A poesia e o improviso Guaicuru de Ruberval Cunha

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O poeta Ruberval Cunha colhendo palavras para fazer o improviso Guaicuru
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Gisele Colombo · Campo Grande, MS
22/3/2008 · 182 · 25
 

Campo Grande (MS) - Em14 de mar√ßo foi comemorado o dia nacional da poesia. Numa data como essa, nada melhor do que investigar e saber o que anda acontecendo no cen√°rio po√©tico e liter√°rio sul-mato-grossense. Muitos n√£o sabem, mas a poesia de Mato Grosso do Sul n√£o √© representada apenas pelos versos do escritor Manoel de Barros. A poesia no Estado v√™m se consolidando desde a primeira edi√ß√£o da Noite Nacional da Poesia, organizada pela Uni√£o Brasileira de Escritores em parceria com a Funda√ß√£o de Cultura de Campo Grande. O atual diretor-presidente da Funda√ß√£o de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), Am√©rico Calheiros, tamb√©m foi um dos principais incentivadores da express√£o po√©tica e que idealizou a vinda de grandes expoentes da cultura nacional √† Capital para desenvolver a produ√ß√£o liter√°ria local. Quem contou trechos desta hist√≥ria po√©tica foi o poeta sul-mato-grossense Ruberval Cunha. Hoje, ele desenvolve projetos na Biblioteca Isa√≠as Paim, uma das unidades da FCMS. Numa conversa descontra√≠da, durante o intervalo de uma homenagem que estava recebendo numa escola p√ļblica de Campo Grande, ele contou sua hist√≥ria, falou sobre o p√ļblico, poetas do Estado, projetos da biblioteca e explicou sobre o improviso Guaicuru, t√©cnica que utiliza para disseminar o gosto pela poesia:

Como surgiu seu interesse pela poesia?
Ruverval Cunha - Eu j√° gostava de escrever desde 8 ou 9 anos de idade. Naquele tempo havia muita press√£o social, diziam: ‚Äúhomem n√£o escreve‚ÄĚ, e eu era muito t√≠mido. Ent√£o eu escrevia e guardava meu material. At√© que um dia uma amiga encontrou um poema meu no caderno, j√° no 1¬į ano do segundo grau e esse poema foi disseminado pela sala. A maioria das meninas o tinham anotado. At√© que eu sa√≠ da escola Mace e fui para a escola p√ļblica. A√≠ √© que eu comecei a me assumir como algu√©m que escrevia. Os professores achavam que eu era um aluno inteligente, ent√£o criou-se esse mito e os professores queriam que eu sa√≠sse l√≠der de sala. Creio que essa leitura se deva em parte pela disparidade existente entre o ensino das escolas p√ļblicas e particulares. O menino que era um dos mais populares da sala, estava sempre na balada e estudava h√° 9 anos na escola, ou seja, era o oposto de mim, tamb√©m saiu candidato a l√≠der. A√≠ eu me tranq√ľilizei, achava que ele ganharia. Mas, acabei ganhando. A√≠ eu comecei a me abrir mais, ter maior contato com as pessoas e foi diminuindo minha timidez. Fiz cursos de teatro e comecei a usar isso como uma porta para alavancar a produ√ß√£o po√©tica. Isso l√° em 1988.

Então a partir dessa época você não largou mais a poesia?
Ruberval Cunha - Foi nessa época em que eu ganhei meu primeiro concurso de literatura, que considero meu início. Após ganhar um com concurso escolar aberto à comunidade, ganhei o terceiro lugar no Concurso da Noite da Poesia e este ano comemoro 20 anos na estrada da poesia.

