A Música de MS na Era Digital...

Carol Alencar
Lauren Cury, vocalista da banda Louva Dub - mais de mil acessos no Youtube
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Carol Alencar · Campo Grande, MS
25/8/2009 · 22 · 4
 

Sem sair de casa, com apenas com um “clique”, uma pessoa se comunica com outra em qualquer lugar do mundo. Não só se comunica, como também tem acesso a todo tipo de informação e produção artística de todo planeta. Desde o surgimento da internet – que nos anos 70 e 80 ainda era restrita ao uso militar e acadêmico e a partir de 1990 começou a se popularizar -, a evolução tem sido freqüente e as opções que ela oferece ao navegador são infinitas. Um fenômeno mais recente é expressar-se através de um diário virtual (blog) e postar preferências sobre os mais variados seguimentos culturais. Ter perfil no MySpace, Orkut, Blog, Fotolog e, mais recentemente, no Twitter já é fundamental para quem quer propagar mundialmente sua música, grupo ou clipe musical. Várias bandas da Cidade Morena investem nesse tipo de mídia como ferramenta de divulgação.

O duo Filho dos Livres disponibiliza em seu portal uma diversidade de opções para os internautas escutarem e baixarem na íntegra seus quatro discos. “A internet é uma mídia indispensável nos tempos atuais. É uma ferramenta que mais se comunica com os fãs e seguidores do artista”, ressalta o guitarrista Guilherme Cruz, cantor do duo. O mesmo acredita o músico Jerry Espíndola. Ele foi um dos primeiros músicos de MS a ter um perfil no MySpace - canal de música que é possível ouvir o disco e assistir ao clipe do artista - e não tem cerimônia em investir na rede mundial para se propagar. “A internet veio para nos salvar e já quebrou o paradigma de que o artista só consegue espaço se é famoso. Ela é igual para todos e o retorno é imediato, ótimo para a divulgação do trabalho do músico”, ressalta.

Outros pioneiros da era multimídia foram os meninos do Bando do Velho Jack. Seu primeiro clipe, “Trem do Pantanal” foi postado em junho de 2006 e já tem mais de 19 mil visitas. Já a banda Haiwanna, criou em meados dos anos 2000, um site a partir do Geocities, do Yahho. Aos internautas da época, era possível de se baixar as músicas que mais tinham repercussão na cena musical da Haiwanna. As clássicas, “Valisére” e “Super Herói”. E para falar em pioneiro na era digital, não posso deixar de citar outra banda que também resolveu inovar no que a tecnologia teve para oferecer: a Olho de Gato. O vídeo no Youtube “Mala da Bolívia” tem mais de 7 mil acessos em menos de um ano.

Além da divulgação dos sites já atuantes na divulgação da música, algumas bandas campo-grandenses utilizaram a criatividade para inovar ainda mais. O grupo Curimba, por exemplo, realiza eventos intercalados com a banda Louva Dub. Ambas nem se quer gravaram um CD e já várias músicas na “boca” da galera. “Fora o MySpace, YouTube e Orkut, a gente tem feito o vídeo-flyer, que é um meio a mais para aproximar o público dos nossos shows”, confessa André Stábile, vocalista da Curimba.

O vídeo-flyer é um tipo de propaganda chamativa para shows, pode ser feita com qualquer câmera e postada na internet. As bandas Dombrás, Muchileiros, Facas Voadoras e Dimitri Pellz também aderiram à nova moda. “O virtual é a forma mais eficaz de divulgar o trabalho das bandas; hoje em dia não dá mais para se limitar numa coisa só. Além do mais, é a forma mais fácil de se chegar ao público interessado, porque fica a critério deles, navegarem ou não no site da banda ‘x’ ou ‘y’”, enfatiza a produtora cultural Letz Spíndola.

