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Observatório
Instituto Overmundo Durante os seus já 2 anos e meio no ar, o Overmundo viu a sua proposta de difusão cultural e colaboração online desdobrar-se não apenas na vasta comunidade formada em torno do site, como em novas iniciativas movidas pelo espírito de compartilhar, enriquecer e disseminar a experiência acumulada. Agora, um espaço institucional há muito tempo planejado vai ser o catalisador e o abrigo... > leia
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A verdadeira cultura brasileira
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Podem me chamar de chato, mas não gosto e nem tenho motivação em aprender a gostar de certas construções de sons que surgem por aí afora, que alguns tentam chamar de cultura brasileira. Não, não posso acreditar que várias “canções” que tocam nas chamadas rádios populares, ou aquelas que não desgrudam dos nossos ouvidos, como se fossem vírus irremediáveis, que só desaparecem quando você desaparece, são frutos de uma cultura, como a nossa. É no mínimo ridículo, quando alguns tentam colocar no mesmo patamar batidas de um funk, que não levam a nada, a não ser transformar ou manter a condição da feminilidade submissa e degradante, junto com mestres do samba brasileiro como Cartola, ou da MPB, como o velho Chico, e por aí vai. Pois, quando há essa comparação, creio que os amantes da boa música e dos verdadeiros artistas deste país se sentem ofendidos. Para legitimar o lixo musical aí existente, reside a tentativa, mais uma vez, de tirar da música a característica contemplativa, lúdica, para reafirmar a opinião barata e pobre de que alguns tipos de sons que tocam são desabafos de um povo sofrido, que só deseja se divertir, abrindo de vez as portas para as letras apelativas e rasas. Não podemos excluir que algumas grandes gravadoras fazem questão de manter e serem cúmplices desse jogo para arrecadar mais dinheiro. Elas não estão preocupadas em fornecer à população músicas de qualidade. Prova disso, é o grande número de artistas que procuram formas independentes de gravar seus trabalhos. A meu ver, a grande forma de reverter esse quadro tão desastroso é levar à camada carente da sociedade uma cultura de qualidade. Pois, dessa forma ela continuará sendo refém dessas gravadoras e de uma parcela da mídia que tem total falta de compromisso com o que é realmente é digno de fazer parte da verdadeira cultura brasileira.
tags: Belo Horizonte MG musica cultura-brasileira brasil cultura
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Concordo plenamente Rafael. A coisa vai de mal a pior. Esse nivelamento rasteiro da cultura , vem embotando visivelmente o cérebro do povo. E o pior é quando vem um apresentador filho da puta na tv babar o ovo desse fabricantes de lixo. Quase dou um tiro na cabeça quando vi um desses fukeiros da vida cantando (cantando não, destruindo) as marchas do Braguinha em rede nacional. E o pior é que a plateia gostou. Fazer o que?
Pedro Vianna · Belém (PA) · 20/2/2007 11:02
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Pois é, Pedro... e isso é quando eles querem fazer homenagens... são nesses momentos que os grandes artistas já falecidos se viram nos túmulos...
abs!
Rafael Campos · Belo Horizonte (MG) · 20/2/2007 15:39
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Com todo respeito, eu discordo. O conceito de lixo nao fica claro nem no seu texto, nem da maioria das pessoas que usam essa palavra com referencia a cultura. Muitos dos grandes artistas citados pelo texto foram considerados ¨baixa cultura¨ no passado por pessoas que se consideravam guardiaes daquilo que eh a cultura legitima. Ainda bem que essas pessoas morreram e is artistas ficaram. Ainda bem.
Roberto Maxwell · Japão · 21/2/2007 11:31
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Respeito sua opinião, Roberto, mas a situação é que atualmente qualquer coisa que toca, chamam de cultura brasileira. Creio que não podemos aceitar isso. Tudo não é cultura original desta terra. O lixo que cito são aquelas "obras" que só são subprodutos de um mídia (felizmente não toda)! Chega!
Abs!
Rafael Campos · Belo Horizonte (MG) · 21/2/2007 12:10
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Entao, acho que vc poderia refletir mais sobre essa questao e produzir mais artigos sobre o tema. Aprofunda-lo, estudar as manifestacoes que vc nao acredita ser cultura, definir exatamente o que vc acha que deve ser considerado cultura dessa terra, como vc definiu. Ha varios textos aqui no Overmundo com esse mesmo teor. Nenhum deles aprofundado, com um debate realmente a altura do tema. Fica ai a minha sugestao.
Um abraco
Roberto Maxwell · Japão · 21/2/2007 13:46
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Ok! agradeço pela sugestão! mas acredito que se for aprofundar de mais nesse assunto, teria que caminhar por diversas vertentes, ou seja, não daria para produzir algo da noite para o dia... escrevi esse texto, mais em tom de desabafo, sobre o que acredito e não tive a intenção de desenvolver alguma tese acadêmica...rsrs mas valeu pelos comentários...
Abs!
