A maior menor revista de rock e quadrinhos

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Delfin · São Paulo, SP
8/3/2006 · 171 · 2
 

S. Lobo e Renato Lima se conheceram na 1ª Bienal Internacional de Quadrinhos do Rio, em 1991. Lobo estava encarregado de receber os originais que participavam do concurso da bienal e Renato chegou com o seu fanzine. A amizade frutificou e, mais de dez anos depois, a parceria se mostrou ao Brasil por meio da MOSH!, revista que combina rock e quadrinhos e que, se é pequena no tamanho, é enorme entre seus entusiastas (que não são poucos e estão tanto do lado da música como do das HQs). Entre a idéia e a chegada da gráfica, os dois perderam apenas um mês, pois muitos dos colaboradores, como Mitchell e Fábio Lyra, já trabalhavam com este universo mesclado. Lançada em 2003 no 2º Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte - evento que é herdeiro direto da antiga bienal carioca -, foi um fiasco de vendas. Mas, como tudo que é bom na vida e surge fora do mainstream, caiu no boca-a-boca pela qualidade e, hoje, a publicação já chegou ao décimo número e abocanhou dois prêmios HQ Mix, o Oscar dos quadrinhos nacionais.

O gaúcho Lobo também criou o conceito e a viabilidade da revista F., publicação de humor que reúne grandes nomes novos dos quadrinhos nacionais - entre eles, talvez o mais badalado seja Allan Sieber - e que, em breve, será distribuída nacionalmente, graças a uma parceria com a editora paulista Conrad. Em entrevista ao Overmundo, ele fala sobre o "efeito tostines" da revista, os seus rumos e perspectivas e, claro, sobre HQ e rock.

A MOSH! é uma revista em quadrinhos pra quem curte rock ou uma revista de rock pra quem curte HQ?

Era pra ser uma revista de quadrinhos pra quem curte rock, mas fomos pegos pelo 'efeito tostines'. A prova disso foi que ganhamos dois prêmios HQ MIX, tem muita gente que curte quadrinhos lendo a nossa revista de rock.

Após dez números, o que mudou na proposta da revista?

Acho que estamos cada vez mais comprometidos com nossa proposta inicial, fazer histórias sobre rock. Mas, a cada dia, estamos editando, escrevendo e desenhando.

Qual o grande momento até agora?

Putz, tem tantos! Ler a primeira matéria impressa no jornal falando da gente é muito bom, dá aquela sensação de 'estamos vivos e fazemos parte do mundo'. O primeiro lançamento que a gente fez foi na LOUD!, com show do Cachorro Grande e um público de 1.500 pessoas. Mas esse ano promete ser grande, já lançamos uma coleção de bottons e camisetas. Vem por ai um CD coletânea em parceria com a LOUD e a Rastropop, com muitas das bandas que circulam pela revista e pelos nossos eventos. O encarte vai ser todo em quadrinhos, claro.

Qual o alcance da MOSH!, vocês têm essa noção?

Embora tenhamos a tiragem pequena, 3 mil exemplares, circulamos num público alvo muito bem definido e não é difícil atingi-los. Muitas bandas carregam a MOSH! nos shows que fazem por aí, levando a revista até público. O resultado disso são e-mails de gente, que mora em cidades como Manaus, falando que curte a revista. A internet também vem ampliando o nosso alcance, vendemos revistas pela 2AB (uma editora de livros de design) e pelo Submarino.
Para uma revista independente temos uma boa distribuição. Chegamos as principais capitais do país através da Comix, que distribui a MOSH! nas gibiterias. A ACQ nos coloca em importantes pontos na Cidade de São Paulo. A gente mesmo distribui no Rio de Janeiro. Acabamos de fechar uma distribuição em 30 pontos de Porto Alegre.

Como os quadrinistas participam da MOSH!? Vocês os escolhem ou eles escolhem vocês?

Dos dois jeitos. Quando a gente descobre um desenhista com traço que tem a ver pra MOSH! a gente convida o cara. Mas recebemos muito material bom dos caras que nos descobrem.

A MOSH! pretende continuar neste formato indefinidamente ou há outros planos?

A MOSH! é uma revista feita pra circular em festas e show, por isso é de bolso. Crescer só no número de páginas. Os álbuns de personagens e edições especiais virão em outros formatos.

Qual história é a menina dos olhos da revista?

Ehehehehe! A gente é como pai, é difícil escolher uma específica, pois cada uma cumpre sua funça na revista. Mas o público se identifica muito com a Menina infinito, do Fábio Lyra. O Super rock ghost, do Fábio Monstro, também faz um sucesso danado com os roqueiros com pé no punk. A Old muse, de Odyr Bernardi, representa o nosso lado blues com atitude rock e agora o Rocker, do Erik Judson, chegou fazendo uma pequena legião de fãs. Mas temos também o Mitchell que não investe em personagens fixos, mas está escrevendo histórias cada dia melhor. O Danilo traz pra gente um pouco da cultura hip hop e grafite.

Como você considera que a MOSH! se encaixa neste novo boom de HQs no Brasil?

Eu não tenho distanciamento necessário pra responder essa. Gostaria de saber como vc acha que a gente se encaixa nesse boom.

E como é a recepção da MOSH! no meio musical?

A melhor possível, as bandas curtem a revista e se amarram em tocar nos nossos eventos. Acabamos criando vículos de amizade com muitas delas. A gente anda tanto com músicos que as vezes chego a pensar que temos uma banda, não uma revista.

Defina, o mais concisamente possível, o que é a MOSH! para vocês.

Só quadrinhos roquenrol.

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Lia Amancio
 

Agora acho que é uma boa falar da Jukebox. :)

Lia Amancio · Rio de Janeiro, RJ 4/1/2007 09:35
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Delfin
 

Sim, Lia, certamente. Quando fiz a matéria sobre a Mosh!, mal sabia eu que ela só teria mais um número. E, sim, vida longa para a Jukebox!

Delfin · São Paulo, SP 6/1/2007 15:56
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