No memorável filme Cidade de Deus, do diretor Fernando Meireles, um dos personagens centrais da trama – Buscapé, após ter relações sexuais com uma jornalista saiu com a seguinte pérola: “Jornalista não sabe trepar”.Com esta frase o personagem aspirante à fotografo ofendeu a uma classe ampla de mulheres intelectualizadas e em defesa das jornalistas,logo,”puxando a sardinha para o meu lado” – eu acuso que as jornalistas sabem trepar sim!E muito bem!
As jornalistas são as super-mulheres do século XXI, isto se deve às suas inteligências natas e sua capacidade de operar em todos os âmbitos da vida com sucesso e glamour. As jornalistas são, sobretudo mulheres que jamais fingirão orgasmo, pois o seu compromisso é com a ética e principalmente com a verdade - com um alto teor de consciência as jornalistas tendem a entender dos mecanismos masculinos e/ou femininos de forma a levar o seu parceiro (a) à loucura.
Pode se avaliar a sexualidade das jornalistas por uma simetria bilateral, ou seja, por dois ângulos – o primeiro relativo ao erotismo feminino e outro a relativo a racionalidade da mulheres intelectuais.O erotismo feminino é tátil ligado assim aos odores, a pele e ao contato – tal qual uma matéria escrita por uma mulher. Perceba, neste sentido, a diferença, no exemplo a seguir onde um jornalista e uma jornalista escrevem sobre o mesmo assunto:
“A adolescente F. tem 15 anos e nasceu em Jaguaquara, sudoeste do Estado. I., também de 15, nasceu em Salvador. Em comum, ambas são submetidas à exploração sexual desde os 12 anos e nesta segunda-feira (14), pela manhã, foram encontradas nuas na casa de um porteiro do Hotel Xamêgo – localizado na Calçada – em cujo estabelecimento elas eram levadas por adultos, até mesmo em grupos, para abusos diversos.”
(Lide masculino)
“A coordenação do Programa de Ação Integrado para o Combate ao Tráfico e Exploração Sexual e Comercial de Crianças e Adolescentes na Cidade de Manaus (AM) está programando para esta sexta-feira (19) uma manifestação na Praça da Polícia, centro de Manaus, que deverá envolver diversas entidades diretamente ligadas ao enfrentamento da exploração e turismo sexual. A manifestação funcionará como um pedido de esclarecimentos da sociedade às autoridades locais sobre o andamento do caso Amazonas.”
(Lide feminino)
Através destes lides é possível traçar uma analogia que permitirá entendermos disparidade do erotismo dos jornalistas, isso relacionado às questões sexuais.
No lide masculino perceba que existe um viés sensual embutido, perceba também que é uma matéria mais visual - onde você imagina as duas meninas sem roupa na casa porteiro, isso leva a nossa imaginação para um local de orgia, de luxúria, de prazer, mesmo que o assunto abordado seja de uma grave lacuna social. Enfim, o primeiro lide designa a naturalidade do erotismo masculino e sua imaginação que almeja a satisfação instantânea, com ejaculações fantásticas e mulheres sedentas por pênis.
• Isto também pode ser percebido com o tipo de linguagem utilizada – invés de o jornalista escrever Nuas ele poderia escrever sem roupas, linguagem até muito mais simples e amena, forma, aliás, que certamente se fosse uma jornalista escreveria, ainda que sem nenhuma visível propensão ao pudor.È válido ressaltar que a palavra nua tem uma imensa conotação sensacionalista - O sensacionalismo aparece nos meios de comunicação como uma espécie de balança, oscilando em determinado momento para a punição e, em outro, para a transgressão. O veículo, que envereda pelo caminho sensacionalista, chama a atenção para si por meio desses dois fatores: a punição e a transgressão.
Não se trata de um fenômeno novo. É talvez a mais antiga ferramenta para aumentar as vendas de produtos de comunicação e implica em uma opção editorial. O produto sensacionalista baseia-se em uma linguagem específica, que será chamada aqui de "clichê".