Como você costuma despertar o interesse das crianças pela poesia?
Ruberval Cunha - Primeiro aproximando a realidade da poesia da realidade delas, fazendo uma adequa√ß√£o ling√ľ√≠stica, desmistificando que o poeta √© um ser de outro mundo. Desmistificando que a poesia est√° apenas nos livros e que ela √© apenas rom√Ęntica. O que √© mentira. O que aconteceu √© que ela foi aceita assim, pela maioria das pessoas que n√£o t√™m contato com outras partes do universo po√©tico. Sempre falo para os jovens que a poesia pode ser c√īmica, social, popular, regional, urbana, etc. Voc√™ quer falar mal de algu√©m? Ao inv√©s de ir para uma gangue e sair na porrada com algu√©m, use o livro, use o texto, use a poesia. Voc√™ pode usar a poesia para montar uma pe√ßa de teatro, considerando-se a letra podemos dizer que voc√™ tem poesia como base na maior parte das m√ļsicas que a√≠ est√£o, exce√ß√£o feita √†quelas que s√£o instrumentais. Acredito que essas aproxima√ß√Ķes sejam um bom caminho para come√ßar a desmistificar essas rela√ß√Ķes e estabelecer contato com a poesia. Digo que a poesia de hoje √© um pouco diferente da poesia rom√Ęntica, realista, parnasiana. Esses estilos de produ√ß√£o s√£o uma base, mas hoje voc√™ n√£o tem uma obrigatoriedade de usar a rima, de centrar a produ√ß√£o no eu l√≠rico. Por exemplo, a id√©ia do Hip Hop √© uma coisa que para os adolescentes √© muito interessante. Dentro do Hip Hop, mais especificadamente o Rap. Eu costumo dizer que esta √© uma das formas de manifesta√ß√£o da poesia urbana. Voc√™ traz todos os seus anseios sociais e pode mostrar as necessidades das comunidades, sua viv√™ncia, seu descontentamento, sua linguagem. Isso aproxima. Quando trabalho com o improviso guaicuru tamb√©m, porque as pessoas tem a oportunidade de auxiliar de maneira mais direta, de co-participar, de utilizar parte de sua linguagem e se reconhecerem no poema.

Como é que surgiu a idéia do improviso Guaicuru?
Ruberval Cunha - Eu agreguei algumas t√©cnicas do teatro, do repente, da m√ļsica e do discurso po√©tico. Utilizo um figurino, pinto o rosto, utilizo elementos do nosso Estado como berrante, chap√©u de palha, caso o trabalho seja voltado para o regional e se for algo que tenha uma tem√°tica mais universal, busco outra roupagem. Ao que se agrega a co-participa√ß√£o das pessoas. O repente nordestino √© cantado, a trova gauchesca tamb√©m, o improviso guaicuru at√© pode ter em sua execu√ß√£o passagens que sejam assim, mas o trabalho como um todo n√£o √©, ele trabalha n√£o com um mas com diversos motes, cerca de 20, 30 ou 50 palavras vindas do p√ļblico. A partir da√≠, monto um poema instant√Ęneo. A influ√™ncia para montar este tipo de trabalho foi o cordelista e repentista Rachid Salom√£o. Eu j√° escrevia poesias, tinha ganhos alguns pr√™mios em concursos e um dia, quando ele lan√ßou o op√ļsculo intitulado, ‚ÄúDa Lama para a Gl√≥ria‚ÄĚ, pude v√™-lo trabalhando com improvisos. Sentado na poltrona do Teatro Aracy Balabanian, escrevi uma trova popular. Algu√©m observou e quando o Rachid desceu para ir autografar sua obra, algu√©m o segurou pelo bra√ßo e disse: Rachid voc√™ ganhou um filho, o rapaz ali tamb√©m √© repentista e apontou para o lado onde eu estava. Olhei para tr√°s para ver quem era e n√£o tinha mais ningu√©m atr√°s de mim. Ent√£o perguntei. Eu? √Č voc√™ mesmo, vi voc√™ escrevendo algo no papel enquanto ele falava. Eu respondi ‚Äď Mo√ßo fazer no papel √© uma coisa, fazer o que ele faz √© outra. Bem, a verdade √© que isso gerou um convite do Rachid para realizarmos algo em conjunto e a oportunidade apareceu na √©poca em que comemorava-se a semana do folclore. Uma escola estadual nos convidou para realizarmos um desafio para os seus alunos. Aceitei a proposta com a ousadia dos inocentes, uma por imaginar que o p√ļblico seria uma sala de aula com uns trinta alunos e, tamb√©m, por desconhecer a hist√≥ria do Repentista do Oeste, como Rachid se auto-intitulava no campo do repente. Isso sem contar sua viv√™ncia cultural, tendo ganho concursos de repentes em Santos, trabalhado em circo, ter sido um dos fundadores do futebol feminino no pa√≠s, atuar a mais de 40 anos no jornalismo, etc. Ele (Rachid) era bem alto, calvo, tinha miopia grave nas duas c√≥rneas e era bem barrigudo. Eu era super magro, baixinho e com um cabelo rabo de cavalo bem grande. Quando eu vi o p√ļblico de aproximadamente umas 600 ou 800 pessoas tremi feito vara verde e disse ao Repentista do Oeste: e agora? Ele calmamente respondeu: n√£o se preocupe, o que voc√™ mandar eu respondo. Ent√£o retruquei: Como √© que eu mando? Ele disse: voc√™ me apresenta em verso e eu te apresento em verso. Pensa a√≠ rapidinho e se voc√™ n√£o der conta, fa√ßo uns cinco minutos de improviso e vamos embora. Aquilo me relaxou e eu o apresentei em verso. Normalmente eu n√£o me recordo dos improvisos feitos, mas tenho gravado na mem√≥ria at√© hoje parte do primeiro improviso que fiz na vida. Eu o apresentei dizendo: Contra este homem n√£o h√° revide/ contra ele n√£o h√° solu√ß√£o/ o primeiro nome √© Rachid/ e o segundo √© Salom√£o. Ele retrucou: trouxe aqui comigo / um cara muito legal/ apresento meu amigo/ o nome dele √© Ruberval. No momento seguinte, sob aplausos do p√ļblico, formado por adolescentes e membros da comunidade, os versos pareciam brotar de maneira espont√Ęnea. Algo que de imediato chamava aten√ß√£o nele era a barriga imensa. O verso seguinte dizia: Com tudo eu fa√ßo verso/ pois tudo ao meu olhar se assanha/ a √ļnica coisa que n√£o cabe no meu verso/ meu amigo Rachid / √© sua banha. A molecada ent√£o gritava baleia, baleia. Ele olhou bem tranq√ľilo e j√° respondeu de imediato. Apesar da minha banha/ sou homem por demais sereno/ me tragam um homem de verdade/ este aqui t√° muito pequeno. Disse o √ļltimo verso batendo com a m√£o em minha cabe√ßa. A molecada adorou e gritava: an√£ozinho, an√£ozinho. A brincadeira durou cerca de 45 minutos e paramos quando ele me disse cochichando no ouvido: no pr√≥ximo vou falar bem de voc√™ e depois voc√™ fala bem de mim, terminamos empatados, nosso tempo j√° estourou. Foi a primeira vez que participei de um desafio na vida e ali descobri que tinha um dom, ao qual agreguei o teatro, o discurso po√©tico e a participa√ß√£o direta das pessoas, uma vez que n√£o sabia tocar viol√£o para tentar fazer o repente nordestino ou a trova gauchesca. Por falar nisso, ainda n√£o sei tocar, tenho que arrumar um tempo e aprender. Foi assim que o improviso nasceu, meio de improviso e com a ousadia dos inocentes. At√© hoje dou gra√ßas a Deus pelo desconhecimento que tinha da hist√≥ria do Rachid.

