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A nova decadência da cultura pernambucana

Bruno Nogueira
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Bruno Nogueira · Recife, PE
5/11/2006 · 525 · 185
 

Existe uma falsa ilusão sobre a produção cultural pernambucana. Na nova onda de centralizar as periferias nacionais, o estado ocupa posição de destaque. Em parte, bem justificado pelo exagero que foi a década de 90, onde tudo que era plantado se colhia. A intensidade disso foi tanta, que dura mesmo até hoje. Hoje que a cidade foi abandonada, esquecida e debandada do circuito cultural. Nos últimos três anos, simplesmente não existe o que fazer nos fins de semana.

Uma camada bem grossa de obras de visibilidade esconde isso. Recife tem sete festivais de música, um de cinema, um de teatro e um de dança. São os eventos pontuais. Entre dezembro e abril, a cidade fervilha. Nos outros seis meses, deixa de existir. Parecem afirmações exageradas ou apocalípticas, mas são as mais próximas da realidade. O Abril pro Rock deste ano, com uma de suas melhores programações e maior atenção da mídia, fechou no vermelho com um dos dias – atrações como o DJ Diplo e a dupla Stereo Total – atraindo menos de mil pessoas.

O estado perdeu seu caráter multicultural e descentralizador. O que significa numa grande oferta de barzinhos com shows de MPB cover na zona sul (a parte rica), uma segmentação das atividades de ONGs em periferias e um grande vácuo na classe média. O bairro boêmio, o Recife Antigo, está desativado. Luzes apagadas, casas fechadas, sem taxistas, boates ou até vendedores de rua. Três ou quatro focos de resistência acabam virando pretexto para sucessões de assaltos.

Na zona norte, os bairros de Casa Forte e Casa Amarela também perderam suas opções. Pernambuco não tem mais casa de espetáculos. Apenas dois teatros em atividade. Um auditório e uma casa de shows com estrutura muito grande. Como resultado, não tem lugares para as bandas locais se apresentarem.

Uma curiosidade à parte é o público. Resistente e desconfiante, o pernambucano parou de prestigiar sua cultura. Festivais de música recebem menos de 700 pessoas. Peças de teatro menos de 400. Festivais de vídeos locais menos de 100. O Spa das artes oscilava entre grupos de curiosos que não passavam de 20 pessoas a apresentações maiores para um pouco mais de 100. Ninguém reconhece mais o valor do bem cultural. Recusa-se pagar R$ 10 para assistir a um show.

O bar tido como “cool” na cidade é um trailer que invadiu um espaço vago, fez um macaco na eletricidade e serve a cerveja quente mais barata da região metropolitana. Chama-se Garagem e, durante muito tempo, foi ponto de encontro da cena punk/hardcore. Agora que virou moda, toda semana recebe uma batida por apreensão de drogas. A cada mês, uma pessoa é atropelada pelos carros que passam desavisados em frente a ocupação. Um colega meu ainda está internado.

Uma das raízes dessa fase tenebrosa de Pernambuco está na política. Historicamente, nunca existiu iniciativa privada para a produção cultural. Discos, shows, peças, filmes e livros, todos são feitos com patrocínio dos governos estaduais e municipais. Acostumada com uma seqüência de dobradinhas partidárias, sempre com a direita no comando das duas esferas, pela primeira vez Pernambuco teve – há dois anos – a ruptura através de uma nova prefeitura da esquerda.

Uma das conseqüências é o êxodo. 2006 foi o ano que mais viu os produtores e artistas locais da cidade ir embora. Até a banda que mais dava certo na cidade, com certeza de shows lotados, a Eddie, decidiu sair. Curadores de arte, cineastas, atores, dançarinas, bandas, produtores de festas, todos estão com uma ponta de sotaque a menos hoje.

E não existe nenhuma previsão de melhora.

Opiniões
No centro de todo esse furação de acontecimentos preocupantes, estão os personagens principais da história, produtores e artistas. Um dos guerrilheiros desse novo tempo é Leo Salazar, que criou sua Salazarte. Da produção de discos – da banda Eddie, do DJ Bruno Pedrosa – a shows e festas, ele já tentou de quase tudo. E continua tentando, agora com a adição de cursos que decidiu fazer fora da cidade.

“Existe um nicho de eventos no Recife que gera dinheiro. É o circuito das boates e bares da zona sul. Mas nesse nicho, o caráter do contratante não é muito bom. Geralmente são exploradores que não querem dividir o bolo com os artistas. Manipulam a concorrência, estabelecem baixos pisos, e os usam como regra. ‘Se você não quiser, tem outra banda que queira’, ameaçam eles. O cara que monta o palco ganha dinheiro, o dono do som ganha dinheiro, só quem não ganha dinheiro são os artistas (enorme contradição, porque sem o artista não existiria motivo para haver o palco e o som). Se você colocar um artista para se apresentar, sem palco e sem som, mesmo assim vão se ajuntar uns 100 curiosos para assistir. Desafio alguém juntar 10 pessoas para ficarem paradas olhando um palco e um som por mais de 10 minutos.”

Já cada artista aposta em sua própria teoria. “Recife nunca foi uma cidade roqueira”, comenta Bruno Souto, da Volver, sobre sua fatia especifica da história. “Nada dá certo naquela cidade”, foi mais enfático o DJ Dolores, num papo rápido durante um vôo para o Rio de Janeiro. “Aqui se diz tão produtivo e não tem nada que sustente a cultura mesmo”, opina a produtora Ana Garcia do Coquetel Molotov. “Agora mesmo vamos fazer uma turnê que não tem como passar pelo Recife”, completa.

“Recife perdeu, na década de 90, a oportunidade de criar um mercado. Vivemos o reflexo deste desleixo, com muita gente picareta com muita grana”, comenta o jornalista Hugo Montarroyos, do site RecifeRock. Por acompanhar excessivamente todo evento mentor da cidade, é este site também quem traz o melhor recorte de público da cidade. Mesmo com os shows da moda, das bandas emos, espaços para 3 mil pessoas não chegam nem a 1/4 deste total.

Covers
Resultado mais absurdo desta situação: as bandas, que não conseguem mais palco e público, se apresentam com projetos paralelos de covers. Nação Zumbi com o Los Sebosos Postisos (Jorge Ben), Mombojó com Del Rey (Roberto Carlos), Silvério Pessoa com o Sir Rossi (Reginaldo Rossi), Volver com Ordinários (Renato e Seus Blue Caps), Mula Manca com Seu Chico (Chico Buarque), e uma lista que não pára de crescer.

Todos começaram no tom de brincadeira e encerraram como sendo a atividade mais lucrativa das bandas. A minha leitura desta situação é uma bem negativa. É claramente a resistência que o público pernambucano tem ao novo e a busca pelo óbvio.

Mas deposito minha esperança neste espaço aberto do Overmundo. E desafio novas visões a serem trazidas e publicadas também aqui no overblog. =)

PS: Para evitar alardes. A foto eu tirei antes de começar os shows. Não estava tão vazio assim.

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Carolina Morena Vilar

Confesso que pra mim é surpresa tudo isso. Não conheço Recife muito bem, e aposto que pra todos que também não conhecem, a idéia que se tem é que rola justamente o oposto por aí. Já perdi as contas de quantas vezes li coisas atuais referindo-se a Recife como centro cultural do nordeste... E isso ainda é reflexo de uma década de efervescência passada?
O que se é transmitido pro grande publico de fora, ainda hoje, é que tudo ainda é muito movimentado... E aí temos como prova constatações que Recife é a única cidade do nordeste que consegue trazer bandas gringas, que tem vários bons festivais (é só ver o Abril pró rock e Coquetel molotov) e bandas bacanas (radio de outono, o próprio Eddie, Mombojó, Playboys...), ou seja, quem olha de fora acredita piamente que as coisas são opostas ao que vc falou.
Não posso concordar nem discordar, pq não conheço Recife suficientemente bem no dia-a-dia, mas te digo que fico surpresa. Engraçado ver a diferença de idéias sobre tua cidade de quem mora e de quem é de fora.

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 4/11/2006 00:24
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Bruno Nogueira

Mas é disso que o texto fala. Hoje, Salvador, Fortaleza, Natal, todas tem uma movimentação cultural mais forte.

Os dois festivais que você disse trazem bandas de fora, mas fecham no vermelho. O Coquetel não consegue lotar um teatro com capacidade para 1200 pessoas.

Rádio de Outono, Eddie e Mombojó são bandas que não moram mais na cidade.

Bruno Nogueira · Recife, PE 4/11/2006 00:30
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Marcelo Rangel

Gostei do texto, Bruno, mas também fiquei pasmo com o seu relato, Bruno! Por aqui, Recife é considerada quase como uma "meca". Realmente soube que o Abril pro-Rock deste ano teve seus problemas de público, dava até pra imaginar que isso fosse reflexo de outras coisas. Em determinados momentos de seu texto, cheguei a me confundir e achar que vc falava de Aracaju (!!). Diante da minha surpresa, espero os comentários de Salvador, Fortaleza e Natal... a coisa tá melhor mesmo por essas praças?

Marcelo Rangel · Aracaju, SE 4/11/2006 12:59
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Filipe Barros

Pois zé caros membros do overmundo o relato do nosso amigo bruno é a mais pura verdade. Sou músico, e sei o quanto o nosso sustento depende das atividades da prefeitura e governo. Nao sei se a coisa ta melhor em fortaleza, acho que a partir desta discussao podemos ver que nossa visao dos outros estdados é muito estereotipada. Esse estereotipo gera lucro la fora, mas aqui gera uma cultura que ninguem paga para ver nada de novo (porque se consegue ver tudo de graça pelo menos a cada seis meses), só pagam por festinhas que toquem classicos extraconsagrados (vide os projetos que tocam chico buarque, roberto carlos, jorge bem), nada contra os projetos que na maioria sao muito legais, mas é realmente lamentavel saber que tu faz um disco, produz um show, toca no mundo todo e nao toca na tua terra. As reais causas disso nem saberia dizer, o buraco é bem mais baixo, cultural, estrutural, são tantos fatores, mas acho que a discussão, estimula a mudança, sem ser apocaliptico mas acho que o futuro não é tão limpido assim. O caminho do exodo ainda continua.

Filipe Barros · Recife, PE 5/11/2006 03:52
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Carlos Gomes

Acho o seu texto importante, há nele pontos bastante claros e objetivos, jogando luz sobre alguns problemas e desmistificando pseudos-rótulos sobre a cidade... Mas (tenho qua aqui criar um contra-ponto à sua opinião) penso que você deixou de fora dois problemas-chave: a questão das rádios e das TVs.
Também posso, de certa forma, criticar o título do seu texto, pois não há decadência da cultura pernambucana, a cultura continua a produzir as suas pérolas e também as suas mazelas, o que há de decadente se verifica, como você mesmo escreveu, é justamente na troca do artista com o público e todo o processo que viabiliza esta troca.
Não consigo aceitar que as rádios e as TVs (em sua maioria. celebro as exceções.) não divulguem a produção que os seus pares produzem. Acho que algumas questões que você colocou podem soar simplistas, mas admiro a sua coragem e o seu talento em expô-las. Gostaria de tecer um comentário em relação ao que disse o músico da banda Volver. Recife não precisa ser uma cidade roqueira, nem uma cidade do brega ou somento do frevo ou do maracatu. Penso que Recife parecer esquecer a lição primordial que o movimento manguebeat (bit) nos deu: Há vida brotando da lama!
Enfim: espero que o meu comentário suscite outros olhares em torno desta discussão, e que não é exclusividade de Recife mas problema em todo o Brasil.
p.s.: Celebro a existência do Coquetel Molotov, do Sopa diário, do estéreo clipe, das novas bandas pernambucas, das velhas bandas que continuam a produzir.

Carlos Gomes · Recife, PE 6/11/2006 01:26
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Ana Garcia

Concordo com o texto de Bruno, mas preciso corrigir algumas coisinhas:
1. O Teatro da UFPE tem capacidade para 1930 pessoas e tivemos 1200 pagantes sim e mais na 2 noite;
2. Nunca fechamos no vermelho;
3. Rádio de Outono mora em Recife!!! Nunca moraram fora e acredito que isso não irá acontecer nem tão cedo.

=)

Ana Garcia · Recife, PE 6/11/2006 09:18
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Filipe Barros

carlos gomes, acho que bruno foi bem claro a crise é na industria cultural, aqui. Cara posso te dizer, uma banda pode fazer um show massa aqui, que no maximo so tera 4 oportunidades de tocar em condições desejaveis de som, e produção. è triste ve isso, mas em recife sucesso termina sendo igual êxodo. Não conheço um artista que tem respaldo nacionalmente (quando bomba só na europa é outra historia) que esteja na cidade ou que só vem aqui ensaiar, compor e gravar o disco. Só restam as bandas os grandes festivais pra poder apresentar algo de qualidade. Não adianta chorar, tem que correr atrás, mas aqui não tem uma casa pra 200 pessoas com palco, som e ambiente de qualidade.

Filipe Barros · Recife, PE 6/11/2006 11:04
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Felipe Leal

Observo também que quem procura desenvolver ações que possam transformar esse quadro aqui no Recife, está tão distante quanto desconexo. Muitas manifestações que poderiam unir um número maior de pessoas ficam esquecidas ou deixadas em segundo plano, como o Spa das Artes, que tinha potencial para muito mais. Sinto que há um grande marasmo ou falta de interesse da grande maioria dos pernambucanos entre os 18 e 30 anos. Talvez isto coorra em decorrência do fracasso de algumas iniciativas, mas aí uma bola de neve se institui. Ninguém prestigia eventos ditos como necessários por não confiar no potencial dos mesmos e quem poderia fazer alguma coisa diferente não o faz por desconfiança do público pernambucano.

Felipe Leal · Rio de Janeiro, RJ 6/11/2006 11:39
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dj-dolores

Oi, Bruno,
engraçado que aquele papo tenha gerado esse texto.
Bom, só queria corrigir uma coisa: meu suposto comentário "Nada dá certo naquela cidade" foi dentro do contexto de uma conversa informal, no meio de outros assuntos ...
Se eu tivesse absluta certeza do fracasso do recife já teria ido embora daqui. Oportunidades não faltam.
Vivo na cidade, uso-a como quartel general e ainda vejo um campo fértil na produção local, especialmente na minha área de música. Acho que a grande deficiência está na falta de estrutura - de profissionalismo mesmo! - dos produtores, donos de casa noturna, jornalistas e - pq não dizê-lo? - dos próprios artistas.

dj-dolores · Propriá, SE 6/11/2006 11:41
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dMart

txê Bruno!

a partir da eclosão do Mangue Beat/Bit, nos anos 90, Recife demonstrou uma possibilidade de produção musical fora do eixo Rio-São Paulo. e mais: colocou a estética regional novamente em voga, desta feita, sintonizada com tendências universais, gerando uma conexão imediata com jovens, jornalistas e articuladores culturais.

certamente, Chico Science e Nação Zumbi foram um dos principais ícones deste movimento e inspiraram bandas e artistas nos quatro cantos do Brasil e até mesmo no exterior. um pouco desta história, tratei na monografia "O Movimento Mangue Beat, Uma Alternativa do Regional no Processo de Globalização", escrito em 1997.

de lá pra cá, Pernambuco gerou várias gerações de artistas que trabalham com o mesmo modelo. não conheço a realidade atual da cena musical do Recife. mas acredito que haja um certo desgaste na receita "maracatu e rock'n'roll", "tambores e lisergia", "cordel e elementos eletrônicos" etc.

ok. bandas "novas" como Cordel do Fogo Encantando, Cumadre Fulozinha e,Mombojó, entre outros, traduzem o "regional pernambucano" na sua própria onda e são trabalhos de qualidade. e creio que, além das qualidades particulares, tiveram destaque nacional facilitado a partir do sucesso do Mangue Beat na década anterior.

perguntas: mas será que não há um saturação do público em relação a estética "manguebeatiana"? será que o movimento não consolidou mesmo um espaço para a produção local em Pernambuco? em que medida Recife perdeu ou ganhou espaço com formadores de opinião no Exterior? será que não é hora de uma nova rearticulação dos atores culturais?

é difícil avaliar isso daqui do Sul, onde roqueiros e nativistas ainda se digladiam. o que posso dizer é que, de certa forma, Recife ainda é uma cena privilegiada (mesmo com os "contras" que possivelmente estão vivenciando nos anos 00, como colocados no artigo) e, virtualmente, ganha destaque editorial nas redações em que aporta "produtos culturais" pernambucano. Mangue Beat ainda é um grife.

baita abraço a todos!

dMart.

dMart · Porto Alegre, RS 6/11/2006 11:54
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dMart

complementando...

li dois artigos aqui no Overmundo sobre o pessoal do Coquetel Molotov. é sangue novo na cena, não? pelo menos, no vértice da divulgação e produção de eventos.

http://www.overmundo.com.br/overblog/coquetel-molotov-na-guerrilha-da-producao-cultural

http://www.overmundo.com.br/overblog/coquetel-molotov-transpira-moda-e-atitude

baita, dMart.

dMart · Porto Alegre, RS 6/11/2006 12:09
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h.d.mabuse

Só reforcando um ponto tocado lah em cima, é incrivel como tudo isso tem ocorrido sem apoio quase nenhum da TV e, principalmente, Radio. Sao poucos os programas que fogem da estrutura atual de programacao pre-gravada sem identidade com a cidade. Creio que esse seja um ponto que pode explicar muita coisa no que se tem falado acima. E aproveitando pra dar os parabéns pra Coquetel Molotov e Salazarte que são mesmo sangue novo dando um gas na cidade.

h.d.mabuse · Recife, PE 6/11/2006 12:49
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[ds]

Achei o título do artigo um tanto "afirmações exageradas ou apocalípticas" mas foi uma apelação bacana pra gente se ligar no assunto e destilar idéias. Vou a estes eventos citados sempre que posso e tenho percebido um esvaziamento... Desconfio que pode haver falta de grana do publico tb, pois o palco grátis (generosidade!!!) do Coquetel Molotov estava sempre abarrotado de gente, o que não acontecia sempre com o espaço pago. Aliás, deixo aqui meus parabéns ao CM tb.

[ds] · Recife, PE 6/11/2006 14:15
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Sarah Falcão

Apesar de morar ao lado de Recife não a conheço muito bem e isso tudo o que você falou é uma surpresa para mim, ao mesmo tempo que não é. Acho que essa crise é um movimento que envolve não só Recife, posso dizer que na minha cidade (João Pessoa) não é diferente do que você falou e chego a pensar que isso é um movimento até nacional. Até nos grandes centros como São Paulo e Rio tem aquele dono de boate que fala "se você não quiser tem quem queira". Mas o que me espanta são os recifences, tão conhecidos por defenderem sua cultura (e principalmente sua música), ficarem de braços cruzados quanto a isso. Se aqui em João Pessoa as pessoas estão parando para refletir sobre isso (você é prova disso, vide festival mundo) e fazendo festivais, shows de bandas indie, etc, pq aí isso não acontece?

Sarah Falcão · João Pessoa, PB 6/11/2006 14:38
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Marcelo Cabral

Olá Bruno. Acho importante sua visão do atual panorama cultural de Recife, um registro importante aqui no Overmundo.
Por outro lado, acredito que os lugares vivem ciclos. Posso estar errado, mas a questão que vocês estão chamando de “êxodo” me parece um processo natural, que em determinado momento da carreira, artistas precisem viver um tempo em grandes centros de arte, sobretudo São Paulo, para trabalhar, expandir seus públicos, divulgar seus trabalhos e com isso uma parte da cultura do estado lá fora. Alceu Valença deve ter feito isso em alguns momentos. Afinal, não é sensato que uma banda viva e morra tocando pro mesmo público na mesma cidade. Enquanto isso, na terra natal, uma nova cena se forma, e os destaques vão surgindo, e com o tempo vão dar um tempo fora, e assim por diante, como eu disse, ciclos.

Em muitos momentos, vi Maceió também no seu texto, sobretudo no parágrafo em que Léo Salazar coloca a questão da exploração das casas sobre os artistas, aqui acontece igual, e todos correm pra fazer cover pra tirar uma grana, claro, já que a barreira contra o novo, como você bem coloca, é evidente. Uma realidade bem triste mesmo.

Marcelo Cabral · Maceió, AL 6/11/2006 14:50
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Marcelo Cabral

Mais uma coisa, a questão das principais rádios locais, é um completo absurdo, aqui também, como dito anteriormente, programações enlatadas sem identificação com a cidade ou espaço justo para as produções locais, uma situação insuportável e sem sentido.

Marcelo Cabral · Maceió, AL 6/11/2006 14:59
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Bruno Nogueira

Opa =) Que bom tantas respostas.

Duas coisas. O mais importante foi lembrado pelo Dolores. Recife ainda tem uma grande quantidade de artistas, ele incluso, que acreditam fortemente na cidade. Somo a lista Silvério Pessoa, o Mundo Livre S/A (cito os de música pq são os que vem mais fácil a memória). Esses três formam uma linha de frente forte para a resistência daqui. Citando o DJ Dolores denovo, a bronca atinge várias camadas. Eu ainda acho - numa visão pessoal - que os artistas são menos culpado.

