À procura do “frame” perfeito

Milhem Cortaz e Vanessa Prieto em "Nas Duas Almas", de Vebis Jr.
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Marcelo V. · São Paulo, SP
19/5/2007 · 193 · 18
 

Há alguns anos, era moda, em certos programas de TV (inclusive no de Jô Soares), exibir trechos de filmes nos quais ocorriam os chamados “erros de continuidade”; ou seja, quando, após um corte, algo no plano está diferente do que estava antes, contrariando a lógica do tempo (pode ser a mudança brusca da posição de um objeto, de uma pessoa ou do estado de algo _por exemplo, no filme “Batman”, de Tim Burton, um quadro num museu é destruído pelo Coringa para, segundos depois, reaparecer intacto, como mágica). O site Imdb, por exemplo, traz, para quase todos os filmes, a seção “Goofs”, que também se dedica a apontá-los.

Normalmente, este tipo de ocorrência é noticiado com certo escárnio, com uma espécie de alegria por, talvez, querer mostrar que os diretores de cinema (especialmente os milionários, que trabalham para o que chamam de “Hollywood”) não são infalíveis. Realmente, não existe diretor de cinema (ou qualquer outra pessoa em qualquer outro ramo de atividade) que seja infalível, mas hoje, após eu ter trabalhado um pouco nas funções de diretor e montador (ou editor de imagens), tenho plena consciência de que estes “erros” merecem estas aspas porque muitas vezes (nem sempre, é claro que exceções sempre existem) eles não ocorrem inconscientemente, mas são fruto de escolhas criteriosas do montador, com aprovação do diretor (ou do produtor, se for este quem detém a primazia sobre o corte final).

Faço esta afirmação com base em minha própria experiência, já que nunca vi nenhum diretor se manifestar a respeito numa entrevista, embora seja óbvio que estes “erros de continuidade”, assim como o famigerado “pulo de eixo” (também chamado no Brasil de “quebra de eixo”, quando o posicionamento de câmera ou dos atores destrói a lógica espacial de uma cena, assim como o “erro de continuidade” subverte a lógica temporal _cinema é basicamente tempo e espaço), já tenham sido usados com consciência por renomados diretores como Martin Scorsese (em “Táxi Driver”, toda a continuidade em um diálogo entre Robert De Niro e Jodie Foster é propositalmente aviltada para demonstrar a distância entre suas duas personagens; em “Quem Bate à Minha Porta”, há uma gritante quebra de eixo contrapondo Harvey Keitel e outra atriz que interpreta sua amante, que trocam mágica e poeticamente de posição, como se um ocupasse o lugar do outro _e os que cobram verossimilhança da máquina de ilusões que fiquem mordendo os cotovelos).

Em seu livro “Num Piscar de Olhos”, lançado recentemente por aqui, Walter Murch (montador de “Apocalypse Now!” e outros, além de diretor e desenhista de som) relega a continuidade (espacial e temporal) à última posição numa lista de prioridades para uma boa montagem (a que vem em primeiro é resumida numa singela palavrinha: emoção). Claro que isto é altamente subjetivo; cada montador define seus critérios, seu estilo, sua personalidade (tendo sempre de se adequar a filmes totalmente diferentes, já que cada projeto pede uma determinada mise-en-scène, uma paleta de cores, um ritmo de montagem etc.).

No último filme que montei, um projeto premiado pela Prefeitura de São Bernardo do Campo intitulado “Nas Duas Almas”, dirigido por Vebis Jr. e estrelado por Milhem Cortaz ("Carandiru", "A Concepção") e Vanessa Prieto (a estréia foi no mês passado, com a exibição de mais dois outros filmes _um deles também montado por mim_ e um show; na primeira quarta-feira do próximo mês, às 21h30, está prevista outra exibição no Cinesesc de São Paulo, dentro da Sessão do Comodoro, capitaneada por Carlos Reichenbach; estejam convidados, a entrada é gratuita), tive de definir um critério para a montagem, já que o diretor havia trabalhado bastante com improvisos, não só desconsiderando uma decupagem prévia (que na verdade nunca existiu) como o próprio roteiro, ao sabor do dia-a-dia da produção e das propostas dos (ótimos) atores.