As jornalistas inverteriam os termos por uma questão muito simples, o erotismo feminino é diferente do erotismo masculino como já foi supracitado.A mulher tem um senso sexual voltado para a verdade,ou melhor, diferindo-se do homem ela não é ligada em imagens – ela ao escrever uma notícia que envolvesse algum “gostosão” ou dois homens sem roupa – ela não se imaginaria estando lá com eles ou ele e mesmo que fosse lésbica ela não se imaginaria vivenciando algo com elas.Isto é possível por que a mulher pela colonização cultural que se inveterou na sociedade, onde as mulheres não devem pensar em sexo, estas aprenderam a controlar sua sensibilidade para com os desejos .
Já as jornalistas por serem mulheres “incomuns”, anti-funcionalistas , alternativas e bem informadas tiram de letra as questões referentes a sexualidade – isso por que certamente elas não possuem tantos tabus como as demais mulheres – trocando em miúdos – ela vai se entregar na cama e não se espante se ela tomar as iniciativas,pois como uma mulher interada ela sabe dos seus direitos e não irá fazer corpo mole quando o assunto é orgasmo .A jornalista sabe o que é saber sentir prazer e mais que isso contra a submissão feminina ela dificilmente se renderá aos clichês , quase dogmáticos dos homens.Por fim, ela é racional e objetiva quando o assunto é o seu trabalho, mas o quando o assunto é sexo ela prefere ser – entre quatro paredes diga-se de passagem – “ DOG mática”.
Mas voltando ao lide, perceba no segundo lide a destreza de detalhes, a linguagem um pouco mais rebuscada,a sutileza do interpor das palavras, a jornalista ela ao escrever um lide ela não vai ser sucinta, vai ser objetiva dependendo do veículo de comunicação em que trabalhe, mas o seu lide sempre vai ser exagerado – por isso no simulacro universitário os professores (homens) deveriam entender o por que daqueles lides imensos( com 12 ou 13 linhas).Observe as expressões: Enfretamento da exploração, esclarecimento, etc. – veja que as expressões que designam ideologia, ela quer concertar o que ta errado e realmente está errado – só que por ser mulher a jornalista entende o que é uma violência sexual, o que faz parte da essência feminina, assim como os extintos fazem parte da natureza masculina.
De acordo com uma pesquisa feita com colegas de profissão 80% das jornalistas afirmam que entre quatro paredes vale tudo. Além disso, as jornalistas afirmaram que dentre todas as carícias, sendo unanimidade a que não pode faltar na hora “H”, que deveria ser “M”, são as famosas mordidas no pescoço.
Outro fato que chamou bastante atenção foi que as jornalistas entrevistadas, afirmaram ser dadas a experimentações sexuais pouco covencionais, como: transar numa cachoeira, com dois parceiros e até mesmo confessaram gostar da prática ao ar livre (no parquinho, numa viela, na praia).
Apesar de possuírem fantasias tão exóticas todas que responderam ao questionaram deram um banho de conhecimento quando o assunto era ética.Para muitos leigos é de total desconhecimento que o atual estágio da ética jornalística oscila entre –“ a imagem romântica de árbitro social e porta-voz da "opinião pública" e a de empresa comercial sem escrúpulos que recorre a qualquer meio para chamar a atenção e multiplicar suas vendas, sobretudo com a intromissão em vidas privadas e a dimensão exagerada concedida a notícias escandalosas e policiais”.
Correlacionando este aspecto com os aspectos da ética sexual,hoje, segundo o professor Katsuhiro Kohara da Universidade Doshisha, Kyoto, Japão,influenciada por questões eclesiásticas, chega-se a conclusão que no universo sexual das mulheres que fazem jornalismo a ética restringe-se ao campo de trabalho,visto que o sentido unilateral da ética pressupõe limite e em linhas gerais não são concebidos na cama , limites para 80% das entrevistadas.Por outro lado,também existem lacunas na ética sexual das jornalistas que vivem entre o idílio da conduta séria que o jornalismo prescreve e a sensualidade feminina que sugere certa paixão humana afastando assim a racionalidade.
