A magia das palavras e o ensino de literatura

foto: Patrícia Mc Quade
versos travessos - livro coletivo
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Leo Gonçalves · Belo Horizonte, MG
12/1/2008 · 229 · 17
 

Uma conversa com a Professora Patrícia Mc Quade sobre suas experiências literárias em sala de aula

Professora de uma escola na região metropolitana de Belo Horizonte, Patrícia Mc Quade vem desenvolvendo há quatro anos uma série de ações ligadas à literatura e à criatividade com seus alunos. Em 2003, lançou o primeiro trabalho: o livro "Versos travessos" é um lindo exemplo de boa poesia escrita por crianças de apenas 10 anos. Não parou por aí. No ano seguinte, inspirada nesse primeiro sucesso, decidiu criar uma biblioteca na sala de aula que se manteria com a colaboração dos alunos. O projeto se chamava "Doce de ler" e ela o mantém desde 2004, nas suas sucessivas turmas.

Ao mesmo tempo, compartilhava com eles sua paixão pelas narrativas maravilhosas da infância e também desenvolvia o projeto "Cordelistas mirins". Deste trabalho, surgem 31 livretos de cordel, todos de autorias dos alunos. A impressão feita manualmente em 2004 com a colaboração de alunos de outras turmas, pessoas da comunidade escolar e até alguns familiares dos alunos que faziam parte do projeto.

E o trabalho dos cordéis continua, desta vez com o nome de "Cantadores de cordel" (a escolha é sempre feita com a colaboração dos alunos, comungando o desejo de ver o resultado final). O resultado (impresso em 2007) são 15 cordéis e mais um, criação coletiva, inspirado no conto "A terra onde nunca se morre", copilado originalmente por Ítalo Calvino no livro Fabulas italianas (Cia das Letras, 1992). E a brincadeira não para: Patrícia ainda desenvolve atividades de teatro, fantoches, circo, contação de histórias, saraus, coro de poesia, projeto de escrita de fábulas e os seus alunos produzem sempre muita poesia. Não foi à toa que no final de 2005, o programa Minas um livro aberto, da TV Minas, filmou a turma de alunos de Patrícia para fazer o último programa do ano, especial de natal.

Acredito que toda essa experiência anuncia um conjunto de exemplos a serem seguidos na educação brasileira: em primeiro lugar, que o professor nunca abdique de suas paixões ao ministrar suas aulas. No caso (a paixão pela literatura) um excelente produtor de desejo por parte dos alunos. Em segundo lugar, a necessidade de mostrar o valor de uma empreitada com produto final palpável e com valor que ultrapasse a sala de aula. Com esse trabalho, a literatura não vira produto de competição via concurso ou melhor nota, mas instrumento de expressão pessoal.

Por isso decidi propor aqui essa rápida conversa que, tenho certeza, merece ser muito comentada, anotada, discutida e alimentada.

Leo Gonçalves: Fala-se muito, hoje em dia, em como as pessoas escrevem cada vez pior. Isto é um mito conservador ou trata-se de uma realidade a qual devemos combater? Como esse combate pode ser feito?

