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ACADEMISCISMO: O CEMITÉRIO DAS PALAVRAS MORTAS

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Tomazio Aguirre · Santo André, SP
18/2/2007 · 75 · 11
 

Ainda existem muitos brasileiros que tentam fugir da realidade insuportável da vida neste país (ou será no mundo?) mergulhando de cabeça nos seus trabalhinhos acadêmicos, congressos, publicações em revistas "científicas", batalha por somatório de pontos para concorrer a bolsas de pesquisa ou grana da CAPES, etc. Não tenho pena alguma dessa gente. Que se explodam antes dos outros! Porém não é bem isso o que geralmente acontece. É possível viver, e até razoavelmente bem, no Brasil decadente, como profissional do academicismo local, e até conquistar a possibilidade de transitar fora do país como um intelectual de cátedra que "traduz" o Brasil para os gringos, como certos antropólogos falseadores do país fazem (e ainda são festejados como sábios quando de férias no Brasil das aulinhas de falsa brasilidade “para inglês ver”).

A podridão da classe média no Brasil não se restringe a políticos de carreira, empresários carniceiros ou profissionais liberais sem escrúpulos. Nossa podridão invade de cheio a intelectualidade local, e sem muitas brechas para exceções. As poucas exceções, na verdade, estão morrendo de velhas ou de desgosto, por saberem que ao se aposentar a podridão dos intelectualóides que tomaram conta das cadeiras de professor nas universidades não terão mais vozes discordantes. E restará apenas um simulacro de gente com capacidade de pensar, em uma exaltação vazia, por parte da grande mídia e dos próprios intelectualóides, afirmando que a educação poderia tirar o Brasil de sua trajetória de degradação crescente.

Para quem é muito ingênuo (ou se esforça para ser) e não está entendendo nada do que estou dizendo, vou explicar devagarinho, em poucos parágrafos, o que é o academicismo brasileiro.

Imaginemos uma jovem universitária brasileira, bem-intencionada, terminando sua faculdade de ciências sociais e, por falta de outra coisa a fazer com seu diploma para ganhar dinheiro, e assim poder comprar sua tão sonhada vida de classe média consumidora de futilidades, resolve fazer um mestrado. Enquanto faz mestrado e continua a morar na casa da mãe (que vive da pensão do ex-marido que era professor universitário, ou alguma outra categoria de funcionário público), a jovem ganha alguns salários mínimos por mês para trabalhar em órgãos públicos como o IPHAN (instituto do patrimônio histórico nacional, ou coisa parecida). Lá no tal órgão sua função é catalogar (simplesmente colocar no papel) os "bens culturais" do Brasil, com a intenção de que eles sejam preservados em sua “tradição e diversidade” (entre aspas por ser apenas o discurso formal desse tipo de órgão burocrático, e não sua função real). Contudo, enquanto muita gente fica catalogando tais bens (se é que são "bens", como o que sobrou de culturas indígenas ou de outras tradições brasileiras), na prática eles vão sendo destruídos pelo caos nacional ou pelo desgaste do tempo (como não poderia deixar de ser). Mas isso não importa, o importante é que esta função digna de um humanista social gere algum dinheirinho para a nossa jovem acadêmica poder continuar motivada com seus estudos e seu futuro promissor (a burocracia pública brasileira não tem mesmo outra finalidade, a não ser gerar emprego e dinheiro para aqueles que dela dependem).

Empolgada com algo que parece dar sentido à sua vida - até então vazia e inútil, regada apenas a maconha, um pouco de álcool e namoricos com alguns caras escrotos (que só pensam em beber, fumar, "tirar um som" e "pegar mulher") - a jovem começa a escrever sua dissertação. Assiste aulinhas tão bobocas e desentusiasmantes quanto às do tempo de faculdade, ouvindo as mesmas lorotas dos mesmos professorzinhos de anos anteriores. Já teve que puxar saco (fazendo trabalhinhos ou serviços de datilografia) de um destes professorzinhos durante a graduação, para que ele lhe aprovasse para o mestrado.