Essa técnica de teatro e improvisação outros poetas daqui utilizam?
Ruberval Cunha ‚Äď O Emmanuel Marinho j√° fazia algumas coisas relacionadas ao teatro em Dourados, depois ele foi buscar outros horizontes fora do Estado e at√© hoje transita no meio cultural unindo linguagens. Aqui em Campo Grande, comecei na Noite da Poesia com a declama√ß√£o cl√°ssica e observando nomes como a Ladarense, Sagramor Farias e Dolores Guimar√£es, a primeira a ser publicada no Correio do Estado (Cantinho da Poesia). O cen√°rio se resumia apenas √†s declama√ß√Ķes cl√°ssicas. E eu as utilizei inicialmente, mas algo me incomodou. Eu queria dizer de outra forma. Trabalhar com a id√©ia de performance foi uma coisa que a gente come√ßou neste concurso (por aqui) e hoje existem v√°rios adeptos. At√© porque as pessoas do teatro passaram a trabalhar a poesia. E isso acabou ganhando uma dimens√£o um pouco maior. Hoje tem muita gente fazendo performance po√©tica, tem muita gente trabalhando o casamento das linguagens. Quanto ao improviso guaicuru, o Jos√© Mauro Messias, recentemente falecido, tentou trilhar por esse caminho, se inspirando no seu trabalho de improviso nesta vertente, da mesma forma que minha base foi o Rachid Salom√£o e seu improviso. Adaptei e montei o meu estilo. O Poeta das Moreninhas, como era conhecido tamb√©m, usou a base do improviso e tentou montar o dele a partir da√≠. O improviso, a performance po√©tica e a participa√ß√£o direta aproxima o p√ļblico do que est√° escrito, intermediado pelo corpo, pela voz, pela din√Ęmica de ocupa√ß√£o do espa√ßo. Isso, normalmente, gera um maior interesse das pessoas pela poesia.