Rafael Campos · Belo Horizonte (MG) · 21/2/2007 14:39
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É, Roberto... também entendi este texto do Rafael mais como um desabafo. E concordo com ele em muita coisa, sim. Há um tempo atrás também escrevi um pequeno texto sobre a musicalidade daqui de Salvador (principalmente).
A musicalidade da Bahia, no geral, é ótima... mas muitas vezes não vem agregada com inteligência (a não ser melódica, harmônica ou rítmica... mas lírica, urf!). Além disso, a coisa aqui é muito focada no Axé Music. Acho que a coisa poderia ser melhor aproveitada... investida com uma "inteligência" maior, sabe? Notei alguma evolução neste Carnaval, mas espero que a evolução seja continuada!
Abraço!
Carlos ETC · Salvador (BA) · 22/2/2007 11:31
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Oi, Rafael.
Acho um pouco impreciso o adjetivo "verdadeira" para falar da cultura do Brasil, ainda mais do Brasil! Naturalmente surgem algumas questões como "verdadeira pra quem?", ou "quem define a qualidade da música?".
Mas talvez essas perguntas impediriam a conversa. Então talvez o melhor não seja relativizar tanto (mas relativizar um pouco é sempre bão).
Eu acho que ninguém tenta colocar o funk carioca no mesmo patamar que o samba. Até porque não faz sentido fazer isso com nenhum estilo musical. Cada um surge do seu contexto. É aquela mesma coisa de ficar querendo comparar Ronaldinho com Pelé.
Agora, eu imagino que para muitas pessoas o funk carioca faz muito mais sentido do que o tal samba de raiz. E se faz sentido, não há como questionar. Querer questionar a legitimidade (embora ninguém precise de legitimidade para escutar música) dos moradores de favela de escutar funk ou qualquer outro ritmo que "fale" muito mais diretamente a eles é o mesmo que tentar questionar o mais radical metaleiro sobre o barulho da música que ele gosta. Você vai ficar discutindo com a parede.
A camada carente da sociedade que você fala já tem a sua própria cultura de qualidade. Não é falta de oferta, se eles quisessem escutar outra coisa, eles escutariam. E quem disse que o cara da favela que escuta funk não escuta Cartola também? Acho que a sua visão de "vamos levar cultura aos necessitados" não vai funcionar muito.
Por mais que todo mundo discorde, ache moda ou sei lá o que, o funk carioca é referência e influência para músicos gringos (não que isso seja um atestado de qualidade), mas tenho certeza que esses mesmos gringos já escutaram ou foram influenciados pelo samba, maracatu, frevo...
Resumindo... tem uma frase boa de algum autor que agora esqueci quem é que fala "nunca devemos tomar as pessoas por idiotas".
Sergio Rosa · Belo Horizonte (MG) · 22/2/2007 14:52
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É....acho que meu texto desabafo não se fez muito claro para alguns...não defini que toda a camada carente escuta funk e nem que todos da outra camada opte por músicas clássicas ou tidas como de alta qualidade... há muita gente da camada carente que procura escutar outros sons diferentes desses oferecidos em larga escala para eles. Não estou recriminando quem gosta de funk e nem exaltando quem escuta samba de raíz. O tema realmente é muito complexo, como o nosso amigo Roberto alertou. O tema vale um amplo debate!
Valeu pelo comentário, Sérgio!
Abs!
Rafael Campos · Belo Horizonte (MG) · 22/2/2007 15:33
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O comentário do Sérgio é bem válido...
O Rafael disse: Pois, quando há essa comparação, creio que os amantes da boa música e dos verdadeiros artistas deste país se sentem ofendidos.
Assim, como definir 'boa música' e 'verdadeiros artistas'?
Peguemos a banda Calypso, por exemplo. Quem ouve e gosta, entende perfeitamente a 'mensagem' da música. E olha que não são poucos. Será que a maioria está enganada ou seria opcional a questão da preferência?
Então, pra mim, é uma questão de realidade. Cada um com a sua, optando pelo o que está mais perto e de fácil acesso.
Marcos Paulo · Porto Velho (RO) · 23/2/2007 20:01
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Tô com o Sérgio, com o Marcos e com o Carlos...
Entendo o desabafo, e por vezes já me irritei também com algumas coisas que tocam em rádios (e que tocavam também na MTV). Já entrei muito em sinuca de bico me metendo em discussões sobre qualidade musical que sempre terminavam com libelos do tipo "o que eu gosto é melhor do que o que eles gostam". Não dá futuro enveredar por estas lógica.
Achar que a sua cultura, que seus gostos e referências simbólicas e culutrais, são melhores que os dos outros é incorrer no mesmo erro que é cometido ad nauseam (latim para "até enjoar" n.do.d.) por muitas outras pessoas pelo mundo afora quando acham que SUAS culturas são melhores do que a sua, a minha, a nossa...
Logo, como disse, eu entendo o seu desabafo, mas ele pode até soar como uma agressão para pessoas que tem como referências culturais ou simbólicas os elementos de cultura que você atacou. Além de ser um grande desrespeito que mostra falta de reflexão sobre a pluralidade e diversidade do humano, faz você correr um grande risco de apanhar de algum "inculto" por aí.