Para quem não sabe, a universidade pode ser pública, mas os professores é que têm a posse das vagas, escolhendo aquele aluninho que demonstre que não lhe pressionará muito, não lhe exigirá muito esforço mental e nem muitas horas de trabalho em orientações, e ainda poderá lhe resultar um ou outro artigo a ser publicado levando seu nome, mesmo sem ele, o professor, jamais ter conseguido sequer ler toda a dissertação uma única vez. E não se assustem, caros leitores ingênuos, é assim mesmo: os orientadores de mestrado e doutorado no Brasil frequentemente não lêem os trabalhos de seus mestrandos e doutorandos, às vezes nem mesmo na hora da banca que aprovará finalmente o aluno ou não (quer dizer, sempre aprovará - como teriam coragem de reprovar algo que nem sequer têm o trabalho de ler?!). Na hora da banca, o professor orientador do mestrado ou doutorado costuma convocar o seus amigos professores que já sabem que o esquema é esse (de aprovação automática), para evitar qualquer "susto" de última hora (algum professor desavisado que leve a coisa a sério). Desse modo, também os demais membros de uma banca de mestrado ou doutorado não costumam ler o trabalho do aluno; ou quando lêem, escolhem apenas algum pedacinho, para poderem fazer seus comentários genéricos em torno deste pouco que lêem, discutindo em torno de algum detalhe para parecer que tudo segue com a seriedade devida.

Mas a jovem aluna do mestrado (no nosso exemplo genérico, de ciências sociais), estreante no academicismo brasileiro, ainda não sabe que este será o fim de sua bela dissertação (não ser lida por ninguém, nem mesmo por aqueles que terão a obrigação formal de aprová-la). E não achemos que o orientador de nossa jovem irá lhe dizer que estas são as regras informais de nossos joguetes acadêmicos. Obviamente, a maior parte do tempo, o orientador é um dissimulado, cabendo a nossa jovem descobrir (ou não) tais regras sem que ele lhe diga.

Assim, na ignorância de como as coisas realmente são, nossa jovem mestranda começa a ler alguns trabalhinhos e livros que, por tradição (e raramente devido ao seu conteúdo), todos os alunos têm que citar nos seus textos. Ela os lê, contudo, por cima, apenas para poder citá-los no seu próprio trabalho, e poder passar ao seu orientador a impressão de erudição. Colecionar citações de autores, mesmo que inutilmente, é bem vista no academicismo brasileiro. Além disso, frequentemente os mestrandos amestrados (desculpem-me, leitores mais sérios, mas eu não resisti ao deboche) são também pressionados para citar os trabalhinhos do seu próprio orientador, como também direciona a CAPES (um órgão público formado por professores que se cansaram de dar suas aulinhas "decorebas", e que tem a função burocrática, além de dar emprego aos tais professores, de gerir a distribuição de verba públicas às "pesquisas brasileiras" - ou seja, um lugar onde se faz lobby oficial para se direcionar o dinheiro público para certas “pesquisas”). Desse modo, o número de citações dos trabalhinhos do professor aumenta e ele ganha mais pontinhos na CAPES, os quais lhe dão mais direitos a "incentivos" para pesquisa (ou seja, dinheiro para complementar o salário). Nada mais justo do que, como professor universitário falido (esta é a imagem que tais professores vendem à população, o que está longe de ser verdade para boa parte deles), ele precise aumentar sua renda da maneira que for possível. E como ele não é da área da saúde, e não pode cobrar mais caro no consultório particular pelo status de professor, nem criar falsos projetos de assistência a "minorias carentes" (projetos que quase sempre passam a existir somente no papel ou em alguma espaço de fachada), o que ele pode fazer é mesmo tentar aumentar seu currículo e tirar dinheiro do governo através da CAPES ou de outros incentivos oficiais a pesquisa e "extensão" (em geral, é um pouco daqui, um pouco dali..., e assim vai se acumulando um renda razoável). Não raro o professor também empresta seu nome a ONGs, e com o mesmo objetivo de sugar o dinheiro público com um aparente discurso de solidariedade social. Não é à toa que o petismo e boa parte da intelectualidade acadêmica brasileira se deram tão bem no Brasil dos anos 1980 e 90.

Enquanto isso, a nossa jovem aluna do mestrado corre atrás de seu orientador para que ele lhe oriente em sua pesquisa. Mal sabe ela que em poucos meses estará é fugindo de seu orientador nas raras vezes em que este responder alguns de seus e-mails.