Patrícia Mc Quade: Eu acredito que se trata dos dois casos. Não diria exatamente “mito conservador”, mas senso comum, jargão reducionista. Me incomoda muito esse rótulo pejorativo que marca muitas realidades em apenas uma. Contudo devo admitir que esse senso comum tem sua razão de ser em parte, pois é notória a dificuldade que os jovens têm atualmente em escrever. Principalmente no que diz respeito à coerência, repetição de palavras e de idéias, dificuldades estruturais de texto e de ortografia, falta de imaginatividade e ausência de argumentação, etc. Essas dificuldades são mais marcantes em determinadas classes sociais, no entanto são problemas em todas elas. Porém, discordo que esse seja um problema que aflorou nesta geração. Talvez esteja mais evidente hoje considerando que, a passos de tartaruga, os brasileiros vêm aumentando sua escolaridade e conseqüentemente suas produções na área da escrita criativa ou acadêmica. Considero como principal desafio da educação a formação de verdadeiros leitores e a democratização da escrita. Logo que a educação regular está cada vez mais difundida, por que não trabalhar agora por uma qualidade de ensino? Não se pode culpar a falta de contato desses jovens com os mais variados tipos de textos pela falha no exercício da escrita: uma imensa máquina textual nos rodeia 24h por dia. O fato está em como essa variedade textual pode ser aproveitada na produção de textos na escola. Para mim, o problema está primeiro nas práticas pedagógicas das instituições de ensino que não respondem mais às necessidades da geração de hoje e das que ainda estão por vir. Nossa máquina educacional está obsoleta. Já que o senso comum sobre a dificuldade de se escrever é a nossa realidade, como devemos combatê-lo? Digo que melhorando a produção textual das crianças e jovens nas escolas públicas e particulares, reinventando outras novas práticas didáticas e renovando suas relações com o próprio texto. Mas, como fazer? Trazendo de volta o prazer do texto, das palavras, dos sons. E ainda antes disso, trazer novamente a própria prática da escrita para dentro das salas de aula, ela deve ser o foco em todas as disciplinas, principalmente na área das humanas. Reconto, interpretação de texto que desafie o aluno, leituras ensaiadas de vários gêneros textuais, relato, relatório, resenha, esquema, resumo, produção criativa e/ou coletiva, poema, propaganda, trava-língua, paródia, paráfrase, tudo pode ser trabalhado de forma substancialmente significativa dentro das salas de aula, desde que visando primeiro, uma base humana: a consolidação de uma auto-estima dentro de um regime de confiança onde o erro faz parte do processo assim como o sucesso; e segundo: o aprimoramento da escrita em cada ínfimo detalhe. Considero uma como reflexo da outra.

Leo Gonçalves: Qual o papel do livro e da literatura na nossa sociedade e como você entende o papel dela na sala de aula?

Patrícia Mc Quade: É muito difícil responder essa pergunta. Não saberia aqui discorrer sobre a importância do livro e da literatura para nossa sociedade. Por mais que construísse uma possível resposta acho que nunca a esgotaria. Esta pergunta me remete à idéia de que a escrita surgiu da necessidade de se fazer registros religiosos, que os nossos primeiros livros foram hieroglifos para depois pergaminhos, até chegar ao formato que conhecemos hoje e já migramos para outro estágio de livro que passa do concreto ao virtual. Basta pensar que um dos primeiros livros a serem impressos foi a bíblia traduzida para o alemão e depois disso nasce uma imensa industria editorial que vai desde literatura e ciência até panfletos que são distribuídos nas ruas. Através do livro se descobrem saberes, conhecimentos que não podemos adquirir unicamente através do contato com o mundo do nosso cotidiano. Através do livro se formam e transformam ideologias, crenças e realidades. Podemos sim descobrir muitas coisas a partir da leitura de um livro. A curiosidade é sua melhor e maior aliada. Com curiosidade e um bom livro nas mãos acredito que se pode fazer mágica. A criatividade é uma magia que deve ser alimentada através de leituras diversas. Para mim, a literatura é uma dessas possibilidades, e uma das mais agradáveis. Procuro apresentar aos meus alunos esse prazer, o de se encontrar quando se encontra o outro. O livro é um dos meios, a literatura é uma das mensagens. Ela toca no humano e o faz despertar do imenso sono que é a realidade. A literatura atiça as percepções do nosso corpo porque trabalha a mente, porque a estimula a conhecer. Quem gosta de literatura gosta da idéia de que as possibilidades de conhecimentos são infinitas, de que nunca vai conseguir conhecer tudo sobre determinado assunto. Quem gosta de literatura gosta de pesquisa, gosta da escrita e gosta da dúvida. Para mim esses são elementos muito importantes dentro de uma sala de aula para a formação de verdadeiros estudantes: leitura, pesquisa, escrita e dúvida. Esses elementos podem ser despertados e trabalhados a partir da literatura, mas esse não é o único jeito. Cada professor deve descobrir qual é o seu.