Outra correção! Eu acabei generalizando a edição do festival Coquetel Molotov no bolo de quem fechou no vermelho. Como a Aninha já corrigiu lá, os números foram diferentes. Não deixa, entretanto, de ser um festival que merece bem mais atenção do que já tem. Eu sei de jornais da cidade que nem matéria queriam dar sobre o evento, por exemplo. =(

Nos últimos dois anos eu tive oportunidade de conhecer de perto a realidade em outras cidades próximas dasqui - fora do circuito de eventos pontuais - e posso dizer tranquilo que pelo menos Salvador e Natal estão muito bem =)

Bruno Nogueira · Recife, PE 6/11/2006 15:39
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Helena Aragão

"posso dizer tranqüilo que pelo menos Salvador e Natal estão muito bem =)"

Será que essa não é uma visão de quem tá de fora? Será que lá nas duas capitais eles não tão se queixando da mesma má fase? Também tenho uma certa impressão (sem querer generalizar, apenas pelo que já conheci) que os pernambucanos são muito críticos. Então, quando a idéia é cair na auto-crítica, talvez também peguem pesado... Será? :)

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 6/11/2006 17:14
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Jabah Pureza

Valeu, Bruno! Passando a real pro Brasil. Vamo tentar dar uma mudada nisso. Seguindo os exemplos da Molotov, Salazar, enfim, continuemos a batalha. Eu torço especialmente pro sucesso dos festivais que geralmente são o que marcam a gente. Alguém tava no show do Mundo Livre esse ano no Pre-Amp? Enfim torço sinceramente pro Pre-Amp, Porto Musical, Receat, Abril Pro Rock, Coquetel Molotov e quantos mais surgirem. Quero mais é que dêem certo, se tornem cada vez mais acessíveis (inclusive no preço do ingresso, que já é outra discussão boa) independente das emacumbações, vaciladas e gols contra. "Salve a música!"

Ah, quanto a Natal e Salvador concordo com Helena que você pode estar viajando. Tocamos semana passada em Salvador e os produtores estavam reclamando exatamente das mesmas coisas que você cita no texto como falta de opção de casas noturnas (leia-se la máfia das casas). Enfim, que quem mora lá escreva aqui o que acha.

Grande abraço!

Jabah Pureza · Natal, RN 6/11/2006 19:06
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Leo Antunes

Tb sou de Recife e passei por todas estas etapas, desde do começo do mangue-beat até hoje. Ainda considero Recife um dos principais pólos culturais do Brasil. Não pela estrutura de mercado, mas pela diversidade e qualidade artística ainda produzida aqui. O que falta é o governo (municipal, estadual e até federal) pensar cultura como um meio de desenvolvimento social e econômico. Todos os apoios dados pelas instituições públicas são superficiais. Gravações de CD e eventos sazonais. Ninguém quer realmente pensar a médio-longo prazo na sustentabilidade de um mercado musical e nem construção física espaços para shows. Só para dar um exemplo: Nem fábrica de disco tem em Pernambuco. Vamos ver se o governo Eduardo Campos vai cumprir o que prometeu - melhorar a política cultural do Estado.

Leo Antunes · Recife, PE 6/11/2006 19:20
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Gabriela Amorim

Ih Bruno, essa idéia de que as coisas vão indo bem em Salvador é bem contestada por quem tá lá, viu?!! Acredite se quiser, tem produtores/as e músicos/as de lá achando que Aracaju é uma cidade fervilhante =O E o Marcelo Rangel, que trabalha muito mais na área cultural aqui em Aju do que eu, pode falar melhor como as coisas aqui vão devagar...
Bom, na verdade, acredito que essa fase baixo astral é meio generalizada no Brasil. Uma dificuldade tremenda de levar a arte a sério em terras tupiniquins!!! Creio que chegamos a esse ponto por uma conjunção terrível de fatores: falta de profissionalismo de artistas e técnicos da área + uma mídiazinha sem-vergonha, que mal saiu da "idade média" da produção jornalística. Só pra citar o caso mais próximo, aqui em SE não temos sequer um Caderno de Cultura sério nos jornais impressos... E vejo esse problemas em várias cidades q tenho visitado. Em SSA, por exemplo, as coisas funcionam mesmo na base do jabá. Não paga, não toca, não aparece...
Parabéns pelo texto, Bruno, suscitou uma discussão muito necessária!

Gabriela Amorim · Aracaju, SE 6/11/2006 21:57
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Caçapa

Trabalho como músico há dez anos em Recife, concordo com muitos dos pontos levantados aqui neste espaço, e gostaria de abrir um pouco mais a discussão.
Os sintomas dessa "crise", apontada com muita propriedade pelo Bruno Nogueira, estão sendo sentidos atualmente, pelos artistas de classe média da região metropolitana do Recife...
Mas, o que dizer da dura realidade que os artistas ligados à cultura tradicional vivenciam há muitas décadas, na capital e, principalmente, no interior? Quem realmente se importa com esse artistas? Conta-se nos dedos... E apesar de tudo, de todo o descaso, essas tradiçõe se mantém, em alguns casos, bastante vivas, dinâmica e criativas! É verdade que muitas manifestações culturais desapareceram ou estão tornando-se cada vez mais raras, mas não acredito em decadência cultural e sim numa crise do mercado, que - se ficou um pouco mais evidente para a classe média de alguns anos para cá - sempre esteve presente na vida das classes mais desfavorecidas.
Se há crise cultural, ela se evidencia muito mais entre a elite econômica do nosso Estado, que abandonou o seu gosto esnobe e a preferência pelos produtos importados das cortes européias para se contentar com o lixo cultural produzido em massa pela nossa grande mídia. É inacreditável...
Acredito que há muito potencial cultural e mercadológico em Pernambuco, e que a solução depende tanto do poder público quanto do privado. E que não se espere que a elite tome a frente nessas transformações: o exemplo foi dado pela geração do manguebit e continua sendo dado pelos artistas tradicionais, desde sempre! O simples fato de se abrir essa discussão é importantíssimo!! Nossa geração tem a obrigação de continuar transformando essa realidade, em todos os campos, da comunicação, da criação e da produção cultural.

Caçapa · Recife, PE 6/11/2006 22:06
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Ane (a) Caroline

O grande problema é que a cultura em si, tanto popular como os mais variados tipos hoje existentes não sao valorizados aqui no nosso pais.. um grande reforma cultural deve ser feita do nordeste ao sul.. mas infelizmente poucas pessoas se preocupam com isso.. com bandas que estao ainda em processo de criação.. na formação de novos artistas.. precisamos agora de soluções.. para o mais rapido possivel inverter essa situação!

Ane (a) Caroline · São Paulo, SP 6/11/2006 22:28
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Ane (a) Caroline

"mombojó e cordel são relamente muitoooooo boas!!"

Ane (a) Caroline · São Paulo, SP 6/11/2006 22:34
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Ana Garcia

Eu realmente não posso queixar, acho que o Coquetel Molotov e toda a cena independente recebe mais atenção dos jornais / sites que qualquer outra cidade... Tivemos 4 capas (juntandos os 3 jornais), muitas matérias, entrevistas... Melhor, onde mil pessoas iriam pular para escutar Spleen???? Se for comprar com SP, Tortoise tocou para um publico de 330 e CocoRosie para 500... Acredito que o nosso festival não daria a mesma quantidade de público em SP, por exemplo... Acho que falta um ponto fixo na cidade e costume. O recifense precisa se acostumar com os eventos.

Ana Garcia · Recife, PE 6/11/2006 22:36
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Ane (a) Caroline

A melhor forma ainda é uma otimo propaganda e preços populares (o mais barato possivel).. pois descobri que as pessoas tem medo de gastar em vao =/

Ane (a) Caroline · São Paulo, SP 6/11/2006 22:44
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Tiago Araujo Melo

Senti o mesmo que Marcelo Rangel. Eu mesmo sou doido pra ir em Recife sempre. Tanto que quando consigo juntar grana pra viajar, adivinha pra onde eu vou?!

Acrescento ainda, em relação aos covers. Aqui em Aracaju, a alguns meses atrás, houveram 2 festivais. Um festival com um line-ip digno de ser comentado por todos país, de sair em reportagens em tvs e tudo mais, e outro com banda cover. O primeiro se chama "Nada pode parar o rock" e contou com bandas como Júpiter Maça Parafusa, Volver, Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicileta. O segundo, Coverama, um monte de banda que pouca projetção e/ou bandas sem expressividade tantando um espaço para tocar. A diferença de público foi absurda! Me deu vergonha de encontrar o pessoal que participou do NPPOR e tentar explicar o porque do vazio enquanto em um show de covers (muitos deles horríveis!) estava lotando.
Não se pode falar em estrutura, preço, e esse tipo de coisa, mesmo porque era tudo a mesma coisa a começar pela casa. Encontrar explicação para isso levaria uma eternidade e outra de discussão.
O pior é que cada vez que isso acontece, a possibilidade eu ver bons shows na cidade diminui. As pessoas reclamam que não tem, e quando tem, não aparecem. Merecem mesmo ficar amontoados em um barzinho bem no canteiro de uma aveninda, dividindo lugar com um monte de carros pagando R$ 2,40 em uma cerveja. Todo castigo pra corno é pouco!!!
É triste. Essa situação me deixa chateado demais que nem consigo escrever direito.

Tiago Araujo Melo · Aracaju, SE 6/11/2006 23:24
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Roberto Maxwell

Pois eh, se vc olhar o Brasil como um todo, vai ver que o pais inteiro esta assim. Sabe por que? P O B R E Z A ! 10 reais eh muito para um show, se vc considera que alguem ganhei 600 por mes para si, estudos e/ou familia. Dai, esse pelo-amor-de-deus-estado-me-ajuda! Claro que o Estado tem que atuar como fomentador das atividades que geram renda e patrimonio (cultura eh patrimonio). Mas, nao se esquecam que estado algum vai atuar como fomentador de eventos que subvertam!

Roberto Maxwell · Japão , WW 6/11/2006 23:28
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Niltim Lopes

Bruno, achei ótimo você fazer essa critica. Até por que eu sou um dos que tenho essa visão de que Recife é a grande Meca da produção e "consumo" cultural no nordeste. E em termos de desenvolvimento ainda acho que é.

É desesperador, desanimador, os finais de semana na capital baiana. (a não ser que você seja chicleteiro, arrocheiro, pagodeiro ou calypseiro). Do mais, é realmente desanimador. Além de que exposições, boas peças de teatro, boas produções de dança, não não tem fomento, nem prestígio. É praticamente um gesto de caridade fazer arte nessa cidade, então fica quase impossível se manter aqui!
Vivemos em uma "ditadura do Baticum". Temos hoje quatro sala de cinema que exibem filmes fora do circuito hollywoodiano e teatros apenas pelo centro da cidade.

A saber, Salvador NÃO possui secretaria de cultura. Uma fundação cuida disso por aqui e sem sucesso! O maior festival de música acontece no verão para promover as bandas que vão tocar encima do trio elétrico no carnaval (esse ano fui apenas pra ver Otto e Los Hermanos).

Bom podia ainda dizer da falta de uma livraria, de cafés, de boas galerias, de bibliotecaS.

Mesmo com tudo o que vc me diz aqui, olhando para essa cidade que vivo, já tô com a passagem garantida pra Recife no Reveillon!

Ah! E o que proponho é que façamos textos coletivos que possa se espalhar pela net e que chegue à uma grande de pessoas e, talvez com esse estímulo, possam ter idéias de se juntarem e reavivarem nossa mobilidade cultural. Juntar e mobilizar a cultura de nossas queridas cidades.

bom acho que é isso!

Niltim Lopes · Salvador, BA 6/11/2006 23:40
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Hermano Vianna

a conversa está ótima, mas já que todos concordam com as queixas (e nada contra se queixar) vamos agora ao que interessa: o que fazer?

sei que perguntar assim é fácil... As colocações do Leo Antunes (acima) são muito pertinentes (cultura como desenvolvimento social e econômico, sustentabilidade - acho que também todos concordamos que esses são os objetivos a alcançar): mas parece que ainda esperamos que o estado vá fazer alguma coisa, que o estado pode apresentar soluções para esses problemas - sabemos que não pode, que o estado precisa de idéias, e depois de gente que cobre a realização das idéias (e que também participe da realização das idéias) - não tem muita escapatória...

e o problema não é certamente só pernambucano - em todas as cidades brasileiras onde vou escuto as mesmas queixas (falta de espaço etc) - então a conversa é geral, como já está acontecendo aqui nos comentários

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 7/11/2006 00:24
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Leo Antunes

Pois é Hermano. Pelo menos perceber o problema já é um avanço. Porem é pouco ainda. Temos que ser mais objetivos e cobrar, sim, a atuação do Estado neste processo. Não como um simples financiador de projetos, mas como mediador de uma "economia cultural". Falo de diminuição de impostos para casas de shows de pequeno e médio porte; incentivo a micro produtoras, selos e gravadoras independentes; incentivo a comunicação popular como rádios comunitárias, revistas e projetos de internet; qualificação de técnicos de palco e gravação. Coisas que qualquer economista poderia planejar sem o "romantismo" de tratar a cultura como algo folclórico apenas.

Leo Antunes · Recife, PE 7/11/2006 00:49
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Bruno Nogueira

Eu ainda sou mais a favor dos patrocínios privados. Coisa que é inexistente no Recife e que, por exemplo, em Salvador eu já vi que existem. Até festa da mais comum, como a Nave, só com DJs, funciona com apoios. No Recife (de volta a ele, pq é meu ponto de vista), isso praticamente não existe.

Bruno Nogueira · Recife, PE 7/11/2006 00:54
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Hermano Vianna

mas sabemos que secretarias de cultura etc têm pouca verba - a luta pelo 1% do orçamento para a cultura é importante, mas enquanto o 1% não vem não dá para ficar esperando verba - então temos que esperar outro tipo de "incentivo" ou "apoio" - qual ou quais?

bruno: seria ótimo haver patrocínios privados sim - mas como?

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 7/11/2006 01:07
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Cristiano Casado

Acho que se a tal banda que vc citou saiu de Pernambuco pra conseguir mais visibilidade, seria válido; ninguém está obrigado a se fixar num só espaço físico. Se este grupo traz as raizes locais, isto seria interessante pra divulgação da cultura de seu estado.

Cristiano Casado · São Paulo, SP 7/11/2006 01:19
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Filipe Barros

captação exige um rigor maior que conseguir um espaço, um som de 200 reais, fazer panfletos na brodagem, e cobrar 7 reais. o coquetel é um exemplo muito bom a ser seguido, nesse aspecto, as moças e o moço sabem correr atras de patrocinio, fazer algo de qualidade, a preço acessível. mas o buraco é lá em baixo, mas não rola esperar do estado também, precisa subverter esses ciclos também.

Filipe Barros · Recife, PE 7/11/2006 01:25
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Leo Antunes

Então, volto a dizer que não é uma questão de financiamento estatal de projetos culturais. Mas sim do papel do Estado como mediador de um mercado cultural. Desta maneira não uma questão de orçamento apenas, mas de vontade política. Sem ser desta forma acho complicado (até impossível) organizar o mercado cultural com ações localizadas. No dia que derem importância a cultura como é dada a indústria do cafeicultora ou automobilística (com suas devidas proporções) a coisa muda.
A solução é: Vamos cobrar este tipo de posicionamento do Estado.

Leo Antunes · Recife, PE 7/11/2006 01:25
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Roberto Maxwell

Eu sempre trabalho na "brodagem", como diz o Felipe. No entanto, sei que isso nao eh economia. Economia eh gerar recursos para os envolvidos na producao, fazer a galera ganhar mais que tapinha nas costas quando o assunto eh producao cultural. Por que sera que as festas de axe que alguem aqui citou sobre Salvador fazem sucesso? Acho que o problema do Brasil eh educacao e condicao economica. Alem disso, os governos locais precisam pensar que cultura gera dinheiro tb. Ai, entram os eventos. Anos atras eu fui a Lisboa e as pracas eram cheias de caminhoes culturais, com bandas e outros eventos na rua, gratuitos. A movimentacao ali gera venda de produtos no comercio local e paga os investimentos. Aqui em Shizuoka, a associacao comercial produz dezenas de eventos por ano, com qualidade, unica e exclusivamente para tirar as pessoas de casa. Recentemente, houve um festival de musica de diversos paises do mundo. Eh aquele folclore, mas rola movimento. Ja vi bandas de todas as naturezas, ateh heavy metal em festival de rua local. Sera que nao ha como envolver os comerciantes nisso ai no Brasil?

Roberto Maxwell · Japão , WW 7/11/2006 05:41
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Paulo José

Eu não acredito no Estado, em governo, a não ser a coisa seja a banda oficial do governador, o grupo de teatro do prefeito. Acredito em iniciativas pessoais e coletivas. Aliás, cultura só funciona assim. Estado na cultura, só na hora do policiamento e olha lá.

Paulo José · Alto Paraíso de Goiás, GO 7/11/2006 09:15
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Carolina Morena Vilar

Essa questão de apoio privado e publico é realmente complicado... Na verdade qualquer apoio é complicado e acredito que isso seja um ponto forte para essa carência de determinados projetos culturais.
O negócio é que ainda se tem que ser corajoso pra se por algo pra frente, acredito que nunca dá pra fazer um evento tranqüilamente se não estiver incluso em algum programa de incentivo ou financiamento governamental, por exemplo. Se um produtor não tiver a sua própria estrutura ele só pode viabilizar as coisas (dependendo do porte do projeto) se tiver uma outra fonte de verba fora o público, já que este está escasso.
Produzo um festival de arte independente aqui em João Pessoa (festival Mundo, citado pela Sarah mais acima) e posso falar como essa questão de apoio funciona realmente: Até dá pra se conseguir apoio privado, mas geralmente é pouco e se tem que correr atrás de várias empresas. Isso desgasta muito e nem sempre se consegue. Apoio governamental é complicado também. Nós, por exemplo, conseguimos financiar algumas coisas através do município, mas acreditem, isso é algo perigoso (ao menos por aqui). Pode até ser que role o apoio, mas Deus sabe quando ele será liberado efetivamente. O festival Mundo aconteceu dias 15 e 16 d setembro e a verba foi liberada ontem!! Me diz que banda, equipe de som, equipe de segurança ou casa de shows aceita receber quase dois meses depois? E sabe que dia falaram que a verba iria sair? Na semana que sucedia o festival. E temos ainda que agradecer por ter saído, porque já ouvi falar de casos que esse dinheiro não foi liberado mesmo (mesmo depois do projeto aprovado).
Bom, resumindo... A realidade hj em dia é essa: Apoio privado é difícil e governamental ainda hoje não é confiável. Tem muita coisa errada e a desorganização do setor financeiro de órgãos como a Funjope (órgão público responsável pelo apoio à cultura em João Pessoa). Não há planejamento porque não se tem uma verba fixa (ouvi isso do próprio Milton Dornelas, um dos responsáveis pela Funjope). Como dá pra fazer algo assim, sem segurança financeira? E uma deficiência estrutural mesmo.

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 7/11/2006 09:58
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dj-dolores

olha, eu acompanhei do centro do furacão toda a onda do mangue beat - movimento ou não - e o que mais diferenciava os grupos daquela época com o que estamos vendo agora era a capacidade de mobilização em ações positivas.
quero dizer que mesmo sem tantas facilidades de acesso a imprensa e nenhuma aos canais governamentais, fazíamos festas, shows, conseguíamos gravar demos ...
quem tinha uma banda estava sempre alerta para descobri espaços potencialmente bacanas para realizar eventos - um deles foi o adilia's place, um puteiro do recife antigo pré-revitalização - sempre de olho em parceiros, divulgação ... talvez o tempo - festivais em demasia, reconhecimento oficial, imprensa mitificadora - tenha alimentado uma certa preguiça, um desligamento da realidade da cidade pq agora todos querem ser "artistas" sem fazer a força braçal/intelectual necessária para que a cidade se mova.

dj-dolores · Propriá, SE 7/11/2006 10:05
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Carolina Morena Vilar

Antes que alguém fale sobre programas de incentivo (o estado oferece alguns, o overmundo mesmo é financiado por um) como saída eu digo: ÀS VEZES funciona, mas além de ser algo excessivamente burocrático (novamente friso que estou citando como exemplo o que acontece aqui na Paraíba, que é onde moro e conheço), da demanda é MUITO maior que a oferta.

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 7/11/2006 10:10
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Bruno Nogueira

Acho que isso da 'imprensa mitificadora' que o Dolores lembrou um dos maiores agravantes. Talvez o resultado mais perigoso de toda essa produção excessiva da década de 90. Acho que dá para juntar o comentário dele com o da Ana Garcia, sobre como isso gerou uma preguiça para legitimar novos lugares, novos espaços, novos momentos.

Bruno Nogueira · Recife, PE 7/11/2006 10:30
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dj-dolores

meu amigo e super herói de plantão na noite recifense, roger, diz que ser artista no recife não tem relação com talento. é só cisma. e pronto: um belo dia o cara cisma que é artista e todo mundo tem que trata-lo como tal.
então, acho um absurdo qdo um grupo recem formado inscreve projetos de 40 mil reais em leis de incentivo sem sequer ter um público que respalde seu trabalho. isso é uma distorção da realidade!!
falta a consciência que arte/cultura é um trabalho como qualquer outro que vc tem que dar duro todo dia pra que as coisas aconteçam, tem que correr atrás do seu público para que sua voz seja amplificada através dele, tem que FAZER alguma coisa que não seja apenas reclamar.

dj-dolores · Propriá, SE 7/11/2006 10:31
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Sergio Rosa

hehe. eu já ia falar dos programas de incentivo. Nao vou defende-los totalmente porque imagino (nao sou exatamente um especialista) que eles funcionam em algum nivel. Ao menos eu vejo mais festivais sendo realizados, mais pessoas com idéias novas sendo aprovadas (sim, e muitas outras não sendo aprovadas, claro). Mas esses dias mesmo lendo uma entrevista do nosso atual ministro, ele falava exatamente da briga pra chegar no tal 1% do orçamento para cultura (parece que é o mínimo ideal indicado por organizacoes internacionais), que as coisas melhoraram um pouco de alguns anos para cá, mas que ainda não chegou nem no 1%. Mas que, por outro lado, no último ano, o dinheiro investido em cultura via iniciativa privada (as leis de incentivo) era duas vezes maior do que o orçamento do ministério da cultura (acho que os numeros eram algo tipo 300 milhões e 600 milões). Como eu disse, longe de achar que as leis de incentivo sao o salvamento da lavoura... mas eu conheco bandas e festivais que conseguiram o patrocinio e que foi bem importante para eles. Realmente tem uma puta burocracia para conseguir aprovar o projeto, mas acho que é só meter a cabeça, pedir ajuda a quem conhece, etc que a coisa vai, né.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 7/11/2006 10:44
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Caçapa

Acredito que Hermano Vianna e Leo Antunes tocaram nos pontos fundamentais: o que fazer? quais as soluções possíveis, dentro dessa realidade?
Sinto que numa situação como a do Brasil, em que a elite econômica, historicamente, vira as costas aos bens culturais produzidos no país - e provavelmente continuará virando - a ação e a presença do Estado é FUNDAMENTAl, sim! Não é a única solução, mas é imprescindível.
Temos que enxergar o Estado não mais como uma instituição repressora e mantenedora da ordem social (o que infelizmente ainda é..) mas sim como uma ferramenta coletiva utilizada para a promoção do equilíbrio social. E muito mais agora, no momento em que os governantes ditos de "esquerda" se consolidam no poder em boa parte do país!
Acredito que já passou a hora de se pensar seriamente e se propor idéias e projetos de sustentabilidade econômica para o setor cultural.
Um exemplo: apesar de todos os benefícios que o FUNCULTURA (Fundo de Incentivo à Cultura) promoveu na área de música em Pernambuco, possibilitando a gravação de CDs e a realização de eventos, não se trata de uma política que incentive a auto-sustentabilidade do mercado cultural...Pelo contrário, cria-se uma dependência cada vez maior dos artista pelo Estado, tendo em vista que todo o dinheiro é aplicado a fundo perdido. Acredito que a criação de linhas de crédito para o setor é urgente: com juros mais baixos e prazos mais longos, pois sabemos que o tempo levado para se ter retorno em uma atividade cultural é mais longo, e o próprio retorno mais arriscado, do que em outras áreas.
Talvez a obrigação dos artitas e produtores em devolver o dinheiro público, ao contrário do que acontece hoje, crie uma maior responsabilidade e seriedade sobre o uso destes investimentos.
Paralelamente a isto, faz-se necessária a criação de cursos de capacitação profissional para produtores culturais, como forma de minimizar o amadorismo tão frequente no setor, colaborando para um melhor gerenciamento dos recursos investidos.
Outro ponto importante é a viabilização de rádios públicas destinadas a promover e divulgar a produção musical local. Em Recife existe o projeto da Rádio Frei Caneca há várias décadas, mas nunca saiu do papel!! Seria apenas uma questão orçamentária?
Volto a dizer que um dos caminhos para solucionar o problema é o simples fato de se discutí-lo em espaços como esse: a ampliação do alcance dessas discussões é uma das formas de se pressionar o poder público.
No mais, ainda acredito no poder individual, e nos pequenos grupos, pensado criativamente em soluções locais e duradouras, como ficou provado no exemplo do manguebit, e, desde sempre, dos artistas "tradicionais" de todo o Brasil.
Ou como disse o próprio Dolores: temos que fazer mais "força braçal/intelectual para que a cidade se mova"...
P.S.: sugiro que se publique, aqui no Overmundo, textos propositivos / positivos sobre a questão. É hora!

Caçapa · Recife, PE 7/11/2006 10:47
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Anderson Foca

Um problema crônico que eu vejo em Recife e que me preocupo aqui em Natal é que a política cultural da cidade quebrou um elo que move a cena. Artista/eventos/produtores. Esse elo precisa ser sólido e precisa de todas as partes funcionando plenamente. Em recife, com o excesso de eventos gratuitos financiados pelo estado praticamente quebrou os produtores. é impossível concorrer com isso. Quando ouve a quebra dos produtores por consequência o empreendedorismo na área também diminui, dimuindo o epsaço de shows, as movimentações não-governamentais e outras ações que na verdade são a célula principal da cena.

Parace-me que rola um esquema como se as bandas fossem sócias do estado, só ganham cachês importantres quando tocam pro governo, só viajam se o governo pagar, só gravam se a chesf patrocinar. Dá nisso! Não tenho como afirmar que é isso, mas com certeza deve ser um dos fatores pelo mau momento. Sou produtor em Natal e praticamente não consigo levar nenhum show que fechamos aqui para Recife. Nunca encontramos quem faça ou um local adequado!

Anderson Foca · Natal, RN 7/11/2006 10:52
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Filipe Barros

são várias vozes se expressando aqui isso é bom pra caramba pra engrossar o coro da disucussão. Mas, hoje a burocracia faz parte da vida de todo mundo, viabilizar as coisas significa, correr atrás, preparar projeto, meter as caras, criar espaços, mas pra fazer eventos de qualidade, som legal, de quilate profissional, tem que profissionalizar, não adianta dizer se que faz um evento massa, se o público sai reclamando do som, da cerveja quento, do calor, do atraso. Temos aqui vários artistas, jornalistas e produtores, mas o objetivo é tocar pras pessoas, e essas sim querem algo de qualidade, criativo, que realmente instigue o cara a sair da sua casa.

Filipe Barros · Recife, PE 7/11/2006 10:54
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Caçapa

desulpem..não entendi por que meu texto apareceu duas vezes....
não foi de propósito!

Caçapa · Recife, PE 7/11/2006 10:55
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Roberto Maxwell

Bem, eu nao sei porque mas nao acredito na acao do estado. Nao vejo nos governantes da regiao que eu moro qualquer interesse em cultura ou num projeto cultural decente. E nao acredito na federacao. Acho que o governo federal nao eh competente para essa demanda. Mas, com tantas pessoas falando em estado, inclusive defendendo abertamente que ele seja fomentador cultural e que ele nao eh aparelho repressor, fico me questionando se eu nao estou errado.

Roberto Maxwell · Japão , WW 7/11/2006 11:05
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dj-dolores

sou simpático a idéia de um fundo público, um empréstimo facilitado para gerar produção cultural.
mas seria fundamental que o dinheiro voltasse. investir a fundo perdido é um erro.
já vi várias vezes cds financiados por leis de incentivos que ficam empilhados na casa do autor, sem uso, largados por ali ...
envolver o artista no processo de comercialização, divulgação do trabalho, obriga-lo a se empenhar em inserir seu produto, sua arte no mercado e portanto gerar trabalho, fazer o vil metal circular é fundamental para que se concretize qualquer cena.
é um jeito de filtrar quem é profissional e quem prefere ser um eterno diletante

dj-dolores · Propriá, SE 7/11/2006 11:06
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Anderson Foca

Papel do governo. Financiar os produtores e não produzir! Investir em formação de platéia e ter políticas consistentes de fomento. Cachê "cala a boca" é altamente maléfico!

Anderson Foca · Natal, RN 7/11/2006 11:07
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Jabah Pureza

Olá, Ana! Salve, salve Molotov!! Um dos melhores festivais do país. Admiro muito o trabalho de vocês. Mas talvez dizer no seu último comentário "Eu realmente não posso queixar..." no contexto que estamos discutindo aqui pode soar um pouco arrogante, mesmo que não tenha sido sua intenção. Pois se não há do que se queixar tenho uma sugestão para o Coquetel 2007: entrada franca (ou R$5,00 - R$2,50 estudante) e divulgar nas rádios comunitárias da Várzea, tocando as bandas que vão tocar, pra alguém (nem que uma ou duas pessoas) do Campo do Banco, Vila Arraes, Ninho das Cobras (comunidades a poucas quadras de onde ocorre o festival) também curtirem um som "style" junto com nós, playboys da classe média que temos carro ou grana para voltar de taxi do campus para nossos aps em boa viagem, casa forte, graças, piedade, derby...
Inclusive sei que vcs batalharam pra tentar conseguir ônibus para o Cais de Santa Rita (onde sai os bacurais - ônibus da madrugada - para o resto da cidade) acho uma idéia massa, tomara que dessa vez a EMTU ajude.
No mais, novamente parabéns pelo trabalho e até o próximo evento.
Salve, salve Molotov!

Jabah Pureza · Natal, RN 7/11/2006 11:14
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dj-dolores

ôxe!!
o que aconteceu?
não postei a mesma coisa 3 vezes!
por favor, desculpem ....

dj-dolores · Propriá, SE 7/11/2006 11:15
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Ana Garcia

Eu quis dizer a questão de parâmetros... Acho que talvez o nosso festival nunca funcionasse em SP, sabe? Aqui tem ainda algo muito importante que é abertura e espaço. Então, não acho relevante colocar em discussão se jornal ou mídia tal teve interesse no festival – porque sempre foi muito bem recebido e isso vale para outros projetos, artistas, lançamentos independentes... É uma batalha constante, mas acho que precisa ter um pouco mais de esperança e paciência com Recife. Acho que é isso...

Mas sobre as suas sugestões, tentamos conseguir ônibus, não rolou porque é um evento que atrai um público pequeno para movimentar a EMTU, por exemplo... Quem sabe funcione no próximo ano? Estamos pensando em contratar também para levar o público... O motivo de fazer num Teatro é pela questão de som e pela questão de sermos pequenos e termos medo da responsabilidade de fazer um evento em um local onde possa ter um índice maior de violência, acidente, etc... Tem a questão também de Recife não ter um local decente de porte médio. Sobre os ingressos, nossa, ele foi muito barato. Teve uma matéria na Folha de S.Paulo sobre festivais e todos custaram acima de R$150 enquanto o nosso foi R$20 e R$10 (estudantes), ainda teve uma sala completamente gratuita...

Ana Garcia · Recife, PE 7/11/2006 11:31
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Peehfe

Pois é, é um lance de lógica, e aparentemente, bem simples. Se uma cidade, ou um estado, oferece incentivo pra cena independente, onde as bandas consigam crescer e se desenvolver como banda, o público vai começar a perceber que vale a pena transformar a sua bandinha de garagem, que na maioria das vezes é tida apenas como um hobby, numa coisa séria que pode dar certo.Porém, parece que essas cidades, falo principalmente das capitais, não se interessam muito nisso , justamente por desejarem algo instantâneo sabe, que o povo goste (que o povo goste não, que o povo engula, por ser de "fácil digestão") e dê dinheiro (por isso existe toda a massa de bandas covers, que nunca vão evoluir como banda mas garantem seu dinheiro nos fins de semana) isso é triste!
Nessa situação, o mais plausível a se fazer é gerar o encontro de quem quer realizar, e de quem pode mas não sabe como e o que realizar!

Peehfe · João Pessoa, PB 7/11/2006 11:32
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Viktor Chagas

Interrompemos a sua programação...
(oi, Dolores e demais pessoas que tiveram seus comentários duplicados, só pra esclarecer: qndo vocês comentam numa colaboração do Overmundo e depois clicam no botão de Voltar do seu navegador, o sistema de atualização dinâmica do site entende que o comentário está sendo postado novamente. Isso não é um bug, mas estamos tentando encontrar um jeito de melhorar esse lance. Sugestões podem ser dadas no fórum do Observatório...)
Pronto. Informe dado. Voltamos à nossa programação normal... :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 7/11/2006 11:52
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Claudiocareca

Saudável discussão! Problemas, problemas e problemas... Aqui em Cuiabá vivemos a periferia da periferia. Estamos fora dos circuitos nacionais, fora do litoral atrativo brasileiro e fora de grandes áreas metropolitanas (Cuiabá tem 600 mil hab.). Contudo, apesar de não termos uma sala decente de teatro tivemos um festival de teatro, organizado pelo grupo Furia que aproveitou os espaços alternativos urbanos e foi um sucesso.
Temos um Festival Calango que vem promovendo uma intersecção/união dos Fora do eixo (inclusive com uma iniciativa de rádioweb e webTV.
Descobrir onde estão os mecenas (privados), como funcionam os projetos culturais (mun/est/fed), fazer como sugere Dolores, fazer... Suar a camisa, trabalhar, auxiliar na formação de público seja com cursos, com apresentações menores e gratuitas que antecedam o grande evento. Participar da política conhecer os conselheiros de cultura que decidem pra onde irão as verbas, fazer um levantamento do que saiu na mídia e levar aos patrocinadores e àqueles que poderiam segundo a sua visão tirar proveito desta mídia espontânea. Visitar as redações dos jornais, os programas de rádio e TV, conversar com os jornalistas sugerir pautas... Profissionalizar, envolver as pessoas, integrar as ações...

Claudiocareca · Cuiabá, MT 7/11/2006 12:05
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Helcio

bruno, parabéns pelo barulho. vc quebrou um conceito que, muitos como eu, tinham em relação a recife. gerou confusão, criou identidade com outros "filhos sem mãe": fantástico!

vejo com muita restrição o patrocínio público direto. os critérios não são claro e, pior, não têm muito como ser mesmo. as leis de incentivo são um caminho interessante, e as iniciativas em explicar os meandros bem confusos, infelizmente, ainda são poucas.

já ouvi várias vezes falar de recursos não utilizados por falta de adequação de projetos, assim como, por outro lado há "agentes" comissionados aprovadores de projetos que vivem bem desse serviço (e se conseguem aprovação junto ao setor privado, ótimo que ganhem).

tenho muito mais a aprender aqui do que a falar. parabéns pela genial levantada de bola.




Helcio · Fortaleza, CE 7/11/2006 13:06
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h.d.mabuse

Essa discussao estah otima! fico feliz de fazer parte! Mas quando a gente vai falar de solucoes a coisa fica meio emperrada! Lah vao quatro pontos que acho relevantes:
1. Rádios: algo tem que ser feito, seja a criacao definitiva da Frei Caneca, a democratizacao do processo de criacao das radios comunitarias, ou a cassacao das radios "educativas" como algumas que existem no recife e que deveriam mudar de maos imediatamente :) !
2. Um concenso aqui é a linha de credito para produtores, acho massa, principalmente se existisse algum investimento na criacao de:
3. Incubadoras de produtores culturais , nao adianta ter o credito e depois depender de um novo estamento de profissionais que dominam tambem a burocracia (como existe hoje para as leis de incentivo), assim como nao adianta querer entrar nesse mercado sem ter o respeito devido para o trabalho do artista que vc estah produzindo (temas que deveriam ser fomentados nessa incubadora)
4. Cooperativismo, na pratica varias linhas de credito existem para cooperativas, mas nunca vi uma iniciativa nesse sentido por parte dos artistas ou profissionais de entretenimento aqui, vontade nao faltou (como se via desde o inicio do mangue, dita cooperativa cultural, mas que, apesar de muito vontade de Fred, por exemplo, nunca rolou) alguem tem noticia de uma iniciativa dessas? Aqui no Recife ou pelo Brasil?

Acho que é isso, já tentei ler o exemplo da Jamaica na industria cultural ou de Manchester, exemplos de sucesso muito bacana, mas é dificil encontrar os caminhos, as solucoes pra gente, que tem que ser muito especificas. Talvez seja mais facil aprender com os fracassos.

h.d.mabuse · Recife, PE 7/11/2006 13:31
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Dikamba

Bruno. è bom saber do colega como as coisas caminhas por aí. Aqui em Minas a quase totalidade dos acontecimetos culturais é patrocinada pela iniciativa privada, através das Leis de Incentivo (ou seja, dinheiro do povo). Mas sem as iniciativas e produtores conscientes e principalmente sem a sensibilidade de certos gerentes nós estaríamos também de mal a pior. Mas enfrentamos também as nossas dificuldades, principalmente a tal "panelinha", o que deixa muita gente boa à margem. O bom é que lutamos com unhas, cordas e tambores para que a cena continue fecunda.

Dikamba · Sabará, MG 7/11/2006 14:00
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Caçapa

Pois é, Mabuse!
Além de concordamos sobre as rádios, as linhas de crédito e preparação adequada de novos produtores culturais, você ainda tocou num ponto fundamental, que pode ser uma boa solução: as cooperativas.
Há alguns meses eu tive a idéia de criar uma cooperativa para produção, distribuição e divulgação de fonogramas. Fiz uma reunião com vários músicos amigos e a idéia foi muito bem recebida! Logo depois participei de um curso básico sobre cooperativismo, na sede da OCB (Organização das Cooperativas do Brasil, se não me engano), e aprendi bastante sobre esse setor. Acredito que essa pode ser uma saída para aos músicos pernambucos. Apesar de ser um caminho menos oneroso do que o de abrir um empresa convencional, ainda existem algumas dificuldades para se iniciar uma cooperativa: uma delas - e que talvez tenha sido o maior empecilho para que a nossa idéia caminhasse mais rápido - é a exigência legal de no mínimo 20 integrantes para fundar uma cooperativa.
Mas a idéia ainda existe, e talvez só precisemos amadurecê-la um pouco mais...
Sei que existe uma cooperativa de músicos funcionando em São Paulo, e talvez seja fácil de encontar o site deles na internet.
Acredito nesta solução! Só se precisa de organização, e convergência de interesses... além de um certo capital para iniciar o trabalho.

Caçapa · Recife, PE 7/11/2006 14:51
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[F]

A força conjunta sempre rende bons frutos. Tempos atrás nos reunimos e fizemos alguns eventos (UNIDADE MÓVEL)...foram bem interessantes.
Concordo com Dolores sobre a falta de profissionalismo.

[F] · Recife, PE 7/11/2006 15:03
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Caçapa

Para quem se interessar, aí vai o endereço da Cooperativa de Música de São Paulo: www.cooperativademusica.com.br
Existem também cooperativas de teatro em algumas capitais do país.

Caçapa · Recife, PE 7/11/2006 15:10
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Alessandra Leão.

Essa idéia de Caçapa, de se estruturar uma cooperativa é muito interessante. Acompanhei o desenvolvimento desse plano e as reuniões, que infelizmente não tiveram continuidade.
Podemos retomar essa discursão e retomar as reuniões. O que acham?

Alessandra Leão. · Recife, PE 7/11/2006 17:25
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Yusseff Abrahim

Com um comentário rápido, apenas gostaria de externar meu choque. Nunca imaginei que o público de Recife mergulharia na mesma obviedade a qual a cena mainstream manauara está imersa, estou pesarosamente repensando meu conceito sobre Recife enquanto cena, claro, a qualidade do que é produzido aí continua inabalável pra mim.
Parabéns pela iniciativa e a coragem das observações.

Yusseff Abrahim · Manaus, AM 7/11/2006 17:59
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Leo Salazar

para melhorar essa situação, é preciso que o país e o estado cresçam economicamente, porque a música é um bem de luxo, no economês, significa dizer que os bens de luxo tem seu consumo reduzido na mesma proporção em que o poder de compra do consumidor é reduzido. quer dizer, depois do cara gastar com as necessidades básicas, como alimentação, saúde e moradia, se sobrar dinheiro o cara vai gastar com entretenimento/cultura/lazer.
outra coisa, é preciso rever a percepção de valor que o consumidor tem em relação a um produto musical. sem querer generalizar, porque existe casos sociais específicos, mas tem gente que acha caro pagar R$ 10,00 para assisitr a um show, mas essa mesma pessoa paga R$ 100,00 numa peça de roupa para passar o reveillon. por que ninguém quer pagar para ver um show ou comprar um disco? existem custos embutidos no preço de um show e de um disco, sabiam?
mais outra, o Governo podia ajudar sim. Como disse Luiz Gonzaga na música Vozes da Seca "mas doutor uma esmola / pra um homem que é são / ou lhe mata de vergonha / ou vicia o cidadão". Acho que o financiamento da cultura dever partir das parceiras Público-Privadas, assim como acontece hoje com outros setores da economia. Existe um problema de comunicação entre os executivos dos bancos e os produtores culturais, seja pela falta de entendimento dos primeiros em relação às especificidasdes do mercado cultural, ou pela falta de conhecimento dos últimos em relação às práticas bancárias - ou os dois juntos.
por fim, não custa nada aos produtores culturais procurar o Sebrae mais próximo da sua cidade e se capacitar.
mais existem ainda muitos assuntos a serem discutidos, parabéns a todos que estão dando sua contribuição!

Leo Salazar · Recife, PE 7/11/2006 19:09
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Leo Salazar

só mais um esclarecimento sobre a banda Eddie. como produtor dos caras, defendo que o artista deve ir aonde o público e o dinheiro estão. se for em recife ou em qualquer outra cidade do mundo, não interessa.
este ano, a banda está realizando sua terceira turnê no sudeste e realizou entre junho e julho sua segunda turnê pela europa.
num período de 12 meses, eles passam cerca de 6 meses viajando, e os outros 6 meses sediados em recife/olinda.
a novidade é que o cantor, fabinho trummer, está residindo em são paulo por escolha pessoal.

Leo Salazar · Recife, PE 7/11/2006 21:29
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Caçapa

Recomendo a todos a leitura do excelente texto "A cultura, a civilização: elas que se danem ou não" escrito por Makely Ka e publicado aui mesmo, no Overblog.

Caçapa · Recife, PE 7/11/2006 22:20
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Ane (a) Caroline

Infelizmente não podemos contar muito com o Estado.. devemos mesmo é nos rebaixar agências privadas que nao pensam na cultura e sim no lucro que ela pode proporcionar..!!

Ane (a) Caroline · São Paulo, SP 7/11/2006 22:22
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Flauberto Artist  /  Visual Art   /Brasil x Aleman

Flauberto Artista Plastico de Berlin.

Pois è fiquei surpreso com o pessoal de Recife, simplesmente fiz toda ponte do Stereo Total pro abrilprorock 2006, a maior banda europeia undergraud, e independente da atualidade e hoje o icone da musica pop do planeta, e o publico nao foi prestigia, o stereo total è algo imcomparavel na historia da musica pop eles sao singular, aqui em Berlim eles levam ao delirio a turma do undergraud, e por onde passam pel oplaneta sao ovacionados so em Recife que foi um publicozinho pequeno nao entendi isso nem o pessoal do stereo total que sao meus amigos e tinha prometido que is ser um super show no abril 2006.

Flauberto Artist / Visual Art /Brasil x Aleman · Juazeirinho, PB 8/11/2006 00:34
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Jarmeson de Lima

Se ainda houver o que ser falado, eis me aqui:

Recife, queira ou não é uma terra de contrastes (em todos os aspectos). É uma cidade com mais de 1 milhão de pessoas abaixo da linha da pobreza e com uma pequena fatia da sociedade com um poder aquisitivo elevadíssimo, sendo esta responsável pelo grande consumo de Whisky (Recife como a cidade que mais consome Whisky no Nordeste) e de carros importados.
Obviamente esses contrastes sociais se refletem na cultura de uma forma ou de outra. Por um lado, o empresário que quer faturar cada vez mais em cima de uma parcela da população, com seus bares e bandas covers. Do outro, o governo querendo oferecer diversão gratuita ou a preço baixo ao povo - formação de platéia. Nesse sentido, o artista local não tem muito o que evitar. Ou toca ganhando cachê do governo e da prefeitura para um público que está vendo de graça ou toca ganhando mal para um público que pagou caro para vê-lo numa temporada em um bar "bacana".
Olhando por esse aspecto, Recife até que está bem privilegiada. Só que é nisso que reside o comodismo e a aparente letargia da cena cultural.
No entanto, só neste ano, em uma rápida olhada, tivemos mais lançamentos de discos do que no ano passado. E muitos dos quais de forma independente ou através de selos independentes: Negroove, Alessandra Leão, Mellotrons, Zé Cafofinho, Profiterolis, The Playboys, Dead Superstars, Eddie... Sem falar dos que já tem gravadora, claro. E sem esquecer dos novos grupos que estão lançando suas demos e que batalham tanto como os já citados, com a diferença de não terem sido conhecidos devidamente.
Ok, temos artistas no Recife ainda.
E lugares? Ao olhar para o passado, vamos verificar que o Recife tem uma cultura de bares itinerantes, de bares "da vez", que mudam conforme passam os anos. Da Soparia ao Novo Pina, do Galletus ao Barramundo, do Circo Maluco Beleza ao Ancoradouro, do Pimenta Verde ao Uk Pub, do Dokas ao Capibar e por aí vai... Daqui a um ano, com certeza, um bar que temos hoje para espaço para shows deverá fechar e outro deverá abrir. É apenas cíclico. A diferença é que ao menos temos espaços "alternativos" como as Livrarias Saraiva e Cultura, que dão esse apoio à cena local e que ainda se transformam em bons espaços para divulgação dessa cultura de mercado (compra e venda de CDs).
Não dá para comparar com a realidade de um mercado como o de São Paulo, onde as bandas podem tocar em qualquer lugar e sempre haverá público para elas. Mas nem sempre a culpa é do público, sempre esta incógnita que valoriza alguns eventos e despreza outros. Tanto podemos ver um show caça-níquel com milhares de pessoas e ver outros gratuitos com pouca gente. Mas o inverso também acontece. Vale lembrar que a equação "preço do ingresso" + "atrações" = "diversão" nem sempre é precisa.
E o êxodo?
Se for para levar em conta a quantidade de bandas que está viajando e "deixando" a cidade, digamos que isso já tenha sido muito pior antes. Na entre-safra mangue de 98/99, quando China, Otto, Mundo Livre e Nação Zumbi estavam contratados por boas gravadoras, não havia uma banda sequer que não tentasse sair daqui e dizer que o Recife não valia a pena. Mas veio a crise do mercado fonográfico e a consciência do mercado independente, onde uma banda pode sair bem mais fortalecidade e reconhecida como sendo de uma cidade, de uma cena, do que precisar ir às vias de fato e arrumar as malas. Melhor olhar por outro lado e ver quantas bandas recifenses já fizeram turnês neste ano e voltam sempre para cá com ótimos resultados na bagagem e com boas notícias a contar. Obviamente que viajar dá bons resultados. Mas esses resultados só são considerados válidos porque houve quem aqui batalhasse por seu lugar e com isso obtivesse respaldo.
...
Viajei bastante pelo Nordeste nesses anos e sempre encontro e troco idéias com músicos de cidades vizinhas. E realmente me espanto quando eles me dizem que a cidade deles (Natal, Salvador, Fortaleza) não tem condições, que tudo é ruim, etc... Cheguei a explicar como as coisas aqui funcionavam e um deles depois relativizou: "...mas isso acontece em todo lugar. Com certeza agora mesmo, em Nova York deve ter algum cara reclamando que não tem espaço para tocar e que a cidade é uma merda".

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Coquetel Molotov
Rádio Universitária FM - 99,9 MHz
Sábados - 11h ao meio-dia

Jarmeson de Lima · Camaragibe, PE 8/11/2006 00:35
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Sergio Rosa

Pelo que eu sei, o show do Stereo Total em BH ficou meio vazio também (ou não tão cheio). Ele aconteceu no festival Eletronika. Ih, já vi muito show gringo ficar vazio aqui. Com mais frequência do que os shows nacionais até.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 8/11/2006 00:43
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h.d.mabuse

No caso do Stereo Total (foi no abril pro rock, correto?) temos que lembrar,(se foi mesmo o caso, se nao estou enganado) que o Abril Pro Rock acabou virando um dos festivais mais caros da cidade, e como disse muito bem jarmeson "numa cidade com mais de 1 milhão de pessoas abaixo da linha da pobreza e com uma pequena fatia da sociedade com um poder aquisitivo elevadíssimo" onde essa minuscula fatia é formada ainda por uma elite que vem das oligarquias canavieiras (que nunca prezaram pelo bom gosto) dá pra entender o baixo publico.

h.d.mabuse · Recife, PE 8/11/2006 09:18
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dj-dolores

não estou mudando o assunto ... mas para ser bem específico ao momento histórico do recife, vai lá um coment ...

o abril pro rock não é caro se levarmos em conta a quantidade de atrações oferecidas pelo pacote, assim como o coquetel molotov tbm não é.
o problema é que falta gente disposta a pagar por música ao vivo...
temos um público super mal informado na cidade, viciado em shows ao ar livre - seja lá o que for, se for de graça tem gente - sem programas de rádio que tragam coisas novas, uma imprensa absolutamente deslumbrada - e completamente desinformada - com o vazio da qualidade da produção atual da cidade ...
daí, não tem jeito: qualquer tentativa de ir além é barrada pela completa incapacidade e falta de hábito das pessoas de experimentarem o novo.

sim, tem um monte de disco lançado recentemente mas a maior parte é simplesmente ruim, mal feito, bancado por alguma lei que vai realizar o sonho do maluco.
grande parte do que é lançado se sustenta apenas pelo discurso bairrista, retrògrado, metido a auto suficiente... o presente está carente de ícones que dêem credibilidade ao que se faz atualmente.

ah, antes que eu me esqueça: bom gosto não existe. existe apenas gosto. essa preocupação sobre o que é de bom gosto, o que é alta cultura é outro problema seríssimo da cidade. por isso o fantasma de chico science ainda assombra o recife com seu parâmetro estético ...

dj-dolores · Propriá, SE 8/11/2006 12:22
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Bruno Nogueira

Eu concordo com Dolores. R$ 40 (aliás, R$ 20, considerando que o maior público é de meia entrada) não é caro para cerca de 10 shows por dia, geralmente com uma atração internacional e outra de grande artista nacional. É um preço bem barato!

Sem discutir gosto, lembro que uma época se pagava R$ 200 por um abadá de carnaval fora de época aqui na cidade. O APR tem esse preço baixo justamente como reflexo da grande linha de probreza na cidade.

Eu achei ótimas as idéias do Mabuse, tanto sobre incubadoras quanto de cooperativas. Na minha opiniao, o caminho é mais ou menos por ai.

Em tempo, acho que já temos pequenas vitórias aqui. A participação ativa do Dolores, dos Leos e do Mabuse, mostraram que Pernambuco tem interesse em participar mais das coisas. Até então, o estado estava meio apagado no Overmundo.

Seria legal vocês publicarem aqui suas próprias experiências também! Não nesses comentários, mas no banco de cultura, overblog, etc

Bruno Nogueira · Recife, PE 8/11/2006 12:34
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h.d.mabuse

Concordo com Helder em varios pontos: a falta de programas de radio, a imprensa que, nao sei se é deslumbrada mas muito ligada a pratica atual do comercio de espaco no jornal onde praticamente so se publica release (fenomeno nacional na verdade), nao entro no merito da qualidade da producao atual.

Mas tenho que discordar do preco do Abril Pro Rock, se o cara nao eh estudante e é do Recife é um festival caro sim. Isso nao é relativo. Claroque vc pode relativizar com o que acontece em SP ou RJ, mas aih tem que considerar renda tambem. Aí é uma questao de definicao de publico, tem gente muito legal que eu adoraria ver nos shows por aih, que nao tem dinheiro para pagar a passagem de onibus, quanto mais os R$ 40,00 num dia.

h.d.mabuse · Recife, PE 8/11/2006 13:06
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h.d.mabuse

Salve Bruno! Estou muito feliz com a discussao tambem, só agora estou conseguindo tempo pra participar mais do overmundo, fico feliz em ver por aqui alem do pessoal que Bruno citou o Coquetel Molotov!

h.d.mabuse · Recife, PE 8/11/2006 13:07
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Caçapa

Esta é realmente uma discussão riquíssima!
Quantas questões podem ser levantadas e debatidas a partir deste ponto?
Muitas!! Uma delas, e que ainda não foi citada aqui, diz respeito à educação musical... Sinto que é um item muito pouco valorizado entre os formadores de opinião em Pernambuco. Tendo uma educação musical de qualidade oferecida, principalmente mas não exclusivamente, pelo poder público, todos os setores do mercado se beneficiariam: teríamos uma elevação da qualidade das obras musicais, e um melhor absorção destas obras por parte do público, dos jornalistas e críticos.
E não estou aqui defendendo a perpetuação do modelo vigente na maior parte dos conservatórios e universidades do país, que só valorizam a música "erudita" européia! Pelo contrário, é necessária um enorme mudança neste quadro: um vastíssimo patrimônio musical (nordestino, brasileiro, sul-americano, mundial) está posto, há décadas, à margem dessas instituições.
Para concluir, sinto que a pouca valorização do aprofundamento no estudo da música (em todos os seus parâmetros) leva ainda a uma enorme confusão conceitual, na qual termos como bairrista, moderno, regional, universal, retrógrado, pop, roots e autêntico, por exemplo, acabam sendo usados conforme a conveniência de cada um, contribuindo para a valorização excessiva de um pequeno grupo de artistas e também para a invisibilidade de tantos outros.

Caçapa · Recife, PE 8/11/2006 13:20
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CCE

Sou de Brasília e acho que esse problema é de nível nacional, não sei de quem pode ser a culpa, produtores que repetem fórmulas à exaustão, qualidade dos trabalhos que estão em evidência na mídia, falta de variedade na programação dos festivais pelo Brasil afora, etc. Só sei que o Festival Porão do Rock (o maior festival que acontece por aqui), não teve a resposta de público que se espera de um festival desse porte.

CCE · Brasília, DF 8/11/2006 13:44
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AD Luna

Olhaaaa, sacudiram a poeira! hehe! Como já falaram um monte de coisas legais, queria comentar uma coisinha. Pra mim, a coisa já tava ruim desde quatro anos atrás, quando resolvi morar em São Paulo e montar outra banda, o Monjolo (antes tocava no Querosene Jacaré). E nesse tempo que estou aqui, nunca toquei tanto: uma média de dois shows por semana. Em Recife, acho que eram uns dois a cada seis meses. Tá, é outra situação, São Paulo é maior tem mais público etc. Mas, em meio a toda essa "crise" uma coisa me intriga: acompanhando textos de diversos veículos de comunicação de Pernambuco, comunidades do orkut, e conversando com músicos da nova e antiga geração observo que há uma certa briguinha entre os "mudernos", roqueiros novos, e o povo da "velha" guarda do mangue, e do Original Olinda Style.

Rapaz, fala sério!! Que coisa mais ingênua, retrógrada, reacionária e burra mesmo!! Ainda mais numa cidade ovo como Recife. "A maior cidade pequena do mundo", como diz Roger!! O negócio já é ruim e ainda ficam alimentando intrigas! Dividindo ainda mais o público. Nos áureos tempos do Abril Pro Rock me lembro bem de ver neguinho dançando ciranda vestindo uma camiseta do Beastie Boys além outras demonstrações de tolerância musical.

Ninguém é obrigado a gostar de estilo tal e tal, mas ficar criando richas é uma demência sem tamanho.

Seria a versão secúlo XXI do "caranguejo pernambucano"?

AD Luna · São Paulo, SP 8/11/2006 14:04
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Caçapa

Pois é, Adelson!
Às vezes se tem a impressão de que a maior contribuição da geração do manguebit - a ausência de preconceitos e a abertura para todos os universos musicais - se diluiu num discurso confuso e maniqueísta, que só serve a uma pequena parte dos produtores e criadores que vivem aqui...
Mas ainda há sim vida inteligente e criativa nesse pedaço do mundo!

Caçapa · Recife, PE 8/11/2006 14:24
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Daniel Cariello

Todo ano, na época do Porão do Rock, tem uma discussão semelhante em Brasília. E a conclusão é sempre a mesma: que a cidade se agita na época do festival e, depois, fica às moscas.

Aí tem gente, como Marcos Pinheiro (Cult 22) e Fernando Rosa (Senhor F), que tenta fazer diferente. Que se esforça em organizar pequenas noites, festivais e eventos. E é nesse instante que a coisa mais estranha acontece: a chuva de críticas.

Toda Noite Senhor F tem nego reclamando da escolha das bandas. Tem acusação do uso do dinheiro público (e olha que o Fernando realiza as noites em um bar daqui). E depois a mesma galera reclama que o Marcos Pinheiro privilegia as bandas de metal, que ele forma uma panela. E por aí vai.

O Hermano, lá em cima, perguntou por soluções. Eu não tenho a resposta, claro. Mas acho que ela deve passar pelas iniciativas individuais, como a dos dois citados. Tem uma frase que se repete à exaustão aqui em Brasília no mês de junho, quando sai a seleção do Porão do Rock: "não gostou do resultado? Organiza seu próprio festival".

Não sei se a solução é tão radical. Mas que o pessoal aqui (e em todos os lugares, pelo que tenho lido) é acomodado, isso é.

Daniel Cariello · Brasília, DF 8/11/2006 14:29
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Guilherme Mattoso

fala bruno. achei seu texto interessante mesmo. aqui em niterói, mesmo ao lado do rio de janeiro onde ainda acontecem coisas bacanas, a situação é bem semelhante. não há espaço para eventos, não há público que comparece... e logicamente, os mpbs de barzinho e bandas cover de boate imperam na cidade...

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 8/11/2006 14:30
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Leo Salazar

ainda sobre o abril pro rock, teve uma promoção esse ano pra quem não era estudante ((R$ 20,00 - meia entrada).
o cara levava 1 kg de alimento e só pagava R$ 25,00.
o ingresso inteira custava R$ 40,00.
quer dizer, na prática, o ingesso custou R$ 20 e R$ 25.
não acho caro para um evento que acontece 1 vez ao ano e que traz bandas gringas e uma pá de bandas brasileiras.
o problema é que neguinho só deixa pra olhar a carteira uma semana antes do evento, não sabe se programar.

Leo Salazar · Recife, PE 8/11/2006 15:43
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andre stangl

Nossa, acho q é a 1º vez q eu vejo a força da comunidade overmundiana se manifestar de forma tão maciça! Parabéns Bruno, sua insatisfação já gerou uma onda de reações, posições e contra-posições, e esse é um dos principais alimentos da cultura. Agora vamos ver do q somos capazes, o primeiro passo p/ reorganizar é desorganizar (ou desconstruir) como já dizia o Science. Mas tem uma coisa q me incomoda na discussão, que cultura é essa que sumiu? A cultura da música pop? Da nigth? O que é isso? É a visão da cultura como industria, produto e consumo? Será que essa visão de cultura já não deu o que tinha que dar? Ou melhor vender... acho que falta repensar essa idéia de cultura como produto de uma classe especifica, sempre buscando um dialogo c/ os consumidores de produtos similares no eixo rj-sp, ny e cia. Eu sinceramente nunca vi uma época tão efervescente, são tantas as possibilidades de ver, ouvir e sentir. Já não me basta minha rua, nem meu bairro, muito menos minha cidade. Nenhuma cena local consegue competir c/ a cena global. Na verdade, nem tenta, e na verdade, nem precisa, o problema é que existe uma ligação entre esses dois fluxos. Eu tenho a impressão que a arte mudou, mas o artista ainda não se reinventou. Ainda não sabe colaborar, compartilhar e conviver... alguns já estão aprendendo. Esse bate-papo é a prova. abçs

andre stangl · São Paulo, SP 8/11/2006 15:44
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Jabah Pureza

Aproveitando o gancho de Daniel Cariello:
"Não gostou do resultado? Organiza seu próprio festival."

Corre-se o risco de ouvir essa resposta:
"Seu festival deu pouca gente? Me dê condições de ir ao seu festival."

Ouvi essa reposta de um filho de motorista de ônibus em Recife, cujo salário do pai é cerca de R$800,00 por mês. :D

Abraço!

Jabah Pureza · Natal, RN 8/11/2006 15:54
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h.d.mabuse

Pois é Andre, na verdade a discussao aqui acho que passa muito por uma industria cultural que no Recife sempre foi no minimo desarticulada. Será que hoje deveriamos pensar logo em outros formatos nao só de producao "executiva" mas artistica mesmo ? Acho que o que se falou sobre cooperativismo é um bom inicio. E fazendo a ponte com o comentario de Luna, eu entendo que "é uma obrigacao da nova geracao ir contra a anterior" (dizia Oscar Wilde), mas todo mundo nao ganharia mais pensando/produzindo junto? A experiencia do mangue mostrou isso.

h.d.mabuse · Recife, PE 8/11/2006 16:08
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Sergio Rosa

1 - Temos um monte de gente falando que não tem nada para fazer de um lado.
2 - Do outro, temos gente que faz festivais e eventos mas fala que o público não vai.

Não dá para um botar a "culpa" no outro.

Afinal, tem ou não tem?

Se tem, não é bom o suficiente para ir? Por que? O lado econômico é o que parece falar mais alto. Tem como reduzir o preço então?

Se não tem, mas tem gente a fim de ver, por que essa gente nao vai e organiza? Pode parecer simples demais, e muitas vezes é. Aqui em BH tem a Obra (eu vivo falando dela porque virou referência na cidade mesmo). O Claudão, um dos proprietários, fala que abriu A Obra porque a banda dele não tinha lugar para tocar, aí ele foi lá e abriu um lugar para que a banda dele pudesse tocar em algum lugar. Não é que comecou a aparecer um monte de gente para frequentar o lugar?

Claro, contextos são contextos.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 8/11/2006 17:22
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Leo Antunes

Pô, Bruno, fico contente também em ver amigos/parceiros do mercado musical daqui de Recife interessados em discutir seriamente o que está acontecendo hoje, pós-mangue. Dolores mais que ninguém pode fazer um paralelo entre outros mercados no Brasil e no exterior. Entre os comentários acima gostei muito do que Anderson (de Natal/RN), quando falou sobre as parcerias dos artistas e estado em Pernambuco: "ganham cachês importantes quando tocam pro governo, só viajam se o governo pagar, só gravam se a chesf patrocinar". Isso para mim é a grande realidade. Os oito anos de governo Jarbas/Mendonça e a gestão Jair Pereira na Chesf criaram uma relação de alta dependência. Ao contrário do que todas achavam o mercado (se é que existe!) hoje não funciona de maneira autônoma. Não existe uma relação profissional entre as empresas (possíveis patrocinadoras de cultura) e produtores/artistas. Amadorismo? Acomodação? Rádios? Público? São várias questões que podem ser levantadas e foram muito bem ditas aqui neste mural.

Qual a solução? Eu não vejo como resolver isso sem ter como principal parceiro o próprio Estado. Ele deve ser cobrado, cada vez mais, para assumir seu papel de mediador do mercado e chamar todos para o debate (representantes das rádios, imprensa, empresas, universidades, produtores, selos, estúdios e músicos). Daí elaborar um plano de metas e executar dentro de um cronograma viável. Claro, com a pressão e fiscalização de todos nós (pq sabemos que sem isso eles nunca vão executar nada). Sem ser deste jeito vamos continuar criando festivais sazonas e casas de shows efêmeras.

Leo Antunes · Recife, PE 8/11/2006 17:26
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h.d.mabuse

Pois eh, acho que um bom comeco para a acao seria a cooperativa, mas antes de uma instituicao legal uma iniciativa emergente, depois, a medida que dah certo, se institucionaliza

h.d.mabuse · Recife, PE 8/11/2006 17:31
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Hermano Vianna

pegando carona no comentário do André Stangl, e jogando alguma pimenta na conversa: fico pensando se o pessoal do brega, do forró ou do circuito das vaquejadas diria que suas culturas estão decadentes... pelos DVDs do Limão com Mel (cada vez mais superproduzidos, e sem depender de secretarias de culturas) imagino que as coisas por lá não andam tão mal... Muitas vezes pensamos que a "nossa" cena é a única cena...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 8/11/2006 17:34
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Bruno Nogueira

Limão com Mel é do Ceará! Quase não existem bandas de forró e brega pernambucanas. Cavaleiros do Forró é de Natal, a maioria vem do Pará.

A situação delas é bem complicada. Existe uma situação de bastidores super delicada. Tocam de graça (de graça mesmo), em troca de aparecem nos programas locais de TV. Os produtores do canal são os mesmos destes shows. Recife viveu uma confusão bem mega com isso fazem dois anos.

Elas tem uma super exposição sim. Mas não tem locais de apresentação (se nao quiserem se render a esse esquema das casas de espetáculo), nao tem nem cachê. É uma questão maior de interesses (no caso de Pernambuco).

O Circuito de Vaquejadas daqui funciona do mesmo jeito. E, de toda forma, é um evento pontual. No texto eu falo mais do cotidiano. De ter uma casa pequena ou média de shows para ir no fim de semana. Um lugar para socializar mesmo, seja apenas com um DJ de background.

Bruno Nogueira · Recife, PE 8/11/2006 17:46
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Hermano Vianna

Limão com Mel é de Salgueiro, Pernambuco - tenho certeza...

olha a agenda do Limão com Mel para o resto desta semana:

08/11/06 Santa Quitéria do Maranhão-MA
09/11/06 Coelho Neto-MA
10/11/06 Bom Jardim-MA
11/11/06 Viana-MA
12/11/06 Dom Pedro-MA

é assim sempre:

vaquejada pontual?

olha o calendários das vaquejadas grandes de novembro (há muitas outras pequenas):

03, 04 e 05 de Novembro de 2006
Vaquejada Parque Fabiano Ramalho de Lira-2006
Parque Fabiano Ramalho de Lira - Vigia-PA
Organização: José Ramalho Bringel
(91) 3235-3871 / 9981-5774

03, 04 e 05 de Novembro de 2006.
16ª Vaquejada Parque Arapuá
Parque Arapuá - Santo Antonio do Salto da Onça-RN
Organização: Dr.Ivo Érico.
(84) 9982-6909

03, 04 e 05 de Novembro de 2006
1ª Vaquejada Parque Mascarenhas-1ª Etapa Circuito Bahia
Parque Mascarenhas - Cruz das Almas-BA
Organização: Orlando Mascarenhas e Martius Silveira (Nininho)
(75) 9982-2544

03, 04 e 05 de Novembro de 2006.
1ª Vaquejada Parque Mossoró Park Show-2006
Parque Mossoró Park Show - Mossoró-RN
Organização: Ailson Germano e Ailson Junior.
(84) 3312-5000/9972-6000/9972-5000

03, 04 e 05 de Novembro de 2006.
2ª Vaquejada Parque Acauã-2006
Parque Acauã - Garanhuns-PE
Organização: Marcos Acauã e Família
87.9988.1476/ 9917.0557

04 e 05 de Novembro de 2006
3ª Vaquejada Parque Leonel do Carmo-2006
Parque Leonel do Carmo - Lagoa de Dentro-PB
Organização: Renato Macedo e Leonel
83.9966.7528/9996.1543

10, 11 e 12 de Novembro de 2006.
9ª Vaquejada Parque Paraiso do Vale-2ª Etapa Circuito Vaquejada RN.
Parque Paraiso do Vale - Ceará Mirim-RN
Organização: Jorge Martins e J.B.
(84) 9926-5281

10, 11 e 12 de Novembro de 2006.
12ª Vaquejada Parque Milanny-2ª Etapa Circuito Nordeste Vaquejada 2006
Parque Milanny - Caruaru-PE
Organização: Zé de Arimateia e Luiz Gonzaga
81.9981.0474 / 8841.1819

10, 11 e 12 de Novembro de 2006
Vaquejada Parque Roberto Sena
Parque Roberto Sena - Castanhal-PA
Organização: Roberto Sena e Edmilson
91.3721.6551/3721.3425

11 e 12 de Novembro de 2006
15ª Vaquejada Parque Ulisses Miranda
Parque Ulisses Miranda - Palmeira dos Indios-AL
Organização: Grupo Miranda - Zé Miranda e Família
(82) 9983-0806

11 e 12 de Novembro de 2006
1ª Vaquejada Parque Biê Caboclo-2006
Parque Biê Caboclo - Campo de Santana-PB
Organização: Eronides Filho e Chico de Erasmo
(83) 3378-1089/ 9989-3899

11 e 12 de Novembro de 2006
7ª Vaquejada Parque Jessé Filho-2006
Parque Jessé Filho - Terezinha-PE
Organização: Jessé Paixão e Jessé Filho
(87) 9639-9664/ 8801-8038

17, 18 e 19 de Novembro de 2006
15ª Vaquejada Parque Cowboy-3ª Etapa Circuito Nordeste Vaquejada 2006
Parque Cowboy - João Pessoa-PB
Organização: Doquinha e Familia

24, 25 e 26 de Novembro de 2006
1ª Vaquejada Parque Nelore Park Show
Parque Nelore Park Show - Monte Alegre-RN
Organização: Etinho e Família
(84) 9981-4508

24, 25 e 26 de Novembro de 2006
1ª Vaquejada Parque Vasconcelos- 9ª Etapa e Final Circuito PE-2006
Parque Vasconcelos - Santa Cruz do Capibaribe-PE
Organização: Francisco Vasconcelos e Familia.

24, 25 e 26 de novembro de 2006
Vaquejada do Parque Society-2006
Parque Society - Maragogi-AL
Organização: Carlos Souza e familia

em Pernambuco tem em 3 cidades... tudo com muita, muita gente... superprodução etc

este site aqui foi o primeiro que encontrei no google - impressionante o lado de indústria cultural - e não é um mundo fora do overmundo...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 8/11/2006 18:24
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Jabah Pureza

e por que eles tão dando certo?

Jabah Pureza · Natal, RN 8/11/2006 18:37
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dj-dolores

esse tipo de banda tem um dono geralmente.
que também é dono de uma rádio, de um espaço de festa, é proprietário do fonograma e monta uma banda para tocar um tipo de música tão simples e funcional que até mesmo os cantores podem ser substituídos.
ele contrata os músicos por um cachê miserável e os explora num circuito específico de shows, festas ...
o dono promove a banda de um jeito "de cima pra baixo", quero dizer, inventa a "fama" da banda e a partir daí consegue fazer tantos shows.
não sei se é exatamente esse o caso do limão com mel mas isso vale para a maior parte das bandas de brega e forró em atividade.

dj-dolores · Propriá, SE 8/11/2006 19:19
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Hermano Vianna

gostaria de conhecer melhor esses dados... há alguma pesquisa feita para saber se é assim mesmo que funciona? não estou duvidando, mas acho que na maioria das vezes falamos por ouvir falar, não baseados em dados concretos... de qualquer maneira: os donos das bandas inventaram um modelo de negócios que criou uma enorme indústria de entretenimento (um circuito vigoroso de festas) onde não havia nada... são bandas de baile, que tocam geralmente para animar as festas... não necessariamente os músicos serem funcionários dos donos é algo condenável: músicos de orquestras sinfônica também são funcionários "substituíveis" - até os maestros mudam... em bandas de bailes (e bandas de carnaval) isso também é muito comum... o público não está ali para ver a performance do músico A ou B... o que podemos condenar são as condições de trabalho... mas isso está mudando... conheço casos de músicos que batalharam por seus direitos e se tornaram sócios dos donos das bandas... é uma questão de organização da classe também... outra coisa: não acho que seja totalmente fácil tocar essas músicas (vejo muito virtuosismo em muitas bandas - estou fanático no momento pelo instrumental de Felipão & Forró Moral, que suingueira!)... mas se fosse: punk também é fácil de tocar... e não foi uma bela lição de arte moderna?

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 8/11/2006 19:36
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dj-dolores

não é pelo fato de ser "dono" da banda.
sou "dono" da minha e trabalho com músicos contratados.
(dois deles trabalharam – como sócios ou apenas contratados - e eventualmente ainda trabalham nessas bandas de forró e brega)
a questão é que existe uma máquina de entretenimento que funciona segundo a lógica mais devastadora de mercado, meramente predatória.
isso significa más condições de trabalho, pouca preocupação com as músicas (grande parte é versão de hits internacionais) e uma lógica do poder tão antidemocrático dos donos da rádio. tudo é só negócio!

dj-dolores · Propriá, SE 8/11/2006 20:05
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Jabah Pureza

falando em pesquisa sobre isso (que realmente tava na hora de alguém fazer) um dia desses pensei num documentário massa que também poderia ser feito: sobre os bastidores dessas bandas de forró e brega, organização dos eventos, como ocorrem as negociações com as rádios, como é o dia-a-dia dos músicos contratados e dos empresários donos das bandas. Joguei essa idéia pra alguns amigos de vídeo, um deles já demonstrou interesse se alguém se interessar também posso passar o contato dele.
tenho amigos que tocam e outros que já tocaram nessas bandas.
Realmente as condições de trabalho dos músicos contratados são péssimas em muitos casos. Por exemplo: tocar 7, 8 vezes por semana e ganhar R$1000,00. Pagando aluguel, contas, nem sobra dinheiro pra comprar ingresso pros festivais styles :D (tô zoando).

Jabah Pureza · Natal, RN 8/11/2006 20:11
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Jabah Pureza

esqueici de dizer 1000,00 conto por MÊS! ou seja mais ou menos 30,00 por show... agora pergunta quanto o dono ganha por show? :D

Jabah Pureza · Natal, RN 8/11/2006 20:25
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Bruno Nogueira

Hermano, não sei se tem estudos do brega como indústria especificamente, mas a UFPE tem algumas dissertações sobre o gênero sim. Vou te mandar depois.

O caso é bem como Helder explicou. Os donos das bandas são também os da casa de shows e dos eventos. Eu falei que o Limão com Mel é de Fortaleza porque os donos são de lá (no site tem o telefone de contato como sendo do Ceará).

Considerando o tamanho de Pernambuco, acho que três eventos de vaquejada são bem pontuais sim! No Recife só tem um, que depois circula pelo interior.

De toda forma, acho que o pessoal do forró pé-de-serra um dos mais bem estruturados na cidade. Eles tem uma sociedade que ensina profissionaização, como cobrar os cachês e organizam festas todos os fins de semana na Casa da Rabeca, Forró do Arlindo, etc. Também tem programas de rádio, etc.

Também não é o fim do mundo!

Bruno Nogueira · Recife, PE 8/11/2006 21:19
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Hermano Vianna

1.000 reais por mês faz um diferença enorme para muitos brasileiros - não estou dizendo que é um salário justo não - mas conheço muitos músicos dessas bandas que eram pedreiros biscateiros, que vendiam peixe com o pai na feira, ganhando muito menos - a indústria do forró dá dinheiro para muita gente que não tinha nada, ou tinha muito menos... outra coisa: eu não diria que há "pouca preocupação" com a música... acho que a preocupação é diferente da "nossa", "nós" que valorizamos música de outra maneira (possivelmente mais "correta")...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 8/11/2006 22:10
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vera11

Oi só tô chegando agora , mas não resistí .Bruno não consegui entender quando vc fala entre década de 90 e 00 no parágrafo sobre espaços físicos pois isso não é nenhuma novidade pra artístas e produção local como Dolores falou nós inventávamos(criávamos) locais fazendo festa no Adiliá's,Francis,Pocoloco ou seja pra mim fazíamos e engrenávamos o que agente sempre acreditou e esta condição atual não é um "previlégio"da cena musical pernambucana é uma sinalização em todas as esferas da arte aqui, porém ainda não consigo entender o que seria essa linha de frente pois se fosse citar aqui quem está nessa linha de frente resistindo porém produzindo artísticamente bons trabalhos não caberia aqui.Pois fazendo parte de mesas de curadoria de projetos que rolam aqui agente só falta arrancar os cabelos tentando dar o viés certo para aquele tal ter uma grade que atenda aos gostos pois são inúmeros materias bons que chegam, salientando que não só de Recife mas também do Brasil e países da América Latina isto pelo menos nos dá um modulador que não é fácil trabalhar aqui ,mas porque será que muitos querem tocar aqui? Já que vc abriu o tópico penso eu nos lugares pequenos mais com ótima programação musical e de Recife que acontecem dos que acreditam.

Hermano nunca trabalhei com banda brega porém por viajar muito dentro do Estado com projetos e vendo de perto muita , muita gente que ainda estão entocadas fazendo sons maravilhosos com consistência seja dentro dos quilombos,nos interiores e comecei a perceber o pq as bandas bregas tocam tanto, como curiosa pois adoro aprender e estudar métodos de trabalho com a música independente ví,percebí e constatei que eles tem uma metodologia de trabalho de produção ímpar , eles chegam a fazer levantamentos semestrais de meios de comunicação de cidade em cidade ,perfis e saber como chegar e como é bem diferente de outros métodos de produção das culturas.Só pra completar Bruno o Garagem é patrimônio tombado já está chegando há duas décadas com a mesma cara,mesma cerveja quente e point do metal e daí ? é lendário e será sempre assim ,vai quem quer.

vera11 · Recife, PE 8/11/2006 23:06
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dj-dolores

pô, hermano ...
assim tbm é relativizar demais!
é medir por baixo e a gente enxerga um mundo melhorzinho, né?
é como dizer q é melhor ser escravo do q não ter o q comer. essa moeda de consolo é pouca.
a relação trabalhista nessas bandas é absolutamente imoral! e grande parte dos músicos se submetem a isso por falta de opção.
os donos de banda atuam como gangsters: usam rádios - concessão pública - para inventar sucessos, ganham muita grana mas não pagam direitos autorais, não dividem o bolo justamente e enganam po público ao criar uma situação artificial ...
( aí já se chega em outro assunto: quem toca na rádio faz público no povão, quem não toca vira cult e nem sempre sobrevive)

julgando a parte artística da parada, conheço um monte de músico que trabalha ou trabalhou nesse esquema e nenhum deles gosta exatamente do que faz.
no começo a farra é boa mas com o tempo o sujeito se vê preso a um padrão muito medíocre, aquém de suas ambições musicais. é um erro de raciocínio comparar com o trabalho de um maestro numa orquestra. a auto estima do cara vai lá pra baixo e ele é tratado como peça descartável na engrenagem da banda.

feliz mesmo, só quem ganha o $$$$!!!!!!!

uma experiência bacana nessa terra sem lei é a da gabi, nossa amiga de belém. ela é a dona da banda – antes tinha um sócio – e fez uma reviravolta ao começar a compor suas próprias músicas. ela tem preocupação com a música, vai mais fundo - mesmo trabalhando nesse ambiente extrativista – e o resultado é que ela só faz se firmar cada vez mais como estrela maior do tecnobrega do pará. E sabe de uma coisa: a banda da gabi ao vivo é super boa, grande show!!

dj-dolores · Propriá, SE 8/11/2006 23:32
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Bruno Nogueira

Que tal direcionar um pouco a discussão? Dolores, Mabuse, Leo's, sei que propor criar uma cooperativa seria um passo meio grande (considerando que eu nem sou produtor, nem artista), mas que tal a gente criar um blog aqui no Overmundo sobre o assunto? Acho que já ficou evidente que o assunto rende! =)

Bruno Nogueira · Recife, PE 8/11/2006 23:36
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Hermano Vianna

peço desculpas por ter criado um parêntesis tão longo - talvez seja melhor criar um outro tópico para discutir o assunto por aqui (conversa que começou também lá no Forró Moderno. Continuo achando que o rádio não fabrica sucesso - pode ser ingenuidade minha... Mas vamos voltar ao que interessa: a proposta da cooperativa, e as outras propostas do Mabuse mais acima parecem ser caminhos bem práticos para o futuro. Talvez o blog seja necessário: mas antes do blog pode ser melhor uma reunião de todos os recifenses que se manifestaram (uma parcela significativa, poderosamente criativa da vida cultural da cidade) por aqui na vida real - quem sabe não surgem idéias ainda mas viáveis no boca-a-boca em tempo real? Como daqui a pouco vai ser início de novo governo estadual e federal, a hora é bastante propícia para tentar influenciar no rumo "das coisas"...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 9/11/2006 00:03
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Retrigger

acho q o hermano pontuou uma coisa muito interessante.

a "nossa" musica é bem desinteressante pra maioria das pessoas.
é a pura verdade. não dá pra pensar q o disco novo do nação zumbi é legal pra todo mundo. não é mesmo.

bregas, forros, funks atingem um publico maior. são musicas interessantes na opiniao de mais pessoas. por diversos motivos. é até maldade ficar comparando.

e não é questão de educação ou de "levar a cultura pro sertão". é por que é. eu q sou eu (musico independente e experimental) acho q prefiro dar um rolê num baile funk do q ir no show do mombojó, por que diabos a maioria da popução vai querer?

desculpe se estou errando a mira, pq estou atirando de belo horizonte à meia noite, mas acho que essa situação é meio q inevitavel. Acho que existe uma certa carencia (afetiva) do artista hoje que espera ter as mesmas condições de trabalho do artista ha 30 anos atras. palquinho, whisky, boa arte e publico interessado. Pois é, o mundo mudou. ninguem tem interesse em nada chato pq a vida esta cada vez mais corrida e o negocio agora é diversão garantida e bem direcionada. quem entendeu isso ta lotando vaquejadas por ai.
talvez eu so esteja reclamando da vida, mas sei lá, não parece reclamar demais da vida ficar falando q "ninguem gosta de mim", "ninguem vai no meu show", "sou um incompreendido"
eu ja falei isso demais na vida. to a fim de pensar em outra coisa.
acho q talvez as bandas de recife (e de todo o mundo, pra falar a verdade) tem é q aprender a serem mais interessantes e valerem mais o dinheiro do publico.





Retrigger · Belo Horizonte, MG 9/11/2006 00:10
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Alessandra Leão.

Como havia falado anteriormente, sobre um comentário de Caçapa, tentamos dar início a uma cooperativa de produção, distribuição e divulgação de fonogramas. Infelizmente, as discussões não foram adiante para concretizar essa idéia.
Talvez estejamos chegando no momento de retomar esta proposta com os músicos interessados. Caçapa chegou a fazer um curso sobre cooperativismo, como ele citou em um dos seus comentários aqui, acredito que ele seja uma das pessoas mais preparadas, no momento, para direcionar essa discussão. Pois existe uma proposta inicial já formulada para ser aprimorada e aplicada.
Espero que os músicos daqui de Recife, e por que não de outros Estados, também busquem desenvolver ações individuais e coletivas que tenham como objetivo a melhoria do nosso mercado de trabalho.
Infelizmente, não tem sido fácil desenvolver muitas dessas ações, pelos problemas amplamente citados tanto no texto de Bruno, como em vários comentários, mas também muitas vezes por posturas preconceituosas de vários musicos e jornalistas da cidade (acredito que outros lugares devam sentir a mesma coisa). Uma das coisas que mais sinto falta na atual cena em Pernambuco é a capacidade do público e dos próprios artistas de diferentes estilos, de dividirem a mesma noite nos palcos dos eventos da cidade.

Cheguei a participar desse período, na época que começamos com a Comadre Fulozinha, onde dividimos palco com tantas bandas de estilos diferentes do nosso (Antônio Nóbrega, Chão e Chinelo, Skeik Tosado, Mestre Ambrósio, Nação Zumbi, Querosene Jacaré e o próprio Dolores, só pra citar alguns), hoje, infelizmente esse "intercâmbio" não é assim tão comum, ainda acontece, mas, com uma frequência muito menor.
Hoje, existem cada vez mais "panelas" separadas, que não trocam tantas informações nem se colaboram. Acho que deveríamos misturar nossas "panelas" e tentar fazer um molho só!
ESPERO QUE CONSIGAMOS BOTAR ESSAS COOPERATIVAS PRA FRENTE!!!

Alessandra Leão. · Recife, PE 9/11/2006 00:31
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AD Luna

Pois é, Alê! Parece que estão andando para trás.

AD Luna · São Paulo, SP 9/11/2006 01:19
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Anderson Foca

Hermano, Foca aqui de Natal tudo bem? Seguinte, até entendo o que você que instigar quando cita as bandas de forró e suas cenas. Estou em Natal, vejo de perto o funcionamento delas e queria dar algumas opiniões que devem ajudar (se é que você não já sabe de tudo isso, provavelmente sim) na nossa discussão.

DE BOM ELES TEM
- Organização
- Senso empreendedor
- Sabem observar e encontrar o público alvo
- Foco e obestinação

Isso, todas as bandas e produtores deveriam obrigatoriamente ter para poder crescer. E a aí vai auto-crítica de cada um para saber se no seu universo de trabalho tá rolando como nos itens acima. Mesmo no nordeste, numa cidade que não tem muita tradição no rock o DoSol, nossa empreitada local, tá em pé e funcionando acho que por conta disso. Ninguém é rico mas faz os trecos direito, quem já veio aqui sabe.

O QUE A CENA DO FORRÓ TEM DE RUIM
- Exploram e minam o talendo de artistas promissores
- Alimentam a indústria do jabá (com 150 reais por mês você paga um jabá em qualquer rádio do interior)
- Não se preocupam com a qualidade e o conteúdo do que está sendo apresentado ao público
- Seguem uma visão patrão/empregado coronelista e semi desumana.

Sucesso não é só ganhar dinheiro. É muito bom ter grana, é muito bom todo mundo cantar suas músicas mas é preciso ter ética e compromisso artístico. Se o Dolores fosse do cavaleiros do Forró jamais teria ido passar várias semanas na Europa conhecendo coisas, se educando culturalmente e tendo experiências de vida interessantes e ainda ganhando um dimdim para fazer isso. Essa é a graça do mundo.

Forró é bom
Rock é melhor
Dinheiro paga as contas
Felicidade não se compra

Anderson Foca · Natal, RN 9/11/2006 08:11
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h.d.mabuse

Eu topo um batepapo na proxima semana! Pessoal no recife, vamos combinar algo por emeio?

h.d.mabuse · Recife, PE 9/11/2006 12:19
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h.d.mabuse

Mas paralelo mesmo acho importante o Blog, para expandir o debate para outras cidades.

h.d.mabuse · Recife, PE 9/11/2006 12:56
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Hermano Vianna

para criar um blog precisamos: nome do blog; subtítulo para o blog (por exemplo: nome- Overmundo; subtítulo: cultura de todo o Brasil); textinho explicando do que trata o blog; nomes de quem vai poder postar oficialmente no blog (as outras pessoas poderão apenas comentar os posts dos "donos do blog")

alternativa: esperar alguns dias para o lançamento de nossa nova seção de foruns: será possível criar fóruns específicos para vários temas diferentes

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 9/11/2006 13:32
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h.d.mabuse

Acho que podemos esperar pelo forum, concordam? Achonesse caso, mais produtivo.

h.d.mabuse · Recife, PE 9/11/2006 15:03
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Jr. Black

Toda a questão levantada tem uma meca. O circuito só vai fechar quando o mercado se estabelecer, e aí tá faltando uma perna: rádio (marketing, comunicação e propaganda). Tem gente montando programas de TV na tora, tem gente criando evento, tem gente querendo trabalhar e viver de músico e tem gente interessada em consumir, mas só falta mesmo é o recifense médio saber plenamente do que é que se faz aqui, com gosto de gás, todos os dias, não só por uma hora ou duas. Cadê a Frei Caneca, hein? Deixem as comunitárias livres do câncer do jabá, malditos oportunistas! Deixem as rádios livres funcionarem abertamente!

(...)

Carta de negação?
Moção de desagravo?
Abaixo-assinado?
Associação?
Ato público?
União?
Quem é o legislador ou promotor mesmo?

(...)

Que tal escreverem uma matéria cobrando uma posição efetiva do Ministério Público sobre essa situação dos nossos direitos de comunicação serem veementemente ignorados por nossas rádios? Se o Brasil detém uma das maiores produções fonográficas do mundo, essas incríveis instituições são brasileiras mesmo?

(...)

Essa parada das bandas de forró e congêneres cheira a lavagem, não? Como prefeituras de cidades tão pequenas nos cafundós dos nossos interiores têm cacife para pagar os vultosos cachês dessas magistrais companhias de entretenimento?

(...)

Isso são apenas perguntas.

(...)

Cuméquié, Mabuse e rapaziada, nos encontramos na quarta à noite? Centrão ou Derby, usando o eixo da Agamenon como escape?

Jr. Black · Garanhuns, PE 9/11/2006 16:09
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h.d.mabuse

Grande Jr. Black, acho bacana quarta a noite, quem se escala mais?, vamos trocar emeio agora!
abs,
mabuse

h.d.mabuse · Recife, PE 9/11/2006 17:56
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Caçapa

Gosto da idéia de se continuar esse debate nos fóruns temáticos que serão disponibilizados pelo Overmundo, conforme avisou Hermano Vianna.
Talvez seja uma ferramenta mais democrática do que o blog.
Sobre as cooperativas, tenho algumas coisas a dizer: acredito que talvez seja mais adequado trocarmos algumas idéias iniciais sobre os conceitos do cooperativismo e a sua aplicação (ou não) na realidade em que vivemos, antes de marcarmos algum encontro ou reunião. Um encontro (ou os encontros) seria o passo seguinte, com as pessoas que sentirem maior afinidade de idéias. Ou seja, podem se formar vários grupos diferentes, cada um tentando atender as suas necessidades específicas, o que provavelmente ocorrerá.
Me disponho a colocar aqui algumas informações sobre o assunto, enquanto os fóruns ainda não estão disponíveis.
Segue um trecho de um texto extraído do "Dicionário de Finanças Administração e Finanças" de Paulo Sandroni:
" COOPERATIVA - Empresa formada e dirigida por uma associação de usuários, que se reúnem em igualdade de direitos, com o objetivo de desenvolver uma atividade econômica ou prestar serviços comuns, eliminando os intermediários. O movimento cooperativista contrapõe-se às grandes corporações capitalistas de caráter monopolístico. Conforme a natureza de seu corpo de associados, as cooperativas podem ser de produção, de consumo, de crédito, de troca e comercialização, de segurança mútua, de vendo por atacado ou de assistência médica.As mais comuns são as cooperativas de produção, consumo e crédito; há ainda as cooperativas mistas, que unem, numa só empresa, essas três atividades.
COOPERATIVISMO - Doutrina que tem por objetivo a solução de problemas sociais por meio da criação de comunidades de cooperação. Tais comunidades seriam formadas por indivíduos livres, que se encarregariam da gestão da produção e participariam igualitariamente dos bens produzidos em comum.. Sua realização prática prevê a criação de cooperativas de produção, consumo e de crédito. O cooperativismo pretendeu representar uma alternativa entre o capitalismo e o socialismo, mas sua origem encontra-se nas propostas dos chamados socialistas utópicos. O iniciador deste movimento foi o inglês Robert Owen, que patrocinou a criação da primeira cooperativa na Europa, a sociedade Pioneiros Equitativos de Rochdale, em 1844, integrada por tecelões."
Também seria interessante que as pessoas interessadas visitassem alguns do sites que eu sugiro aqui, para aprofundarmos um pouco nosso conhecimento:
- www.cooperativa.com.br (primeiro portal brasileiro de conhecimento sobre cooperativismo)
- www.brasilcooperativo.com.br (site da OCB - Organização das Cooperativas Brasileiras)
- www.sebrae.com.br/br/parasuaempresa/tiposdenegocios_63.asp (página do site do SEBRAE com informações muito úteis)
- www.cooperativademusica.com.br (site da Cooperativa de Música de SP)
- www.cooperativadeteatro.com.br (site da Cooperativa Paulista de Teatro)

Gostaria de lembrar que uma cooperativa não é uma casa de caridade, não é um sindicato, nem um órgão burocrático. Trata-se de um EMPRESA, e exige organização, clareza de objetivos, plano de ação, investimento de recursos, participação efetiva de todos os membros e, principalmente, a convergência de interesses de seus membros em prol de um objetivo comum.
Acredito que esta é uma das soluções mais viáveis dentro da nossa realidade atual.

Caçapa · Recife, PE 9/11/2006 18:03
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Caçapa

O texto citado foi extraído do "Dicionário de Administração e Finanças".
Desculpem o erro...

Caçapa · Recife, PE 9/11/2006 18:06
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Bruno Nogueira

Mabuse, qual teu email? Me manda um para o bnogueira@gmail.com. Vamos organizar o troço =)

Bruno Nogueira · Recife, PE 9/11/2006 18:21
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vera11

Mabuse envia teu e-mail pro meu verasantos1@gmail.com ,por mim posso na quarta que vem mas que horas e local?Alguém sugere? Veio na minha cabeça no paço,pois sempre vou a encontro de comunidades lá e tem uns cantinhos relax pra conversar.Digam aí ,por mim qualquer local pelo centro da cidade seria melhor caso não tudo bem ,vou também.

vera11 · Recife, PE 9/11/2006 19:24
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Bruno Nogueira

Recife antigo seria ideal. Mais do que representativa para a causa =)

Bruno Nogueira · Recife, PE 9/11/2006 20:19
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Filipe Barros

O meu e-mail é o filipebb@gmail.com mabuse, gostei da idéia de discutir um pouco aqui antes, pra termos uma idéia melhor do que queremos, pode ser pessoalmente também esse contato, mas não seria nada mal discutir pela net um pouco mais.

Filipe Barros · Recife, PE 10/11/2006 07:56
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Charlot

Acho que se estabelece quem tem competência e rala muinto, independente da máquina do governa ou da mídia.É o caso de Chico Science que depois de acontecer ganhou o mundo. Acredito que hoje vivemos uma realidade bem diferente (pode parecer até inocência minha) onde o movimento indepêndente criou seu próprio espaço e onde a internete auxilía bastante na divulgação.Na minha opinião hoje falta talentos e os bons preferem ,como alias sempre ocorreu, correr para outros mercados.

Charlot · Recife, PE 10/11/2006 10:25
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Zezito de Oliveira

Muito boa a discussão!!! Muito legal mesmo!!!
O que é legal é perceber que todo ponto de vista é sempre a vista de um ponto.
O que esse debate reforça é que tudo está interligado e interdependente e pelas limitações inerentes do nosso modo de ver as coisas, muita coisa escapa mesmo e isso por mais sistemico ou holistico que queiramos ser.
Bem, como canja de galinha e um pouco de politização não faz mal a ninguém, segue uma maneira de enxergar os fatos e as análises postadas pelos overmanos e overminas a propósito do texto do Bruno Nogueira.
Um olhar que se aproxima de muitos que podemos ler acima.

"Eleitores com baixa escolaridade e vivendo no limite da sobrevivência são comprados e , elegem parlamentares gananciosos e sem nenhuma preocupação com o bem estar da população, apesar dos discursos em contrário, que ao serem eleitos chantageiam o executivo federal, ou vice-versa, para obter concessões de emissoras de rádio e televisão que irão perpetuar a indigência intelectual e moral dos seus eleitores, através de programas de músicas sem nenhum compromisso com a diversidade cultural e com a qualidade artística ou de programas que manipulam a fé e as carências materiais e afetivas dos individuos para o crescimento das empresas, digo igrejas.
Para fortalecer isso tudo, prefeitos e governadores dos partidos desses parlamentares, tratam muito mal os professores pagando salários ridículos, reprimindo de forma truculenta os movimentos reinvindicatórios da categoria e mantendo as escolas sem bibliotecas e acesso a internet, salvo raras exceções, e com pouquíssimo investimento em construção de espaços físicos e na contratação de profissionais especializados para capacitar professores na perspectiva de propiciar um ambiente favorável ao desenvolvimento das potencialidades artísticas/culturais dos alunos, o que é fundamental para a formação/qualificação/ampliação da produção artística e para a formação de público.
Para completar, com a cobertura desses parlamentares e executivos as rádios livres ou comunitárias que buscam contribuir para mudar essa situação através de uma programação educativa e de qualidade cultural, diga-se de passagem aquelas que escaparam das garras das máfias parlamentares, são violentadas através de um aparato legal e policial que não é tão eficaz assim para enfrentar o tráfico de drogas ou a prostituição infanto-juvenil...
E nós olhando para o nosso próprio umbigo, sem se dar conta da inter-relação entre os acontecimentos, culturais, politicos, economicos etc.., sem buscar construir pontos ou viadutos para nos ligarmos/conectarmos a outros atores/sujeitos individuais ou coletivos que lutam para transformar a realidade de opressão e de exclusão. E aê?



Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 10/11/2006 11:21
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vera11

Mabuse manda teu e-mail , Bruno e quem quiser mais ir nesse bate papo vamos nos comunicar,combinar hora e local ,certo? Vai ser bom , tenho certesa que cada um tem um pensamento interessante pra expor.

vera11 · Recife, PE 10/11/2006 11:32
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Charlot

Zezito somos um espelho.Aquilo que não é incomoda.Daí a necessidade de em vez de termos uma opinião verdadeira precisamos ter um intelecto indentificado com os intelectuais.A questão de discordar não é politica, mais de achar verdadeiramente que não é a cultura de Recife que estar em decadencia, mas a cultura dos músicos pernambucanos que sempre de forma "inteligente" preferem se evadir do Estado e buscar outros espelhos

Charlot · Recife, PE 10/11/2006 15:13
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Dramarc

Para pensar para além da mercadoria (um pouco que seja):

Aproveitando as colocações do André Stangt, afirmo que o fato de não existir uma robusta indústria cultural ou espaços de consumo de música ao vivo no formato tradicional de casas de show não significa necessariamente que a cultura esteja se degradando, ou mesmo que isso seja motivo de lamúrias. E falo nem é daquele papo de que cultura compõe todos nossos hábitos e valores, mas, referindo-se simplesmente à produção e recepção de bens simbólicos, devemos compreender outros espaços de apreciação e reprodução destes bens. E o André chega a falar em cena global, mas é preciso não esquecer que ela se articula de forma dialética com os fluxos locais.

Um desses espaços e que considero extremamente efervescente em Recife (apesar de só ir na cidade um vez a cada dois anos) é o espaço doméstico, em que o proprietário da casa chama amig@s para se divertirem, ouvirem música (ás vezes som mecânico baixado na internet ou não, às vez chamando amigos para tocar ao vivo), dançar, brincar, conversar enfim. Inclusive, nesse formato, a chance de uma auto-gestão do evento é bem maior, se o clima tá mais pra conversa, pedem para baixar o som, se está mais para dançar, pedem para aumentar. Inclusive, o espaço doméstico, quando dessa maneira utilizado, consegue ser bem mais receptivo e proporcionador de laços sociais mais intensos do que aqueles que a multidão anônima das casas de show tem a oferecer (sem contar a falta de espaço para dançar e ar para respirar).

Mas claro que não é sensato pensar que o poder público não é necessário no sentido de tornar possível uma produção cultural mais ampla, democrática e mais contextualizada à vivência estética do cotidiano das pessoas e às suas tradições. Nesse sentido, um tipo de política fundamental é aquela que avança em direção a descentralização não só no financiamento de artistas ainda não projetados na grande mídia, assim como das linguagens da tradição (cultural popular). A descentralização passa também por retirar os aparelhos culturais (teatro, cinema, oficinas, palcos etc) dos centros e encrava-los nos seios das comunidades. E aí não é encravar apenas despejando a infra-estrutura, fazendo aterrissa-la como se fosse uma nave extra-terrestre, mas é fazer com que esta seja modulada a partir de uma co-gestão com os indivíduos da comunidade dispostos a se tornar sujeitos pró-ativos do processo e procurar estabelecer uma estreita relação com senhas de identidade presentes em cada comunidade de forma que cada núcleo seja uma experiência produzida de forma singular e em conformidade com dinâmica cultural do local.

E aqui a prefeitura de Fortaleza vem com um projeto bastante antenado a alguns desses princípios, é o Cuca (Centro de Cultura, Arte, Ciência e Esporte de Fortaleza ), um local munido de vários aparelhos culturais e que contará com ensino de conhecimento cultural através de oficinas, cursos etc. Pode ser devaneio, mas é pra que cada um possa fazer de seu quintal ou da sua rua não uma casa de show, mas sim de cultura, de arte, dança e paixão. E melhor de tudo, ações como essas avançam de garantir o que deveria ser o espaço da manifestação cultural por excelência: o espaço público e não o privado, a exemplo das casas de show. A partir disso, compreender o Estado como mediador (financiador) do espaço público de manifestação e desenvolvimento cultural é muito mais oportuno do que exigir que ela assuma um “papel de mediador do mercado” (Leo Antunes).

Se a cultura na sua forma de produção de bens simbólicos morrer na condição de indústria cultural, mas viver na sua forma de fluxo vivo nas ruas, havendo pouca separação entre quem houve e quem escuta, então penso que, por esse lado, teríamos um caminho inverso da degradação.

Dramarc · Fortaleza, CE 10/11/2006 16:19
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Dramarc

Em falar em degradação, penso que as colocações do Hermano vão no sentido de legitimar uma coisa que deploro na produção cultural, algo que está na essência da modernidade, que é a relação meramente instrumental com a criação. Então a minha crítica aqui, Hermano, não vai no sentido de repudiar essa comunicação de massa por uma questão de estética, de seu valor enquanto gosto, mas de afirmar seguramente que esse círculo de produção cultural que você se refere é extremamente instrumental: a música é produzida de forma calculada (não atendendo qualquer vontade de comunicação do “artista”) e ainda sua lógica de circulação atende à lógica da maximização dos lucros de tal forma que neste ano em um show dessa esfera de circulação aqui em Fortaleza, duas pessoas morreram pisoteadas porque a casa estava com quase 50% a mais de sua lotação.

Enfatizando que o organizador do show é também dono da banda, que também tem rádios, que paga jabá em outra, enfim, monopoliza toda a esteira produtiva. Pesquise um pouco sobre o sr. Assis Monteiro e saberá do que estou falando.

Análises apocalípticas e sonhos e à parte, vamos à luta porque a mercadoria não desiste de engolir o mundo, de transformar tudo à esfera da troca monetária.

Ps: Que discussão boa rapá!!!

Dramarc · Fortaleza, CE 10/11/2006 16:24
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Charlot

E tem mais. A quem naõ seja ligado ao movimento roqueiro do Estado e a esta cultura.Existe hoje uma interpretação muinto boa do forró Pernambucano que ao invés de virar estilizado perdendo sua indentidade por completo cultural, conserva suas raizes do ritmo, porém com letras simples e inteligêntes melhorando o nível das canções.Me refiro a Geraldinho Lins entre outros, nesta escola ou em outras como Nós 4 que não estão na mídia, mas não deixam de ter seu espaço e serem reconhecidos.E este tipo de atitude que me refiro.

Charlot · Recife, PE 10/11/2006 16:50
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Zezito de Oliveira

Entendido Charlot.
Na leitura e releituras que fiz sobre os comentários postados
acima, percebi muitas coisas interessantes.
Tem gente que escreveu trabalhos acadêmicos que tem a ver com as questões em pauta.
Não é o caso de colocar a disposição aqui no site e/ou no dominio público?
Sobre as bandas de forró, conheço meninos e meninas que dançam/dançaram e o negócio da exploração é brutal, mas temos muito que aprender com os caras que produzem esse negócio também.
Isso não pode gerar boas monografias, dissertações ou teses?

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 11/11/2006 13:31
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Charlot

Entendo que é preciso vontade política ou melhor pública para resolver os problemas que não é nosso mas de todos.QUANTOA MÚSICA SEI O QUANTO É PRECISO VONTADE PÚBLICA PARA RESOVER UMA QUESTÃO TÃO COMPLICADA.

Charlot · Recife, PE 11/11/2006 14:11
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Mitchel Bruno

olha, eu até concordo que o estado tem lá as suas responsabilidades, como bem apontado no texto no texto do Makely Ka, que as rádios e tvs dão muito pouco apoio às produções locais, mas, honestamente, eu acho que o grande problema é com os próprios artistas. Como disse o dmart lá em cima, é possível que o público já esteja bastante saturado com a fórmula maracatu & rock'n'roll. Eu particurlamente sinto falta de inovação - com raríssimas exceções -, não apenas no quesito artístico como no quesito divulgação. Eu sei que há um descaso notável da grande mídia, e de todas as dificuldades, mas acho que os produtores deveriam ousar mais, buscar novos meios para a massificação desses trabalhos muitas vezes restrito a ambientes alternativos, e ficar menos dependentes de governos, emissoras, etc. E, aos artistas (ou pelo menos a maioria deles..), acho que já é hora de rever essa fórmula manguebeatiana.

Que venha o próximo chico science.. xD

Mitchel Bruno · Recife, PE 11/11/2006 22:04
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Ane (a) Caroline

Eu quero ajudar tambem!
Essa discussa quem sabe nao se transforma em um projeto mais ambicioso.. quem sabe ate um proprio festival.. vamos arriscar..

Ane (a) Caroline · São Paulo, SP 12/11/2006 21:11
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Angela Smaniotto

Creio que quanto ao bairro do Recife Antigo, umas das questões mais interessantes esteja explicada no texto do Gilberto Dimenstein:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult508u331.shtml

Não justifica, mas explica, pelo menos ao meu ver.


Angela Smaniotto · Curitiba, PR 14/11/2006 02:42
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Yuno Silva

Caramba!! Realmente, meu caro Bruno, vc pisou no calo geral. Muitos comentários interessantes, dados idem mas poucas sugestões de soluções.

É um engano acreditar que Natal está bombando, como em muitos lugares falta o principal: vontade política. Sim, enquanto o poder público não colocar a máquina para funcionar em prol da construção de uma identidade cultural (ou se pelo menos não atrapalha-se, o que já era bom) não vamos sair do canto.

Sempre vi Recife como um celeiro de grandes talentos, um exemplo pra cidades como Natal. O Governo 'parece' apoiar a cultura bem mais que aqui (é minha impressão). Porém, ficarmos só nos lamentando não adianta.

Nos últimos dois meses resolvi arregaçar as mangas e peitar sozinho uma porrada de coisa errada que acontece por essas bandas: especulação imobiliária sem escrúpulos, turismo sexual, lavagem de dinheiro, etc etc e a cidade parou!

As mobilizações começaram a pipocar e hj empresários e o poder público estão pensando duas vezes antes de abusar da nossa boa fé. Pena que isso ainda não reverberou na área cultural (questão de tempo). Por enquanto estamos na sócio-ambiental.

Por isso acredito que a conversa de vcs aí deva dar resultados - como disse Chico nos Saltimbancos: "todos juntos somos fortes!". É se articular, cobrar quem tem que ser cobrado, superar as diferenças e rusgas pessoais e focar o bem estar coletivo. Bola pra frente galera!