Nas suas orientações, contudo, e, principalmente, nas conversas com os colegas mais cínicos que já estão no doutorado, nossa jovem mestranda começa a perceber sutilmente que as coisas não são como aparentam. Há um conchavo de classe no meio acadêmico, e ninguém fala muito abertamente sobre os joguetes do academicismo, já que algum delator é, em geral, discretamente impedido de progredir dentro da aristocracia acadêmica brasileira. Mas aos poucos nossa jovem vai conseguindo entender alguma coisa.

Primeiro ela percebe que o seu orientador parece não ler o que ela lhe mostra de seu trabalho. Entretanto, para camuflar a sua não leitura, ele passa a ordenar sistematicamente, em cada encontro de orientação, que ela faça alguma mudança em algum detalhe do texto (tipo trocar uma palavra por algum sinônimo, trocar um aposto de lugar, mudar algum subtítulo, acrescentar vírgulas, etc.). No encontro seguinte, porém, sem conseguir saber o que disse no encontro anterior, o orientador diz algo exatamente oposto ao que nossa jovem havia mudado a seu pedido no encontro anterior, ordenando que ela retorne para como estava antes. Num terceiro encontro, com o orientador já tendo outra vez esquecido o que falara no primeiro e no segundo encontros, ele acaba por mandar que sua orientanda modifique outra vez o que havia mudado no segundo encontro, para o jeito que estava no primeiro. Frequentemente um orientador faz isso em três ou quatro itens de um trabalho, ao longo de meses ou mesmo anos de orientação. E "ai" da orientanda se ela ousa dizer ao mestre que ele está se repetindo e fazendo mudanças circulares, redundantes, que não chegam a lugar algum. Se cometer tal ousadia, ela poderá encontrar muito cedo a fúria de um grande ego insuflado e ferido, a descontar sua ira no primeiro subordinado que encontrar pelo caminho (em outro texto sobre o academicismo brasileiro dissertarei sobre o ego insuflado dos acadêmicos nacionais).

Em geral, na orientação de um trabalhinho acadêmico, um orientador se apega a um ou dois detalhes do texto, frequentemente dentro da metodologia (a única parte que às vezes lêem, juntamente com a conclusão), e fica a cada sessão de orientação fazendo idas e vindas em algum detalhe daquele trecho escolhido. É uma "técnica" também comum em psicoterapias "embromations", e também em supervisões de psicoterapia: circularidades retóricas em torno do nada.

Rapidamente, nesse percurso, nossa jovem mestranda poderá aprender, embora sem dizer isto ao orientador, que seu mestre apenas escolhe aleatoriamente algo no seu trabalho e diz para ela mudar, sem qualquer finalidade, todas às vezes que se encontram, de modo a ter a sensação de estar exercendo seu poder de orientador e fazendo alguém acatar o seu saber. Tais mudanças, como já dito, são feitas aleatoriamente, sem qualquer parâmetro "científico", sem coerência alguma, apenas para que a orientação proceda sem que seja exigido dele, do orientador, algum esforço maior em relação a discutir ou mesmo entender o que está escrito no trabalho. O trabalho acadêmico em si, como logo aprenderá nossa jovem, não terá nenhuma importância, apesar dela ter passado suas noites em claro fazendo modificações

Mas antes de aprender sobre a (des)importância de sua dissertação, ela aprenderá que não precisa fazer nada, ou quase nada, do que o seu orientador lhe ordena (ou, como ele sempre insiste em dizer, lhe "sugere"), pois o orientador nem se lembrará depois o que foi, já que ele não está muito ligado no que está fazendo, esquecendo-se rapidamente do que diz. Logo, portanto, ela se lembrará do que algum colega cinicamente terá lhe dito no começo de sua jornada: "Faça a dissertação do jeito que você acha que deve. Balance a cabeça e finja se entusiasmar com o que o seu orientador disser, tratando-o como alguém que tem muito a ensinar, e jamais o contrariando. Dessa maneira, sem stress, seu título de mestre por uma das faculdades mais famosas do Brasil estará em suas mãos. E é só o isso que importa".

Percebendo, desse modo, que a orientação em si é uma enrolação para justificar a autoridade do orientador, bem como para fazer jus ao nome que ele colocará no resultado do trabalho de seus orientandos, nossa jovem mestranda conclui que fazer o trabalho é mesmo com ela, e que seu orientador, em realidade, não existe, ou, mais frequentemente, apenas atrapalha. Nisso ela se lembrará de outro ditado popular do meio acadêmico: "Orientador bom é orientador que não atrapalha".