Quando começaram a ser feitas as Noites Nacionais da Poesia no Estado?
Ruberval Cunha ‚Äď A Noite Nacional da Poesia √© um concurso que acontece a n√≠vel nacional que tem uma data de palestras e uma data competitiva. Ela oferece premia√ß√£o e dinheiro para o melhor texto e para os melhores declamadores. Aqui no Estado, ela foi criada dentro da Uni√£o Brasileira de Escritores, na √©poca de Guimar√£es Rocha e do Julinho Guimar√£es que fez parte da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Era um grupo de pessoas que ajudaram a alavancar isso. Guimar√£es foi um dos grandes mentalizadores que teve contato com o pessoal de fora, da Uni√£o Brasileira de Escritores de S√£o Paulo. Essa id√©ia foi levada a uma esfera pol√≠tica. Dentro desta esfera, eles compraram a id√©ia e a transformaram em lei. Ela passou a ser uma realiza√ß√£o da prefeitura de Campo Grande, com a execu√ß√£o da Funda√ß√£o de Cultura do munic√≠pio (Fundac), com a Uni√£o Brasileira dos Escritores. Ela come√ßou e veio evoluindo. Antigamente a noite era dominada pela participa√ß√£o e premia√ß√£o de escritores e declamadores de Corumb√°, um dos ber√ßos culturais do Estado. Vinham e ganhavam a noite, participavam trazendo √īnibus lotados para o antigo Pa√ßo Municipal. Nomes como Art√™mio Sanches, Marluce Brasil de Castro, a pr√≥pria Sagramor Farias e tantos outros. At√© hoje eles participam, movimentam a noite, pessoas como por exemplo: o Balbino, um batalhador da cultura e trovador popular, o Benedito C.G., poeta e professor de literatura, s√≥ pra citar alguns. Aos poucos Campo Grande come√ßou a se fortalecer e come√ßaram a aparecer novos expoentes no evento. Hist√≥ricamente, se n√£o me falha a mem√≥ria, a primeira mostra n√£o competitiva foi em 1986. A segunda j√° foi competitiva e aconteceu em 1989, persistindo at√© os dias atuais. Com o tempo, a Noite ganhou inova√ß√Ķes, deixou de ser realizada em √Ęmbito estadual para se tornar nacional. Passou a realizar palestras com grandes nomes da cultura do Pa√≠s, id√©ia do professor Am√©rico Calheiros, atual diretor da Funda√ß√£o de Cultura de Mato Grosso do Sul. Ele achava que a noite precisava melhorar ainda mais a sua qualidade em termos da escrita po√©tica. Segundo ele, ela precisava ser dinamizada para aparecerem novas pessoas. A vinda de grandes expoentes para realizar palestras, n√£o s√≥ agregou em termos de conhecimento para os que puderam assistir, mas tamb√©m come√ßou a abrir algumas portas para interc√Ęmbio de id√©ias, para que as pessoas de fora passassem a ter uma no√ß√£o das coisas que s√£o produzidas aqui. Vieram nomes como Ad√©lia Prado, N√©lida Pi√Īon, Wally Salom√£o, Thiago de Mello, Arnaldo Antunes. Isso propiciou aos poetas daqui uma outra vis√£o sobre seus trabalhos, uma outra porta para o conhecimento, comparando seus trabalhos com outros, vendo pelo menos outras janelas po√©ticas e podendo indagar, ser indagado, trocar ao vivo e em cores, informa√ß√Ķes, impress√Ķes ou pelo menos vislumbrar novas possibilidades. Eu fui muito beneficiado pela Noite Nacional da Poesia. Eu me considero um dos filhos desse evento. Atualmente, o Am√©rico criou tamb√©m o ‚ÄúEspa√ßo da Poesia‚ÄĚ realizado na pr√≥pria Funda√ß√£o de Cultura do Estado, toda √ļltima sexta-feira do m√™s, durante o per√≠odo noturno e com entrada franca, onde ele agrega diversas linguagens art√≠sticas, com destaque para a poesia, que circula juntamente com outras linguagens art√≠sticas como: m√ļsica, mini-palestras, declama√ß√Ķes perform√°ticas, poemas visuais, lan√ßamento de livros, dan√ßa, teatro, etc. L√° existe uma intera√ß√£o entre as artes. O que √© muito interessante porque abre a possibilidade da quebra de paradigmas, abre espa√ßo para que a informa√ß√£o transite entre os segmentos art√≠sticos e sociais. Faz com que as pessoas possam circular um pouco fora do seu nicho. Quanto mais n√≥s tivermos este tipo de rela√ß√£o, ecl√©tica e plural, esse dialogismo entre √°reas diversas, maior ser√° o fortalecimento cultural. E mais, logicamente maior se torna o fortalecimento da express√£o po√©tica tamb√©m.