Sabendo que, a partir daquelas poucas horas de gravação eu deveria contar uma história em 15 ou 20 minutos, obviamente aquelas imagens precisavam ser organizadas de maneira lógica, do início ao fim (o que, sabemos, também não é uma regra; o “Pulp Fiction” de Quentin Tarantino é um célebre e recente exemplo de “filme que não começa em seu começo e não termina no seu fim”). Mas este não era o único desafio, já que cada plano (ou seja, o espaço de tempo em que a câmera é ligada e desligada, que gerará um “pedaço de filme” a ser montado no quebra-cabeças) costuma ser repetido algumas vezes (cada uma delas é chamada de “take” ou “tomada”); ou porque o primeiro não saiu bom ou porque o diretor tinha tempo e dinheiro suficientes para se dar ao luxo de ter várias opções para a montagem.

A colocação no filme de pedaços de duas tomadas diferentes do mesmo plano numa cena é basicamente a causa de todos os “erros de continuidade” (estes erros, na maioria das vezes, obviamente não ocorrem de propósito, mas porque nem sempre as equipes de filmes mais baratos contam com uma continuísta _antigamente chamada de “script-girl”_, a assistente do diretor responsável justamente por este controle, também sujeita a erros). Ao montar um filme, o editor claramente tem consciência disso e costuma perceber sem demora quando eles ocorrem (o diretor também costuma ter este olho afiado; alguém que não acompanhou as filmagens muitas vezes não os percebem), mas decide deixá-los no filme porque, a exemplo do que aconteceu comigo neste caso, preferiu usar como critério a performance dos atores ou outro fator qualquer. E não tenham dúvida de que uma cena fica muito melhor quando os atores estão ótimos em todos os planos do que se a continuidade espacial e temporal é respeitada à risca...

Na minha cena preferida de “Nas Duas Almas”, os atores me criaram um problema delicioso: cada tomada que eles faziam era não apenas melhor do que a outra, mas completamente diferente (as falas, as ações, os rumos que a cena tomava, estava nas minhas mãos criar uma cena com sentido a partir delas). Na opção que tive de fazer, muita coisa boa foi desconsiderada (cortar um filme é isto mesmo, muita coisa querida e suada acaba jogada fora), e a cena ficou bem diferente da imaginada originalmente pelo diretor, mas recebeu a aprovação do público.

Nesta cena, a continuidade temporal não é exatamente respeitada porque, para fins de acentuação do conflito apresentado (o casal protagonista briga durante um passeio de carro), certas passagens da cena são repetidas de ângulos diferentes; a marcação básica da cena é seguida, mas os diálogos são improvisados, e o tempo é manipulado (comprimido ou expandido) para gerar maior impacto. Além disso, ocorreu um imprevisto: em determinado momento, o carro passou num buraco e, no solavanco, o microfone entrou em quadro; para mim e para o diretor, aquela invasão é gritante, mas preferimos deixá-la no filme porque ocorreu justamente na tomada que consideramos a mais forte. Dito e feito: durante a exibição do filme, ninguém além de nós prestou atenção no microfone bicão; e se prestasse, não haveria nenhum problema.

Há muitíssimo mais o que dizer sobre montagem para cinema (incluindo percepções sobre duração dos planos, raccord, teorias diversas da montagem etc.), mas obviamente é assunto para um livro, e não um artigo. Mas, para encerrar por hora, nada melhor do que citar o livro do Murch, que traz uma frase de que gosto muito (“todo filme é um país estrangeiro”) e corrobora um pouco do que eu quis dizer aqui:

“A mente humana tem mais aptidão para reconhecer idéias do que para articulá-las. Quando você está num país estrangeiro, é sempre mais fácil entender a língua do que falar. De certa forma, todo filme é um país estrangeiro, e a primeira coisa que se deve fazer é aprender a língua daquele país. Cada filme tem (ou deveria ter) um jeito único de comunicar, cabendo a nós o esforço para aprender sua língua. Mas o filme fala a língua própria dele melhor do que você! Portanto, na procura mecânica do que eu queria, acabava encontrando o que eu precisava _algo diferente, melhor, mais arguto, mais espontâneo e mais verdadeiro do que a minha primeira concepção. Conseguia reconhecer quando achava, mas não poderia nunca ter articulado aquilo antecipadamente. Picasso costumava dizer: ‘Eu não procuro, eu acho’, que é outra forma de expor a mesma idéia.”

