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Observatório
Revelando o concurso Somos fãs do Projeto Revelando os Brasis. De cara achamos que era um projeto que tinha tudo a ver com a vocação colaborativa do Overmundo, ao permitir que pessoas de cidades com menos de 20 mil habitantes tivessem todo o apoio para fazer curta-metragens. Ano passado, vários textos foram feitos por aqui graças a uma parceria bem legal com o projeto. Este ano, seguimos em contato... > leia
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Praia da Leste-Oeste: uma das mais belas vistas de Fortaleza é desconhecida
Como toda grande cidade brasileira, Fortaleza tem bem definido o que é lugar de pobre e de rico. Um apartheid social absurdo. Pelas praias – por onde a capital cearense é reconhecida e disputada como destino turístico em todo o mundo – não é diferente. Aqui, a famosa Praia do Futuro vende seu peixe e seu nome por levar uma estrutura robusta de barracas, incomum em várias cidades praianas. Serve bem à turista.
No entanto, o outro lado da faixa litorânea da cidade tem um perfil mais invocado. Além da Praia de Iracema, o visitante que passa por Fortaleza tem a chance de descer pelo rumo do Mercado Central até a Leste-Oeste, onde nessa avenida se encontra talvez a mais “canelau” das praias daqui. E uma das mais belas vistas da capital. Canelau, pra quem não sabe, é uma gíria que circula fácil por aqui a cada vez que alguém se a refere à gente lisa, pobre mesmo, lascada. Enfim.
Lá, só há divulgação popular. A Praia da Leste-Oeste não é reconhecida (nem recomendada) das classes média e alta. Portanto, a elite sabe que ali é uma bagunça e até certo ponto perigoso – pela ocorrência comum de assaltos – mas desconhece a boa gente do lugar: autêntica e uma das pioneiras no negócio de barracas de praia. Servem às redondezas: Pirambu, Centro, Jacarecanga. Muita gente. Som alto, criança correndo, pulando. Uma galera movida à cerveja e caranguejo barato.
À beira-mar, a vista pega o Marina Park Hotel – o maior de Fortaleza, a Praia de Iracema e toda a orla da Beira-Mar (Meireles) seguida de prédios aloprados de custo e tamanho. Um privilégio.
Por lá, a Barraca da Zizi é uma das pioneiras daquele pedaço. Aos domingos, divide a freqüência popular entre os vizinhos barraqueiros. Com a zoada no mundo, ela tenta contar história: "há 15 anos, a gente trazia as coisas num carrim de mão, os vasilhame. Aqui era só uns pau véi", lembra, do tempo em que os freqüentadores, para garantir uma vaga onde sentar, enterravam as cadeiras na areia a cada fim de semana.
Desde menino, Daniel Linhares, 41, surfa na Praia da Leste-Oeste. E tem moral pra definir: "aqui ainda é uma praia de elite, por ser uma das mais centrais de Fortaleza. Sendo que a presença é do povão". Ele acha que o turismo ali não vinga por falta de segurança. "É perigosa", diz ele, antes de eu ser avisado que era melhor o fotógrafo que me acompanhava tomar cuidado com a câmera fotográfica.
"O mar não é próprio para banho, o lodo coça muito", avisa Daniel, sem dispensar a dica, apesar da coceira. “Na Praia do Futuro a onda é muito mexida (sem perfeição) pra surfar. Aqui é no ponto”.
tags: Fortaleza CE cultura-e-sociedade fortaleza ceara praia comportamento cultura pobreza surf diversao caranguejo cerveja barracas-de-praia sol luz
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