A Passos Largos

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Téo Ruiz · Curitiba, PR
22/3/2008 · 253 · 20
 

O CD está com seus dias contados. Isso, na verdade, não é uma grande novidade. Diversas fontes mostram que a procura pelo produto está cada vez menor. Embora a queda brusca de vendas de CDs apontada pela Associação Brasileira de Produtores de Discos (leia-se grandes gravadoras) nos últimos anos tenha outros fatores, como, por exemplo, a grande crise do setor causada principalmente pelo alto custo de seu monopólio da mídia, realmente o futuro do CD parece mesmo ser virar artigo de colecionador. Ou quase.

Basta perguntar a si mesmo qual foi a última vez que foi a uma loja comprar um CD. Mesmo que tenha sido recente, esse hábito, com certeza, diminuiu e muito nos últimos anos. Pelo menos eu admito, faz muito tempo que não compro um disco. Mas nem por isso podemos dizer que o público esteja alheio às novidades, ou pouco interessado por música. A Internet está aí pra mostrar o contrário. Blogs sobre música se multiplicam, e cada vez mais artistas disponibilizam seus discos inteiros em diversos sites. Pelo menos os que não têm algum contrato que impeça isso.

Em meio a essa revolução digital, cabe uma grande reflexão sobre o tema. Será mesmo que o CD vai acabar? E o que virá em seu lugar? MP3?

Venho pensando bastante sobre isso ultimamente e creio que acontecerá algo um pouco diferente do que ocorreu com o vinil ou LP. Naquela ocasião, o CD veio mesmo pra substituir o saudoso “bolachão”, por vários motivos: durabilidade, praticidade (não precisa trocar de lado), qualidade digital, entre outros. E substituiu mesmo, tanto que em pouquíssimos anos praticamente todos os títulos eram produzidos exclusivamente em CD. Hoje, resta apenas uma fábrica de vinil na América Latina, destinada a prensagens limitadas de discos voltados, principalmente, a fãs assíduos desse ou daquele artista e colecionadores. Nessa revolução digital que ainda estamos vivendo, não existe, ainda, nenhum produto palpável para substituir o CD. O MP3 não passa de um simples arquivo, compactado, que fica dentro do computador, I-Pod ou MP3 Player. Para um público mais exigente, que ainda gosta de ter o álbum do artista em suas mãos, o MP3 não tem condições de substituir o CD, tanto pela qualidade inferior do som quanto pela ausência deste produto completo do artista, muitas vezes com um conceito embutido, trazendo imagens, entrevistas e outras informações no encarte, que pode ser também uma obra a parte ou complementar ao CD. Para esse público, que ainda não é pequeno, o MP3 passa a ser algo muito útil para ouvir músicas em casa no computador, no trabalho, conhecer coisas novas e usar no seu I-Pod enquanto realiza seu cooper matinal. Em outras palavras, substitui o velho discman, e não o CD.

Entretanto, o mercado de CDs deve continuar caindo. Inegavelmente, as gerações estão cada vez mais acostumadas a baixar músicas do e-Mule, por exemplo, e menos habituadas a comprar um CD. Essa diminuição no consumo de CDs terá, com certeza, um forte impacto nessa indústria, tanto para as grandes gravadoras quanto para os independentes. Porém, um mercado restrito de distribuição dos CDs deve continuar ainda por muito tempo para esses consumidores que fazem questão de ter O Álbum do artista, muito diferente do vinil que se restringe a colecionadores e românticos da “velha guarda” que não conseguem se desfazer de seu acervo. Eu me incluo nessa categoria.

Nisso pelo menos os independentes estão “na frente” das grandes gravadoras, digamos assim. Livres de contratos absurdos, alguns desses artistas já perceberam há tempos essa eficiente maneira de distribuição, e lançam seus discos na Internet, muitas vezes músicas inéditas e, inclusive, alguns grupos lançam seu “disco” somente na Internet. Não que as gravadoras não estejam atentas à essa revolução digital. Muito pelo contrário. Tanto que alguns altos executivos já chegaram a afirmar que, realmente, o CD está com seus dias contados do ponto de vista de mercado, e estão apostando em vendas separadas de músicas, por MP3, e até toques de celular. Porém, como grandes corporações, tudo precisa ser calculado e planejado exclusivamente para o lucro. Como os artistas independentes têm outras preocupações além dessa, acabaram enxergando essa vantagem interessante de colocar seus trabalhos na Internet.

