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A nova noite carioca

I Hate Flash
7 day Weekend na Drinkeria Maldita
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Diego Gebara · Rio de Janeiro, RJ
10/7/2009 · 36 · 3
 

Festa Seis (@festaseis), Chocolat Party, Candy Party (@anequila), W, Surpresa! (@festasurpresa), Since U Know (@festasuk), GO East!, Os Ritmos Digitais (@ritmosdigitais), Dancing Cheetah, 7 Day Weekend são só algumas das festas alternativas não periódicas que ultimamente dinamizam a noite carioca. E elas não são alternativas só por tocarem o que está no topo do universo independente das metrópoles européias, ou por lançarem moda de maneira despojada (um ótimo exemplo disso é João Brasil com seus mashups). Chega desse papo de organizar eventos caríssimos, superproduções muito lucrativas. A onda agora é organizar festas por hobbie, em lugares onde o custo ou não é muito alto, ou que contentam em lucrar pelas vendas do bar, como o Espaço de Cinema, a Pista 3, o Cinelapa, o Lounge 69, ou qualquer outro espaço propício, que deixam o trabalho de divulgação nas mãos de quem organiza a festa, escolhe os DJs e define uma identidade para o evento.

Dessa maneira, os produtores, na maioria das vezes grupos de três ou quatro amigos que estudam na mesma Universidade e tem interesses parecidos, tentam usar a estrutura já existente da noite carioca, além de descobrir novos lugares e criarem conceitos de festas divertidos, para trazer algo novo e intervir na programação da cidade.


Essa intervenção é possível, principalmente, pela capacidade desses pequenos grupos de divulgarem seus eventos e atraírem, em pouco tempo (esse processo de divulgação leva, em média duas semanas), um público selecionado pela própria rede social que se forma em volta das festas. O mais interessante é notar que essa tal rede se mantém, basicamente, por instrumentos da Internet (tirando o bom e velho boca-a-boca). Abaixo listamos cada um deles e como ele é usado para esse fim:

Orkut: Uma comunidade com uma lista (que dá direito a descontos) aberta no maior site de relacionamento no Brasil é básico para qualquer evento.

Twitter: Como se pode ver, no início da matéria todos os nomes de festas vem seguido de seus respectivos nomes de usuário no Twitter, que além da divulgação serve para comentar a festa de outras pessoas, reafirmando a idéia de que as festas mantem uma rede. É também importante reparar que no Twitter essa idéia de usar a estrutura já existe na noite carioca se traduz para o mundo virtual, visto que muitas festas começam adicionando (ou “seguindo”) aqueles que seguem o perfil do Grupo Matriz, que possui vários estabelecimentos tradicionais para esse público

Youtube: O site é usado para a postagem de vídeos de divulgação, que curtos, engraçados e deixam uma mensagem simples sobre a festa. Um ótimo exemplo são os vídeos da Dancing Cheetah e da primeira edição da Festa Seis.

Blogs: A facilidade de criar um blog torna, principalmente o Wordpress, uma ferramenta de quem quer diversificar e usar a popularidade da festa para expor suas opiniões sobre música e cultura em geral.

Fotos: Toda festa tem um fotógrafo (ou alguém com algum conhecimento sobre uma câmera) que passa a noite clicando tudo e todos. Usando o Flickr ou até mesmo sites próprios, como o PartyBusters e o I Hate Flash, as fotos são divulgadas e fazem a alegria dos dias pós evento.

Além dessa divulgação online, os produtores também se preocupam em divulgar pelos meios convencionais como flyers e cartazes. A eficácia desses é duvidosa, visto que numa rápida pesquisa com os presentes da festa Since U Know, no Antonieta, dia 26 de junho, quase ninguém mencionou os 1000 flyers distribuídos na semana anterior. Porém, na Surpresa!, dia 28 de maio na Pista 3, muitos presentes foram “roubados” da fila da tradicional Veneno, da Casa da Matriz, pois os organizadores distribuíram brigadeiros enormes para quem esperava entrar na festa “rival”.

Com isso, ocorre, na maioria das vezes, um crescimento do público desses eventos. A festa “seis”, por exemplo, que foi originalmente destinada a amigos da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), obteve um público de 300 pessoas em sua terceira edição, que aconteceu em Abril no Studio Line em Botafogo. Batemos um papo exclusivo com uma das produtoras, Maria Luiza Vianna, a Malu. Confira:

P.: De onde surgiu a idéia de organizar a Festa Seis e por que esse nome?
M.: Surgiu primeiramente, porque eu e mais duas amigas fazemos aniversário perto do dia 6, sendo que uma delas faz dia 6 de junho. Então resolvemos fazer uma festa para comemorar os três aniversários. A idéia seria fazer uma ‘seis’ a cada mês, só para os amigos. Na primeira festa, todas as pessoas se conheciam, pelo menos de vista, mas a festa cresceu nas posteriores e ficou aberta a todos.

