Esta gente que expulsou a garota da faculdade forma pessoas. Isto salta de cada declaração, de cada pronunciamento, de cada depoimento, de cada comunicado que a Uniban dispara sobre a expulsão da garota que ousou se apresentar num vestido vermelho demais, curto demais, em um espaço em que as pessoas buscam ampliar e dar cores a seus futuros e ao futuro dos lugares em que vivem e sofrem.
A todo tempo esta gente que expulsou a garota da faculdade por ousar estudar com um vestido vermelho demais, curto demais, fala em formação, educação, aprimoramento, desenvolvimento, compromisso e promoção de valores. Esta gente que expulsou a garota da faculdade forma pessoas.
São pessoas que dispõem seu tempo, seu empenho, suas vontades e dúvidas, suas necessidades e sonhos para esta gente que expulsou a garota da faculdade reforçar diante delas as suas noções de aprimoramento.
Reafirmam ali entendimentos sobre convívio, referências de liberdade e determinações sobre pertencimento para estas pessoas de um Brasil que há décadas sofre ouvindo que educação é a saída.
Mas esta gente que expulsou a garota da faculdade por usar um vestido curto demais, vermelho demais, não deveria saber que forma pessoas? E é, assim, que o caso todo que já era um descalabro, ganha lances, sobre lances, perturbadores. Como, dentro de uma universidade, 700 alunos perseguem uma garota por ela ter atitudes de 'puta'?
E se fosse uma 'puta' ela não poderia dispor seu tempo, seu empenho, suas vontades e dúvidas, suas necessidades e sonhos em busca de ampliar suas alternativas de futuro?
E isto se fosse, ainda que fosse 'puta', no condicional, considerado que o caso não é, nem por hipótese, quem 700 estudantes universitários perseguiram mas o fato de terem se investido do direito de perseguir.
Como neste lugar em que são reafirmados entendimentos sobre convivência, sobre referências de liberdade e determinações sobre direitos e deveres algo como isso chega a acontecer? 700 alunos perseguem uma garota por ela ter atitudes de 'puta'?
Pode-se imaginar que a turba, que correu aos guinchos atrás da garota (quando pensou ela ter o direito de estudar com o vestido que lhe desse vontade), pode-se pensar que a turba teve esta espécie de reação em cadeia das massas em todo o seu anonimato.
Uma espécie de avanço que foi do comentário de fundo sexual até a euforia do cio transtornado e toda a farra e explosão lunática que coube aí pelo meio. E isso seria tentar explicar o caos ou, ao menos, torná-lo (e seus gritos que pediam o estupro da garota) menos assustador.
Mas, no entanto, o que já era aterrador se transformou em treva absoluta sobre o papel da instituição 'ensino superior' no Brasil e tal forma como ensino e negócio estão sendo associados.
A reação deixou de se dar por parte de alunos transformados em bestas em seus espasmos lúbricos, que pareciam chafurdar nesta espécie de festa de execução e linchamento, para passar a ser do 'Conselho Superior da Universidade Bandeirantes'.
O que a direção da Uniban pareceu ter procurado com a expulsão anunciada em comunicado na capa dos principais jornais do Brasil neste domingo 8/11/2009 (a expulsão da garota que ousou se apresentar num vestido vermelho demais, curto demais) foi esta solução forte, rápida, impactante e de repercussão gongórica que grandes marcas do mercado no olhar do Conselho Superior da Universidade Bandeirantes, ao que parece, tomariam.
E, naturalmente, foi como empresa, como negócio, como marca e em 'resposta ao mercado', que a Universidade Bandeirantes parece ter desejado entregar a todos os seus '60 mil alunos', e diante de todos da sociedade, a sua face e o seu exemplo do que se deve fazer com uma mulher que pensa poder se 'insinuar', 'alimentar a curiosidade', 'aumentar sua exposição', 'ensejar, de forma explícita, apelos' e usar 'trajes inadequados', como é dito em seu comunicado redigido em busca de amparo numa moral que faz enregelar a espinha de quem vive no Brasil no ano de dois mil e nove.
Como uma garota expulsa por meio de um anúncio nacional pode ser o exemplo de uma universidade?
A universidade diz ainda em seu comunicado estranhar 'o comportamento da mídia', que ecoou o que foi feito com esta garota Geisy Villa Nova Arruda. E que a 'mídia' perdeu 'a oportunidade de contribuir para um debate sério'.
Debate sério, e preocupante, é este que se abre frente ao posicionamento de uma universidade que deixa entrever sua disposição (nesta noite de 9/11/2009 haveria de voltar atrás de sua decisão de expor a sua face terrível ao revogar a expulsão) e revela a forma como uma instituição dedicada ao ensino nivela seus alunos, seus professores, todos seus técnicos e profissionais como obstáculos, como empecilhos diante de seus negócios.
É como uma vigorosa entidade diante de seus investidores que a Uniban pareceu agir em todas as suas certezas fundadas num pensamento deploravelmente 'hábil' e que seu comunicado empresarial calculava defender tão bem.
E é, ao mesmo tempo, como universidade que ela financia a barbárie e atira sua natureza ligada à formação de pessoas, sem pudor, aos idiotas que quiserem se preocupar com isso.
Agora esta gente que expulsou da faculdade a garota que ousou usar seu vestido vermelho demais, curto demais, esta gente que forma pessoas como quem conduz uma marca financeira, será que esta gente está só, mesmo, na Uniban? É preocupante.
jeffersonalvesdelima@hotmail.com
Jefferson,
Reflexivo texto
Não entro no mérito " se esta Faculdade é boa ou não" e se a garota expulsa é Puta ou não",porque todos são iguais perante a Lei e tem direitos preservados pela Constituição. Mas o que salta aos olhos das pessoas que estão numa instituição de ensino e fora dela também, é que lá é um lugar de estudos, conhecimento, meditação e apreendizado e não é em trajes menores e proibitivos que uma garota vai alcançar esse objetivos,ela já apareceu com o vestido vermelho demais e curto demais, com o interesse explicito em chamar a atenção sobre si e ver o que ia rolar.Pode apostar que amanhã ou depois estara posando para as revistas de nus ou semi-nus. Eu sou formada em Pedagogia e pude ver muitas coisas feias na faculdade,mas a diretora era energica em proibir trajes sumários,mas é sabido que há garotas que vão para a faculdade só com o proposito de chamar a atenção e arrumar amantes.
bjs
oi, doroni. compreendo e respeito o seu ponto de vista. já ouvi e li outras pessoas que se manifestaram de forma semelhante. agora, quase ser linchada dentro de uma faculdade é uma coisa que alguém consegue calcular enquanto se veste para ir à aula? eu imagino que não, não?
Jefferson Alves de Lima · São Paulo, SP 11/11/2009 22:13
Sei jefferson,
mas meu comentario abrange só o conteudo e não a forma.
bjs
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