“Uma das maiores responsabilidades de um editor é estabalecer um ritmo de emoções e pensamentos interessante e coerente _em pequena e grande escala_ que permita que o público confie no filme e a ele se entregue. Sem que se perceba o motivo, um filme mal-editado faz com que o público se contenha, dizendo inconscientemente: ‘Há algo de difuso e nervoso na forma como o filme está pensando, na forma em que se apresenta. Não quero pensar dessa forma, logo não vou me envolver tanto quanto poderia’. Ao passo que um bom filme bem editado é uma emocionante extensão e elaboração dos sentimentos e pensamentos do público, que portanto se entregará ao filme como este se entrega a ele.”

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Thiago Camelo
 

Excelelente, Marcelo! Gosto muito desse livro do Murch e concordo com a teoria (dele e sua) de que o que mais importa na edição de um filme é a emoção. Acho essa idéia muito bonita. Abraços!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 15/5/2007 18:46
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Frederico Moinho
 

Muito bom Marcelo. Ótima filosofia a do Murch mesmo. Você deve ser um bom editor.

Frederico Moinho · Rio de Janeiro, RJ 15/5/2007 19:01
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Marcelo V.
 

Thiago, num trecho famosíssimo do "Pierrot Le Fou", do Godard, o Samuel Fuller define o cinema justamente com esta palavra: "emoção".

Frederico, não sei se sou bom montador (eu prefiro esta palavra a "editor"), mas te asseguro de que gosto bastante da atividade _só que a minha especialidade mesmo, na área de cinema, é roteiro.

Marcelo V. · São Paulo, SP 15/5/2007 19:11
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Helena Aragão
 

Marcelo, viajei muito nesse seu texto. Não tenho intimidade com a produção cinematográfica e confesso que fico muito assustada quando vejo centenas de nomes nos créditos de um filme, mesmo sendo um curta. É gente demais fazendo opções, tirando gordura e moldando a cara de uma obra (ou de um monstro rs) só. Mas a minha viagem foi mais no sentido de comparar as opções que você relata com as da escrita jornalística (ou de um livro, ou o que seja). Aliás, o que é a vida além de seguir em frente sempre, mesmo que se tenha que abrir mão de boas passagens e opções. Vida imita arte, vice-versa tb, e com essa me despeço pq tá ficando poético demais pro meu gosto.

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 16/5/2007 15:29
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Marcelo V.
 

Helena, entendo perfeitamente. Eu também costumava me impressionar com o número de pessoas trabalhando num filme até que eu mesmo, como diretor (e também como roteirista e montador), tive de chefiar uma equipe de mais de 30 pessoas _administrando, além de toda a complexa concepção artística (e, mesmo que não seja sua especialidade, você tem que falar de artes plásticas de igual para igual com seu diretor de arte, de moda com a figurinista, de música com o compositor etc.), uma série de pepinos logísticos, de orçamento e, principalmente, de egos... De longe, foi a coisa mais complexa (dolorosa e insalubre, mas ao mesmo tempo recompensadora) que fiz em toda a minha vida; depois desta experiência, me considero apto a encarar qualquer cargo de gerência em qualquer corporação... Um filme é também um monstro, mesmo, e a gente tem que cavalgá-lo, segurando firme pra não cair.

Quando eu trabalhava na Folha de S. Paulo, era comum eu ter de fazer duas versões diferentes de minhas reportagens, porque, da edição "nacional" (que fechava mais cedo) para a "São Paulo/DF" (a mais quente e extensa), a diagramação das páginas mudava (por causa dos anúncios, é óbvio _muita gente esquece que quem manda em todo meio de comunicação é o mercado publicitário), e eu tinha que retirar ou acrescentar informações que tinha apurado, ou mesmo providenciar ou retirar uma foto, mudar os títulos... Mesmo sendo algo oposto ao cinema, em termos de transitoriedade (a gente morre e os filmes ficam, enquanto que as matérias estão embrulhando peixes no dia seguinte), era inevitável eu comparar uma versão com a outra e considerar que um dos lados sempre saía perdendo.

Há um livro bem famoso chamado "Vida, o Filme", sobre a influência dos meios de comunicação sobre nós, mas o título também deixa espaço para esta sua interpretação: nossas vidas são filmes, e todos nós somos seus diretores, roteiristas, montadores etc. Obrigado pelo comentário, beijos.

