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A oficina do Zé das Bicicletas

Auro Giuliano
Seu Zé em sua oficina de bicicletas
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Auro Giuliano · Palmas, TO
7/12/2006 · 97 · 10
 

Porto nacional é uma cidade centenária do novíssimo estado do Tocantins, um lugar repleto de tradições e de forte apreço cultural, de onde saíram diversos músicos, pintores, atores, escultores e escritores, tendo no nascido Amilton Pereira, mas conhecido como Pedro Tierra, um dos principais exemplos dessa “parição” cultural do município. A educação era outra marca da cidade, com grande contribuição das freiras e frades dominicanos, vindo da França, no final do século XIX, o elevou a fama de Porto e fez receber estudantes de várias cidades vizinhas e de outros estados, como Piauí e Maranhão.
Atualmente a cidade vem perdendo um pouco de suas tradições, e culturalmente sobrevivendo das resistências de alguns fazedores de cultura, que mesmo sem muito incentivo, trabalham com muita persistência em prol da cultura da cidade. E é nesse contexto, que vale ressaltar uma outra grande resistência, de uma cidade em que alguns ainda resistem à globalização, que seria impossível de se imaginar suas ruas sem as presenças das bicicletas e o que seriam dessas, sem as oficinas de consertos. De onde poderia se esperar alguém para desempenar os “frizes”, para acochar os “raios” e finalmente quem remendaria os pneus.
É por esses e outros motivos que a oficina do Zé das bicicletas, localizada na Getúlio Vargas; pequena rua estreita que desemboca no porto de Dantão; onde ancoravam os baletões vindos de Belém do Pará, resiste à famigerada globalização (das motocicletas e dos carros sofisticados). O ofício de consertador de bicicleta, um dos mais antigos da era industrial, mas, porém não é só na China que ele sobrevive, em Porto Nacional o comandante e tambozeiro Zé, entre o som dos tambores da “sussia” – música genuinamente tocantinense trazida pelos negros - e os quadros das “magrelas”, ele vai resistindo, com muita persistência, as medidas atrozes de um mercado virtual que nunca quis saber o valor real de uma bicicleta.

Globalização e resistência do oficio
José Alves do Santos, mais conhecido como Zé das bicicletas, abriu sua oficina no ano de 1956, e é com satisfação que ele lembra de seu primeiro trabalho, a primeira bicicleta que arrumou foi uma monark azul de uso feminino, de propriedade de Dona Eulina Braga, uma professora que foi grande referencia na educação dentro do município. Zé afirma que naquela época sabia direitinho quantas bicicletas existiam na cidade, e que hoje isso é impossível de se ter uma previsão. Mas mesmo com esse maior número de “magrelas” nas ruas da cidade, Zé afirma que o volume atual de trabalho não chega nem perto daquela pilha de bicicletas que se amontoava em frente a sua oficina esperando a vez de serem concertadas. A oficina do Zé não foi a primeira oficina da região, mas sem sombra de dúvida, foi à única que resistiu ao tempo e às tempestividades do mercado.

Passando adiante
Zé não chegou a ter funcionários de fato, embora atualmente esteja sozinho em sua oficina, no mesmo lugar há 48 anos, ele sempre teve ajudantes, o que ele prefere chamar de aprendizes, que com ele aprendeu o ofício de consertador de bicicleta, Zé se orgulha de se lembrar que em suas mãos passou 23 aprendizes, todos garotos, que tiveram ali a chance de algo próximo ao primeiro emprego, sendo que alguns atualmente estão com sua própria oficina, passando adiante os ensinamentos do Zé, o Zé Alves, o Zé do Tambor da Sússia, o Zé das Bicicletas. (Colaborou Elizeu Lira)

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Marcelo Uchoa
 

Tua matéria lembra a minha infância...

Marcelo Uchoa · Aracaju, SE 7/12/2006 11:58
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Leonardo André
 

Auro, pelo q parece a Globalização faz parte desta cidade, afinal, como vc mesmo diz, foi "com grande contribuição das freiras e frades dominicanos, vindo da França, no final do século XIX", que se "elevou a fama de Porto e fez receber estudantes de várias cidades vizinhas e de outros estados, como Piauí e Maranhão." Abraço!

Leonardo André · São Paulo, SP 7/12/2006 13:00
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Erika Morais
 

um meio de transporte que deveria ser mais valorizado.
obrigada por apresentar o Zé.
Abraços.

Erika Morais · São Paulo, SP 7/12/2006 13:35
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Auro Giuliano
 

Leonardo, a globalização faz parte sim e tem suas contribuições e transtornos, mas sempre vale ressaltar as honrosas resistencias.

Auro Giuliano · Palmas, TO 7/12/2006 17:32
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Leonardo André
 

Claro, é verdade, a resistência é realmente interessante. E como a Erika disse aí em cima, a bicicleta é um meio de transporte muito pouco valorizado, principalmente nas grandes cidades como aqui em São Paulo. Mas, como vemos, a resistência é tão árdua q se torna objeto de honra. A Globalização realmente tem dois lados, o difícil é criar o equilibrio necessário entre esses dois pólos.

Leonardo André · São Paulo, SP 7/12/2006 17:41
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Auro Giuliano
 

esse equilibrio é muito dificil mesmo, a bicicleta merece mesmo ser mais valorizada, para que situações com essa continue reelembrando a infancia de mais pessoas.

Auro Giuliano · Palmas, TO 7/12/2006 22:13
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Glês Nascimento
 

Viva o Zé da bicicleta!

Glês Nascimento · Palmas, TO 8/12/2006 14:34
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Antonio Rezende
 

O que seria da gente que tem e usa magrela sem oficinas de profissionais como o Zé? Taí uma atividade que a modernidade não vai engolir. Quero é ver inventarem máquina com tato, "saco" e habilidade para fazer um desempeno de calha, uma troca de raio, um ajuste de corrente, uma regulagem de freios, tirar uma folga de eixo ou dar aquela "geral" periódica e necessária. Tenho, uso magrela e sou freguês de uma oficina. Gente como o Zé é de uma utilidade pública e tanto.

Antonio Rezende · Palmas, TO 29/12/2006 10:13
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Aguiar Gama
 

Belo resgate... nossa cultura jamais deve ser esquecida.

Aguiar Gama · Gurupi, TO 10/12/2007 18:55
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Breno Brasil
 

Morei na casa do "Zé das bicicletas" e fui seu aluno em sua oficina. O Zé sempre foi um grande pescador. Íamos pescar naquela canoinha que nos levava até na outra margem do rio. Anzol bem pequeno, linha 0,25, caniço de fumo-bravo e isca de arroz cozido, tralha certa para pescar pacú. Hoje pesca-se com soja. hahahahaaaaa!!!! Tenho muita saudade do Colégio Sagrado Coração de Jesus, da pracinha, da igreja matriz, do Colégio Estadual, do bolo de arroz lá do mercado, da farinha de puba, do arroz sirigado da Dna. Maria esposa do Zé, efim, saudade de tudo e de todos. Saudade do tio Domingos Tebas, do Geraldo piloto, do Fidelix filho do tenente Totó, da Zeina, da Ângela saudade de tudo e de todos.
Um beijão no coração de Porto Nacional.

Breno Brasil · Brasília, DF 18/11/2008 18:30
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