Como surgiu a id√©ia de fazer o projeto ‚ÄúV√™m ler o mundo‚ÄĚ na biblioteca Isa√≠as Paim?
Ruberval Cunha - Eu j√° havia trabalhado no n√ļcleo de literatura da Funda√ß√£o de Cultura anos atr√°s, quando voltei, depois de tr√™s anos no Detran aliando o tr√Ęnsito √† arte-educa√ß√£o, como instrumento de sensibiliza√ß√£o, queria fazer algo novo, exercer uma outra fun√ß√£o na Funda√ß√£o. A inten√ß√£o era trabalhar com escolas p√ļblicas municipais e estaduais. Em cerca de 8 meses, atendemos mais ou menos 12 mil pessoas. No ano passado foram 20 mil pessoas. Visit√°vamos as escolas porque normalmente elas n√£o tem acesso √† produ√ß√£o cultural, al√©m da chance de quebrar paradigmas, de contestar a id√©ia de que as pessoas n√£o gostam de poesia. Como dizer o que as pessoas gostam ou n√£o sem o contato com aquilo que dizem gostar ou n√£o gostar? Algu√©m pode dizer que algu√©m beija mal sem nunca ter beijado a outra pessoa? Possibilitamos o contato com a poesia para que as pessoas possam come√ßar a descobrir a poesia e realmente dizer se gostam ou n√£o gostam. Mas a√≠ eu pensei que a poesia √© apenas uma das express√Ķes da linguagem, temos teatro, dan√ßa, cinema, conta√ß√£o de hist√≥rias... Passamos trabalhar com duas frentes para incentivar a leitura e o contato com a cultura. Uma trabalhando com a vis√£o semi√≥tica fazendo a leitura de signos. E outra, com enfoque mais liter√°rio. N√≥s queremos mostrar para as pessoas que voc√™ l√™ n√£o s√≥ o que est√° escrito, mas tamb√©m o que n√£o est√°. Nos livros, por exemplo, voc√™ l√™ os espa√ßos em branco, o contexto cultural. Mostramos que n√≥s lemos as roupas que as pessoas vestem, o carro que elas usam, seu espa√ßo social. As pessoas j√° fazem isso, mas n√£o t√™m essa no√ß√£o. O projeto ‚ÄúV√™m ler o Mundo‚ÄĚ, abriu espa√ßo para que trabalh√°ssemos com os artistas da terra, resgatando nossos valores, dando uma no√ß√£o das diversas express√Ķes que aqui existem. A inten√ß√£o √©, tamb√©m, formar um p√ļblico leitor e quem sabe, futuramente, consumidor dessa produ√ß√£o cultural. A id√©ia √© trabalhar com dan√ßa, m√ļsica, teatro, filatelia. Levamos uma pessoa para contar um pouco da hist√≥ria dela, e para falar como √© poss√≠vel ler aquele segmento art√≠stico. O filatelista, por exemplo, vai contar a hist√≥ria dele, h√° quanto tempo coleciona, sobre o valor de um selo, como os filatelistas d√£o a id√©ia de valor, como se chega ao conceito de raridade, ou seja, quais s√£o os elementos poss√≠veis de se ler. Vai mostrar o que existe no selo para ser lido. Essa √© a id√©ia do projeto ‚ÄúV√™m ler o mundo‚ÄĚ. Trabalhar essa vis√£o e agregar √†s outras express√Ķes art√≠sticas.

Qual √© a inten√ß√£o do projeto ‚ÄúTodas as letras‚ÄĚ?
Ruberval Cunha - O projeto ‚ÄúTodas as letras‚ÄĚ est√° mais ligado √† id√©ia da literatura: na cr√īnica, na prosa, no conto, na poesia. Para utilizar isso como um elemento que possa encantar as pessoas. Que possa estabelecer com as pessoas uma identidade. Porque √© muito mais f√°cil transformar um texto e gerar com essa transforma√ß√£o um encantamento, seja pelo corpo, pela voz e/ou pelo conjunto de tudo aquilo que a gente j√° falou. √Äs vezes voc√™ pode fazer uma discuss√£o e guiar uma pessoa para que ela v√° descobrindo alguma coisa no texto e depois deix√°-la solta para que ela curta a liberdade dele. Voc√™ pode gerar a curiosidade, o encanto, o desafio inicial e isso pode ser o estopim de um novo leitor. Sabemos que s√£o necess√°rias outras a√ß√Ķes para consolidar ou aumentar essas possibilidades, mas o pontap√© est√° dado.

