A música em segundo plano: Essa é a regra que predomina na maior parte das bandas de electro e indie do Brasil. Mas é natural, quando se pensa na literatura brasileira contemporânea a idéia também anda em segundo plano - em detrimento de um exercício estilístico sem profundidade, qualquer imbecil faz poesia no Brasil, assim como qualquer imbecil faz electro – sem ao menos saber o que é um tom relativo.
A obsessão pela pose faz o sujeito vender a alma para o diabo; esquece que pode cantar, esquece que pode tocar, faz música que não marca, que não tem sentimento. Há duas faces do niilismo: uma voltada para a revolta (o niilismo de um Émile Cioran) e uma voltada para alienação (o niilismo apontado por Nietzsche), e é esse segundo tipo de niilismo que deixa os jovens artistas brasileiros repletos de orgulho.
Ter orgulho de ser imbecil, nunca vai ser sinônimo de revolta. Dizia Albert Camus que toda revolta é solidária (sic) – a revolta é esta pulsão de fazer pelo Outro. Na verdade, ser imbecil é sempre imbecil. Fazer rimas non-sense no intuito de mostrar o quanto se está descomprometido com a vida, é o mesmo que mandar os pais irem a merda e sair para se divertir com o dinheiro dos mesmos.
Secos & Molhados não se constituíam em simples pose, pois havia um vocalista um tanto poderoso guiando as melodias. David Bowie é a mesma coisa, havia um exímio compositor por detrás das penugens glamurosas. Por detrás dos escândalos da Madonna e do Kiss, havia de fato música pegajosa – e repleta de sentimento.
O que bandas como Cansei de Ser Sexy propõem é assumir o quanto é bom ter amigos influentes em jornais e revistas importantes brasileiras. Eu não sei o quanto é saudável ter orgulho disso, eu realmente não sei. O que no restante do mundo se torna uma grande piada. Consome-se Paulo Coelho porque ele é um xamã exótico, se consome o produto da elite brasileira porque eles vêem nos rostos dos garotos um disfarce, um exotismo niilista de um macaco abobalhado, que não consegue ver o quanto se é idiota.
Um amigo resumiu essa situação: Quando a música está em segundo plano tudo fica horroroso. Nunca vi bom sarro sem bom beijo. Dizia Gilbert Durand que, depois de Pollock, todos querem ejacular sem fazer as preliminares.
Em Cansei de Ser Sexy a música não só está em segundo plano, como se faz culto da imagem do imbecil. Todo mundo quer ser Duchamp, ninguém quer ao menos cantar.
O nível da crítica hoje em dia é muito baixo.
Ganso Gracioso · Alto Alegre, SP 22/1/2008 18:49Muito bacana o texto. penso exatamente com vc.
Emerson Facão · Rio de Janeiro, RJ 22/1/2008 20:31
Axe'
Boa critica, e 'chamada' pra essa onda de "creuu" e C.I.A. que temos em voga.
To votando, apesar de ainda na minha 'ognorancia' nao ter tido a chance de conhecer este 'produto ser sexy" que vc coloca na tela. Gostei do protesto, e da linha r e a c i o n a r i a que propoe.
A utilização de um conceito para efectuar críticas é no mínimo um gesto infantil. Henri Atlan e Gilles Deleuze demonstram o quanto os conceitos são ambíguos e, assim, o quanto sua utilização pode ser apropriada das formas mais imbecis diversas que encontrar. O que o Rodrigo Ortega fez é utilizar uma palavra solta no intuito de conseguir adeptos sem nenhuma arguição, o que demonstra o quanto a acusação de reacionário é, no Brasil, o maior gesto do ser-reacionário.
É o mesmo que eu escrever uma crítica assim:
"m-e-t-a-f-í-s-i-c-o"
ou
"f-a-c-i-s-t-a"
e por aí vai. Rodrigo Ortega, tente outra vez porque essa não colou.
por que eleger CSS? Por que eleger Madonna e Kiss?
gosto do argumento, em suma, gosto do texto.
EU não gosto das eleições.
Axe'
Eu aceito a ELEICAO... no tema, em foco.
Queria sugerir a eleicao do Raul, pro mundo poder mudar de opinao, e a gente poder formar um time pra fazer GOOlllll : PRA educacao!
Excelente!
Taí um texto que representa exatamente o porque de eu ter deixado de organizar festas de electro/indie em SP.
Joguei a toalha após ter a vergonha de promover uma noite com o "The New Rave Kids On The Block", que com uma assessoria de imprensa fantástica, criaram um hype tremendo em cima do nome saindo até em portais como Globo.com.
Mas e o "som?" Bom, bases TODAS sampleadas de hits gringos famosos e muita gritaria non-sense ao microfone. E essa é a regra geral no estilo. Não há composição, não há melodia, não há manifestação criativa e quiçá potencial artístico. O que conta é a pose e o hype. Estudar música e aprender a tocar algum instrumento de fato ninguém quer né?
Que saudade das décadas passadas...
[]s
k-max
Olá, Ganso! Muito boa a tua colaboração pro overblog. Tenho um texto que dialoga com o teu. Dá uma conferida.
Abr.
Leandroide.
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