Leo Gonçalves: Nas suas aulas do curso fundamental você dá um enfoque todo especial à literatura. Não apenas como fonte de conhecimento, mas como liberador da criatividade dos educandos. Seus alunos lidam com a literatura como leitores, criadores, performadores. Todas essas atividades são complementos apenas para o ensino de Português e Literatura? Como a maioria dos professores do ensino fundamental você trabalha também com outras disciplinas, como Geografia, Ciências, História. Seus projetos colaboram para o aprendizado das outras áreas?

Patrícia Mc Quade: Meu enfoque especial é a literatura porque eu gosto de literatura. Dizem que meus projetos são legais, eu acho que isso se dá porque tento despertar nos meus alunos o gosto por aquilo que eu gosto. Mais do que ensinar, neste caso, é compartilhar. A partir dessa soltura de compromissos formais acontece a magia da criatividade junto com o aprender. Não há avaliações nem conceitos a serem contados. O leitor e a leitura podem acontecer, de repente, prazerosos. As crianças começam a notar coisas que só uma leitura solta poderia mostrar. As críticas que partem delas são muitas, condescendentes e severas. Indicações de autores e títulos passam a ser cada vez mais freqüentes em sala de aula. O contato com a literatura acontece. A contação de histórias é um ótimo meio para se chegar ao prazer de ler: o retorno ao prazer de ouvir. Ouvir histórias consiste também em uma leitura, estimula a criatividade, silencia o agitado corpo da criança que fica agora atiçado pela curiosidade de ouvir e faz falar outras vozes, as da imaginação. Trabalhar variados gêneros literários como teatro e poesia, de uma forma bem concreta, seria outra maneira de tocar no prazer do texto. Mas tudo isso não se dá de uma forma totalmente solta. O professor deve estar atento aos interesses que são despertados nos alunos e modificar o projeto didático a fim de dar conta dessas curiosidades, desses desejos e, com isso, pode-se aprofundar nas suas mais variadas disciplinas: geografia, história, artes, filosofia, etc. Os diferentes saberes não podem ser compartimentados, considerando que no mundo eles estão em constante diálogo. Trabalhar a biografia de um autor, o contexto em que determinada obra foi escrita, aquele momento político, traçar itinerário a partir de uma literatura de viagem, ou mesmo a localização de determinada obra dentro de um tempo/espaço seria somente um ponto de partida para outras novas descobertas. Para isso basta ouvir as perguntas que surgem dos alunos em sala de aula e saber transformá-las em propostas de pesquisa e/ou produção criativa. Trabalhando de forma interdisciplinar, o professor passa a ser também um construtor de pontes.

Leo Gonçalves: O poeta Waly Salomão, pouco antes de falecer, quando assumiu a mesa do livro e da leitura no ministério de Gilberto Gil, criou um projeto que fazia par com o programa “Fome Zero”. Waly não viu avançarem suas ações, mas numa entrevista concedida a Heloísa Buarque de Hollanda, afirmava: “minha meta é transformar o livro numa carta de alforria”. Você crê que o livro pode ser uma carta de alforria? De que maneira?

Patrícia Mc Quade: Só acredito na carta de alforria da princesa Isabel, e olha que nem ela conseguiu de fato dar liberdade a ninguém. Não vejo o livro ou o conhecimento que ele nos traz como instrumentos de libertação, pelo contrário, já vi muito intelectual por ai aprisionado em determinados conhecimentos, linhas de pesquisas ou defendendo este ou aquele autor de maneira cega e limitada, e ainda muitos discursos científicos atrelados a preconceitos. Os livros e seus conhecimentos não libertam ninguém. A bíblia protestante veio com o objetivo de libertar o cristão da ditadura da interpretação católica e acabou se transformando em outras algemas para o homem. Talvez se pensássemos nisso como uma metáfora seria mais convincente: “o livro e a literatura como libertadores da criatividade”, e sabemos que esta só acontece quando livre. A liberdade, acredito eu, pode acontecer depois do livro, depois da leitura, quando o sujeito passa a estabelecer relações sobre aquilo que já conhece com o que acabou de conhecer através de sua leitura. Talvez o livro seja um meio para que uma pessoa possa construir o caminho de sua liberdade, talvez um modificador de mentalidade se o leitor assim se permitir, um enriquecedor de conhecimentos, mas essa construção é árdua, depende de cada receptor e não vem de presente, encadernada em um livro. Depois da leitura de um livro pode vir a dúvida ou não, aquilo que intriga, que joga o leitor num momento de reflexão e muitas vezes de angústia, ou não acontecer absolutamente nada. Não basta viabilizar o acesso de todos ao livro, deve-se hoje ensinar que a função dele é a de questionar-se a si mesmo e não de instituir verdades. Considero o livro e o saber que ele nos traz como apenas um dos meios para uma possível libertação, mas isso vai depender do tipo de uso que se faz do livro, e o que se pode construir a partir dele.