Com tal conclusão, e ainda sem desanimar em seu início de vida acadêmica, nossa orientanda passa a se dedicar por alguns meses a fazer um bom levantamento bibliográfico; mantendo, claro, as citações de seu orientador e também citando os autores colegas de seu orientador que ele tem interesse em puxar o saco, como de alguém que possa lhe favorecer na liberação de “fomento à pesquisa” da CAPES ou de outro órgão, convidá-lo para algum congresso internacional, ou que lhe facilite a publicação de seus artigos, etc.

Ao tentar estudar por conta própria, entretanto, nossa jovem mestranda se vê perdida em relação ao que fazer com todo aquele material que ela foi selecionando. Percebe que sozinha não consegue alguma metodologia que pareça fazer sentido. Como continua sendo obrigada a ir às orientações, tenta arrancar alguma ajuda de seu orientador. Ele, sentindo-se algo pressionado, e não gostando disso, faz durante algum tempo um discurso retórico que não se refere a nada do que ela havia perguntado. Cita alguns autores aleatoriamente; e, aí, para que sua mestranda se vire sem ele, retira do armário um trabalho dele próprio ou de alguém conhecido seu e diz para ela fazer igual. Nossa jovem, não entendendo, pergunta se é para citar o tal autor do trabalho que ele lhe estende à frente. Neste instante, ele chega mais perto dela, e como que não dizendo nada demais, fala para ela "cortar" e "colar" a parte da metodologia. "Copia!", resume ele; em seguida voltando a mais alguns minutos de discurso retórico, vazio, entremeado de citações aleatórias de autores que ele considera que são respeitados na sua área (a maioria dos quais ele nunca leu). Assim encerra-se mais uma orientação.

Um pouco atordoada, mas ao mesmo tempo feliz por ver que irá solucionar de modo tão fácil o que lhe tirou o sono nas últimas noites, nossa jovem mestranda volta a se lembrar de vários colegas que cinicamente tomavam café no intervalo das burocráticas aulas da pós-graduação. Um deles, da área da saúde, ela se lembra de ter respondido assim a uma pergunta sua: " Qual a metodologia da minha pesquisa?! Ora, querida, tanto faz... Eu coloco lá um parágrafo falando da "arqueologia" do Foucault, mais um sobre a "complexidade" do Edgard Morin, enalteço a interdisciplinaridade como aquela que salvará o mundo, encaixo a análise do discurso da Bardin, um negócio que ao mesmo tempo serve para tudo e para nada, cito uma dúzia de antropólogos e sociólogos famosos, em um texto meio genérico, igual ao de todos os trabalhos que têm por aí, e pronto! Está aí metade do meu trabalho, e sem diferir em nada de tudo que se produz atualmente. Esse é o segredo: fazer seu trabalho igual a todos os outros, porque aí ninguém terá como criticá-lo".

Não é à toa que até em classificados de jornais é fácil encontrar gente que se especializou em produzir trabalhos de pós-graduação, e mesmo artigos, em série, para vender àqueles que não estão dispostos a perder tempo com algo tão inútil e que não será mesmo lido por ninguém. As regras do academicismo são outras: nas faculdades particulares, pagou, levou. Nas públicas, é só fazer os deveres dos jogos de poder dos aristocratas de cátedra, servindo-lhes de mão-de-obra gratuita e puxando seu saco, e retirar o diploma na saída. Especializar-se em fazer trabalhos para os outros parece uma profissão promissora no Brasil decadente; ainda mais porque o fato de ser ilícito não faz diferença no país do vale-tudo por dinheiro e poder. Respeitar leis é tarefa para idiota. Burlá-las a seu favor, e tentar usá-las com rigor contra adversários, faz parte da ética da sobrevivência no caos brasileiro.

Lentamente, com alguns momentos tendo que recorrer solitariamente à maconha para não pensar em nada e se alegrar, nossa jovem enfim aprende que a dissertação em si não tem mesmo nenhuma importância. Basta a banca aprová-la por ter feito uma dissertação que não diferi em nada da mesmice inútil que se produz aos montes por aí, e que ela receba o título de mestre; e depois o de doutora, e de pós-doutora, e o que mais forem inventando para escalonar a hierarquia da aristocracia acadêmica brasileira, bem como a divisão de cargos públicos nas universidades e do dinheiro do estado no custeio desta aristocracia, e é isso o que importa.

