Quem desejar ficar rico não se meta a lecionar ou a escrever jornal.
A exceção é para os empresários das escolas caça-níqueis (que não lecionam) e dos jornais caça-dotes (que não escrevem) e por isso podem ganhar dinheiro. Como “a gente só leva desta vida a vida que a gente leva” (na sábia expressão do saudoso jornalista Barão de Itararé), sobra-nos o conforto nas palavras de Gabriel García Marquez, que diz ser o jornalismo a melhor profissão do mundo.
Quem exerce de fato a função de jornalista (produzindo matérias informativas e não apenas agradando a gregos para dar cavalos-de-tróia ao povo) tem um sabor a mais na vida: ser testemunha e protagonista da transformação evolutiva da humanidade, mesmo na sua menor proporção.
Saboreando palavras e figuras, o jornalista consegue até sobreviver com certa dignidade, pois é consciente. É um misto de Robin Hood e Dom Quixote pintando o retrato da vida e se colocando nela de maneira sublime e livre, em lugar inalcançável pelos embargadores da expressão livre.
O sacerdócio do jornalista é, a um só tempo, orgasmo e epitáfio nas entrelinhas do dia-a-dia da notícia, do fato, da história, da indignação, do senso crítico, da visão do mundo e do sentimento de liberdade. Por isso o jornalismo não tem preço. Por isso ele é santidade perseguida como demoníaco.
Incompreendido, assediado, amado e odiado, o jornalista é o herói silencioso dos desvalidos de comunicação, das sociedades desintegradas, iludidas e desiludidas, das minorias ofuscadas pelo poder e excluídas pela ignorância.
O jornalismo representa um poder social maior que o poder político, por isso a banda podre do poder o odeia. Por isso a imprensa séria é alvo das investidas autoritárias, dos equivocados pedantes, que tentam silenciá-la, dominá-la, comprá-la, pois o que mais dói aos canalhas é a espada da verdade, como a cruz ao diabo e a luz ao vampiro.
É próprio do poder político-bestial fragmentar a imprensa (o que consegue com certa facilidade dada à fragilidade da classe), para poder reduzi-la ao pó, para que ela não seja nunca a rocha que é, construindo entre os jornalistas a torre de babel e infiltrando na imprensa os oportunistas mercadores de palavras, traficantes de engodos, contrabandistas de notícias, vendedores de pedestais.
Quanto mais corrupto e profano for o poder político, mais ódio tem do jornalista e mais atração tem pela imprensa marrom, mercenária da indústria bajulatória ou difamatória. E quanto mais cega e carente for a sociedade, mais escrava será da política praticada pelo poder dominante corrupto, porém mais importante se torna o papel do jornalista.
O jornalista verdadeiro transita mas não senta à mesa do poder bestial; antes, porém, usa os fragmentos de sua rocha como areia nos olhos profanos. E, como um cometa, guia a multidão de cegos contra o malefício do poder que não conhece o santificado valor ou prazer da palavra, nem a sublimidade da vida. Tudo porque o corrompido poder que emana do povo é o mesmo por quem ele se fascina ao vê-lo nas mãos estúpidas de boçais que se fazem idolatrar (pela mídia). Infelizmente é assim que gira o mundo globalizado, comandado pela banda podre da política com o apoio da banda podre da imprensa.
Quanto ao papel social da imprensa, hoje, pode-se dizer que cabe a ela, além de produzir notícias, o compromisso de ajudar a combater a corrupção nas eleições e noutras instituições em que se usa a exploração da miséria, da fé e da ignorância. A compra de votos, em qualquer esfera de governo, continuará incontrolável enquanto existir a contraditória corrupção lícita, como a livre contratação de “cabos eleitorais”, por exemplo (enquanto a tal minirreforma eleitoral proibe praticamente apenas brindes e showmícios). O uso da miséria do povo (que reelegeu governos e que vai dar votos a outros) deveria ser objeto de acompanhamento e questionamento da imprensa. Os festivais de cestas básicas, bolsas e ações sociais, ofertas de benefícios, “doações”, “ajudas” e outros paliativos (reparadores sociais do poder executivo) usados como “isca de eleitor” constituem um exercício imoral, indigno, mas permitido pela justiça e com certa cumplicidade da (falsa) imprensa.
Portanto, o sacerdócio jornalístico deve refletir seu papel de formador de opinião e de defensor da sociedade. Pois é o jornalismo uma das últimas bandeiras capazes de manter a sociedade armada de informação e nutrida de cidadania contra a corrupção na política e em todos os setores da atividade humana.
Assino embaixo Frazão. O jornalismo deve sim exercer o seu papel de 4º poder, mas um poder moderador, vigilante, uma ferramenta democrática a favor da população. Infelizmente, devido a fatores que você explicitou tão bem, o jornalismo (na maioria das vezes) tem estado cada vez mais a favor do establishment.
Roger Deff · Belo Horizonte, MG 26/7/2007 21:47
Meu Professor, estou lhe devendo um comentario sobre a materia da edução, educador, etc. Depois... A presene materia
espelha um desejo, que no caso do Brasil são muitos. De todas as ocupações. Coisas de origem, um abraço, andre
Imagino os jornalistas na época da CENSURA, mais que Quixote e Hobin Hood, eram verdadeiros malabaristas...Admiro muito esta profissão, verdadeiro sacerdócio, como Medicina, Magistério e tantas outras...Só com muito AMOR pelo que faz!
Cris
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