* você encontra um pouco do trabalho de Patrícia Mc Quade nos seguintes blogues:

www.travessos.zip.net
www.cordelmirim.blogspot.com
www.salamalandro.redezero.org

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Helena Aragão
 

Obrigada por compartilhar esse papo tão legal com a Patricia, Leo. Achei a visão dela muito interessante. Dei uma navegada nos blogs e achei tudo muito bem-feito e criativo. Por favor, sugira que ela use o Banco de Cultura para difundir ainda mais essas produções! Tenho certeza que a comunidade do Overmundo vai adorar. Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 9/1/2008 15:39
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Leo:
Tenho duas amigas overminas que, tenho certeza, vão adorar este seu postado: a Ize, professora que ensina professores a gostarem de literatura e a Dora Nascimento, que vive reclamando da burrocracia no ensino da mesma. Recomendo que as procure e avise.
Acho que ficaria mais legal se você desse um espaço entre a pergunta e a resposta da entrevista, muito interessante por sinal. Parabéns a vc e à Patrícia.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 10/1/2008 18:08
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anoca
 

corcordo demais com a resposta sobre a libertação do conhecimento, do livro. Lembrei do mito da caverna.....esse discurso platônico ainda tão visceral.

E a resposta da entrevistada me remeteu a 3 fotos.Fotos que evidenciam a crença absoluts no conhecimento advindo da religião.
http://wwwanoca.blogspot.com/

anoca · Belo Horizonte, MG 11/1/2008 16:41
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Ize
 

Olá Leo, que bom que o Joca se lembrou que este é um tema que me fascina mesmo. Adoro ler (aliás, Italo Calvino está agora na minha cabeceira. Estou lendo os contos fantásticos do século XIX que ele selecionou como seus preferidos). E, como a Patrícia, com quem concordo plenamente nas respostas as suas perguntas, também tenho levado a literatura para a sala de aula em meu trabalho de formadora de futuros professores.
Comungo com sua entrevistada da idéia de que, enquanto arte que é, a literatura não pode ser pensada como instrumento. Deixo para ambos esse comentário de Croce, elucidativo quanto a isto:
"A arte é educativa enquanto arte, mas não enquanto 'arte educativa ', porque neste caso ela é nada e o nada não pode educar"
Um abraço grande e Parabéns pela matéria.
Assim que puder vou visitar os blogues de Patricia McQuade.

Ize · Rio de Janeiro, RJ 11/1/2008 23:02
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Saramar
 

Excelente colaboração.
A sensibilidade do professor é essencial para que a escola seja realmente lugar de saber e saber fazer. Neste caso, Patrícia, exercitando o prazer pela leitura, a dela e a dos alunos, cria, refaz o livro, torna os meninos donos desse instrumento.
Acredito que a intimidade com os livros, o destemor diante deles é o primeiro passo para a leitura. Esses alunos da Patrícia são mais que íntimos, são criadores.
Obrigada.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 12/1/2008 07:40
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Lu&Arte
 

Ótima contribuição. Trazes aqui uma combinação que considero perfeita para um bom professor: paixão pelo que faz e muito conhecimento. Sou professora de arte e formadora de professores e é isso mesmo que a gente busca... Parabéns pela iniciativa de destacar o trabalho dessa professora.