Ao afastar a racionalidade de suas relações a jornalista deixa de ser uma amante perfeita. De acordo com determinada corrente filosófica a mulher deixa de ser uma super-amante por que ela se apaixona. Talvez por ser Jornalista e possuir em seu ideário princípios de humanidade, ela se apaixone duas vezes mais rápido que uma mulher “normal”.
O problema da paixão no sexo é que o parceiro, sobretudo, a mulher, deixa de conceber o seu parceiro como objeto sexual, ou melhor, objeto de prazer e passa a desejá-lo como algo que esteja sob o seu poder. A busca deixa de ser pelo prazer e passa a existir pelo deleite de amor.
Neste âmbito é possível chegar a conclusão que o autor do filme ao citar a frase – Jornalista não sabe trepar- estava querendo dizer que as jornalistas se apaixonam mais facilmente e por isso no lugar do sexo feroz como os das cenas globais exibidas em horário nobre, elas se entregavam com delicadeza à um amor instantâneo, ou seja , as jornalistas são capazes de viver um amor eterno em apenas algumas transas.
Oi Vanessa. Muito boa a comparação dos lides. Me diverti a beça. Vc é jornalista? rs!
Como ainda está em edição, dê um espaço em cada parágrafo para facilitar a leitura. No mais, excelente colaboração.
Uma pérola de bom humor este seu texto, Vanessa.
A frase colocada na boca do Buscapé é infeliz, nem tanto pela generalização inconseqüente (como provocação e piada em si, é ótima), mas porque fica esquisito ele ser tão mal-agradecido à mulher que lhe tirou a virgindade e ainda lhe arranjou um bom emprego.
Muito inventivo. O texto está muito bacana. Um abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 18/5/2007 11:14Oi Vanessa: legal o seu texto! Adoro esse movimento de liberação das jornalistas. É um verdadeiro press release! Nossa, péssima essa também. Bjs!
dansudansu · Rio de Janeiro, RJ 18/5/2007 18:41
Vanessa,
A jornalista, assim como aparece em teu texto, ou a estereotipada pelo diretor de cidade de deus na boca do aprendiz de foca, não existe.
Existem mulheres jornalistas que não são assim como dizes.
Existem mulheres jornalistas que não são como o diretor execrou.
Há mulheres que sabem trepar.
Há mulheres que não sabem trepar.
Há homens que sabem trepar.
Há homens que não sabem trepar.
quando encontram-se os que sabem, é gozo geral.
As mulheres em todas as profissões, assim como homens em todas as profissões, são pessoas em circunstâncias e relações diferenciadas, objetiva e subjetivamente determinadas.
Algumas jornalistas que conheço, inclusive, são inclusive auto-determinadas.
Conscientes, subvertem as circunstâncias, rompem a objetiva pré-determinação.
Particularmente, aprecio mais análises que situem casos específicos.
Quero dizer, nem generalizem um perfil idealizado de mulher, nem estereotipem do modo machista e discriminatório como bem denuncias na cena de cidade de deus.
Não creio que a fala do filme se referiu às mulheres jornalistas, mas a todos os jornalistas.. (risos). O que também é um equívoco da parte do roteirista!!
André Dib · Recife, PE 20/5/2007 13:45
Confesso que dei boas risadas, mas não acho que o diretor ofendeu uma classe toda.Assim como qualquer ser humano, jornalista não é produzido em série.
O texto tá bem bacana, e já está causando boas discussões...
Gostei do texto conterrânea, provocador e excitante.
O mais engraçado é o compromisso com a ética, até no sexo...garantiu boas gargalhadas.