Como foi a receptividade das crianças que já participaram destes projetos?
Ruberval Cunha - Ano passado n√≥s fizemos uma avalia√ß√£o dos projetos utilizando question√°rios na maioria dos locais onde visitamos. A avalia√ß√£o formal coube aos professores, coordenadores e diretores ou respons√°veis. A informal atrav√©s da receptividade das crian√ßas; voc√™ sente pelos aplausos, pela aten√ß√£o. No caso dos adolescentes, pela manifesta√ß√£o em conversas ap√≥s o evento e id√©ia que eles t√™m de que aquele exemplo pode ser seguido, pela vinda deles para ‚Äútrocar uma id√©ia‚ÄĚ, mostrar um texto, em alguns casos at√© pelo pedido de aut√≥grafos, perguntas sobre onde fica a biblioteca, se existe um site que eles possam consultar, etc. No ano passado, considerando as avalia√ß√Ķes formais aplicadas, tivemos um √≠ndice de aceita√ß√£o de aproximadamente 99%, com resultados avaliados como bom ou √≥timo com rela√ß√£o ao desenvolvimento destes projetos. Agora estamos trabalhando com algumas filmagens realizadas em m√°quina digital, depoimentos de professores e alunos avaliando o projeto. Alguns perguntam se haveria condi√ß√Ķes de n√≥s retornarmos e realizar apresenta√ß√Ķes do projeto com outras turmas. Al√©m da difus√£o da leitura, os projetos cumprem outra fun√ß√£o: difundir o nome da Biblioteca P√ļblica Estadual Dr. Isa√≠as Paim. As bibliotecas s√£o ou pelo menos deveriam ser um espa√ßo privilegiado para o conhecimento, para a leitura, para o encontro das pessoas possibilidades de leitura. Esse espa√ßo da biblioteca, de uma maneira geral, acaba sendo desconhecido pela maioria das pessoas. Tem gente que ainda vincula √†s bibliotecas a um quarto de castigo, a um aprisionamento √† vontade do outro, a uma obriga√ß√£o e n√£o ao aprendizado, ao prazer. Queremos quebrar um pouco isso, queremos levar p√ļblico √†s bibliotecas tamb√©m. Embora tenhamos descoberto ao longo deste um ano, que √© mais dif√≠cil levar o p√ļblico dos locais mais distantes para o centro, mais especificamente para a Dr. Isa√≠as Paim, porque essas pessoas t√™m dificuldade de deslocamento. Este ainda √© um dos problemas que enfrentamos. A falta de um √īnibus que atenda continuamente, nos dando condi√ß√Ķes de alternar os projetos uma semana na biblioteca, outra semana nas escolas.

Vamos terminar com um improviso Guaicuru?
Ruberval Cunha - Neste momento/ onde o ser humano caminha lentamente/ passo a passo/ a poesia é um homem que anda/ devagar durante a tarde. Despem suas roupas/ para entender o que os outros não vêem. / O seu quarto é o mundo/ e a roupa que lhe veste/ pequenos pensamentos. / O poeta não reflete apenas/ ele troca a roupa das palavras. / E essa brincadeiras de palavras e de sonhos/ de memórias/ de pequenos aeroportos/ faz com que os homens não partam / nem cheguem/ apenas vislumbrem a essência de ser. / Os poetas são / mais do que as palavras podem alcançar. / E talvez por isso, / às vezes, / a poesia seja silêncio num papel em branco. / Este pequeno vestido onde a prepotência cabe / ser guardada no armário, / para que os homens se lembrem que ela existe / mas para que não a retirem. / E por ser diferente, / a poesia é apenas buscar a velha raiz / e achar então / uma semente. / A poesia é esta arte igual / de ser diferente.

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Frazao my brother
 

Que maravilha, Gisele, a sua matéria!
O nosso Ruberval √© um fen√īmeno. A poesia nasceu assim, oral, como faz o nosso Homero Pintado.
(√Č preciso que Funda√ß√£o agende uma entrevista com ele no Programa do J√ī). √Č show garantido.
abrs

Frazao my brother · Anast√°cio, MS 19/3/2008 13:30
1 pessoa achou ķtil · sua opini„o: subir
Gisele Colombo
 

Concordo com você Frazao! Ele é uma figura ímpar e seu trabalho é maravilhoso! Abcs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 19/3/2008 14:07
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Viktor Chagas
 

Bem bacana a entrevista, Gisele. J√° tinha visto o Ruberval de passagem aqui pelo Overmundo, num improviso guaicuru l√° no Banco de Cultura. Agora deu pra conhecer um pouco mais dele...

