É o de sempre, sexta-feira pega o carro, pega a gata, nessa época pega um casaco se não quiser pegar uma gripe também. Tudo pronto é só sair pra ver no que dá. Em especial na noite de ontem já sabia o que fazer, mas para não perder a expectativa que costumo sentir, não sabia o que iria dar, sabia que três bandas estariam lançando seus EPs no Galpão 14.
Nublado, Gauche e Sem Horas.
O Largo de São Pedro estava lotado, mas era de carros. Não vi a barraquinha que fica de frente, não tinha ambulante, estranhei bastante. Até aquelas velhas figuras que sempre aparecem e nunca entram pra curtir as bandas e ficam pelas escadarias da igreja, que sempre são tão fiéis em não assistir ninguém, e são muitos, mesmo esses não estavam tantos por lá. Para mim era sinal de que alguma coisa legal estava rolando e eu não sabia, ou pelos menos iria, acendi um cigarro e perguntei pra alguém: “tem algum outro show rolando cara?”. A resposta negativa veio acompanhada dos acordes de Purple Haze vindos de dentro do Galpão. Olha lá que o que tem de legal vai começar.
Paguei o ingresso, paguei a cerveja, e me preparei, quem iria começar era a Nublado.
A banda é animadíssima, mas sem exageros, sem palhaçadas, rock direto e sincero. Com melodias belas, mas sem perder o “punch”, conseguiram fazer um mix entre Toxic de Britney Spears e Lost Art of Keeping a Secret do Queens of the Stone Age, parecer legal. As influencias ficam muito claras em suas musicas, Travis e Foofighters (principalmente por parte do baterista Rayan Lins) foi o que consegui perceber. Das três faixas do EP, Disfarce Insônia e Amanhã, esta ultima era a mais pedida pelo público e os rapazes guardaram-na para o final, junto com uma do Artic Monkeys para fechar a participação deles na noite. Rápido, direto, discreto, e no alvo. Sem maiores firulas nem blá blá blá jogado fora. Uma banda enérgica e direta como o bom rock tem de ser.
A segunda banda da noite é a Gauxe ou “goxe”, palvra francesa que significa esquerdo, mas também pode significar estranho, desajeitado. De fato os rapazes não fazem o estilo “rocker”, carinhas de CDF, óculos na cara, eles fazem um som igualmente goxe, pop folk com letras pisicodélicas. Sobem no palco uma passadinha no som bem breve e já dão início, meio de repente, com a puxada no violão de Bruno Sérgio. No myspace da banda um dos contatos me chamou atenção, Kula Shaker, e pode acreditar tem muito haver. Um som que me lembrou Kleiton e Kledir, só que mais vitamenado, puxado para os Byrds. Fendas para o mar, mar de atlântida, Gigantes astrais no teatro de serafins. E a coisa vai longe. O som para curtir numa boa, na paz, prestando bem atenção nas batidas cadenciadas, setentonas, como a última musica do repertório pode traduzir.
Um rock adulto, para adultos, para quem abre bem a mente para sacar melodias as mais diversas.
Depois de mais algumas cervejas, bate papos, nem notei que a ultima banda já estava posicionada, fui pego de surpresa por um ataque na guitarra, rockabilly, mas banda eu já conhecia, faz uns dois anos. Eles não eram exatamente esses caras que estavam ali puxando o ultimo gás da platéia para rebolar e pular. O lançamento do EP é uma decorrência de todo o crescimento que a banda tem mostrado, tudo culpa de uma personalidade muito marcante na banda, Carlos Kobal, que atua quase como um maestro enquanto Igor Tadeu, leva o publico. Não é especialmente o tipo de música para qualquer momento, é a banda certa para se fazer uma farra, para agitar o esqueleto, com letras cheias de “tchuaps, tchuap”, “uhuuuuuus”. Para se tomar cervejas e rir enquanto eles comandam o agito. Iê iê iê.
Acabaram-se as bandas, fiquei feliz por saber que a noite de sexta-feira, a primeira sexta-feira do mês, foi tão deliciosamente nova assim. Tenho dois CDs novos no bolso, um cigarro na boca e quando sai do Galpão 14 e olhei para a noite, conhecidencia ou não, essa foi uma noite de céu Nublado, de clima Estranho e Sem Horas para acabar, poi a senhorita Adloff está comigo e eu ainda estou nas espectativa.
Amo sempre a primeira noite de sexta-feira do mês.
É sempre bom, bom no sentido de poder somar à diversificação
do que seja movimento de cultura-arte, toda e qualquer noticia de bandas, teatro, composições fora do eixo rio/sp.
legal mesmo
andre.
Que legal saber que o movimento cultural de jampa está de pé, já não sou tão garotinho, sou da época do portal das cores, regina brow, banda absurdos, em fim fico feliz do bom e velho rock roll está fazendo a cabeça da galera em jampa, boas sextas feiras pra vc.
Fernando Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 9/7/2008 11:32Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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