Srtª. Vanessa, seu comentário é um tanto quanto pelemizador, parece o caso do Dep. Clodovil, não pode-se mais falar nada sobre uma cidadão que tenha uma profissão, que alguem da classe se dói toda. deixa isso pra lá, o importante é se vc sabe tranzar, de qualquer forma seu alerta foi bom, devo me interessar mais por esta classe. Abraços.
eloy · Montes Claros, MG 21/5/2007 15:20Bem... Como diria a vedete Carmen Verônica: "O pessoal não tem reclamado". he, he
Fernanda Lizardo · Rio de Janeiro, RJ 21/5/2007 17:08
vanessa, conterrânea! hilário o seu texto. morri de rir, vc deixa o joão ubaldo no chinelo. claro que o adroaldo tem razão, mas seu texto já é outra coisa. bjs!
diginois.com.br · Rio de Janeiro, RJ 21/5/2007 20:33Adroaldo, tô contigo! E acrescentaria mais: há jornalistas que independente de saberem ou não trepar, não sabem escrever... Assim como em toda profissão... Acho uma bobagem tudo isso!
Tânia Brito · Campo Grande, MS 22/5/2007 23:47
Alexandre,
Metade de mim tá contigo, porque a outra metade está procurando atrás da porta (pra ficar na vereda humorística).
diginois.com.br
Há razões e razões. As da generalização chegam às generalidades.
Quando comentei o postado da Vanessa não percebi que poderia ser uma boa piada. Talvez por isso não tenha rido de algo que põe num saco feio todas as minhas colegas mulheres.
Tânia Brito,
Tmbém acho que há, logo ali na esquina um ministro aos tombos, arrastando mistérios de polichinelo à lama.
Aliás: aproveitando a deixa, convido todas a lerem três capítulos d'O dia do descanso de Deus, uma novela que cometi e será lançada agora em 31.05.
Assim, ó, para deixar evidente: quando fiz o convite a todas, o fiz a todas as pessoas.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 23/5/2007 10:14
Vanessa, muito bom o texto, o tema então... deu o que falar, não foi?? Como jornalista, sei que a frase " magoou" a todas!!!!! A a comparação com a ètica ficou muito boa!!!! Marcos, vai te dizer melhor!!(rsrsrsrsrsrsrsrsr)....
Nâo imaginava que daria tanta discussão,A sexualidade das jornalistas!!!!
Gostei do texto, muito legal. Todas as garotas aqui da redação estão contigo Vanessa! Acho que o Renan Calheiros é outra pessoa que pode confirmar a força sexual das jornalistas...
Marvin Kennedy · Lauro de Freitas, BA 31/5/2007 15:02
Valeu Vanessa!
Sou estudante e estagiária de Jornalismo.
Se bem que a frase dita pelo personagem não foi percebida por mim. Entretanto, sabendo que nós jornalistas nos garantimos, o comentário de Buscapé é desnecessário. Agora se a jornalista do filme não foi o que ele esperava........
Muito interessante o texto, o que mais gostei foi o segundo parágrafo (já testei e aprovei uma jornalista...). Parabéns!
Ariadwen · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2007 19:35
Vanessa,
Gostei da mensagem sobre a ética feminina. Nas entrelinhas, sua "tese" está no aumentativo da palavra. O Buscapé é que não buscou o que Renan encontrou, mas também não levou coelhada na moleira.
As jornalistas são mesmo uma delícia, porque sempre têm uma matéria nova em pauta, uma surpresa, um furo, para nos levar ao ápice da primeira página, escrevendo sempre com introdução, desenvolvimento e conclusão.
Olá Vanessa o seu texto ta muito bacana, e muito interessante, srrsrsrsrrsrs...
raquel fernandes · Santarém, PA 14/1/2008 10:21
Vanessa,
Apesar da seriedade do assunto, seu texto é sempre bem humorado, o que é uma grande qualidade. Não há como não rir.
Abs,
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