Marcelo V. · São Paulo, SP 16/5/2007 16:18
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Egeu Laus
 

Beleza de artigo, Marcelo!
Traga mais!
E aproveitando: gostaria muito de ler algum post aqui no Overmundo sobre o cinema experimental canadense, o National Film Board, Jonas Mekas, etc...

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 18/5/2007 00:26
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Marcelo V.
 

Falando em cinema experimental canadense, há pouco tempo tivemos em São Paulo uma mostra do Guy Maddin... Mas estes temas não fogem um pouco do espectro do Overmundo?

Marcelo V. · São Paulo, SP 18/5/2007 12:17
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Thiago Camelo
 

Fala Egeu. Há um tempinho, escrevi um texto que fala, bem rapidamente, um pouco do Jonas Mekas - http://www.overmundo.com.br/overblog/o-filme-e-o-filme-de-joao-moreira-salles

Na verdade, o mais legal não está nem no texto, mas no link que coloquei sobre o Jonas Mekas lá. Acho-o incrível! Abraços!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 18/5/2007 13:11
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Helena Aragão
 

Legal, Marcelo. A diferença de um cargo de gerência da indústria normal pra uma gerência "artística" deve ser o grau de subjetividade de muitas das decisões que se toma na segunda (será que essa frase fez sentido? :)
É, Egeu, conta aí o que você pensou em relação à cultura brasileira? Será que há alguma relação possível? Abraços!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 18/5/2007 13:19
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Marcelo V.
 

Thiago, o seu texto respondeu à minha maior dúvida em relação ao filme do Salles, valeu.

Helena, acho todo processo muito dinâmico (ainda bem), e a subjetividade, constante. Como cineasta, eu trabalho muito com planejamento, à Hitchcock: faço um roteiro rigoroso, depois uma decupagem idem, desenho story-board, discuto conceitos em todas as áreas de procução etc.; já nestes filmes do Vebis (são dois, o primeiro se chama "Das Faces e Sombras" _óbvia homenagem a John Cassavetes_, e o segundo é este "Nas Duas Almas") eu tive de lidar com um sistema muito mais caótico, e felizmente o diretor me deu liberdade para criar (eu costumo montar os filmes que dirijo porque na verdade a montagem já fica definida na decupagem, então não vejo muita necessidade de um montador _embora fosse muito interessante eu dar um material bruto para outro e ver o que sai dali). Para você ter uma idéia, em meu filme mais recente ("A Volta do Regresso", estrelado por Gustavo Engracia, Carlo Mossy, Ênio Gonçalves e Kate Hansen), a diferença de tempo entre a minutagem que eu havia feito ainda na fase de roteiro e o primeiro corte era de impressionantes 5 segundos... Até eu fiquei besta com a minha precisão _coisa de virginiano obcecado por métodos e organização.

Marcelo V. · São Paulo, SP 18/5/2007 13:42
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Daniel Duende
 

Opa gente... vou chegar chegando (leigo que sou em cinema e sua produção) só pra dizer que a matéria está fantástica! Parabéns Marcelo! Traga mais disso para nós, meu caro cara!

Uma coisa que me chamou a atenção foi ver na escrita do Marcelo (e com que alegria, se não com alguma estranheza do tipo "ver-se inesperadamente no espelho") a mesma mania de parênteses e hifens e outras multinivelações nas frases. Foi gostoso mesmo, cara! Gosto disso.

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 18/5/2007 22:56
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Marcelo V.
 

Daniel, eu tenho mesmo esta mania de usar muitos parênteses e travessões etc. _e não é todo mundo que gosta... Acho que, enquanto vou escrevendo, preciso ao mesmo tempo comentar o que estou escrevendo, ramificar as informações em vários galhos (ou níveis, como você falou) etc. Um assunto leva a outro, que leva a outro que leva a outro... Acho que é uma estrutura que funciona inclusive no cinema. Valeu, abraços!