Toda cultura e expressão artística tem seu valor, principalmente dentro de seu contexto. Não enxergar isso é perder boa parte da beleza da pluralidade humana (na qual bebem muitos dos artistas que você certamente chamaria de "cultos").
Por falar em citar frases, me lembrei de uma piada.
O dotô tava atravessando o rio em um barquinho, aproveitando o tempo para fazer perguntas para o barqueiro:
- então, o senhor gosta de ler?
- não sei lê não, moço.
- cooomo!? mas então o senhor não sabe leeer!?
- não sei não, moço.
- então acho que o senhor perdeu metade da beleza que a vida poderia te proporcionar.
- não sei moço... se o senhor diz...
nisso, o barco bate em uma pedra e arranja um baita furo no fundo. vendo o barco se enchendo de água, o dotô, muito cosmopolita e urbano, se desespera:
- aaaai! e agora? o barco vai afundar!? eu não sei nadar!
no que o barqueiro o responde?
- sinhoooô... o sinhô não sabe nadá? então acho que o sinhô perdeu sua vida inteira agora!
Ok, a piada não tem graça, mas deu vontade de contar pra dar uma relaxada no clima...
Abraços do Verde.
Daniel Duende · Brasília (DF) · 23/2/2007 23:53
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Gente, presta atenção. Também me irrito com que não gosto, mas isso é pessoal.
Qualquer forma de rotular algo como melhor e pior é pré-conceito, e dos feios.
Concordo com a idéia que nem tudo é cultura brasileira, mas tudo é cultura, mesmo o que antes chamávamos de lixo. E por acaso assim não foi com o samba? Diziam que era estrangeiro, vindo da África. A gente sempre se acha senhor do tempo, mas as coisas devem ser vistas num contexto mais amplo...
De qualquer maneira o texto é super válido justamente por levantar a lebre e deixar nossas orelhas em pé para o que acontece a nossa volta.
Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande (MS) · 24/2/2007 01:41
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Então... li alguns comentários, discordo do tom taxativo do texto, mas entendo -como outros que comentaram também- o tom do desabafo. Aliás, também já publiquei um texto aqui, que considero válido, e que suscitou algumas críticas e contra-argumentações.
Em todo caso sugiro, Rafael, que tentes elaborar melhor a crítica, até pra não padecer do mesmo simplismo que acreditas ser exclusivo dos funkeiros ou quem quer que seja...
Bom... abraços.
Felipe Obrer · Florianópolis (SC) · 24/2/2007 10:20
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...Batuta mulecada...batuta perceber onde a discussão foi desaguar...diria até:que bonito!...mas vamos lá...to com todo mundo...concordo com quase todos, desde a "Ala do desabafo" mas passando primeiro pela comissão de frente composta basicamente de Viana e Rafael que tentaram converser com o samba-enredo,depois os porta-bandeiras Verde e Rosa com a Bandeira da Saber-Entender e dou nota DEZ pra "Evolução" do tema que me pareceu enfadonho no inicio mas que a ala baiana ,regida pelo grande Etc, e a ala com o mais claro tom carioca do "...deixa disso...a vida é tão bonita..." levada pra avenida por Maxwell me fizeram levar um mocado mais de tempo a frente do pc tentando entender a todas as partes deste carnaval sem fim que é distinguir o que é "bom" do que é "ruim"...
Helder Dutra · Rio de Janeiro (RJ) · 24/2/2007 12:46
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Concordo com o Felipe em sua sugestão de melhor elaboração, e me encanto da carnavalesca visão do Helder, cara batuta de montão. :D
Abraços do Verde.
Daniel Duende · Brasília (DF) · 24/2/2007 12:55
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Uau! pensei que nem precisaria mais comentar, mas de um dia para o outro, encheu de comentários prós e contras... mas acho muito válido isso!!! os comentários serviram para uma grande reflexão e mais, serviu para discutir sim... é melhor do que achar que tudo é cultura, e que tudo está lindo no mundo da música. Ah, Duende, discuto e continuarei a discutir sobre essas coisas, mas claro não sou doido de ofender ninguém por causa disso, até porque acho que as pessoas devem escutar o que bem entender...Viva a liberdade!!! Respeito qualquer forma de manifestação cultural, por mais que me possa parecer vazia... A discussão que propus é refletir sobre o caminho que isso tudo está seguindo.
Um abraço!
Rafael Campos · Belo Horizonte (MG) · 24/2/2007 14:51
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Rafael, só uma provocação: tudo o que é fruto da criação humana é cultura.
Abraço.
Felipe Obrer · Florianópolis (SC) · 24/2/2007 15:46
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Ok! outra... Cultura também é discutir o que é cultura.
Rafael Campos · Belo Horizonte (MG) · 24/2/2007 16:20
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Claro, ninguém disse que não.
Felipe Obrer · Florianópolis (SC) · 24/2/2007 16:25
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