A RESISTÊNCIA DO VINIL
Quem me despertou para escrever essa colaboração foi o Eduardo Castro, cineasta e músico, mineiro de nascimento mas tocantinense por 17 anos. O que nós temos em comum? Ele morou em Araguaína entre 1974 e 1992. Só agora o conheci, quando justamente não mora mais aqui. Está em Goiânia e o que permitiu o nosso contato foi o bom e velho vinil, com a ajuda do Overmundo. Ele entrou em contato comigo e eu topei na hora falar sobre o tema, afinal ele produziu um documentário premiado “A Resistência do Vinil” sobre o LP ou bolachão, como é carinhosamente chamado o Long Play, disco com tecnologia desenvolvida em 1948 em substituição aos discos de goma-laca de 78 rotações. No final da décado de 1980 e início dos anos 90 o CD tornou o vinil obsoleto. Mas nem por isso ele morreu.
E é sobre sua fantástica resistência, mantido vivo por uma legião de fãs, que Eduardo produziu um curta-metragem premiado em quatro ocasiões (conferir abaixo). A idéia do filme nasceu de uma visita sua a Araguaína em 2004. Ele conta que esteve com vários amigos, entre eles Marcelino, proprietário da Discoteca POP SOM. Segundo ele, “passando na rua 1° de Janeiro resolvi visitar o Marcelino que também era amigo das antigas, notei que sua loja não tinha mudado nada desde a última vez que eu estivera lá. Brinquei com ele a respeito de um disco do Frankito Lopes, que estava no mesmo lugar havia doze anos, justo o tempo que eu não voltava à cidade”. Eduardo conta ter ficado ainda mais espantado quando o amigo retrucou: “na realidade tem dezoito anos que o disco está no mesmo lugar, assim como todos os outros LPs”. Disse ter imaginado na hora que isso era “coisa de doido”. E de pronto, filmadora à mão, como todo bom cineasta, começou a gravar com o amigo. Sabia que dali surgiria algo, nem que fossem bons momentos de lazer com os amigos assistindo às filmagens. Em Goiânia, interessou-se por visitar alguns sebos que vendiam os bolachões e para sua surpresa constatou que Marcelino não era caso único. O Long Play tinha uma legião de ardorosos defensores. Foi então “que caiu a ficha”. Não teve dúvidas: “eu estava diante de um tema muito bom para um curta”, revela.
E de fato, o seu trabalho rendeu várias premiações e participações em muitos festivais. Assistindo ao documentário no You Tube você vai saber por que o vinil não morreu.
PREMIAÇÕES
Melhor curta goiano no Goiânia Mostra Curta - Outubro de 2005
Melhor direção de curtas no Festcine em Goiânia - Novembro de 2005
Vencedor do Doc TV Goyas em Goiânia – Dezembro de 2005
Melhor curta por indicação do júri popular do 13º Festival de Cuiabá – Abril de 2006
Menção Honrosa
Chico – Festival de Palmas-To
Dia 7 de março estará na programação da Cinemateca Brasileira em São Paulo
Eu mesmo tenho algumas raridades que não dou, não vendo, não empresto. Tenho um amigo alemão que está no Brasil e vive comprando vinis. Disse que lá em Colônia, onde mora, vinil vale pra caramba (inda mais de música do Brasil). O cara já tem 300 unidades (uns 40 quilos). Não sabe como vai embarcar tudo no avião.
Matéria muito bem sacada Jota.
JJ.
Preservo meus vinis com muito carinho até hoje. Sempre que posso vou ao sebo do Denis aqui em Belém pra ver se arrecado alguma raridade pro 3 ou 4 reais. Penso que se tem uma relação muito mais próxima co os vinis do que com os cds. O lance de pôr a agulha, virar de lado, a relação tátil que se tem com a coisa toda. Enfim, sou um desses retrógrados assumidos...
abraços,
Pedro
Um palpite: Acho que as vitrolas vão ter que voltar. O número de adeptos do vinil cresce assustadoramente.
Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/3/2007 13:26
Salve JJ!!! Sou colecionador de Aracaju. Aprecio toda boa iniciativa para preservar um pouco da cultura musical brasileira. Faça contato pelo e-mail: antoidrex@yahoo.com.br para trocarmos uma idéias. Quero fazer contato com pessoas que trabalham ainda hoje com venda de vinis.
GRANDE abraço!!!
A.T.
Guardo alguns poucos vinis como peças decorativas. Doei tudo a um colecionador chegado. Gostei da matéria, Leandro. Fiquei curioso quanto ao Eduardo em questão. Não sei se é o mesmo velho amigo da "serigrafia", o roqueiro cabeludo dos anos 80 e 90, em Araguaína, que morava próximo ao mercado municipal. Um abraço!
Antonio Rezende · Palmas, TO 8/3/2007 00:38
que maravilha!
tenho uma pequena coleção, claro..ninguém chega perto,rsrs.
muito boa colaboração.já vou no You Tube.
beijão
Fran
Também tenho a minha coleção de vinis da primeira fase (somente os 10 polegadas que tinham 4 músicas de cada lado). Um período que começou em 1951 e encerrou-se em 1958 quando surgiu o Lp "12 polegadas" com 6 músicas de cada lado.
Vocês sabem que em belfort Roxo (RJ) sobrevive a única fabrica de vinis do Brasil, atualmente? Vejam matéria na revista Piauí (de março) e foi feito também um video documentário. Não sei se está no YouTube.
Abraços!
De extremos, ou minha coleção de vinil que mantenho e cuido como jóia desde minha adolescencia, assim como meu aparelho um prato tecnics do início da decada de oitenta, impecável, ou todos os cds para mp3, não há a menor possibilidade de fetiche pelas caixinhas de cd e seus encartes.
Camafunga · Pelotas, RS 12/3/2007 16:56
Tive a oportunidade de assistir esse documentário no Chico. Adorei.
A matéria ficou boa, mas continuo insistindo: o texto deve ser editado para Internet. Frases curtas. Parágrafos menores ainda. Assim você acarretaeá muito mais leitores!
ABS
=)
muito bom o texto e o video!
só acho que podiam ter explorado mais o uso do vinil pelos dj´s de rap. como foi dito rapidinho no doc, é o rap que continua movimentado a produção de vinil no brasil.
além disso, seria bacana mostrar como os dj´s usam os vinis pra produzir novos sons...
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!