Marcelo V. · São Paulo, SP 19/5/2007 01:21
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Daniel Duende
 

É... eu penso igualzinho. Não apenas tenho que comentar o que estou escrevendo (e resisto, por vezes, à tentação de abrir um parêntese dentro do parêntese e comentar o comentário (como agora), pq isso já seria um pouco demais), como há sempre muitos níveis em todo discurso (e eu gosto de cobrir todos eles). É mania também de hiperlinkagem, metalinguagem e "tagarelagem", heheheeh :D

abraços do verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 19/5/2007 01:30
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Roberto Maxwell
 

Marcelo, soh de ter um texto sobre cinema que nao eh uma "critica" de filme, ja valeu a pena. Excelente a visao do montador sobre o processo de construcao da obra. Eu trabalhei pela primeira vez como editor de uma obra minha aqui no Japao e, apesar do respeito e admiracao que tenho por todos os editores/montadores que trabalhei, decidi nao abrir mao do processo de montagem nunca mais (isso eh relativo), de tao valioso que eu descobri que ele eh na existencia do filme. Alem de ser um trabalho criativo delicioso de fazer.

Roberto Maxwell · Japão , WW 19/5/2007 14:42
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Alexandre Inagaki
 

Mr. Valletta, ótimo texto, como de habitual. Mas espero que você ainda redija um artigo explorando suas experiências na Folha. Por exemplo, esse mote que você jogou en passant nos comentários, a respeito da necessidade de redigir duas versões de suas matérias, uma resumida e outra com os extras do DVD.

Alexandre Inagaki · São Paulo, SP 19/5/2007 14:51
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Marcelo V.
 

Roberto, eu só escrevo críticas de filmes se for pago para tal (não é uma postura antipática, apenas profissional). Escrever em blogs (o meu "de cinema" completou 5 anos no mês passado) é de uma natureza totalmente diferente; se por um acaso eu virasse um "problogger" (algo que só aconteceria realmente por acaso, penso), não tenho dúvidas de que o estilo dos meus textos mudaria totalmente (particularmente, acho que melhoraria muitíssimo, mas muitos certamente iriam sentir falta de um maior descompromisso).
Sobre a questão diretor-montador, falei um pouco sobre isto na minha segunda resposta à Helena.

Inagaki, sobre o assunto pedido dá para escrever um livro; apesar de ser um período curto de minha vida (três anos e meio), foi intenso (embora não seja meu preferido nem o que eu considere o mais importante). Mas quando algo me inspirar uma reflexão sobre o jornalismo, prometo rascunhar algo. Abraços!

Marcelo V. · São Paulo, SP 19/5/2007 16:00
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Helena Aragão
 

Dei boas risadas agora com essa conversa sobre travessões, parênteses e parênteses dentro dos parênteses! Confesso que também tenho uma atração quase irresistível por eles - apesar de bons jornalistas que conheço dizerem que são recursos bem problemáticos, então tento me policiar (mas vício é vício). Aliás, se você for escrever o texto sobre a experiência na Folha, podia ter um trecho sobre isso, pq lá eles deviam arrancar sem perdão qquer coisa desse tipo na edição, não?
Maxwell, imagino total essa coisa de não querer deixar a montagem na mão de outra pessoa. É etapa tão importante! Como é que pode, tem que ser uma relação de confiança daquelas.

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 19/5/2007 21:01
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Marcelo V.
 

Helena, nunca tive censura a parênteses ou travessões na Folha _pelo contrário, eles estão previstos no Manual da Redação (mas é claro que eu os usava com parcimônia, o texto jornalístico não tem nada a ver com os que escrevo na internet, a clareza vem em primeiro lugar); o texto só era mexido mesmo (invariavelmente para pior) por questões de espaço.

É raríssimo um diretor de longas montar seus filmes, por questões de tempo e de compartimentação natural das atividades; e também nem todo diretor sabe montar (embora devesse _aliás, diretores que sabem escrever bons roteiros também são raridades).

Sou extremamente simpático à descentralização das atividades, acho que roteiro, direção e montagem deveriam ser realizados por pessoas diferentes (com supervisão e aprovação do diretor e do produtor _especialmente quando este entende realmente de cinema, o que deveria ser a regra); infelizmente, no meu caso (os dois últimos filmes) tive de arcar com todas estas funções simplesmente por falta de mão-de-obra, e é complicado ter tanta responsabilidade nos ombros sem ter ninguém com quem dialogar... Gostaria muito de dirigir roteiros de outrem e me senti muito à vontade montando filmes de outros diretores (justamente porque eles confiaram em mim e deixaram que eu criasse, embora a palavra final fosse sempre deles, e nem sempre eu concordasse com todas as escolhas).

Marcelo V. · São Paulo, SP 19/5/2007 21:33
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