Lu&Arte · Porto Alegre, RS 12/1/2008 10:09
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Frazao my brother
 

Leo e Patrícia,
Certa vez o meu amigo Sabiá não sabia que sabia assobiar. Mas de tanto ouvir o assobio do outro sabiá mais velho, aprendeu a escutar. Quando viu, também estava assobiando e isto lhe deu grande prazer, porque também assobiava para os outros e sabia distinguir os assobios predadores...
Sabe lá se ele também não aprendeu a inventar, para melhorar o velho, bonito e repetitivo assobiar, e, assim, criar um assobio diferente, filosofal, divino, na escola da mata.
Desce daí, meu sabiá. Vai estudar, bichim.

Frazao my brother · Anastácio, MS 12/1/2008 10:50
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Alê Barreto
 

Léo, mesmo que não tenha sido este o seu objetivo, já lhe parabenizo por contribuir também para a formação dos produtores culturais no Brasil.

Vejo que muitos produtores tem dificuldades tremendas de formatar um projeto cultural, pois não conseguem expressar suas idéias na forma escrita. Acabam contratando pessoas que façam. É como se muitos produtores fossem "analfabetos" e pedissem para Fernanda Montenegro escrever uma carta para o Ministério da Cultural, Central do Brasil dos projetos de mecenato.

Tuas perguntas na entrevista foram muito pertinentes e me impressionou as seguintes falas da Patrícia, motivo pelo qual espero poder estabelecer um contato futuro com ela:

"Me incomoda muito esse rótulo pejorativo que marca muitas realidades em apenas uma. Contudo devo admitir que esse senso comum tem sua razão de ser em parte, pois é notória a dificuldade que os jovens têm atualmente em escrever".

"(...) dificuldades são mais marcantes em determinadas classes sociais, no entanto são problemas em todas elas. Porém, discordo que esse seja um problema que aflorou nesta geração".

"(...) Trazendo de volta o prazer do texto, das palavras, dos sons".

"(...) interpretação de texto que desafie o aluno".

"(...) tudo pode ser trabalhado de forma substancialmente significativa dentro das salas de aula, desde que visando primeiro, uma base humana: a consolidação de uma auto-estima dentro de um regime de confiança onde o erro faz parte do processo assim como o sucesso".

"(...) Procuro apresentar aos meus alunos esse prazer, o de se encontrar quando se encontra o outro. O livro é um dos meios, a literatura é uma das mensagens. Ela toca no humano e o faz despertar do imenso sono que é a realidade".

"(...) Quem gosta de literatura gosta da idéia de que as possibilidades de conhecimentos são infinitas, de que nunca vai conseguir conhecer tudo sobre determinado assunto. Quem gosta de literatura gosta de pesquisa, gosta da escrita e gosta da dúvida.

"(...) Talvez o livro seja um meio para que uma pessoa possa construir o caminho de sua liberdade, talvez um modificador de mentalidade se o leitor assim se permitir, um enriquecedor de conhecimentos, mas essa construção é árdua, depende de cada receptor e não vem de presente, encadernada em um livro".

"(...) Não basta viabilizar o acesso de todos ao livro, deve-se hoje ensinar que a função dele é a de questionar-se a si mesmo e não de instituir verdades. Considero o livro e o saber que ele nos traz como apenas um dos meios para uma possível libertação, mas isso vai depender do tipo de uso que se faz do livro, e o que se pode construir a partir dele".

Parabéns, matéria ampliou muito o meu aprendizado.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 12/1/2008 12:43
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Joana Eleutério
 

Pelo andar da carruagem, percebo que o Overmundo desponta com uma vocação muito especial. Trazendo muitas contribuições, que certamente estarão ajudando muito na transformação da Educação no país, ele fará história e também será história,, quando o assunto for a respeito dos avanços do setor educacional. Parabéns, Léo. Fico feliz e orgulhosa com o trabalho brilhante de meus conterrâneos. Grande abraço.

