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A melhor profissão do mundo

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Frazao my brother · Anastácio, MS
26/7/2007 · 35 · 3
 

Quem desejar ficar rico não se meta a lecionar ou a escrever jornal.

A exceção é para os empresários das escolas caça-níqueis (que não lecionam) e dos jornais caça-dotes (que não escrevem) e por isso podem ganhar dinheiro. Como “a gente só leva desta vida a vida que a gente leva” (na sábia expressão do saudoso jornalista Barão de Itararé), sobra-nos o conforto nas palavras de Gabriel García Marquez, que diz ser o jornalismo a melhor profissão do mundo.

Quem exerce de fato a função de jornalista (produzindo matérias informativas e não apenas agradando a gregos para dar cavalos-de-tróia ao povo) tem um sabor a mais na vida: ser testemunha e protagonista da transformação evolutiva da humanidade, mesmo na sua menor proporção.

Saboreando palavras e figuras, o jornalista consegue até sobreviver com certa dignidade, pois é consciente. É um misto de Robin Hood e Dom Quixote pintando o retrato da vida e se colocando nela de maneira sublime e livre, em lugar inalcançável pelos embargadores da expressão livre.

O sacerdócio do jornalista é, a um só tempo, orgasmo e epitáfio nas entrelinhas do dia-a-dia da notícia, do fato, da história, da indignação, do senso crítico, da visão do mundo e do sentimento de liberdade. Por isso o jornalismo não tem preço. Por isso ele é santidade perseguida como demoníaco.

Incompreendido, assediado, amado e odiado, o jornalista é o herói silencioso dos desvalidos de comunicação, das sociedades desintegradas, iludidas e desiludidas, das minorias ofuscadas pelo poder e excluídas pela ignorância.

O jornalismo representa um poder social maior que o poder político, por isso a banda podre do poder o odeia. Por isso a imprensa séria é alvo das investidas autoritárias, dos equivocados pedantes, que tentam silenciá-la, dominá-la, comprá-la, pois o que mais dói aos canalhas é a espada da verdade, como a cruz ao diabo e a luz ao vampiro.
É próprio do poder político-bestial fragmentar a imprensa (o que consegue com certa facilidade dada à fragilidade da classe), para poder reduzi-la ao pó, para que ela não seja nunca a rocha que é, construindo entre os jornalistas a torre de babel e infiltrando na imprensa os oportunistas mercadores de palavras, traficantes de engodos, contrabandistas de notícias, vendedores de pedestais.

Quanto mais corrupto e profano for o poder político, mais ódio tem do jornalista e mais atração tem pela imprensa marrom, mercenária da indústria bajulatória ou difamatória. E quanto mais cega e carente for a sociedade, mais escrava será da política praticada pelo poder dominante corrupto, porém mais importante se torna o papel do jornalista.

O jornalista verdadeiro transita mas não senta à mesa do poder bestial; antes, porém, usa os fragmentos de sua rocha como areia nos olhos profanos. E, como um cometa, guia a multidão de cegos contra o malefício do poder que não conhece o santificado valor ou prazer da palavra, nem a sublimidade da vida. Tudo porque o corrompido poder que emana do povo é o mesmo por quem ele se fascina ao vê-lo nas mãos estúpidas de boçais que se fazem idolatrar (pela mídia). Infelizmente é assim que gira o mundo globalizado, comandado pela banda podre da política com o apoio da banda podre da imprensa.

Quanto ao papel social da imprensa, hoje, pode-se dizer que cabe a ela, além de produzir notícias, o compromisso de ajudar a combater a corrupção nas eleições e noutras instituições em que se usa a exploração da miséria, da fé e da ignorância. A compra de votos, em qualquer esfera de governo, continuará incontrolável enquanto existir a contraditória corrupção lícita, como a livre contratação de “cabos eleitorais”, por exemplo (enquanto a tal minirreforma eleitoral proibe praticamente apenas brindes e showmícios). O uso da miséria do povo (que reelegeu governos e que vai dar votos a outros) deveria ser objeto de acompanhamento e questionamento da imprensa. Os festivais de cestas básicas, bolsas e ações sociais, ofertas de benefícios, “doações”, “ajudas” e outros paliativos (reparadores sociais do poder executivo) usados como “isca de eleitor” constituem um exercício imoral, indigno, mas permitido pela justiça e com certa cumplicidade da (falsa) imprensa.

Portanto, o sacerdócio jornalístico deve refletir seu papel de formador de opinião e de defensor da sociedade. Pois é o jornalismo uma das últimas bandeiras capazes de manter a sociedade armada de informação e nutrida de cidadania contra a corrupção na política e em todos os setores da atividade humana.

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Roger Deff
 

Assino embaixo Frazão. O jornalismo deve sim exercer o seu papel de 4º poder, mas um poder moderador, vigilante, uma ferramenta democrática a favor da população. Infelizmente, devido a fatores que você explicitou tão bem, o jornalismo (na maioria das vezes) tem estado cada vez mais a favor do establishment.

Roger Deff · Belo Horizonte, MG 26/7/2007 21:47
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Andre Pessego
 

Meu Professor, estou lhe devendo um comentario sobre a materia da edução, educador, etc. Depois... A presene materia
espelha um desejo, que no caso do Brasil são muitos. De todas as ocupações. Coisas de origem, um abraço, andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 27/7/2007 21:06
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crispinga
 

Imagino os jornalistas na época da CENSURA, mais que Quixote e Hobin Hood, eram verdadeiros malabaristas...Admiro muito esta profissão, verdadeiro sacerdócio, como Medicina, Magistério e tantas outras...Só com muito AMOR pelo que faz!
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 28/7/2007 17:56
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