DISCO

Com o surgimento das novas tecnologias, a idéia de ter de gravar um disco com várias músicas, ainda um conceito originário dos LPs, os “bolachões”, está ultrapassada. “O CD é uma concretização do trabalho do músico. Ele faz parte do resultado daquele projeto. É utopia pensar que vamos ganhar dinheiro vendendo discos sem ter uma gravadora grande e um prestígio popular. Só vai comprar o CD o cara que for fã ou ter aquela curiosidade de ver o encarte e tal”, frisa o vocalista Rodrigo Falleiros da Jennifer Magnética. A banda vende seus CDs por apenas R$ 5: “Por sermos uma banda independente, o preço do nosso CD é em conta”. O saxofonista Gabriel Escalante, da Louva Dub, acredita piamente na era digital. “A internet é algo revolucionário. Sem dúvida é o melhor meio de divulgação”, afirma. Segundo Gabriel, o vídeo do seu grupo, “Apague a Luz”, têm mais de mil acessos no YouTube desde 20 de junho de 2009.

A banda Facas Voadoras também comemora o número de visitantes no YouTube. No total, mais de 7 mil pessoas assistiram na internet o vídeo “1:54”, que atualmente integra a programação da MTV. “A internet é uma vitrine para qualquer banda. Ela foi a peça chave para a gente ingressar na MTV”, argumenta o vocalista, Leonardo Schmidt. “Nós nem sequer lançamos um CD e nosso vídeo, que estava circulando na internet, foi um dos mais votados para passar na MTV. É esse tipo de retorno imediato que valoriza ainda mais essa potência que é o mundo digital”, indaga.

Uma novidade, não muito comum no Brasil, está na estratégia inesperada usada pela banda Midnight Purple. Os músicos Marcelo Tezeli, Marcelo Armôa e Sandro Moreno gravaram nove músicas no estilo rock/pop em inglês e disponibilizaram no site de música Reverb Nation, semelhante ao MySpace. O site norte-americano criou um programa para que bandas pré-selecionadas coloquem à disposição uma de suas músicas para download gratuito. O procedimento é feito sem custo para o internauta, mas é remunerado para o artista. O patrocinador do programa - no caso, o Windows - paga até US$ 300 para cada artista. “Não tínhamos idéia dessa repercussão toda. A partir de agora, vamos sugar ao máximo essa ferramenta que é a peça chave do nosso estouro nas mídias do mundo”, aposta o baixista Marcelo Armôa. Cada download equivale a U$ 0,30; a banda já atingiu os mil downloads, que equivalentes a R$ 600.

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Hermano Vianna
 

bacana este panorama geral - quem conhece mais links para novidades da música de MS na web pode ir dando as dicas aqui nos comentários

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 24/8/2009 22:27
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Danielle Barros Santos
 

Também adorei o panorama e a idéia do Hermano. Então aqui vai minha dica: Esse ano surgiu a oportunidade de participar do ANDANÇAS (festival de danças e músicas de inspiração tradicionais de Portugal) e confesso a vcs que, mesmo morando aqui a quase 2 anos, conhecia muito pouco de música alternativa Portuguesa. Os sites que vou deixar aqui é só uma pequena amostra da vibração que senti. Espero que um dia possamos repartir muito mais com esse "Purtugal" um tanto desconhecido por nós. www.myspace.com/velhagaiteira.www.myspace.com/roncosdodiabo. www.myspace.com/muuuuuu. www.myspace.com/nacaoviralata. www.myspace.com/olivetreedance. Espero que gostem!!!!!

Danielle Barros Santos · Aracaju, SE 25/8/2009 20:13
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Carol Alencar
 

Que idéia ótima!!! Os festivais são sempre uma oportunidade para as bandas se lançarem! Nós sempre estamos em contato com os festivais culturais que rolam por todo o mundo...
em breve postarei uma nova banda de Jazz que está disparando na cena de Campo Grande e só reúne músicos de "prima"...
chama Balaio Jazz... ... eu sou suspeita para falar, pq eles todos são ótimos...mas pra vcs terem uma idéia, o baterista Sandro Moreno ja tocou com o Zé Ramalho e fez turnê com a Tetê Espíndola pela Europa! o Cara é Fera! Vale a pena...se souberem de festivais..por favor..sem vergonhas...vamos propagar a música de qualidade pro mundo!!!

bjs carinhosos pra vc Hermano! sempre parceiro!
e Dani...volte sempre..e não hesite nas dicas...!! bjooo

Carol Alencar · Campo Grande, MS 25/8/2009 22:50
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markinho
 

Tô no aguardo do post sobre o Balaio jazz!
abraços

markinho · São Luís, MA 26/8/2009 03:00
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