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 19/3/2008 16:37
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Gisele Colombo
 

Ligal Victor. Sempre procuro fazer matérias mais aprofundadas para conhecer melhor os personagens culturais do estado em que moro! Abcs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 19/3/2008 16:52
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Ruberval Cunha
 

Gostaria de Ressaltar e acrescer a matéria que a nomenclatura Improviso Guaicuru foi idealizada pelo Secretário Geral da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, Rubênio Marcelo, ao publicar no jornal correio do estado uma matéria falando sobre a arte de improvisar no país e destacando o que eu até então chamava de repente performático, com essa nova nomenclatura. A ele pela idéia meu muito obrigado, o mesmo que estendo a Gisele pela matéria. Abraço para todos.

Ruberval Cunha · Campo Grande, MS 21/3/2008 20:44
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clara arruda
 

matérias xomo esta deveriam ter maior divulgação.Adorei realmente.espero um dia conhecer MS

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 22/3/2008 02:13
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Gisele Colombo
 

Valeu Ruberval! E muito obrigada Clara! Com certeza você vai encontrar muitas pessoas interessantes em nosso Estado! Abcs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 22/3/2008 16:10
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Marcos Paulo Carlito
 

Gisele, mil parabéns, o Ruberval é o máximo!!!

Quem ficaria mais feliz do que eu seria o grande amigo Henrique Spengler, se ainda estivesse conosco...
Você sabe que desde a divisão do Estado ele empunhou a bandeira Guaicuru, sendo fudador do Movimento Cultural Guaicuru.

Com certeza ele ficaria muito feliz ao saber que, por coincidência ou não, artistas de nossa terra utilizam o termo para cunhar algo legitimamente sul-matogrossense.

Convido voc√™ Gisele, o Ruberval e quem mais tiver vontade a conhecer o √ļltimo trabalho realizado por Henrique Spengler, trabalho do qual tive o prazer de participar. Trata-se de um site do Movimento Cultural Guaicuru que tr√°s em seu conte√ļdo um livro inteiramente digitalizado que desvela o processo Hist√≥rico da Etnia Maby√°-Guaicuru do s√©culo XV √† contemporaneidade.
Aqui vai o link: http://www.guaicurumurtinho.com/


Grande abraço Guaicuru!!!

Marcos Paulo Carlito · , MS 22/3/2008 23:18
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Frazao my brother
 

Retornando para votar e aplaudir.

Frazao my brother · Anast√°cio, MS 23/3/2008 11:37
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Gisele Colombo
 

Obrigada Marcos! Com certeza acabamos sendo influenciados uns pelos outros, e essa troca é que consolida a cada dia a nossa identidade cultural. Aos pouquinhos vamos nos encontrando e nos conhecendo, mesmo que seja virtualmente. Pode deixar que vou ler sua sugestão! Abcs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 23/3/2008 14:15
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Andre Pessego
 

Gisele, menina bonita Guaicur... (Guaicuru tem feminino ou n√£o?)
Legal, valeu e valeu, depois das considera√ß√Ķes do Marco do Franz√£o, vou votar, e arquivar pra reler com mais calma,
um abraço, andre.

Andre Pessego · S√£o Paulo, SP 23/3/2008 14:37
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querida Gisele:
Excelente a sua entrevista, das melhores que tenho visto ultimamente. E o meu crítério é bastante simples: vc abriu magnificamente as tramelas do Roberval. Quando isto ocorre estão juntas a fome, a vontade de comer e um cardapio delicioso.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 23/3/2008 17:47
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Gisele Colombo
 

Joca e André, muito obrigada pelas palavras. Vocês não imaginam a riqueza de pessoas interessantes e dedicadas à cultura têm aqui no meu Estado. A minha fome de divulgar seus trabalhos é muita e quando dou a sorte de entrevistar pessoas assim como o Ruberval, que têm clareza nas idéias e uma humildade incrível, a sintonia para se fazer um bom trabalho acaba rolando... Na medida do possível estarei sempre aqui contando para vocês o que acontece aqui nestes pantanais. Abcs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 24/3/2008 12:12
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querida Gisele:
Aqui em Oeiras, entre muitas outras atra√ß√Ķes art√≠sticas,
nós temos o conjunto "bandlinas de Oeiras", composto por senhoras de idade entre setenta e oitenta e seis anos. Elas tem reconhecimento internaciona,kpor seu trabalho, e já foram agraciadas com a Medalha do mérrito cuçltural, maior medalha, hoje, no país.
Quem sabe se n√£o conseguir√≠amos um intercambio entre as duas cidades‚Äď Campo Grande e Oeiras, fazendo uma adequa√ß√£o de despesasn entre as duas cidades? Seria √≥timo!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilçho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 24/3/2008 13:18
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Rangel Castilho
 

Salve, Gisele!

Tive o prazer de ver Ruberval em performance.
Ele √© um fen√īmeno!
Muito bom!

