhes características próprias. O guerreiro, por exemplo, surgiu no final da década de 1920, em uma fusão de reisados alagoanos, do auto dos caboclinhos, da chegança e dos pastoris. É acompanhado por sanfona, tambor e pandeiro. Em sua própria composição, personagens que, à primeira vista, não teriam algo em comum: rei, rainha, embaixadores, general, Lira, índio Peri e seus vassalos, Mateus, palhaços, Catirina, sereia, estrela de ouro, estrela brilhante, estrela republicana, banda de lua e figuras. A influência dessas composições é, notadamente, européia.

“A cultura do dominante acaba sempre se sobressaindo”, destaca Ranilson França. Já para o professor Abelardo Duarte, que também pesquisou o assunto, a influência da cultura negra também é muito forte. De acordo com esta visão, ao chegar ao Nordeste brasileiro, as danças européias encontraram-se com raízes negras e indígenas e foram reinterpretadas. No caso dos maracatus pernambucanos, é inegável a influência afro-brasileira, de forma que chegaram a ser chamados também de candomblé de rua. Em Alagoas, essa manifestação ganhou outras formas, dando origem às cambindas, baianas, samba-de-matuto, negras da costa e caboclinhas.

A reinterpretação que deu origem à grande variedade de folguedos também está presente nas composições, que apesar de serem constantemente modificadas pelos mais de 150 grupos do Estado, são peças de domínio público. Partem freqüentemente de um tema popular, e devem ser apresentadas como tendo sido recolhida pelo mestre/mestra. “Nessa correria atrás do ouro que é a cultura popular, tem havido muita apropriação indevida”, denuncia Ranilson França. A autoria, o surgimento e a reinvenção podem até ser questionados, mas o fato é que a diversidade dos folguedos alagoanos e a criatividade de músicos e mestres que fazem da arte popular sua razão de existir ou sua fonte de inspiração, é mais uma prova da riqueza cultural brasileira. E ainda há muitos tesouros encobertos por aí, na cultura popular ou em qualquer outro lugar... tesouros que não precisam de rótulos para existir. Precisam de olhos, ouvidos, narizes: sentidos, enfim, que os observem e os percebam. Para que não virem peça de museu ou nomes de praças quando sua existência já pertencer a outros planos...

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Tati Magalhães
 

Achei por bem fazer este comentário aqui, caso alguém fora do Estado leia e se interesse pela cultura popular local. Em agosto desse ano, no mês do folclore, morreu o professor Ranilson França, presidente da Asfofal, grande estudioso dos folguedos alagoanos e, mais do que isso, um batalhador em defesa das "brincadeiras". Ranilson sabia que, para que a tradição continuasse, era preciso o mínimo de condições de sobrevivência aos mestres: moradia, alimentação, vestimentas.
E foi por isso que, no seu enterro, por dentro ninguém chorava mais do que eles, que apesar de bem mais velhos que o grande Ranilson, sentiam como alguém que perde o pai.
E nós ficamos aqui, torcendo para que pessoas como Josefina, Carmen Omena e Gustavo Quintella continuem se empenhando para dar continuidade a essa história.

Tati Magalhães · Maceió, AL 3/9/2006 10:19
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Raquel Salama
 

Tati, vc conhece o projeto Guerreiros da Vila, no Guaxuma? Valeria a pena, para complementar seu texto, falar de como a Associação de Moradores da Vila Emater, com o apoio desse projeto, vem buscando nas artes e conhecimentos do Guerreiro uma forma de promover o desenvolvimento comunitário.

Raquel Salama · Salvador, BA 8/9/2006 02:04
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Oswaldo Giovannini
 

Na Zona da Mata de Minas também fazemos um trabalho semelhante, de registro e incentivo das tradições e promoção das comunidades e pessoas desde 2002. Concordo que muitas vezes alguns metros de pano e palavras de incentivo bastam para grupos retomarem festejos. Outras é preciso um trabalho mais intenso, principalmente quando as comunidades, escolas e poderes têm preconceito. Temos dificudades e dúvidas sobre nossa forma de trabalhar e precisamos conhecer outras metodologias. Nosso site: www.folguedosdamata.art.br

Oswaldo Giovannini · Leopoldina, MG 22/10/2006 14:00
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Tati Magalhães
 

