Aerotrio

divulgação
Grupo paraibano Aerotrio faz jazz moderno
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Jesuino André · João Pessoa, PB
20/2/2007 · 87 · 3
 

A paraibana Campina Grande, carinhosamente conhecida por Rainha da Borborema, é uma cidade cosmopolita. Na verdade uma importante cidade entreposto do interior nordestino, e como tal, expansiva, dinâmica e universal. Atrevida quando o assunto é modernidade, quando o assunto é atitude, mesmo fazendo parte de um estado economicamente pobre. Isso, por si só, é um bom mote pra montar uma banda. E que tal uma banda de jazz? Eis um bom motivo para existência do Aerotrio.

O grupo é formado pelo baterista Edmar Travassos, o tecladista Paulo Guilherme e o contra-baixista Orlando Freitas (ex-Cabruêra), que recentemente foi substituído por Fábio, mas que gravou no disco. Criados no cenário local do rock pesado deram uma guinada radical para fazer um avant-jazz sutilmente embebido de regionalismo, pouquinho de experimentalismo, de bossa nova e até de rock. O passado rock e o futuro instrumental deram vazão a uma sonoridade refinada, diversa e simpática. Pela imaginação, no mínimo interessante.

No final do ano passado lançou de maneira independente e sob o aval de uma lei de incentivo a cultura local, o primeiro disco que leva o nome da banda e conta com dez músicas produzidas em parceria com Lindenberg Oliveira. Para saber mais dessa novidade, batemos um papo (via e-mail) com o baterista Edmar, também porta-voz do grupo.

Conte-me um pouco da história da banda, quando e como começaram.

O Aerotrio tem três anos. Havia um desejo antigo de montar uma banda que tocasse somente música instrumental. Exclusivamente!!! Nada daquelas composições cheias de notas e virtuosismos desnecessários ou "mela-cuecas". Queríamos fazer algo mais orientado para o groove. Apesar de, em nossas bandas anteriores, tocarmos algumas coisas instrumentais, ter "um Aerotrio" era o nosso ideal. Foi um momento de "estalo": Três amigos e com a formação que imaginávamos (baixo, teclados e bateria).

Uma pergunta intrigante: por que fazer música?

Eita !!! Essa é realmente intrigante. É um tanto complicado explicar uma paixão, pois estamos envolvidos com música desde nossa infância/adolescência. Mesmo sabendo das dificuldades de ser músico em nosso país, nos sentimos energizados fazendo o que fazemos. É prazeroso ir ao nosso estúdio de ensaios e lá criar, dar asas à imaginação. É muito bom quando estamos no palco, pois nos damos muito bem musicalmente/profissionalmente e pessoalmente. Realmente espero continuar fazendo música com o Aerotrio e com meus dois comparsas, Fábio e Paulo.

Como é esse inusitado de terem formação e tocado rock para fazerem um jazz moderno com instrumental refinado?
Apesar de termos passado por bandas de rock (hardcore, metal, etc.), ele (o rock) é mais uma das nossas influências. O que fazemos é uma grande mistura de ritmos e estilos, resultado de uma bagagem musical adquirida ao longo dos anos. Não é difícil "ver" em nosso trabalho rock, jazz, baião, hip hop, bossa nova... E a transição de um estilo para outro foi e é muito natural para nós.

Ser uma banda de “modern jazz” no interior da Paraíba deve ser algo bem estranho, né? Como é que vocês vêem isso? Existe público e espaço? Quais são as maiores dificuldades?
Antes de estrearmos com o Aerotrio, pensávamos nisso. O que mais nos surpreendeu e surpreende é o reconhecimento e apoio do público por onde tocamos. Em nossos shows, sempre há uma platéia cada vez maior, atenta e receptiva. Quanto a espaços para tocar e dificuldades, acho que isso acontece em todo lugar para quem esta buscando um lugar ao sol. O que nos deixa motivados é ver que há maneiras de divulgar nosso trabalho mundo afora e a cada dia mais gente nos conhece, nos contacta e isso nos deixa feliz. Obstáculos sempre vão existir para quem vive "correndo por fora" do esquemão.

Gostaria de saber quais as influencias musicais da banda.
A lista é extensa. Vai de Mozart ao Slayer. Mas tem muita coisa que gostamos em comum: Miles Davis, Medeski Martin & Wood, Erik Truffaz, The Cinematic Orchestra, Tied And Tickled Trio, John Coltrane, Nação Zumbi, Dj Shadow, Fela Kuti, Dentre muitos outros.

Muito bem gravado, com timbragens e arranjos interessantes. Como foi produzirem e lançarem esse primeiro disco?
Em 1º lugar, foi de suma importância termos aprovado o projeto do cd no FIC - Augusto dos Anjos (lei estadual de apoio à cultura), pois, como tínhamos recursos, pudemos contar com um produtor musical (Lindenberg Oliveira), um bom estúdio com tempo necessário para gravar e mixar, um outro para masterizar, uma fábrica que é referência para prensar nosso disco. Enfim, havia grana para bancar toda a logística que envolve o processo de produção de um cd, o que nos deixava bastante tranqüilos e relaxados.
Também que tivemos "todo o tempo do mundo" para compor nosso 1º disco (quase toda banda tem, né? - risos), testar nossas músicas ao vivo, re-arranjar algumas coisas, saber o que funcionava melhor em estúdio e no palco. De uma forma tranqüila e acredito que no momento certo para fazermos nosso debut.

O que planejam para 2007?

Conquistar o Mundo! Falando sério, planejamos divulgar nosso cd e nosso trabalho. E tocar para um maior número de pessoas, nos mais diversos lugares. Nada muito grandioso ou absurdo.

Aerotrio

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Fabiojqa
 

Entrevista legal!

Fabiojqa · João Pessoa, PB 18/2/2007 12:36
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Monica Santos
 

Legal a divulgação da entrevista. Vamos mostrar uma outra face da nossa cultura. Jazz regional neles, PB!

Monica Santos · João Pessoa, PB 21/2/2007 15:40
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Marcelo Cabral
 

Entrevista massa! Valeu Jesuíno! Fiquei curioso pra ouvir o som dos caras, não rola de publicar algum som aqui no Banco de Cultura?

No decorrer da entrevista o papo de instrumental groove me remeteu de imediato ao Medeski, Martin e Wood, que eu acho sensacional. Gostei muito das referências. O Edmar cita influências de Slayer, Coltrane e Davis! Gostei disso, estou curioso!

Marcelo Cabral · Maceió, AL 26/2/2007 10:53
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