P.: A festa tem, atualmente, um público alvo? Ele está aumentando ou diminuindo?
M.: Tínhamos uma preocupação em não sermos confundidos com a festa ‘W’, pois não temos um público específico. Somos abertos a todos. Com o passar do tempo, foi se estabelecendo um público mais específico, na medida em que a festa foi ficando mais conhecida. Mas o número de presentes na festa não vem aumentando, nem diminuindo. É geralmente um número parecido.

P.: Sobre a questão dos gastos, o dinheiro da venda dos ingressos é suficiente para cobri-los?
M.: Não temos patrocínio e tiramos dinheiro do próprio bolso para organizar a festa. Calculamos o preço do ingresso de acordo com o valor que achamos necessário para cobrir os gastos. A festa nunca deu lucro, mas também nunca deu prejuízo. Fazemos porque gostamos, então ainda que algum dia dê prejuízo, continuaremos fazendo a festa e tentando melhorar para evitar esses inconvenientes. Gastamos muito com decoração e cobramos o mesmo valor de outras festas que não se importam com isso.

P.: Mais especificamente, quanto custaria para alugar lugares como o espaço de cinema e o Copa Hostel? E com som e DJ?
M.: O espaço de cinema custa em torno de R$ 2500,00 para alugar, mas esse preço está aumentando, já que eles estão percebendo que as festas podem dar bastante lucro. O Copa Hostel é legal porque cobra comissão da bilheteria e o bar é da casa, então não precisamos nos preocupar com bebida. Temos que alugar o som, e o preço varia entre 300 e 800 reais, dependendo do tamanho do lugar. Não gastamos com DJ, pois sempre convidamos amigos que nos dão uma força, e damos força também para os menos conhecidos. É um ajudando o outro. O esquema que fazemos com o DJ é darmos a entrada VIP e mais uma consumação para ele, de R$ 50,00, mais ou menos.

P.: Quais são os pontos positivos e os negativos, na organização dessas festas?
M.: Positivos é que escolhemos os DJ’s que gostamos, escolhemos as músicas que tocam na festa, além de criarmos uma grande rede de contatos. Os pontos negativos seriam na parte mais burocrática, tais como dinheiro, aluguéis de som e local etc.

P.: O que vocês têm feito para melhorar a ‘seis’?
M.: Com o tempo, estamos aprendendo a lidar melhor com alguns problemas que percebemos, como filas, problemas de organização e compra de bebidas. Fazemos o possível para o público gostar da festa, para mantê-lo.

P.: Pra fechar, o que você acha da “Candy Party” e da “Chocolat Party”, as maiores festas nesse perfil da de vocês, que juntam até 500 pessoas por edição?
M.: Sou amiga dos organizadores dessas festas. Acho que a proposta deles bacana, de criar algo alternativo àquela night convencional, que é sempre a mesma coisa. No entanto, elas cresceram tanto e tiveram tantas edições, que podem cair na mesmice. O público é mais adolescente e cresceu fora do controle, diferente da ‘seis’, que conta com um público mais velho e constante. Essas festas dão muito lucro, porém a proposta inicial não era essa. Seria mais interessante se eles buscassem um público menor e tentassem inovar constantemente.

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Helena Aragão
 

Legal, Diego. Lembro da época em que a moda eram festas gigantes, em lugares enormes e público idem, com direito até a ambulância do lado de fora para esperar os que exageraram nos "combustíveis". Podiam até ter seu charme, mas faltava identidade. Que bom que o pessoal está dando um jeito de criar festas com a cara que gosta, fazendo do jeito que dá, sem grandes firulas. Costumam ser as mais divertidas.

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 11/7/2009 10:47
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Andre Pessego
 

Muito bom. Esta coisa da multidão em tudo e por tudo haveria mesmo ter um fim. A multidão em tudo levou as pessoas a desvirtuarem o caráter da propria identidade. E com isto a irresponsabilidade como regra. Tomara que esse tipo de iniciativa venha ser mesmo sinal dos tempos. Correção de rota pelo contexto social. A sociedade toma iniciativa sem aviso prévio .... gostei
e torço para que venha mesmo a possibilitar que as pessoas venham a ter o gosto pela propria identidade e não perde-la nas multidões.
Lia dia destes parecer de Rocha Pompo onde ele credita o morticinio
dos indios da América o fato de que as iniciativas para matar eram tomadas e levar a cabo, em multidão, com isto nunca alguém será responsabilizado perante a História. O mesmo é valido para a caça ao negro para vir a ser escravo na América.
abraço
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 11/7/2009 15:38
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Tranquera
 

Muito bão! Vamo falá de Sum Paulo tumém? Tem várias noite nova rolando e dando umas revigorada na Babilônia aqui!

Tranquera · São Paulo, SP 11/7/2009 16:08
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