Viva a Revolução Digital!!! Ou não???

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Marcos André Carvalho Lins
 

para mim, pelo menos, o CD nunca será substituído por MP3. tenho uma afeição especial por produtos conceituais e de qualidade. com você bem colocou, o MP3 não traduz a mesma realidade artística de um CD. Posso estar ultrapassado, mas nunca deixarei de comprar um bom CD, para procurar músicas na NET. acho até mais interessante o artista ser divulgado pelas duas mídias, mas nunca esquecer o CD. além disso você não pode presentear um MP3 de amigo secreto, pode???Rssss...
abraços, Teo ( muito boa a matéria )

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 22/3/2008 22:23
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Téo Ruiz
 

Pois é Marcos, acho que esse ainda é o principal motivo que o CD ainda terá um mercado significativo por um tempo. Pequeno, bem menor do que antes, mas esse público, como você, ainda sente a necessidade de ter o álbum daquele artista. E isto ainda está representado no CD. Eu, apesar de não comprar muitos CDs ultimamente, ganho muitos discos e compro em alguns shows, e gosto ainda de ter o CD. Não é à toa que minha estante ainda aumenta! rs...

Tem uma mídia nova que já é ralidade, chamada Blue Ray. Parece que cabe 100GB, e em poucos anos DVDs serão lançados nesse formato. Pra música, acho que será super bacana porque poderemos ter trabalhos sonoros sensacionais, em 7.1 por exemplo! Sons surround, como no cinema, só que músicas. E ainda contendo o álbum palpável. Provavelmente terá entrevistas, clips junto e tal, com uma qualidade de vídeo também muito superior. Poxa, 100GB é um HD!!! Muito espaço, o tamanho dos arquivos de áudio e vídeo pode ser bem maior, e conseqüentemente melhor. Vamos aguardar, abraços!

Téo Ruiz · Curitiba, PR 22/3/2008 22:33
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victorvapf
 

Teo, o Ipod esta ai para substituir e não para confundir. 'E inexoravel o progresso, massacra, vai deixando pra traz os cacos do tempo que são jogados fora ou guardados como reliquias. Foi se o tempo do gramofone, vinil, fita , 45 rotações, agora CD e depois sera o tempo do Ipod que sera substituido por um implante no cerebro usando ondas cerebrais voce colocara musicas, vera televisao telefonara, tudo de dentro do seu proprio cerebro, não gastando um niquel furado em pilhas...e' viver para ver!Abraços!

victorvapf · Belo Horizonte, MG 22/3/2008 23:02
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Téo Ruiz
 

Hahahaha...

É mais ou menos isso Victor, a tecnologia vem mesmo, não há como negar. E que bom que venha! Mas como estamos no meio do burburinho, acho bacana discutirmos sobre isso!

Abraços

Téo Ruiz · Curitiba, PR 22/3/2008 23:05
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Juliaura
 

PÔ, Téo, agora que eu ia comprar um driver de cedê pro meu lentium, tu me vens com esse baldão de água gelada. Boa tua matéria, gurizinho. Como já disseste: Tudo tem recheio.

Juliaura · Porto Alegre, RS 22/3/2008 23:52
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victorvapf
 

Complementando: Exelente mate'ria...abraços

victorvapf · Belo Horizonte, MG 23/3/2008 00:41
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joao xavi
 

queria chamar atenção pra esse ponto que você fala da substituição do vinil pelo cd. quando vc fala em: "durabilidade, praticidade (não precisa trocar de lado), qualidade digital".

acho que nesses 3 pontos, só cabe mesmo a praticidade. porque o vinil tem durabilidade e qualidade de som muito superios ao cd.

como artista posso te dizer outras duas coisas:
*os independentes tem sofrido muito com o atual modelo de produção e consumo de música.
* as pessoas ainda fazem cd/disco só porque ainda não sabem o que fazer no lugar.

joao xavi · São João de Meriti, RJ 23/3/2008 01:44
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Andre Pessego
 

Téo,
ao abrir o Overmundo, fiquei de cara maravilhado com este retrato. Que coisa. Se o vinil tivesse sido feito colorido, não teria saido. Depois vou ler, estou indo pro parque corridão,
abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 23/3/2008 07:26
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Dora Nascimento
 

Téo,

Há quanto tempo, hein?