Oi, Raquel! Conheço o Tido, que desenvolve um trabalho com música e tradição popular junto aos garotos, e a Nandinha, que atua na área de artes circenses. O pessoal do Guerreiros fez um cadastro aqui no Overmundo, e já postou uma contribuição sonora: o pagode da masseira.
Oswaldo, bom saber desse trabalho em Minas. Concordo com o que vc fala. E não acho que basta pano e palavras para retomar, não: nas escolas públicas onde são desenvolvidos pelos mestres a criação de grupos parafolclóricos, as crianças que resolvem participar sofrem preconceito mesmo. Eu conversei com umas meninas que queriam fazer parte de um grupo de baianas e os colegas disseram que elas iam participar de "macumba" (um duplo preconceito, portanto). O que o Ranilson, na fala dele, quis dizer é que, para os "mestres" manter a tradição viva, levá-la adiante, passa pela sustentação mínima dos mestres, porque a vontade (deles) já existe!

Tati Magalhães · Maceió, AL 22/10/2006 18:48
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Evelina
 

Parabéns Tatiana! belo texto! acho que vocês estão fazendo um ótimo arquivo de meória social em Alagoas! um abraço, Evelina

Evelina · Maceió, AL 10/12/2006 13:18
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Evelina
 

Parabéns Tatiana! belo texto! acho que vocês estão fazendo um ótimo arquivo de meória social em Alagoas! um abraço, Evelina

Evelina · Maceió, AL 10/12/2006 13:21
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Tati Magalhães
 

Oi, Evelina! obrigada pela atenção e o elogio. Bom "encontrar" voê sempre por aqui!

Tati Magalhães · Maceió, AL 10/12/2006 16:24
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Letícia Lins
 

Tenho parentes em Alagoas, mas infelizmente nunca visitei, mas minha tia sempre fala que quando eu fosse para visitá-la iria me encantar com a cultura diferenciada de lá referente aos outros estados nordestinos, não dei muita atenção e por um tempo, pra mim era tudo igual, no Paraná tem algo parecido, claro que com suas características e tradições, eles além de se apresentarem nas ruas e praças da cidade também vão nas casas mais distantes para dar um pouco de alegria, tive a oportunidade de pariticipar uma vez, com os foliões amigos do meu pai, infelizmente lá não tem metros de pano, talvez poucas palavras de incentivo, mas não de quem deveria dar.
Gostei muito de ler seu texto, fiquei construindo imagens na minha cabeça.

Letícia Lins · São Bernardo do Campo, SP 3/1/2007 09:29
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Mestre Vilinba
 

Prezada Tati, não sei se estou antecipando ou confirmando, mas para o Professor Ranilson França haverá uma bela homenagem nos próximos dias que terá seu nome lembrado em um espaço dedicado aos Mestres. Ele deixou muitos seguidores que não deixarão o seu trabalho fenencer pois o folclore é a jóia mais preciosa das Alagoas, são essas jóias que irão brilhar sempre. Dedico meu coração aos Mestres Alagoanos com muito amor e respeito pela dignidade e maestria com que conseguem manter a grande tradição de nossos antepassados. Eles conseguem levar suas artes além de nossas fronteiras. Eu os comparo aos reis magos da lapinha que trazem nãos mãos as maiores jóias do folclore alagoano, eu os vejo empunhando um chapéu de guerreiro, um pífano de ouro e um pandeiro de ouro, o chapéu de guerreiro só existe em alagoas, o pífano e o pandeiro são instrumentos que estão presente em todos os folguedos alagoanos, obrigado por abordar o assunto e receba beijos nos corações (para pessoas como você um coração é pouco)

Mestre Vilinba · Arraial do Cabo, RJ 18/7/2007 18:44
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vetorc
 

Cara Tati Magalhães, meu nome é Pedro, e tenho um portal de divulgação Cultural e Artística. Vi na TV Sesc uma reportagem sobre Ranilson França, hoje 09 de junho de 2008. Resolvido a manter contato com ele, comecei a procurar na internet. Assustei-me quando li que ele veio a falecer em 2006. Bem a reportagem é de TT Catalão, fotógrafo. Gostaria de disponibilizar o www.vetorcultural.com para qualquer matéria a respeito do professor, de suas pesquisas e publicações no sentido de divulgar ainda mais o trabalho deste que foi um lutador incansável da Cultura Brasileira. Fica aqui o convite e a disponibilização do espaço do vetorcultural.com para vocês também que amam a Cultura e a Arte.
E-mail jornalismo@vetorcultural.com e vetor_cultural@hotmail.com
Espero contato.
Abraço,
Pedro Rodrigues

vetorc · Recife, PE 9/6/2008 10:41
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