Uma música composta com pré-intenções de vanguarda, certamente, estará presa ao seu tempo. E que mal há nisso? Os Beatles sabiam que disco finalmente sairia quando preparavam o Sgt. Peppers? Tudo já foi feito, disseram-me, não há mais necessidade de novas canções.
As bandas parecem balas perdidas, e quem se beneficia da confusão? Não há vítimas nestes tiroteios, os calibres crescem, de vez em quando soltam algumas bombas atômicas, elas vêm aos montes, as rádios estão cheias de hidrogênio, e nos becos, as bandas que se intitulam independentes estão com suas espingardas de festim, mas loucos – alguns deles, sejamos justos – para adquirir as suas automáticas, e não se importando de que modo venha essa arma. Não há tráfico na música. Tudo é permitido.
“Eu não sei fazer música, mas faço. Eu não sei cantar as músicas que faço, mas canto. Ninguém sabe nada.”
O simples fato de tocar uma guitarra era considerado um ato de vanguarda, hoje em dia... Ouvir um frevo de Capiba numa rádio de Recife é muito difícil, quanto mais uma nova canção do Mombojó, Eddie, Profiterolis, Rádio de Outono etc... Ou ainda Cidadão Instigado, +2 etc.
Isto é vanguarda, vanguarda é uma palavra velha, uma palavra de retaguarda, eu amo as curvas, as parábolas... As bandas que tentaram a ousadia, que tentaram algo novo, mas sem pensar em conseqüências, fizeram com honestidade, e quando se viram, algo dali brotava, mas depois, acabaram caindo numa armadilha, os seus contemporâneos teimavam em descaradamente imitá-los, sugando assim toda a sua força criativa, como posso reinventar uma velha forma?... Vejam o caso dos Strokes, não há nada demais nesta banda, mas quantos urubus surgiram em seus calcanhares? E quantos urubus brotaram dentro dos mangues?
As minhas palavras são sem nexo, não sou jornalista, por isso prezo pela confusão de assuntos, não tenho que dar satisfação a ninguém.
a confusão tá boa... mas quando você fala que não tem que dar satisfação a ninguém parece que está colocando um ponto final na conversa... não seria melhor um final ainda mais "confuso", para estimular as respostas?
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 16/10/2006 19:44Tem razão, mas é meio uma auto-crítica, pelo resultado do texto, não o achei muito bom, mas este termo da satisfação, é mais em relação a qualidade do texto, continuarei com a confusão nos próximos textos... E obrigado pelo comentário.
Carlos Gomes · Recife, PE 17/10/2006 01:24
muito bom ter um Carlos Gomes por aqui! esperamos um Guarani bem confuso e tropiclaista para breve no Banco de Cultura!
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 17/10/2006 13:43De repente, copiam mesmo. Só que quem faz música com prazer em criar, em se expressar deve ter isso como um ponto secundário... chato, indesejável, mas não impeditivo para o seu trilhar.
apple · Juiz de Fora, MG 19/10/2006 07:41
Olha, sendo honesto, alguma coisa da vanguarda (tá, às vezes muita coisa) é ruim. De verdade. Não quero entrar na discussão sobre estética, etc, mas é o preço que muitas vezes se paga por arriscar-se na liberdade plena do "faço mesmo sem saber como se faz".
Isso é chato porque perde-se coisa boa no meio. As pessoas tomam medo da porcaria encontrada na vanguarda (concordo contigo, uma palavra que soa anacrônica) e não aproveita o que surge de bom. E aí temos a inércia na indústria cultural, divulga-se demasiadamente o que sempre se divulgou em detrimento do que poderia ser incentivado.
Viva a vanguarda. Aqui no Overmundo, de uma forma ou de outra, somos todos vanguardistas. Espero que renda bons frutos, cujos caroços usaremos para atirar nos urubus =)
Abraço!
Ser vanguardista é arriscar a levar "uma pedrada", assim como Galileu Galilei que teve que negar a sua teoria sobre o sistema heliocêntrico para escapar da Inquisição.
Sendo vanguardistas podemos ser incompreendidos e taxados de loucos, excêntricos, ignorantes, ...
Quanto ao que pedro falou, é bem claro que em todo tipo de música haverá coisas boas e coisas ruins, o importante é não partir com
pontos pré-determinados, como falei no início do texto.
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