Aprendendo com um certo vagar, lentamente os valores morais próprios de nosso academicismo vão fazendo morada no modo de pensar de nossa jovem. Não é fácil chegar a uma aceitação de tais valores quando já se acreditou que o saber, mesmo dentro do academicismo, pudesse algum dia ter servido para algo mais. Porém, no Brasil, qualquer estudantezinho de merda, que não tenha queimado muito neurônio com álcool e maconha em excesso durante a faculdade, consegue descobrir para o que realmente servem os títulos acadêmicos – utilidade que nada tem a ver com a produção do saber.

Nossa jovem, não sendo das mais estúpidas, fica um tanto quanto decepcionada, durante alguns dias, embora ao mesmo tempo com uma sensação de que já soubesse de tudo aquilo, apenas não de modo tão claro e escancarado. Passados algum tempo, contudo, ela começa a sentir um grande alívio. Vai voltar a ter tempo de ir ao shopping, de arranjar algum novo namorado ocasional (embora sempre sonhando com o "viveram felizes para sempre") e até poder estudar, ainda antes de terminar o mestrado, para algum concurso público que lhe dê estabilidade de emprego. "Até a CAPES parece que vai ter concurso este ano", lembra-se de alguém dizer nas conversas paralelas de umas de suas inúteis aulas. E agora ela terá um currículo bem melhor para concorrer a uma vaga na burocracia pública, com um diploma de mestre. E “isso é tudo de bom!”, alegra-se, usando até em pensamento um dos muitos chavões que as modelos-atrizes jovens das novelas da Rede Globo popularizam para usufruto do povo semi-analfabeto.

Nossa jovem logo se acomoda por aí. Um destes namorados ocasionais logo lhe deixará um filho, que sua mãe, com a pensão do marido, ex-funcionário público, vai "ajudar" a criar. Se der "sorte" (quer dizer, conseguir puxar bem o saco, metafórica ou literalmente falando, de alguns professores em alguma universidade), nossa jovem poderá até virar professora universitária, perpetuando o “saber acadêmico” brasileiro nos moldes em que aprendeu a ser mestre. Com sorte, também poderá encontrar num desses namorados ocasionais o sustento financeiro para o resto da vida; e, de vez em quando, quando estiver muito entediada com sua vida de "dona de casa" (auxiliada, é claro, por alguma das mulheres negras e nordestinas da periferia brasileira, personagens tão comuns nos estudos acadêmicos dos quais se lembrará sem mínimo saudosismo), poderá se dedicar a mais alguma pós-graduação, para assim seguir o conselho de seu terapeuta, fazendo algo "produtivo" e “para si mesma”, de modo a aliviar a “depressão” e ter algum sentido na vida. Mas se der " azar ", como a maioria de seus colegas da época de faculdade, proseguirá com empreguinhos temporários, cada vez mais temporários, ou com longos desempreguinhos, vivendo amarguradamente às custas da mãe ou de alguma pensãozinha deixado aos seus filhos pelos seus “ex-s”.

Contudo, apesar de o drama humano dos brasileiros ajudar muitos cineastas a vencer em festivais internacionais de cinema, aqui nos interessa mais o que vai acontecer com a dissertação de mestrado dessa nossa típica universitária brasileira do que com ela própria.

Após sua aprovação automática e com louvor (é provável que alguma banca brasileira de pós-graduação somente reprove algum trabalho se este for apresentado em branco, e apenas se isso não acontecer em alguma "faculdade de artes"), o trabalho de mestrado vai ter que virar artigos a serem publicados em revistas "científicas". A geração de artigos "científicos" a partir do seu trabalho de mestrado é o que mais enriquecerá o currículo de nossa jovem estudante, e, principalmente, o currículo de seu orientador; o qual, apesar de não ter feito nada, ou mesmo ter atrapalhado, constará como co-autor dos artigos que resultarem da dissertação (sendo que o “mercado acadêmico brasileiro” tem pressionado os orientandos e orientadores a fazerem suas dissertações e teses de pós-graduação já no formato de artigos para publicação, a fim de diminuir o risco de o orientador não levar a co-autoria dos artigos, caso algum aluno mais rebelde se interponha a esta pilantragem institucional).

