No dia 27/11 o programa Tribunal de pequenas causas musicas, da MTV Brasil, discutiu o seguinte tema: “o eletrônico foi a última inovação na música?”
No programa, que possui três VJs da casa, um como juiz e outros dois como advogados de defesa e acusação, teve três convidados (testemunhas), entre eles a jornalista Claudia Assef e Daniel Peixoto da banda Montage, que entendem do assunto para colocar suas opiniões. No final o veredicto do público (júri popular) foi: NÃO, a música eletrônica não foi à última inovação na música! Quem votou? Pessoas que simplesmente não gostam de e-music?
O que seria das grandes bandas de rock hoje em dia sem a música eletrônica? O que chamamos de “novo rock” tem um pé eletrônico e o outro roqueiro. É só escutar The Killers, The Rapture, Franz Ferdinand, Kasabian, Editors, Bloc Party, The Bravery e assim vai. E o post-rock? Pode até se dizer que é mais um sub-gênero da eletrônica, vide Radiohead. Até bandas como Placebo utilizam certos elementos eletrônicos.
Se formos um pouco mais longe, sem chegar ao inicio da e-music nos anos 20 e citar mestres dos anos 60/70 como Bruce Haack e Kraftwerk, podemos ir até os anos 70 quando um novo gênero do rock nascia, o progressivo, e ali já se ouvia sons tirados de máquinas. Depois veio a disco music, new wave, new romantic, synthpop, post-punk, hip-hop até o que o que conhecemos hoje como música de computadores.
A música eletrônica não é só música de pista e não é só DJ, pois se existe DJ é porque tem um artista/músico por de trás dessas produções prensadas nos discos. Depois que o som eletrônico foi criado nenhuma outra inovação foi tão grande e nenhum outro conjunto de instrumentos e cabeças pensantes foi tão revolucionário na música.
Estamos chegando numa era que os elementos eletrônicos vão fazer parte de todos os ritmos musicais. As grandes novidades do jazz andam junto com a eletrônica, até a música erudita já está de caso com os computadores, como no CD ao vivo “Blue Potential” do pioneiro do techno Jeff Mills.
hehehe.... depois que descobri que dá pra colocar scratches em partitura... para mim , o toca-disco foi a última evoluçao da música... mas espera ai.... a última coisa que a MTV pode dar é opinião sobre música, já que sua função é simplesmente vender, pois é parte (de grande destaque) doaquilo que chamamos de "indústria cultural". Eles podem especular... mas jamais vão dizer alguma coisa séria, por mais importantes que sejam as pessoas convidadas para o programa.
Daniel Tocha · Belo Horizonte, MG 3/12/2006 18:52e isso quem dirá será apenas o tempo.... pois foi assim com os outros estilos de música e também de arte.
Daniel Tocha · Belo Horizonte, MG 3/12/2006 18:54
Oi Rafael.
Na real a música toda deve muito à eletrônica e não à "música eletrônica". Esta representa apenas uma aplicação de recursos técnicos. Tais recursos é que possibilitaram inúmeros avanços estéticos mesmo no âmbito de uma música "acústico-instrumental". Não é uma questão de gostar ou não de "e-music", portanto, mas de entender o que significa de fato o termo "música eletrônica": música que utiliza como recurso de manufatura sonora, dispositivos eletrônicos. Em sua origem (inicio dos anos 50, Alemanha) tais recursos estavam limitados à idéia de síntese e filtragem de sons puros ou ruido branco, ou seja, à idéia de criação de eventos sonoros a partir do zero. Não devemos confundir essa prática com a chamada "música eletrônica de pista" que utiliza outros princípios de construção e outros elementos sonoros.
A tecnologia é uma coisa, a música é outra coisa. Não existe uma "música tecnológica" e sim, "música". O dispositivo não define o gênero. Temos a impressão que isso acontece porque estamos acostumados a ler termos como "música eletroacústica", "música acusmática", "música eletrônica" como 'conceitos'. Na real não são. São apelidos de tendências que acabaram vingando (colando) em termos de difusão mercadológica (marketing).
É por aí.
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