quando o cd surgiu, foi um frisson, e era caro pra...
um amigo me disse, "Vai estragar logo, é muito frágil".
achei que era fala melancólica de colecionador de vinil.
Mas ele estava certo.
arranha com muita facilidade, mofa...
mas aí, venho a tecnologia e deu o verdicto final do cd.
Há muito tempo mesmo que não compro cds.
estou sempre gravando de "arquivos" de amigos, ou baixando da internet.
o último cd que comprei foi uma coletânea do Cat Stvens, e custou-me dez reais.
Gostaria de ter comprado o Estaudando o Pagode, mas simplesmente não encontrei mais em canto algum, o que não me impede de tê-lo em casa.
Não sei o que virá depois do cd, sei é que ainda guardo meus bons e velhos vinis.
e ainda tem esse monopólio escroto das grandes gravadoras...
tem a pirataria que barateia impunemente o preço do cd...
e tem a tecnologia não parando de fazer surgir novas ferramentas informatizadas e ao alcançe de muitos, se não ainda de todos.
E viva a Revolução Digital! Aliás, toda revolução tem um quê de renovar as idéias que vagam anônimas por aí.
bela matéria, bem abordada, massa.
tava com saudades de tu, Teó.

Beijo,

Dora Nascimento · Olinda, PE 23/3/2008 11:43
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Saramar
 

Pessoalmente, prefiro o cd, suas capas, suas listas, as imagens tudo complementando a música.
Ademais, detesto coisas dentro do meu ouvido (risos).
Espero, meu caro amigo que o cd perdure por muito tempo.

beijos, feliz páscoa

Saramar · Goiânia, GO 23/3/2008 12:40
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clara arruda
 

Sempre se paga um preço pelas mudanças tecnológicas.
Eu partilcularmente baixo uma mid enquanto escrevo.Só não pode faltar o son,a música. Nem tempo tenho para colocar um cd para ouvir.Que venham as mudanças,e que seja pra melhor.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 23/3/2008 12:52
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geovanisantos
 

Creio que o grande problema,hoje, seja a apropriação indevida de obras artísticas sem o devido pagamento dos direitos autorais. A pirataria desenfrada que se propaga no Brasil e em inúmeras partes do mundo é um dos fatores que contribui para que não compremos mais CDs em lojas do gênero.É muito mais fácil copia-lo ou adquiri-lo em uma banca de camelô do que pagar mais pelo original. Um grande abraço. tá votado!!!

geovanisantos · Cabo Frio, RJ 23/3/2008 16:00
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LAILTON ARAÚJO
 


CARO TÉO!


O assunto do “post” poderia caminhar para vários tópicos. Alguns exemplos:

1) Quem ganhou ou ganhará com a revolução digital? Dezenas ou bilhões?

2) O desemprego dos artistas, músicos, compositores, técnicos e afins da área fonográfica já foi percebido?

3) MP3 ou "bolachão" no Funk? As orquestras acabaram! É só um “DJ” e “aparelho de mixagem”. As “bundas” estão de fora! Desculpe: bandas... Largas? Eu gosto de ver! Não posso aceitar tal cultura... Os ouvidos doem! “BB8” é tecnologia e cultura?

4) Novas mídias diárias não incentivam o consumo capitalista?

5) O acesso às novas mídias (sem qualquer critério) não incentiva a mediocridade artística? É muita gente criando o comum... É descartável e igual aos novos celulares diários! Será arroz e feijão... O Brasileiro gosta e paga caro!

6) São passos largos ou passos pequenos? As novas tecnologias estão formatando a igualdade social entre os povos? Os bancos brasileiros que o digam... As filas aumentaram com os caixas eletrônicos! Não?

De qualquer forma... Você levantou interrogações!

Abraços.

Lailton Araújo

LAILTON ARAÚJO · São Paulo, SP 23/3/2008 16:19
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crispinga
 

Teo,
Muitos músicos independentes continuam acreditando que o cd é uma boa maneira de divulgar seus trabalhos. O custo, porém, é muito caro e o retorno financeiro praticamente não existe.
Para os músicos consagrados, no entanto, nada substitui a qualidade das bolachinhas. Baixar alguns clássicos é missão quase impossível. Acho que o preço dos cds é que assusta os consumidores.

crispinga · Nova Friburgo, RJ 24/3/2008 08:23
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Lili_Beth*
 

Querido Téo:

Muito interessante a tua preocupação... Esse é o preço que pagamos pelos avanços tecnológicos.
Eu adoraria estar te escrevendo num papel texturizado e aromatizado, mas... Vou mandar um sopro... rsrsrs... Aroma de chocolate e vanila! so_risos... Esse é o futuro do mundo surreal...