(Continua em http://desacocheiodessepais.blogspot.com/)

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dudavalle
 

Sistemas e Hierarquias , o sistema academico brasileiro não difere muito dos outros países, em tempo o meu voto soh vale 3 pontos :-)))

dudavalle · Rio de Janeiro, RJ 17/2/2007 02:41
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Pedro Vianna
 

é isso mesmo. e nós ainda sustentamos essa corja de farsantes...

Pedro Vianna · Belém, PA 17/2/2007 13:10
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dudavalle
 

Corja de farsantes ? Daqui aonde estou, diria que soou mal.
Apesar do sistema e suas falhas existem exceções, alguns corajosos que são capazes de lutar dentro do sistema, seja ele qual for, volto a lembrar que meu voto soh vale 3 pontos :-))))

dudavalle · Rio de Janeiro, RJ 18/2/2007 05:10
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eassis
 

ninguém se salva?

eassis · Belo Horizonte, MG 18/2/2007 15:30
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Tomazio Aguirre
 

Alguns se salvam. Mas pessoalmente falando. Conseguem escapar dos joguetes acadêmicos. Mas o sistema em si não tem salvação, as exceções não têm capacidade de modificá-lo, são inúteis, ignoradas, desaparecem no meio da farsa. Isso está na continuação do texto, para quem tiver interesse.

Tomazio Aguirre · Santo André, SP 21/2/2007 15:57
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eassis
 

"Dar o rabo... aluninhos... caras escrotos... estudantezinhos de merda"? Francamente, faz o seu texto perder o crédito, apesar do ataque importante que você faz a esse academicismo deléterio. E quanto às valorosas excessões pessoais, diluidas na farsa do sistema, sem "salvação", esse postura só pode dar margem a soluções de continuidade radicais e redentoras, ou quem sabe criminosas.

eassis · Belo Horizonte, MG 22/2/2007 10:10
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jgdr77
 

Sem dúvidas. Concordo com o camarada acima. É preciso criticar a academia; porém, não desse jeito. Não sou acadêmico, nem tenho vontade de sê-lo, mas este texto aí em cima, francamente, é ruim, mal-escrito, prolixo, sectário, grosseiro, preconceituoso, presunçoso e minimalista. Talvez seu autor precise freqüentar um pouco a acadêmia (talvez seja exatamente um frustrado nesse sentido), ou talvez tenha alguma desilusão amorosa envolvendo alguma mestranda de Ciências Sociais. Lamentável.

jgdr77 · João Pessoa, PB 22/2/2007 12:43
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josh
 

Texto ruim mesmo. Chatíssimo. Chamar o leitor de ingênuo é demais. Me soou arrogante demais. Além disso, não trouxe nenhuma novidade. Tudo que está aí, já sabemos.

josh · Rio de Janeiro, RJ 22/2/2007 13:04
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Tomazio Aguirre
 

VIVA O BRASIL E SUA GENTE. E OS SEUS CRÍTICOS DOS CRÍTICOS, COMO ESSES DOIS AÍ DE CIMA, QUE SE APEGAM À FORMA COMO MODO DE SE DEFENDER DO CONTEÚDO. O EASSIS AINDA DEFENDEU MORALMENTE AS "EXCEÇÕES", MESMO SEM TENTAR DIZER QUE IMPORTÂNCIA TÊM EXCEÇÕES PRISIONEIRAS E INVISÍVEIS NO MEIO DA PILANTRAGEM INSTITUCIONAL. JÁ OS OUTROS NÃO TÊM NEM ARGUMENTOS. NEM SEI COMO EU AINDA PERCO TEMPO EM RESPONDER ESSE TIPO DE COMENTÁRIO...

Tomazio Aguirre · Santo André, SP 22/2/2007 14:03
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dudavalle
 

Tem gente que acha que xingamento é postura crítica, lembre-se o meu voto soh vale 3 pontos e veja você seu artigo está inserido dentro de um sistema também

dudavalle · Rio de Janeiro, RJ 22/2/2007 15:07
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Fanny
 

Os comentários do Aguirre são importantes e devem levar todos à reflexão. Não exagerem nas agressões, estamos tentando fazer alguma coisa de novo e pertinente através deste site. Nadar contra a corrente institucional é realmente um sofrimento e pode não resultar em nada, como ele bem diz. O que não se pode é ficar aplaudindo um sistema corrompido. A Academia está falida, mas temos alguma alternativa para colocar no lugar?

Fanny · Rio de Janeiro, RJ 26/2/2007 17:00
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