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A Praça não é nossa*

Sérgio Bastos
Pintura baiana ilustra crônica pantaneira
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Frazao my brother · Anastácio, MS
29/7/2007 · 74 · 9
 

As palavras do comediante Carlos Alberto de Nóbrega, do programa “A Praça é Nossa”, do SBT, em recente entrevista, afirmando que “toda cidade tem uma praça”, buliram com os meus sentimentos de morador interiorano. A afirmativa contrariou-me porque moro numa cidade que não tem nenhuma praça.

Minha cidade não tem praça para a comunidade se reunir e comer pipoca; não tem banco pra sentar nem pra colocar dinheiro; não tem parque infantil para as crianças brincarem, e muito menos área de lazer para idosos se distraírem. Ancião, aqui, só joga buraco quando se equilibra nas ruas, num eterno jogo de paciência. Nesta cidade sem praça, infância e velhice são dois extremos da exploração eleitoral, pois, no fundo, os enganadores do povo sem banco não bancam nem seus cheques e palavras sem fundos na praça.

Praça, aqui, é soldado; praça é chofer de táxi; ou amigo boa-praça que se tem em abundância. E por falar nisso, que falta faz um banco pra sentar e ver o boi passar na rua; que tristeza não ter balanço para sonhos embalar; mas está “assim” de bundões botando banca na praça para assentar-se nas bancadas do poder, onde o banco macio adormece os incompetentes, fazendo-os esquecer da praça, das praças e dos bancos.

Não tem praça, porque eles não querem ver o povo sentar e pensar. Talvez saibam que o povo já “sentou” o que podia, quando os colocou sentados na praça do paço onde o pasto passa e repassa sem ver o tempo passar.

Os que estão com calo de tanto sentar, só estão lá porque tem eleitor que se vende sem pensar. Vende a praça, vende a cidade, vende a vergonha, vende o voto, e só não vende a alma porque não lhe parece possuí-la.

Mas, se o povo da minha cidade sem praça pensa que essa situação vai mudar dando assento às velhas raposas viciadas no poder, pode esperar sentado e sem pressa. Sentadinho no chão, pois é de onde os eleitores sem pátria vêem a grama crescer como suas orelhas, de tanto ouvir e aplaudir promessas sem fundo dos ladrões de sonhos, de bancos e praças.


P.S. Escrevi esta pequena crônica em 2002 para o jornal do SBT e a publiquei nos jornais da nossa região, incluindo o periódico da minha cidade (O Porta-voz), que dirijo. Coincidentemente, seis meses depois, o prefeito mandou fazer uma pracinha (a 1ª da cidade), e, mais tarde, ganhamos uma agência bancária (até hoje a única).
•Para a finalidade social o texto perdeu a função, restando apenas a sua performance literária.

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FILIPE MAMEDE
 

Gostei muito do seu manifesto Anastácio. O texto é de uma sonoridade... rítmico, harmonioso... E que bom que vocês ganharam uma pracinha. Porque não lutar agora por um Coreto hein Anastácio?

Um abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 26/7/2007 10:19
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FILIPE MAMEDE
 

Desculpe, Anastácio é o teu lugar, o nome mesmo é Frazão My Brother. Um abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 26/7/2007 10:20
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Andre Pessego
 

Professor, e eu que o admiro pelo burilar do pensamento nas letras. Descobrir mais um ramo de admiração a lhe devotar: a música, andei lendo "pitadas" neste segmento. Do texto em si
legal

Andre Pessego · São Paulo, SP 28/7/2007 04:49
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Frazao my brother
 

Meu amigo André, eu gosto sim de música, mas as minhas composições não vão além da minha aldeia (tss).
O Filipe me deu uma boa idéia reivindicatória, e você me deu vontade de melhorar minhas músicas.
abraços.

Frazao my brother · Anastácio, MS 31/7/2007 01:14
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to0T4L
 

É um prazer conhecer alguém tão consciênte. Texto impecável.

to0T4L · São Gonçalo, RJ 3/8/2007 21:54
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Berioliveira
 

Estive aqui, e amei o texto! Parabéns

Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 4/3/2008 16:03
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Patipetista
 

Demais !
Mas aposto que o povo colocava as cadeiras nas calçadas e ainda assim pensavam sim !!!
[:)]
Abraços

Patipetista · Santo André, SP 15/3/2008 14:24
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Ruberval Cunha
 

Que um dia a praça possa ser do povo. Grande abraço e votos de sucesso

Ruberval Cunha · Campo Grande, MS 22/3/2008 13:56
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Bruno Resende Ramos
 

Votei e apoio a temática. QUe a praça venha a nós ainda neste reino.
Hehehe

Bruno Resende Ramos · Viçosa, MG 27/3/2008 15:27
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