Parabéns!

Rangel Castilho · Anast√°cio, MS 29/3/2008 10:32
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Aparecido Melchiades
 

Parabéns Giseli, sua matéria ficou muito boa.
Quanto ao Ruberval, sou suspeito de falar. Penso que seu trabalho tem que ser divulgado no Brasil inteiro, o brasileiro está perdendo uma grande oportunidade de conhecer um talento fora de série.
Abraços,
Aparecido Melchiades
Campo Grande, MS

Aparecido Melchiades · Campo Grande, MS 3/4/2008 00:20
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querida Giseli:
Falando sério: como a gente faz para contatar o Roberval para show eventual?
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 3/4/2008 10:10
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Gisele Colombo
 

Muito Obrigada Cido! O Ruberval com certeza √© um cara muito especial! Joca para entrar em contato com o Ruberval, √© s√≥ ligar na Biblioteca Isa√≠as Paim. O n¬ļ √© (67) 3316-9161.

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 3/4/2008 11:30
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Tem e-mail nem Site não, né Gisele?
Beijos e abraços
do joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 3/4/2008 11:43
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zecadotrombone
 

Gisele, parábéns. O próximo evento não perco.

zecadotrombone · Fortaleza, CE 3/4/2008 11:49
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Gisele Colombo
 

Zeca, aparece sim no Espa√ßo da Poesia l√° no Memorial da Cultura toda √ļltima sexta-feira do m√™s. √Č muito legal. Come√ßa √†s 19h. Abcs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 3/4/2008 12:43
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Ruberval Cunha
 

Gisele aproveito a oportunidade para deixar o e-mail para contatos e um blog. E-mail: rubervalcunha@hotmail.com
Blog: rubervalcunha.blogspot.com.

Abraços

Ruberval Cunha · Campo Grande, MS 8/4/2008 10:35
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Rubenio Marcelo
 

Grande Ruberval Cunha
(O Rei do Improviso Guaicuru):

Sou 'suspeito' para falar sobre você, meu irmão! Pois o vínculo fraterno e artístico que nos une certamente supera tudo. Felizes somos por podermos desfrutar do seu convívio e do seu sorriso puro e sincero.
Quero também, nesta oportunidade, parabenizar Gisele Colombo, por esta brilhante matéria/entrevista e pelo seu relevante mister na divulgação dos nossos valores culturais.

A você, Ruberval, dedico estas duas décimas:

Poeta das sagas e de além-futuros,
O teu canto encanta plebeus e rainhas;
Teus olhos relembram as √°guas marinhas,
Na cor, nos mistérios, nos gestos mais puros...
Teus braços apontam destinos seguros;
N√£o h√° ch√£o escuro no teu caminhar.
Por isso, contente, eu venho te saudar,
√ď Ruberval Cunha, √≥ irm√£o do improviso,
Com a fraternidade do canto preciso
Dos dez de galope da beira do mar.

Quero te saudar, ó irmão-camarada,
Menestrel legítimo, jogral campeão,
Que a flama sublime do teu coração
Fecunde os sonhares nesta tua estrada...
Que os raios dourados da messe sagrada
Pra sempre iluminem teu ser-avatar;
E, assim, o teu plectro possa ressoar
Prel√ļdios de paz, infinitamente...
Gerando harmonia em cada uma vertente
Do céu e da terra e das águas do mar...

Rubenio Marcelo

Rubenio Marcelo · Campo Grande, MS 10/4/2008 12:10
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Gisele Colombo
 

Rub√™nio, muito obrigada pela sua manifesta√ß√£o de carinho. Suas palavras s√≥ vem dar mais √Ęnimo para que eu continua a divulgar as nossas diversas express√Ķes sul-mato-grossense. Abcs Gi

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 10/4/2008 14:37
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clara longhi
 

Com atraso irrecuper√°vel, hj li seu texto!
Sou f√£ do Ruberval !
Parabéns!
Nossos poetas poucos conhecidos, é uma pena!
De acordo com o Fraz√£o o Ruberval merecia uma apresenta√ß√£o no J√Ē!
Bjs de luz

clara longhi · Campo Grande, MS 14/9/2008 18:14
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Ruberval com a compositora sul-mato-grossense Lenilde Ramos zoom
Ruberval com a compositora sul-mato-grossense Lenilde Ramos
Ruberval com Adélia Prado zoom
Ruberval com Adélia Prado
O poeta com Arnaldo Antunes zoom
O poeta com Arnaldo Antunes
Na noite da Poesia zoom
Na noite da Poesia
O poeta do improviso Guaicuru zoom
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