Yuno Silva · Natal, RN 14/11/2006 02:50
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Yuno Silva

ah, para saber sobre o 'causo' que levantei por aqui é só dar uma olhada no blog www.sospontanegra.blogspot.com

Yuno Silva · Natal, RN 14/11/2006 02:57
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vera11

Concordo com Caroline, mas nós vamos ou não se encontrar ? Decidam-se!
No Paço? Aonde? Horas? E-mail trocados então e-mails enviados.Seria muito bom pessoalmente; discordo de vários comentários que lí aqui sobre produção profissional pois captação,produção e vender trabalhos que mesmos que sejam talentosos mas que não existe uma mídia por trás é levar porta na cara de qualquer empresa de porte nacional ou multi( para dar todo subsidio para o produtor realizar) pois quem vende os grandes eventos são os nomes que não saem da mídia inclusive até na elaboração são estes que vem com o seus nomes na frente.Só sabe quem coloca o projeto "debaixo do braço" e senta na frente de um diretor de marketing cultural(nova nomenclatura) .E para realização de um evento decente tem que ter verba decente a verdade é essa , agora pode-se trabalhar com vários formatos que ainda em Recife só se trabalha dentro do mercado com 2 formatos de produção ,quando já existem 5 deles e dando certo em todas as esferas,se pautar pelo formato gostaria muito de falar,trocar e ouvir muito.
Então....... o encontro?
bjss os e-mails?
Mabuse,Bruno,Felipe,falei com Canibal também
vou postar aqui o meu de novo verasantos1@gmail.com
bj

vera11 · Recife, PE 14/11/2006 09:24
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vera11

desculpa meu erro acima do cargo :diretor de ações de marketing cultural.
(bobagem) a cadeira é a mesma.
bj

vera11 · Recife, PE 14/11/2006 09:36
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alexmono

POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MÚSICA !!!
www.forumdamusicape.blogspot.com

alexmono · Recife, PE 14/11/2006 19:33
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André Balaio

Bruno, parabéns pelo texto! Cheguei um pouco atrasado, mas pude ver comentários muito pertinentes. Acho que não tenho muito a acrescentar, mas gostaria apenas de deixar minha opinião. Assim como alguns amigos aqui, vivi a cena de Recife desde os anos 80, passando pela "cena mangue" dos 90, como vocalista de bandas como a Paulo Francis Vai Pro Céu e N.D.R. Depois vi o "outro lado" como produtor de festas e com uma coluna sobre música em um jornal. Agora estou voltando ao lado da "criação". Pois bem, acho que o que falta é formar um público. É a velha história da "oferta e procura". Se houvesse uma demanda de público por música legal como há por brega e forró, a coisa seria diferente. Claro que tudo isso passa pelo abismo social que existe no Brasil e no deficiente sistema público de ensino. Tudo isso faz com que educação e cultura sejam algo extraterrestre, fora do cotidiano da maioria das pessoas. Elas buscam o que é mais "fácil", códigos que consigam entender. Não estou fazendo juízo de valor, mas não dá para querer que alguém deixe de ouvir Calcinha Preta e passe a ouvir Mutantes se ele não tiver um background mínimo.

Mas não dá para ficar apenas botando a culpa na situação econômica e social do Brasil. É preciso ir atrás do público (vou resistir à tentação de citar Fernando Brandt e M. Nascimento!). Escolas e universidades são lugares interessantes para chegar a um público jovem e interessado. Acho que tem que se feito um trabalho de "guerrilha" cultural mesmo, já que não dá para ficar esperando que o estado resolva este problema. Se soubesse o que fazer exatamente, já estaria fazendo. Mas acredito que o caminho das pedras é ir atrás deste público que vivo e chutando, se mostrar a ele. Aí sim teremos pessoas ávidas a consumir este "produto" e aparecerão lugares para atendê-los. É isso.

Abração a todos!

André Balaio · Recife, PE 15/11/2006 11:18
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Charlot

Gostaria de ratificar meu comentário quando digo que o problema da musica é politico ou público.O que eu quiz trasparecer foi que o Governo de Pernambuco tem sua responsabilidade como os artistas. A vontade pública dos artistas siquinifica para mim se mobilizarem, se organizarem em pról de um enteresse comum à todos.Melhorar e ampliar a importância da música Pewrnambucana.Chamaria a isto MOVIMENTO PERNAMBUCANO DA MÚSICA.

Charlot · Recife, PE 15/11/2006 18:01
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marcelo campello

massa a discussão e o envolvimento de todos, até porque essa realidade está incomodando mesmo.
acho que, como hélder falou, essa "cultura de festivais" deixou as bandas um pouco preguiçosas em criar seu próprio espaço, neguinho já quer começar tocando pra duas mil pessoas!
pra chegar aí, o certo era ter organizado muito showzinho por conta própria.
fico triste em ver o ano novo ser comemorado no marco zero com bandas covers, dinheiro da prefeitura que, penso, deveria priorizar o trabalho autoral local, já que na hora de fazer propaganda ela não economiza em citá-lo (é um reveillon macabro, de certa forma...) o público está se acostumando a acompanhar um repertório recheado de hits, e o frágil espaço para novidades está diminuindo. não acho que isso resolverá nada, até porque já deveríamos ter aprendido a não contar com o governo - e sim em nossas próprias ações - mas o estado deveria rever essa política. tenho certeza de que china, a nação etc, prefeririam tocar com seus trabalhos autorais. o lance é que os covers agradam do vovô ao cachorro, e suas estruturas técnicas são menores, acaba saindo mais barato. a prefeitura é insensível a essas questões (já tinha dado o recado anos atrás com o show de sandy e jr a R$400.000,00...)
a mombojó continua morando em recife, apesar de o escritório funcionar em são paulo e pretendermos nos mudar para lá em 2007. é muito difícil de a banda circular pelo nordeste (até hoje não tocamos em joão pessoa!). em termos práticos, o sudeste oferece a possibilidade de circular a banda fora do calendário oficial, com shows privados, pelo interior etc.
acho incrível que o circuito SESC não movimente essa cena em PE também. Fica inviável circular no interior, a não ser nos festivais de inverno...
gostaria de relembrar outros obstáculos que contribuem negativamente para a situação: OMB, jabá, ECAD não-digital, falta de uma rádio abrangente que toque as bandas da cena como na época do programa de roger na Cidade etc.
Vou nessa tocar.
Abraço a todos!

marcelo campello · Recife, PE 17/11/2006 14:57
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Beto Kaiser

Finalmente caiu a ficha, Bruno acertou em muitas moscas. Como pode uma cena tão "rica" não entrar com força no mercado de discos e shows do Brasil? Somos incapazes ou existe uma mão invisível que nos empurra para baixo? Que nada...isto é fruto de uma tradição de COMPLETA dependência do poder público, no financiamento de carreiras e construção de ídolos locais, sem qualquer resquício de identidade com o gosto popular! Apenas relações políticas!
Parece que quem faz sucesso por aqui tá condenado a se penitenciar por isso, vide as bandas de brega...é um pecado chegar ao público sem passar pelos coronéis políticos e pela grana pública; coitados dos bregueiros... tocam a linguagem popular, o dia a dia e são constantemente enxovalhadas pelos espertíssimos e bons de lábia modernosos de nossa fauna política disfarçada de senhores preocupados com o coletivo!
É muito fácil nos tempos atuais "fabricar" uma banda de sucesso; faltou convencer o nosso povo! Um monte de bandas sem o menor carisma ou talento pra segurar a onda. E agora colocam a culpa na falta de rádio...oras, se o problema fosse esse...sempre foi assim e muitos conseguiram seus objetivos...aqui, na Bahia, em BH, no Rio, em São Paulo...sem rádio, mas com muito talento...nos acostumamos a exigir que o poder público banque tudo; poucos ousam uma carreira desvinculada das panelinhas e coronéis de nossa Cultura! Tocamos pra POLÍTICOS! E para seus despachantes camuflados de bonzinhos! Precisamos de POLÍTICAS DE MERCADO; políticas públicas já existem em excesso e sempre contemplam os mesmos poucos; MUDA O GOVERNO, MUDA A CENA ! A paisagem musical de nossa cidade está totalmente atrelada a cena política; se tá a esquerda no poder, só músicos de esquerda; se é a direita, só a turma da direita...e assim sempre foi, salve as honrosas e exíguas excessões! Pra que nos esforçarmos em agradar o público se a grana vem do mesmo jeito, via panelinha política? Grande parte da mídia é toda comprometida com atravessadores e coronéis que definem quem "merece" aparecer ou não...se tu num for da mesma ideologia vigente...tá arrumado. Parece o Bush...ou o cabra é amigo da turma ou inimigo...o velho pensamento binario dos fanáticos políticos! Proponho, por exemplo, em vez de bancar a carreira de um monte de malandros e oportunistas, porque não investirmos numa fábrica de CDs... fazer um disco é um processo comum a TODOS que querem entrar no mercado autoral; é um processo caríssimo e toma grande espaço no orçamento de um CD. Um benefício coletivo e democratico; mas que nada...neguinho quer é viajar, na maior cara de pau!
Na hora de assumirmos a culpa, lá vem todo mundo tirando o corpo fora e inventando mil justificativas pseudo-inteligentes para nossos insucessos! Em suma, tamos pagando o preço de termos inventado um monte de artistas sem a menor expressão e identidade com nada; apenas são da mesma ideologia políticofanática que acaba encobrindo muita gente boa, talentosa e e bem intencionada, mas que não conhece os atalhos até os cofres públicos e matérias em jornais da cidade!
Vamos deixar de hipocrisia e falsos discussos de coletividade; só tem neguinho querendo se dar bem, meter a mão na grana e passear nos EUA...ninguem quer ir pra Cuba! Só na teoria, de longe!
Infelizmente, vejo um paralelo entre nossa cena e a indústria da seca; todo mundo indignado mas ninguem resolve o problema, pra não acabar a boquinha de faturar com falta dàgua; se tivessemos um mercado de disco, nego ganhando dinheiro, indo com suas próprias pernas, MUITOS perderiam grana e poder...é melhor que tudo fique como está...e a esses não interessa que a boquinha se acabe! Lógico que não podem dizer...e ai vem todo aquele paop de cultura, ufanismos e etc...
Só discordo da análise de Bruno quanto as bandas pop da Zona Sul...há muita gente trabalhando honestamente, e sem culpa pela falta de competÊncia da maioria popcabeça dessa cidade! Na verdade. ocuparam uma lacuna deixada por um monte de bandas inventadas...e o que vem fácil., vái fácil...desconfio que o Brega é uma reação da natureza a essa tentativa de empurrar goela abaixo uma música de "turminha', música de partido político! Nada contra políticas públicas, mas só isso num dá!
Tudo se nivelou por baixo, e para o público num faz muita diferença entre uma coisa e outra...milhões de opçoes...e tamos assim. Tem muita coisa boa na noite sim...falta só os coronéis contarem para seu agregados!

Beto Kaiser · Recife, PE 17/11/2006 16:42
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Beto Kaiser

A noite de Recife é uma das mais fortes do Brasil...muita gente vindo pra cá trabalhar...deveriamos nos encher de orgulho...nossos covers...mas isso aqui é pecado! Tá dando certo? LIMA OS CARAS!!!!

Beto Kaiser · Recife, PE 17/11/2006 16:51
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Beto Kaiser

Mil perdôes pelas palavras, mas é muito legal, bacana e muito chique ficar de fora filosofando sobre os paradoxos de nossa música, e nós que tamos dentro da fuinha é que sentimos na pele como é chato estar num lugar que tem um monte de gente com um monte de disco patrocionado por num sei quem, num fim em si só...fica por isso mesmo...é muito massa, uma resistência cultural, muito papo furado e todo mundo morrendo de fome, tocando de graça porque o que mais tem é show de graça bancado por num sei quem. E ai criou-se a cultura do tocar de graça! Parece-me que há mais preocupação em agregar poder do que o bem geral. Fica uma grande confusão que o povo num sabe mais quem presta e quem tá tirando onda...
Criaram uma bolha artificial, cheia de bandas maravilhosas e especiais...e a bolha estourou.
Fica um mói de povo que tem o poder das rádios, brigando com quem não tem e quer ter esse poder também...e que quando o tiver, num vai querer dividir com ninguem também...e os músicos comendo papa de jiló...e bota a culpa no jabá...que cá entre nós, tem em todo lugar, que ninguem nos ouça!
Por fim, gostaria de pedir ao pessoal da ordem dos músicos que se quiserem continuar esse processo de cobrança de anuidade sem retorno algum pra nós, tudo bem...mas por favor, troquem aquele tapete sujo, seborrento, fedorento, bixiguento, pulguento e tudo que é "ento" urgentemente...tá certo que somos uma classe desprestigiada, mas um tapetinho melhorzinho dá pra providenciar!

Beto Kaiser · Recife, PE 18/11/2006 01:06
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Beto Kaiser

Tá tudo tão errado com escrever EXCEÇÃO com SS! Bota a turma da ordem dos músicos pra trabalhar na fábrica de CD...num sei se as viúvas de Fidel vão querer trabalhar...dá mais ibope ficar discutindo o sexo dos anjos...o Bush mata...Fidel transcende o espírito do semelhante a outro plano, outra dimensão...e vamos em frente que ninguem tá nem ai...isso aqui num vai dar em nada, todos vão continuar funcionártios públicos sem concurso...e viva nossos despachantes cara de pau!

Beto Kaiser · Recife, PE 20/11/2006 14:15
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maustar

Infelizmente na última vez que estive no Recife não consegui assistir nem ao menos o Sobozos, realmente a cena de lá perdeu muitos espaços. Vi shows do MLSA lá e aqui e o público aqui (poa) foi vinte vezes maior do que nos shows de comemoração de 20 anos do manguebit em Recife.
Não se pode resumir a "cena" à proliferação de bandas e à criatividade dos músicos. É preciso produzir, gravar cds e fazer shows e isto está cada vez mais dificil, seja em Porto Alegre,
Recife, Rio ou São Paulo. Quando a cena fica dependente de "colaboradores" culturais, tais como o BB e o patrocinador deste site, a cultura, ao invés de atingir um público mais abrangente acaba servindo ao sectarismo cultural, públicos seletos e escolhidos a dedo. É um círculo vicioso, se toca para poucos não forma público, sem público não vende CDs.

maustar · Porto Alegre, RS 22/11/2006 14:11
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zenzi

eu acho que o grande problema do recifense, e no caso aqui o bruno nogueira se encaixa perfeitamente, é reclamar demais. os primeiros que reclamam que a cidade não tem nada pra fazer são os que menos se vêem nas poucas festas e shows que a cidade oferece de vez em quando. e são esses que sempre reclamam que não se propõem a fazer nada de diferente. quantas vezes alguém já viu um reclamão desse tipo se levantando pra organizar uma festa ou um show? eu nunca vi.

recife não tem nada de diferente de outras capitais brasileiras - com exceção de são paulo, claro - em relação a diversão. todo mundo que eu conheço reclama que sua cidade tá um saco, que não tem o que se fazer nem mais pra onde sair. acho que as pessoas ficam mais velhas e criteriosas, só isso. bruno fala que nos últimos 3 anos a cidade não tem o que fazer, mas a cidade sempre foi igual. talvez há 3 anos, bruno, você - mais novo - se divertisse com mais facilidade em qualquer festa. acho uma pena que a gente perca isso, mas é a vida.

eu já reclamei muito da vida cultural da cidade, mas de uns tempos pra cá eu percebi que melhor do que reclamar é levantar a bunda da cadeira e ir fazer algo. se sua vida social é tão agitada, mude-se pra são paulo. lá você vai ter pra onde sair todos os dias. senão, fica aqui, curte o que tem e pára de reclamar. ou levante-se e vá fazer algo contra isso.

o problema maior do recifense é que ele é mal acostumado. mal acostumado a assistir a shows de graça na rua, bancados pelo governo ou prefeitura. mal acostumado a ir a uma festa e ficar na rua, ao invés de pagar 5 reais pra entrar. parece que essa brisa fétida do rio capibaribe agrada a todo mundo, ninguém quer entrar em lugar nenhum. deve ser por isso que entre maio e setembro ninguém sai de casa, porque chove e você não pode ficar na rua, hehe.

esse tipo de atitude não contribui em nada com eventos organizados sem patrocínio de governo, que vêm do próprio bolso do artista/banda ou do sujeito que organiza uma festa onde ele vá discotecar sem ganhar nada. se ninguém entra em canto nenhum, se quem organiza a festa ou show não recebe de volta o que bancou, como podem haver outras festas?

admiro muito a atitude do pessoal do coquetel molotov, pra mim o melhor festival de rock da cidade, pela grandiosidade e qualidade desde a primeira edição. admiro a persistência de paulo andré e seu abril pro rock - e a coragem de ousar no dia do stereo total e diplo. e ainda tem o rec beat, mesmo que seja durante o carnaval, onde tem tanta coisa pra se ver ao mesmo tempo. e ainda todas festas e shows que acontecem na cidade. enfim, minha admiração a todos que investem esforço, dinheiro e coragem em fazer alguma coisa pra essa cidade ser um pouquinho diferente do que parece ser.

zenzi · Recife, PE 23/11/2006 22:45
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Bruno Nogueira

Oi cecília!

As vezes, reclamar também é fazer algo. A idéia desse texto era mais mostrar que o Recife teu uma imagem por muitas vezes erradas lá fora. E que, no fim das contas - como você disse - é só uma cidade igual todas as outras.

Minha idéia não era bem reclamação, mas gerou uma discussão produtiva. De gente querendo mudar efetivamente a situação desse marasmo. Todos que participaram aqui - e que eu citei no texto - como o Salazar, o Mabuse, etc, são pessoas que, como vc mesmo tá fazendo agora no Capitão Lima, estão tentando mudar o marasmo. =)

Bruno Nogueira · Recife, PE 23/11/2006 23:39
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Andre  Intruso

Criou-se em Recife a industria das pseudo-bandas. Muuito barulho por nada.
Muitos enxergaram a grande atençao que se da quando a banda é de Pernambuco. Mas a verdade é que o marasmo das imitacoes e da falta do que falar , vem comprovar cada palavra do Bruno Nogueira.
Salve-se The Playboys, que por correr contra a mare mangue, é meio que ignorado pelos detentores das caixas de som .

Andre Intruso · Jaboatão dos Guararapes, PE 25/11/2006 15:49
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Caçapa

Tem um texto chamado "Liberdade para (a) Frei Caneca", escrito por Renato (L?) de Recife, e publicado no overblog em 6/3/2006. Vale a pena ler...

Caçapa · Recife, PE 26/11/2006 09:19
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andre stangl

Oi, acho q p/ quem se interessa pelos rumos da ação cultural, tb vale conhecer a proposta da Eletrocooperativa (BA). abçs

andre stangl · São Paulo, SP 19/12/2006 12:42
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Hermano Vianna

houve algum avanço? vocês conseguiram se reunir?

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 19/12/2006 13:03
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vera11

O avanço tenho obsevado nos formatos da produção independente aqui,cada um tentando como sempre se adaptar com muita coragem,ideías se concretizando nesse mundo com entraves e independente da cena de Recife.Agora o encontro não rolou Hermano posso até está errada e o pessoal se encontrou e não me deu o toque.

vera11 · Recife, PE 20/12/2006 00:20
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h.d.mabuse

Na verdade eu acho que ninguem se encontrou (fim de ano é dificil) :(

h.d.mabuse · Recife, PE 20/12/2006 11:16
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Caçapa

André Stangl: o texto sobre a Eletrocooperativa é ótimo e foi muito boa a idéia de colocar um link aqui.

Hermano: ainda não tomei conhecimento de alguma reunião que tenha resultado deste debate.
Em relação às cooperativas, eu acredito que este tipo de empreendimento só vai para frente se os envolvidos tiverem algum tipo de indentificação conceitual/estética/ideológica, de forma a dar coesão e força à inciativa. É uma excelente solução!
Uma pergunta, Hermano: há alguma previsão para o lançamento da seção de fóruns temáticos? É uma ótima idéia!

Para quem se interessa em resolver ou debater os problemas e necessidades da área cultural de forma mais abrangente: pode ser uma boa procurar participar do já existente Fórum Permanente de Música de Pernambuco, ou através do blog www.forumdamusicape.blogspot.com, como Alex Mono recomendou em um comentário acima.

Caçapa · Recife, PE 20/12/2006 12:29
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Beto Kaiser

Pergunto-me se em vez de fazermos tantas assembléias, reuniões, debates, oficinas, palestras, encontros, associações e um monte de pretextos para descobrirmos um novo meio de pegarmos uma verbinha pública, porque não fazemos como Alceu, Gonzaga, Chico, Lenine, Capiba, Nélson Ferreira, Duda e tantos outros...e fazemos MÚSICA! Não música para as COMUNAS, e sim música para todos! Se a Bahia, Rio, São Paulo, BH, Brasília. Rio Grande e Pará conseguiram, acho que podemos também! Nunca vi uma placa de prefeitura e governo em nenhum show de bandas bem sucedidas! Será que tamos certos? A quem interessa essa nossa dependência? Sei lá, ninguem sabe, é todo mundoi besta! Não se faz música com cinismo e demagogia!
Cadê nossos músicos e produtores, que reclamavam até da cor de um palito de fósforo...tá todo mundo calado...agora tudo é normal e sem importância...por que será? Por que não se manifestam? Recuso-me a acreditar que tá todo mundo comprado!
Acho mais fácil agente tentar se encaixar no mercado nacional do que essas tentativas de transformar Pernambuco em uma ilha Castrista, onde todos ganham o seu quinhão em troca do silêncio!
Receio que tem gente vendendo uma idéia que o mundo olha para nós...que tamos certos e que o mundo tá admirado com nossa musicalidade! Torço para que um dia agente não precise mais se oferecer. via influências políticas, para tocarmos em outros lugares...que um dia agente seja convidado...e nossos discos consumidos aqui e em todos os lugares!

Beto Kaiser · Recife, PE 20/12/2006 19:38
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h.d.mabuse

Beto, na verdade a ideia de se reunir para conversar sobre possibilidades como organizacao em cooperativa é exatamente, em determinada instancia, nao contar com governo nenhum, li seus posts e concordo em um monte de coisas, e seria bacana contar com vc numa empreitada dessas, mas só lembrando, a ideia era justamente todo mundo se alinhar com o que pode ser feito, se vc olhar lah em cima eu coloca 4 pontos que eu acredito que devam ser discutidos: Radio, linhas de credito, incubadoras culturais e cooperativismo. Claro que eu posso estar falando um monte de bobagem, mas vamos ver se a gente discute neh?

h.d.mabuse · Recife, PE 20/12/2006 20:11
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Caçapa

Beto:
Voltando um pouco aos seus comentários anteriores. Considero você um ótimo instrumentista e, particularmente não tenho nada contra as bandas e os músicos que se dedicam a tocar covers: os Beatles começaram assim, só pra dar um exemplo mais famoso. Ou seja, nem todos aqui se colocam em pé de guerra contra esse mercado dedicado ao cover, e sei que existem muitos músicos competentes nesta área. Acredito que essa "briga" não leva a lugar nenhum.