Gostei muito do seu texto.

Beijos_Meus*
*

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 24/3/2008 12:41
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isazuza
 

Oi!
gostei do seu texto téo!
eu gosto muito das facilidades do mp3 e do compartilhamento de músicas, pois quase sempre se acha aquele disco ou música que você gosta, que às vezes é difícil de encontrar nas lojas, além das possibilidades de se descobrir um som ou banda antes desconhecidos.
mas com certeza gosto do cd -e do vinil- pela 'coisa mais palpável', o encarte, as imagens, as letras... mas acho que o cd está caro, não é um produto super acessível, o importado então nem se fala, o que penso que influencia as pessoas a adquirirem produtos piratas, como apontou o giovani. Abaixem os preços dos cds!

abraços

isazuza · Campinas, SP 24/3/2008 15:16
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Téo Ruiz
 

joão xavi, tenho algumas considerações a fazer:

pode até ser que o CD tenha uma durabilidade menor do que eu achava. Mas quando o assunto é qualidade de som, a discussão é outra: analógica x digital. Já tive essa discussão com vários pessoas, técnicos de som e tudo mais. Tem gente que gosta do som analógico, mas tem gente que diz que o digital já superou. Tem uma questão física do som mesmo, que o digital tem ondas "em escadinha" e o analógico redonda. Mas como essa escadinha está cada vez menor, a proximidade do digital com o analógico é grande. Mas, cada um tem a sua opinião a respeito desse assunto, e sinceramente não vejo muito mais sentido nisso. O digital é muito mais fácil e barato de gravar, por isso está sendo amplamento usado. Acho isso.

Ainda não tem nada a colocar no lugar do CD, com certeza. Mas ainda creio que é uma boa saída pros músicos independentes, talvez não fazer tiragens tão grandes e não esperar ter um retorno financeiro (lucro) com a venda de CDs. E com certeza, sofremos muito com o modelo de produção e consumo de música, principalmente com o jabá das grandes gravadoras.

Grande abraço!!!

Téo Ruiz · Curitiba, PR 24/3/2008 20:49
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Téo Ruiz
 

Geovanisantos, a pirataria é somente um fator da crise do setor fonográfico. Ela foi, na verdade, inciada pelas próprias gravadoras, que hoje a colocam como grande vilã de suas enormes perdas. Não é só a pirataria, mas sim todo monopólio criado pelas gravadoras que está custando muito caro, e cada vez mais. Isso se inclui no preço dos CDs, que estão muito caros e é com certeza um fator determinante para a queda de vendas. É um ciclo vicioso, por isso acho que os independentes tem tudo pra ganhar mais espaço nos próximos anos. Nada mais justo.

Abraços!

Téo Ruiz · Curitiba, PR 24/3/2008 20:54
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Téo Ruiz
 

Lailton, com certeza surgem mesmo vários tópicos. Mas acho, também, que não podemos simplesmente nos cegar à tecnologia por conta de um purismo. Hoje o fluxo de informações é gigantesco, se troca idéias, músicas, e tudo mais muito mais rápido do que a 5 anos atrás. Isso facilita muito a vida de todos. Portanto, acho que temos sim que aproveitar os benefícios da tecnologia, mesmo que com seu avanço surjam mediocridades e BBBs da vida.

Abraços!

Téo Ruiz · Curitiba, PR 24/3/2008 20:57
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Téo Ruiz
 

Pois é galera, valeu pelos comentários!

O CD está caro sim, pelos motivos que coloquei nos meus comentários acima. Se acha muito coisa na internet hoje em dia. Discografia completas, e muitas vezes músicas que você nunca encontraria em lojas. Às vezes, claro, raridades não conseguem se baixar. Mas acho mesmo que as coisas vão mudar, e temos que aproveitar as coisas boas que virão. Eu, por exemplo, estou doido pra gravar um disco nosso em Blue Ray (nova mídia no mercado), que tem 100GB de espaço e vai me permitir fazer um som surround, como de cinema, só que música. Já pensou?

Abraços a todos, e estamos aí pra debater o assunto!

Téo Ruiz · Curitiba, PR 24/3/2008 21:01
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