Joana Eleutério · Brasília, DF 12/1/2008 21:34
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Patrícia Mc Quade
 

Olá a todos,
Eu sou a entrevistada desta postagem. Fiquei lisonjeada em ver o carinho que todos aqui comentaram a entrevista. Acredito na educação como uma das formas que temos para melhorar um pouquinho o nosso mundo e para mim não existem melhores aliadas do que a literatura, crianças e amigos. A literatura porque abre o campo para outras possibilidades, quaisquer. As crianças porque eu acredito que elas poderiam ter uma visão mais humana de mundo se respeitadas no ambiente escolar e motivadas a aprender cada vez mais. Os amigos porque é por causa deles que insisto e trabalho por uma educação mais significativa e prazerosa, que respeite a criatividade e a liberdade de pensamento.
Obrigada a todos novamente pelo carinho e quem se interessar, pode me escrever que estarei disponível para troca de idéias, experiências, bibliografia e amizade: ainda que a longa distância.
Um abraço a todos.

Patrícia Mc Quade · Belo Horizonte, MG 13/1/2008 11:43
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Sérgio Franck
 

Oi, Leo. Muito bacana tudo isso. Como somos da mesma cidade, gostaria de convidar vc a participar de um projeto que comeca a ganhar a luz, o Ouvido Literal. Consiste em copiar obras literarias faladas, que fazem parte do acervo de dominio publico, e distribui-las entre estudantes e individuos impossibilitados da forma convencional de leitura.

Posso ate enviar as matriizes de algumas obras a quem queira aderir a ideia.

Valeu!

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 13/1/2008 17:25
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poesiaeparaiso
 

fantástico e brasileiro
sem mais
minto, divulguem.)

poesiaeparaiso · Juiz de Fora, MG 14/1/2008 01:44
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maga mcquade
 

Patrícia,
achei bárbaro como vc colocou a função do livro como um gerador de questionamentos, dúvidas e não um criador de verdades. O livro não liberta ninguém que não queira ser livre, mas ajuda no caminho dos que buscam essa liberdade.
Parabéns minha irmã, sou sua fã. Muito orgulhosa de como você vem desenvolvendo um trabalho criativo, buscando sempre o novo ou inovando o velho, chafurdando na lama do nosso sistema educacional ultrapassado e encontrando pérolas, ou melhor, plantando sementes que, já hoje, te trazem as flores. Parabéns Léo pelo insentivo e divulgação. Espero que portas sejam abertas no caminho de vocês e que sejam reconhecidos pelo trabalho que vocês fazem. beijim

maga mcquade · Florianópolis, SC 15/1/2008 17:22
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Leo Gonçalves
 

Pessoal,
Fiquei muito feliz com a repercussão desta entrevista. Esta participação no Overmundo foi muito benéfica para mim e ter compartilhado um pouco das conversas que venho tendo com a Patricia há quase anos me trouxe mais aprendizagens do que vocês podem imaginar.
Acho de verdade que se o Brasil quer se tornar um país de respeito, vai ter que investir em educação.
Abraços

Leo Gonçalves · Belo Horizonte, MG 18/1/2008 08:58
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Leo Gonçalves
 

Pessoal,
Fiquei muito feliz com a repercussão desta entrevista. Esta participação no Overmundo foi muito benéfica para mim e ter compartilhado um pouco das conversas que venho tendo com a Patricia há quase 5 anos me trouxe mais aprendizagens do que vocês podem imaginar.
Acho de verdade que se o Brasil quer se tornar um país de respeito, vai ter que investir em educação.
Abraços

Leo Gonçalves · Belo Horizonte, MG 18/1/2008 08:58
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Jake Mello
 

Léo, acredito também nisso.
Enquanto não for exigido dos políticos, uma reforma no sistema educacional viciado que temos, não podemos reclamar tanto da violência, da falta de punição, da falta de consciência do povo, e de tantas misérias.
Só teremos força e dignidade, quando a educação for realmente pra todos .
Parabéns aos dois!
O que foi publicado aqui, reaviva esperanças e incentiva muitos educadores. (os verdadeiros)
Beijo

Jake Mello · Rio de Janeiro, RJ 20/1/2008 18:19
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maraisa Lacerda
 

Léo, achei ótima a entrevista com a Patrícia, pois também entendo que é possível descobrir diversas maneiras de se conseguir despertar o gosto pela literatura, entre elas desvincular-se de métodos pré-estabelecidos e conformismo frente aos desafios.

maraisa Lacerda · Alfenas, MG 22/1/2008 16:35
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