Quanto à dependência dos músicos em relação ao Estado (governo e prefeitura), sabemos que é uma realidade e muitos aqui se colocaram contra esta situação, apontando algumas soluções perfeitamente viáveis, como Mabuse lembrou. E como mudar isso sem dialogar com outros profissionais da área, sem exigir dos políticos (seja pela representação do fórum, pela conversa direta ou mesmo pelo voto) um mudança urgente???? Se não fizermos, ninguém o fará!

Quanto a fazer música ser a solução: eu também acredito que o mais importante é o nosso trabalho individual, aquilo que efetivamente apresentamos ao público (seja ele qual for). Antes de tudo devemos procurar nos preparar, nos capacitar melhor para a profissão, mantendo a humildade e a auto-crítica em dia. De que adianta viver reclamando do mercado se o que oferecemos é de baixa qualidade?
Entretanto, ser bom músico (se você ainda não se consolidou no mercado) não é suficiente. É necessário, além disso, organização, investimento e planejamento, afinal estamos lidando com um produto ou um serviço como outro qualquer. É aí que entra o Estado e as formas de organização coletiva como as cooperativas. Não precisamos virar burocratas, ou passar mais tempo discutindo política do que criando ou tocando, mas podemos ser menos alheios às necessidades e dificuldades que o mercado apresenta. Também é bom lembrar que o mercado não é feito só de artistas, mas de produtores, professores e jornalistas. O individualismo e o comodismo é que não vão levar a lugar nenhum.

Caçapa · Recife, PE 20/12/2006 21:10
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AD Luna

Respondendo ao Hermano, eu e o Mabuse temos nos encontrado "virtualmente"... hehehe... Está rolando a criação de mais um projeto de divulgação de músicos e bandas de Pernambuco! Mas, falar agora o que é dá azar! Notícias em breve!

AD Luna · São Paulo, SP 21/12/2006 00:17
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Beto Kaiser

Caros Caçapa e Mabuse, valeu a resposta cordial... vou-lhes responder respeitosamente...e grato pelos toques que voces me deram.
Toquei, toco e se Deus quiser, sempre vou tocar cover, com toda a honra, alegria e satisfação com que sempre toquei. Bandas como Bolagato e Má Companhia foram momentos importantes em minha formação.
Nunca tive a oportunidade de conhecer um músico que tivesse como maior sonho, apenas tocar cover. O que voce chama de "briga", eu nomino de "cobrança", e pode acreditar, muitas vezes funciona! Eu fui uma espécie de PT para alguns que não sabem fazer música, e tem raiva de quem sabe! Aí é que o ego e a prepotÊncia obscurecem a razão! Se quisermos outros horizontes. é fundamental ter algo próprio, apenas isso. uma coisa não anula a outra!
A tônica nunca foi desestimular as pessôas a tocar cover...pelo contrário! Cuidado apenas amigo, com a opinião de alguns mal realizados e frustrados, que mal me conhecem, mas odeiam o meu disco! As vezes, alguns distorcem as coisas para esconder a inveja. Perdão por não ter alcançado os resultados que voce esperava de mim, mas não posso deixar de agradecer a Deus por todo o carinho que tenho recebido por onde passo, o carinho com minhas músicas...os lugares que já tive oportunidade de mostrar minha alma...e como isso é bom...e daí minha vontade de estimular a todos que puder...fui pouco elogiado como instrumentista em relação a meu disco...o carinho maior foi com as minhas músicas, que era o meu principal desejo! Vivi toda a cena de blues no Rio de Janeiro e sei o quanto é importante o trabalho autoral! Por favor, num jogue esse fardo em minhas costas..."o inimigo numero dos covers"...eu também sou um músico cover! Mas...vamos fazer mais?
Participei de uma reunião com o PT e indiquei algumas sugestôes como a fábrica de CD entre outras...sempre que alguem quiser me ouvir, tô a disposição. Vou repensar certas coisas e alertas que voces me fizeram e quem sabe, rever alguns pontos de vista!
Tenho muito orgulho de, por onde passei, na maioria das vêzes, ter meu esforço pelo fortalecimento do coletivo reconhecido...e, como não sou de ferro, fiz um monte de merdas e tive um monte de fracassos! Igual a todo mundo! Se quisesse outro caminho, teria outras atitudes e amizades!Apenas não vejo uma real intenção em mudar, apenas reuniôes para passar o tempo...ninguem quer abrir mão das benesses do nosso sistema; perdão por minha ignorância, mas nunca vi isso em lugar nenhum. Então propus: vamos fazer música e baratear os custos de produção na própria cadeia de produção, democratizando o acesso ao mercado de disco...um músico precisa de um registro próprio, seu DNA...se não, fica um cara que alguem ouviu falar...e isso assusta alguns que não conseguem sair do cover...a intenção é dagente melhorar, pode acreditar! É dificultoso tirar alguns de seus mundinhos!
O ideal é agente juntar o público e o privado, nem só um, nem só o outro! Me expor aqui já é uma humilde contribuição. Os grandes sucessos de nosso mercado nacional não saíram de reuniôes, cooperativas ou assembléias...vieram de muito talento e conexão com o povo! Um grande abração pra voces inté a próxima!

Beto Kaiser · Recife, PE 21/12/2006 02:24
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Beto Kaiser

Temos o maior e o mais interessante Carnaval do mundo...eventos importantes durante o ano inteiro, via prefeitura e governo do Estado. mas acho que merecemos mais que um monte de gente com um disco, um evento aqui, outro ali...sinto falta das críticas ferozes que músicos e produtores sempre fizeram...agora tudo é normal, deixa pra lá...e isto é triste! E confesso meu pessimismo em relação a uma vontade de mudar, pelos que tem a maior fatia deste mercado político! Espero que eu esteja redondamente enganado...

Beto Kaiser · Recife, PE 21/12/2006 02:32
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Beto Kaiser

Pra finalizae querido Caçapa, desses grandes nomes de nossa música que citei acima, a maioria venceu fora daqui...pois o sistema funciona pra deixar todos iguais e expulsar quem sai da média...um disquinho, um evento de vez em quando...e a grande e esmagadora maioria , vive de outra coisa, pois é um pouquinho pra cada um...e se reclamar nem isso... a profissão de músico vira complemento do orçamento, pois o critério principal é o nível de envolvimento e amizade com os modernos velhos coronéis e seus currais musicais!

Beto Kaiser · Recife, PE 21/12/2006 02:49
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Beto Kaiser

E pode acreditar caçapa...quem me conhece sabe que meu conceito de felicidade e estar aqui, em Recife, ao lado de minha família...ja morei fora e hoje sei que é tudo a mesma coisa...meu norte nunca foi as expectativas que fazem de mim...o importante é eu estar bem e trabalhando...ja tive muitos convites pra morar fora...pra que? Infeliz, longe de minha casa e dos meus...pra provar o que? Não sei o que significa pra voce estar estabelecido no mercado...o pouco que conquistei num foi comprado, num foi se escorando em ninguem...num sô poderoso nem tenho grana...e isso incomoda pra burro! Voce aceitaria ouvir meu disco? Talvez tu me entenda melhor...e no que eu puder contribuir pra gente crescer, pode puxar minhas orelhas! Fica com Deus irmão!

Beto Kaiser · Recife, PE 21/12/2006 03:24
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Beto Kaiser

o "meu norte nunca foi " ai encima, tu troca por "nunca foram" e tá tudo certo !

Beto Kaiser · Recife, PE 21/12/2006 03:28
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Beto Kaiser

Vi meses atrás um debate entre candidatos a presidência da República e observei que a grande maioria era do Nordeste; que os grandes cargos de nosso Executivo são de nordestinos...isso mostra que somos mestres na arte da política...precisamos agora sermos mestres em vender nossa música. E para isso precisamos fazer música. A "briga" levou o time de Bernardinho a ser campeão do mundo...levou o PT a presidência...em qualquer ambiente há brigas...já pensou um casal passar a vida toda sem brigar...ser educado e dissimulado é facílimo...o PC Farias era conhecidíssimo por sua educação e gentileza!
Tá aí um dos muitos reflexos da exagerada intervenção da política em nossa cultura...ninguém fala em construir...todo mundo acuado e amendrontado, com medo de dizer o que acha, de colaborar em melhorar...o lance é ser dissimulado e hipócrita, que aí tu se dá bem! Música vem da alma...alma vendida num faz boa música...nosso mercado é uma grande repartição pública! Mais uma geração perdida, pedindo esmolas e perdendo a moral! Que pena!
Agora...como somos bem educados né?

Beto Kaiser · Recife, PE 22/12/2006 10:28
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jjLeandro

Feliz Natal, mano
http://jjleandro.blog.terra.com.br/
http:fotolog.terra.com.br/jjleandro60

jjLeandro · Araguaína, TO 24/12/2006 12:50
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Moysés Lopes

Uma pena esta discussão estar parada. Eu a vi há poucos dias e cheguei a imprimi-la para poder ler off-line (63 páginas em Verdana 10 espaço simples...). Que tal reaquecê-la?

Muitas coisas ditas aqui merecem uma abordagem mais detalhada mas não dá para fazer isso numa porrada só. A primeira impressão que tive ao terminar de ler todo o texto é que nossos problemas parecem ser mesmos em todos os estados: estamos desarticulados e desorganizados. Precisamos urgente de formação para todos os agentes da cadeia produtiva da música pois temos excelentes geradores de conteúdo mas o resto da cadeia é formado por agentes despreparados e sem instrução. Por mais que estejam cheios de boa vontade, aprender por tentativa e erro é muito mais doloroso e demorado.

E a cooperativa que o Caçapa (alô meu velho!) falou algumas vezes? Vai sair?

Espero que a conversa prossiga.

Um abraço,

Moysés Lopes.

Moysés Lopes · Porto Alegre, RS 7/3/2007 13:40
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Hermano Vianna

e agora temos o Fórum das Conversas para facilitar as coisas: que tal criar um tópico por lá?

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 7/3/2007 15:26
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Caçapa

Oi pessoal
Acabei de criar um tópico no fórum das Conversas, como sugeriu Hermano, para continuarmos esta discussão. No caso, me detive apenas ao tema das leis de incentivo do país, mas outros tópicos podem ser criados com outros temas levantados aqui, como o assunto sobre as Cooperativas.
O tópico chama-se: "Linhas de crédito ou recurso a fundo perdido?"

Caçapa · Recife, PE 27/3/2007 09:46
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Mansur

Vamos lá. A revolução calada nunca cessa. O vulcão fervilha por dentro. Use a web. Use a web. Use a web. Junte seus amigos. Faça um evento. Se não for ninguém. Curta. Faça de novo. Toque músicas próprias. Toque covers. Toque covers com novos arranjos. Rearranje suas músicas próprias. Vamos em frente. O underground do Sul-maravilha não é diferente do underground de Recife. O mainstream é dependente do underground. Sem underground não há mainstream. Evolua. Harmonize. Grite quando for necessário. Sem perder a calma. Vamos em frente. Use a web. Use a web. Use a web. A revolução calada nunca cessa. Viva Milton Santos. Viva Ariano. Viva Nei Lopes. Viva lo grande Hermano. Overmundo. Over. Over. Over. Mundo.

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 16/4/2007 12:03
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Mansur

Curta a sua turma. Curta a sua cidade. Se não tiver nada pra fazer. Faça alguma coisa. Over.Over.Over. Mundo.

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 16/4/2007 12:05
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Andre  Intruso

VEnho entao proclamar contra a nova decadencia, mostrando a nova banda,,,e pedindo pra voces votarem na gente..Intrusos!!

festival Rock Na Net..... Link para votaçao:

http://www.rocknanet.com/banda.php

Intrusos !

Andre Intruso · Jaboatão dos Guararapes, PE 16/4/2007 15:04
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Carol Rodrigues (Honey)

Conheci Mombojo tem pouco tempo e gostei bastante!

bjos

Carol Rodrigues (Honey) · Rio de Janeiro, RJ 24/6/2007 21:04
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AD Luna

Bem, lá vai minha singela contribuição para combater a "decadência": o Showlivre Nordeste (WWW.showlivre.com/nordeste) . O link é, a princípio, uma seção do Showlivre.com no qual ficará concentrado todo o conteúdo produzido pelo site paulista. Essa iniciativa tornou-se viável a partir do estabelecimento de uma parceria com o JC Online (WWW.jc.com.br). Abs

AD Luna · São Paulo, SP 20/7/2007 18:41
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Vladimir

Pois é, sou Caruaruense e conhecedor do Recife desde menino...
Na minha cidade natal, temos a Banda de Pífanos que praticamente não tem nem onde tocar... Isso é uma pena, tamanho é o talento daqueles Senhores!! Na cidade onde moro, João Pessoa/PB, não é diferente. Teve uma efervecência de bandas nos anos 80 e 90 e parte delas acabaram, devido a falta de apoio. Toquei no Solução de Bateria que foi 3ª colocada no Festival Skol Rock, etapa Recife, em 1998, juntamente com a segunda colocada pessoense, já extinta, Cuidado com o Cão. Aqui em João tem uma pancada de bandas novas bem legais, com sons variados, diferentemente do que se tinha no passado, que todos tocavam a mesma coisa, grunge, metal, hardcore. Agora não, a coisa tá diversificada. Tenho um projeto em fase de gravação, mas pelo que vejo, vou escutar junto com minha família no aconchego do lar...Não se tem onde tocar em João Pessoa. Os produtores só querem enricar às custas do forró de plástico e do axé de poliuretano. Temos grandes artistas aqui e boas idéias musicais, mas ficam nas prateleiras dos colecionadores de discos e aqueles que ainda acham legal escutar o som que vem da Paraíba!!! Tomara que as pessoa tomem consciência de que o que se está ouvindo nas rádios não presta. Vamos escutar o nosso som, pois ele é nosso!!!
Atenciosamente,
Vladimir.

Vladimir · João Pessoa, PB 20/9/2007 12:05
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Malu Xavier

Bruno, acho que estás certo em parte, EM PARTE.

Realmente o exagero da década de 90 deixou pelo resto do Brasil a imagem de 'cidade-mangue-eternamente-versátil-inovadora-woohooo!' e, o que aconteceu foi que as pessoas daqui cansaram dos artistas pegando a rebaba(subejo, bigu, etc.) do Manguebeat, mas lá fora não, porque eles não vivem tão intensamente isso. É por essas e outras que Mombojó agora é a banda 'woo-hoo' do Brasil.

Mas acho que você cometeu pequenos equívocos; tipo, o vazio do Abril pro rock nesse dia foi por culpa das atrações sim. Não diretamente, mas pela forma como foram organizadas; houveram dois dias 'irmãos' e um dia que juntou tudo do Roquenrol, a VINTE E CINCO REAIS CADA DIA, quando antes era SETE; e isso pesa no bolso das pessoas, sabe? Paulo André exagerou nas importações, sem procurar saber o valor delas. Tipo, é sempre bom mostrar algo não tão conhecido e de qualidade, mas poucos vão pagar para ver SÓ artistas não conhecidos. Entendeu aonde eu quis chegar??? A culpa não é das pessoas, é daquele DOIDO DO PAULO ANDRÉ. Aliás, eu fui no chamado 'dia do metal' pra ver Tequila Baby com o Marky Ramone e tava LOTADÍSSIMO, porque nesse dia ele soube como fazer, colocou uma MEGA atração com outras conhecidas, e mais algumas pouco conhecidas. Portanto, essa legenda da foto tá meio incompleta.

Outro equívoco, semanas atrás(na época que você julga que a cidade morre) teve o Festival Estudantil de Teatro e Dança, e deu gente pra dedéu. Daqui a puco tá vindo o Pátio do Rock, semana passada teve Grupo Totem no Teatro Apolo, dia 01 de Setembro teve RAPHAEL COSTA no Sesc-Santo Amaro. Em Casa Amarela tu podes ir ao BAR DA SALETE, ou subir o Alto e achar mais mil coisas por lá. Na Sé tava tendo Afoxés(de graça) todos os domingos até um dia desses, que eu fui lá ver. Fui pro MIMO(de graça) e tive que assistir de fora, porque não deu pra quem quis. Todas últimas quartas-feiras do mês tem Banda Sinfônica do Recife no Teatro do Parque. Projeto Seis e Meia bombando. Circuito Cultural Banco do Brasil, Coquetel Molotov............................e vai por aí. Enfim, realmente FALTA DIVULGAÇÃO; mas falta também as pessoas organizarem uma agendinha parceira e ficarem ligadas.

Ou tu queres que as coisas aconteçam na varanda da tua casa????

Também acho que há muita coisa na estagnação por aqui. Mas "Existe uma falsa ilusão sobre a produção cultural pernambucana." foi uma grande contradição no teu texto; na minha visão realmente existe uma FALSA ILUSÃO, que vem de pessoas, que mesmo não sendo culpadas por pensarem assim, não fazem o menor esforço pra ir atrás de nada. COMODISMO.
Entenda a contradição: ou existe uma ILUSÃO, ou uma FALSA OPINIÃO.

Não te culpo, só acho uma visão meio comodista. Conheça THE PLAYBOYS. Provavelmente já deves conhecer.

Abraço, fica bem. 'lembra da fé, permanecer de pé'.



Malu Xavier · Olinda, PE 26/9/2007 01:09
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Malu Xavier

E para completar, quanto à PRODUÇÃO cultural de Recife, acho que ela não tá mal não, cara.
quer listinha??
- Velho Ziza
- Raphael Costa
- Lula Queiroga(Mestre dos Mestres!!!)
- Vermute
- Vamoz!
- Comadre F.
- A Roda
- Profiterolis
- The Playboys
- Naipe
- Superávit

e .................................................

O que não falta é gente produzindo por aqui.

Malu Xavier · Olinda, PE 26/9/2007 01:21
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Bruno Nogueira

Oi Malu. Se vc prestar atenção, vai notar que esse texto não foi escrito esse ano, mas no ano passado! Estou falando de outra edição do APR, de outra semana passada :) Alguns desses lugares e eventos que vc citou não existiam até então!

E a questão do texto não é sobre termos boas bandas. Toda cidade tem. É não termos lugares para as boas bandas se apresentarem com regularidade na cidade.

No mais, acho que você captou bem o sentido do texto. Existe um comodismo de um monte de gente que acha que está tudo uma maravilha :)

Eu escrevo sobre música há quatro anos no jornal (na folha). Eu conheço todas essas bandas sim, hehe :P

Bruno Nogueira · Recife, PE 26/9/2007 06:33
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victorvapf

Gostei demais...como um "burro calado passa por inteligente" digo so' isto...gostei demais...

victorvapf · Belo Horizonte, MG 8/10/2007 16:25
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marcelo santiago

Engraçado como esse relato se aplica a atual situação de Belo Horizonte.

Na verdade, não é engraçado...

marcelo santiago · Sabará, MG 29/3/2008 23:24
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Tiago Jucá

Se no texto tirasse "Recife" e colocasse "Porto Alegre", não perderia o sentido.

Tiago Jucá · Acrelândia, AC 12/5/2008 09:17
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Marta Rodrigues

Complicado... Sexo

Marta Rodrigues · São Paulo, SP 27/9/2008 01:18
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alexfig1971

Discordo completamente do comentário do Bruno quanto ao cenário de Salvador. Ele está até pior do que Recife, porque a chamada "música baiana" não passa do imperialismo da axé-music. A axé-music é alimentada por grandes empresários e políticos conservadores, e no fundo não passa de uma dance music à baiana, com grupos musicalmente patéticos. Nem vou dizer quais, mas a axé-music e os sub-produtos arrocha e pagodão não têm o menor valor cultural. Pelo menos o mangue beat tem um compromisso cultural mais verdadeiro e um valor artístico autêntico.

O império imperialista da axé-music impede que outras manifestações culturais de Salvador tenham espaço. Quando muito, todos os músicos de outros esitlos ficam reféns do circo carnavalesco da axé-music. Cantores da verdadeira MPB e até do rock baiano são obrigados a sair de Salvador para fazer algo consistente sem se prostituir para o mercadão do axé. A Pitty e o Cascadura tiveram que fazer mercado em São Paulo, e os cantores da MPB baiana que não sucumbem ao axé são obrigados a divulgar sua música no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte para ter alguma repercussão na mídia. Em Salvador, impera o fast-food musical, para não dizer os débeis-mentais do arrocha e os grotescos e ridículos pagodeiros.

Por isso mesmo, posso dizer seguramente que o cenário de Salvador está até pior, muito pior, do que o de Recife.

alexfig1971 · Salvador, BA 10/10/2008 11:02
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Humberto Barbosa

Bruno, valeu pelo alerta. Precisamos de alguém como você que não só sente, mas mostra a realidade. Também sou pernambucano, apesar de estar residindo fora do Estado, fico triste com este cenário, pois sou músico e, como estou com CD novo pretendendo ir divulgá-lo na terrinha e para isto estou em busca de alguém que possa fazer esta ponte.

Aproveito e peço para acessar o meu site para conhecer um pouco mais do trabalho e divulgá-lo aos demais desta terra dos altos coqueiros. www.humbertobarbosa.com.br

Um abraço

Humberto Barbosa · Teresina, PI 11/11/2008 21:40
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