Brasil.gov.br Petrobras Ministério da Cultura
 
 

A memória do Cangaço

Deus e o Diabo na Terra do Sol
1
Felipe Leal · Rio de Janeiro, RJ
10/2/2007 · 78 · 5
 

De meados do século XIX até o início do XX, um grupo de homens de vida nômade aterrorizou as estradas de terra batida do Nordeste. Temidos e respeitados por onde passavam, os cangaceiros acabaram se tornando ícones da cultura local. A partir da tentativa de resgatar a memória de um período histórico que contribuiu para a construção da identidade do povo pernambucano, a Fundação Cultural Cabras de Lampião criou o Centro de Estudos e Pesquisa do Cangaço (CEPEC), no último dia 15, na cidade de Serra Talhada, Sertão do Pajeú. Funcionando com recursos próprios e visando arrecadar material relacionado ao tema, a organização lançou uma campanha de doações.

"É mais importante dispor a todos o material do cangaço. Não adianta nada ter uma foto ou livro histórico que ninguém possa ver ou estudar. Assim, esperamos que sejam doados diversos materiais que contribuam para o toda a população”, disse o presidente da Fundação, Anildomá Williams de Souza, 44 anos. Desde pequeno, a paixão pelo cangaço o fez colecionar livros, documentos, tudo que pudesse encontrar sobre aquela época, quando o banditismo social era uma forma de reação à miséria e repressão dos vaqueiros.

Partindo de seu material pessoal e de doações de moradores de Serra Talhada, na rua Cornélio Soares nº 254, foi instaurado o CEPEC, também conhecido como Museu do Cangaço. O local abriga uma biblioteca com mais de 350 livros, teses de mestrado, além de uma exposição com 300 fotografias raras e inéditas. Entre as preciosidades do acervo, há inclusive radiografias da cabeça de Lampião, Corisco e Maria Bonita, e o laudo da causa da morte deles, cedido pelo Instituto Médico Legal de Alagoas.

Além disso, o espaço, instalado no antigo Salão Paroquial da Igreja Nossa Senhora do Rosário através de um aluguel de R$ 200, também consta com 500 títulos de literatura de cordel. “Não conheço outro lugar como este no Brasil, somos pioneiros”, se orgulha William, autor de 4 livros.

A Fundação Cultural Cabras de Lampião também mantém a casa do cangaceiro que lhe dá nome como um museu a céu aberto. Com recursos próprios e apoio de comerciantes da região, o Sítio Passagem das Pedras, onde morou a avó de Virgulino Ferreira, dona Jocosa, foi completamente restaurado em 2001. “O objetivo é estimular os visitantes e fazer com que eles se sintam como na própria época do Cangaço”, explicou Anildomá.

Os interessados podem contribuir com a campanha e o acervo do CEPEC pelo telefone(87) 38312041. O correio eletrônico é o cabrasdelampiao@bol.com.br. O período se encontra imortalizado por obras da literatura, como “O Cabeleira”, de Franklin Távora e “Lampião”, de Rachel de Queiroz. Já no cinema, o cineasta baiano Glauber Rocha retratou as ações do “Diabo Louro” Corisco, em “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de 1964.

compartilhe

comentários feed

+ comentar
André Dib
 

Muito bom o Cabras de Lampião aqui no Overmundo... parabéns pela matéria... E viva Serra Talhada, terra da melhor carne de bode assada do mundo!

André Dib · Recife, PE 8/2/2007 18:20
sua opinião: subir
Marcelo Rangel
 

Que bom que conseguiram fazer isso aí. Aqui em Sergipe vão empurrando com a barriga (meu palpite é que isso acontece porque desagrada famílias de antigos coronéis, gente ainda poderosa, provavelmente). Conheço a neta do Lampião, a Vera Ferreira, que luta por isso há anos e não consegue muita coisa. Uma mulher de sangue quente, brava nobreza do cangaço!

Marcelo Rangel · Aracaju, SE 10/2/2007 16:09
sua opinião: subir
dj yuga
 

"Lampeão sua imagem e semelhança..." como diria Chico Science.

Bacana demais Felipe... imortalizar e divulgar o nosso "Cangaço Cultural" é uma missão importante para o nosso País.

No mais... abraços

Yuga

dj yuga · Belo Horizonte, MG 10/2/2007 17:56
sua opinião: subir
Felipe Leal
 

Que maravilha que o Cabras de Lampião já está conhecido por aí né, André?! E Serra Talhada é uma pérola mesmo, tem todo aquele ar de terra batida e "coloca uma cadeira aqui e vamos conversar"

Ô Marcelo, como é a neta dele, conta muita coisa sobre o período e o avô? Deve ser interessantíssimo.

Obrigado Yuga, e abraços a todos!

Felipe Leal · Rio de Janeiro, RJ 10/2/2007 23:16
sua opinião: subir
dj yuga
 

Tamo aí cabra... abraços

dj yuga · Belo Horizonte, MG 11/2/2007 13:24
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

observatório

feed
Nova jornada para o Overmundo

O poema de Murilo Mendes que inspirou o batismo do Overmundo ecoa o "grito eletrônico" de um “cavaleiro do mundo”, que “anda, voa, está em... +leia

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados