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A televisão pernambucana me deixou burro demais...

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João Cumarú · Recife, PE
5/5/2007 · 79 · 4
 

A televisão foi criada em 1926 pelo escocês John Logie Baird e aprimorada pelo russo-americano Vladimir Zworykin. Chegou para inovar uma época dominada pelo rádio e pelo cinema, como fontes de entretenimento. No Brasil, apareceu em 1950 e era muito cara. Cada televisor custava três vezes o valor de uma boa vitrola. Atualmente, é o veículo de comunicação mais importante não somente aqui, mas em todo o mundo. Entretenimento e informação são as suas principais contribuições para o nosso dia-a-dia. Mas nem só disso vive a televisão. Vejamos as cenas deste capítulo.
Hoje na televisão aberta brasileira, há um domínio quase que absoluto dos besteiróis e programas de baixa qualidade. As pessoas ficam presas em suas casas-cárceres, vendo o mundo sob os olhos superficiais dessa televisão, que é pobre em cultura e informação. A informação está restrita a pouquíssimos telejornais e alguns parcos programas de variedades, que muitas vezes não são de produção própria das emissoras. Dizem que a cultura está presente nas novelas, mas será mesmo verdade?
Algumas poucas pessoas têm o privilégio de ter em casa a televisão paga, com canais de filmes, documentários, desenhos, esportes, entrevistas, entre muitos que proporcionam lazer e bem-estar. Mas isso não é pra qualquer um.
Algumas emissoras da TV aberta, às vezes produzem coisas interessantes sobre ciência, cultura e arte, que poderia ser a verdadeira essência de uma televisão. Mas isso é muito pouco.

A superficialidade da TV pernambucana

Aqui em Pernambuco, a televisão também não foge à regra. As emissoras espalhadas pelo Estado são a TV Tribuna, afiliada da Record; as TVs Jornal Recife e Jornal Caruaru, do SBT; a Clube, da Bandeirantes; a Rede Globo Nordeste e suas afiliadas Grande Rio, no Sertão, Asa Branca, no Agreste e Golfinho, no Arquipélago de Fernando de Noronha. Há ainda a Rede TV!, MTV Recife e a Rede Estação, além canais UHF. E no meio dessa salada, a TV Universitária, pertencente à Universidade Federal de Pernambuco e que transmite boa parte da programação da Rede Cultura.
A TV Tribuna, de segunda a sexta, teima em dar o seu show particular de horror, exibindo programas mais adequados às emergências dos hospitais públicos do que à telinha. É morte, tiroteios, violência e o diabo a quatro! Não que devamos ficar alheios a isso, mas essa exploração humilhante dos seres humanos para deleite da população não é o caminho. E o que me deixa pasmo é que a Tribuna mostra os corpos ensangüentados e cadáveres a qualquer hora do dia, mas principalmente num tal “Ronda Geral”. E o pior de tudo é que essas asneiras dão audiência! Não posso deixar de falar no “Tribuna Show”, que incentiva a “cultura burra” das bandas de forró-pagode-brega.
Um dos programas de maior audiência e popularidade da TV Jornal é o “Papeiro da Cinderela”, que seria um bom programa de típico humor pernambucano, mas, infelizmente, acaba apelando para as baixarias. Além desse programa, se destaca também. Programas como “Bronca Pesada”, sobre casos policiais, são destaques nessa televisão.
No encalço das duas acima vai a TV Clube, com seus programas de auditório que apresentam bandas de brega, pagode e forró-brega, com destaque para o “Show da Clube”. Até os nomes são previsíveis!.
Dentre tantas emissoras que exibem tolices, uma nova criada em 2001, veio pra piorar a situação, que já é crítica: a Rede Estação Sat, com programas sem conteúdo e de malíssima qualidade técnica, mesmo exibindo seriados americanos clássicos como “Jeannie é um Gênio” e “A Feiticeira”.
A Globo Nordeste, apesar da excelente qualidade técnica (detalhe que as outras não têm), a programação segue o padrão da sede no Rio e não há espaço para muita inovação. Em termos de produção própria, leva ao ar diariamente os jornalísticos "Bom Dia Pernambuco", "NE TV - Primeira Edição", "Globo Esporte" e "NE TV - Segunda Edição". Aos finais de semana, exibe ainda os programas "Globo Comunidade", "Lance Final" e “Nordeste Viver e Preservar”, este sim um excelente programa sobre a ecologia da região. Alguns programas especiais, às vezes, são apresentados.
Nesse mar de péssima qualidade da televisão pernambucana, surge a TV Universitária (TVU) em 1968, sendo a TV educativa mais antiga do Brasil. Pelo fato de retransmitir a programação da Rede Cultura, possui a melhor programação de Pernambuco, com programas educativos, excelentes documentários e uma programação local diversificada, mesmo parecendo amadora. Dentre os programas produzidos pela emissora, destaca-se o “Sopa Diário” do agitador cultural Roger de Rennor, “TV Ciência”, que divulga pesquisas realizadas em Pernambuco; “TV Saúde”, que informa e orienta os telespectadores sobre as diversas doenças, formas de tratamento e novidades da área; o sensacional “Documento Nordeste”, que mostra as riquezas das manifestações sócio culturais, historia, formação e meio ambiente, “Fim de Semana”, agenda cultural com matérias e entrevistas. “Cinema no 11”, que divulga os bastidores e novidades da sétima arte. “O Negócio é o Seguinte” debate os rumos da economia local com a presença do economista Alexandre Rands, “Esportes no 11” e, mais recentemente, “TV Rural” com entrevistas e matérias abordando as atividades desenvolvidas pela UFRPE.
A TV Cultura, na qual se baseia a programação da TVU, destaca-se pela produção e exibição de programas com qualidade considerados acima da média para a rede aberta de televisão. É reconhecida especialmente pela sua programação infantil e educativa, baseada em valores como a ética e procurando aplicar sua função social, sendo premiada internacionalmente, inclusive pela Unesco.
É triste dizer que, tanto a televisão brasileira como a pernambucana, retrata pouco a cultura verdadeira, ciência e arte. Em vez disso, é uma enxurrada de programas de fofoca, musicais bregas chulos, novelas e outras besteiras, que merecem somente o nosso boicote.

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Higor Assis
 

Olá João Verde.

Algumas dicas: Poderia colocar um espaço entre os parágrafos finais, ficou um pouco pesado para ler. Um foto para ilustrar também seria bacana.

Quanto ao artigo, muito bacana sua reflexão e este problema é bem antigo e não ilustre só de Pernambuco caro amigo. Dizem que estes programas fazem sucesso porque a população gosta! E ai quem será o errado na história ?

Este é o maior problema o mais interessado não cobra mais qualidade.

Um abraço!

Higor Assis · São Paulo, SP 2/5/2007 09:17
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João Cumarú
 

É mei caro Higor concordo com você.
E quanto as dicas muito obrigado, vou ficar mais atento da proxima vez.

João Cumarú · Recife, PE 3/5/2007 14:16
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Josué
 

Oi Joãozinho,
Muito bom! Hoje vai ser lançado aqui no Recife o livro "A Televisão Pernambucana: por quem viu nascer", do jornalista Jorge José Barros Santana, no JCPM Trade Center, lá no Pina. É um histórico, mas talvez explique certas coisas de qualidade. Não li ainda!
Um abraço grande

Josué · Recife, PE 3/5/2007 17:28
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PEDRO FERNANDES
 

Olha seu texto eh uma figura, tem o que falar.

Diria a vc que trata-se da tv como um um todo os deixa urros demais e a que vc cometou apeas parte desse emarahaido tao complexo chamdo midia.

PEDRO FERNANDES · Natal, RN 4/5/2007 20:18
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