Podemos dizer que todas as pessoas sabem que a base da escrita da lÃngua japonesa não é o alfabeto romano, este que utilizamos. Diferente de nós que tentamos reproduzir os sons da nossa fala na escrita, chineses e japoneses utilizam os kanjis, um tipo de representação ideográfica. Ou seja, nesta escrita criada pelos chineses, cada sÃmbolo representa uma idéia e a combinação entre eles dá origem à s palavras. Veja na figura o exemplo da palavra japonesa "densha", que significa "trem".
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Nessa palavra, o kanji que em japonês é lido como "den" representa "eletricidade". O outro, lido na lÃngua de Mishima como "sha", significa "carro". Portanto, ao pé-da-letra (ops!), o que está escrito é "carro elétrico" ou "carro movido a eletricidade", ou seja, "trem".
As lÃnguas chinesa e japonesa são bastante diferentes uma da outra. Mesmo os kanjis possuem diferenças entre si. Aliás, até entre os chineses os kanjis utilizados podem ser distintos. Há algum tempo uma reforma realizada na China continental alterou parte dos sÃmbolo com o intuito de facilitar a leitura/escrita. Esta reforma, por questō;es de jurisdição polÃtica não atingiu, por exemplo, Taiwan. No entanto, nada disso não impede que um leitor de japonês reconheça o significado de palavras chinesas, mesmo sem saber como elas são lidas e vice-versa.
Todavia, foram essas mesmas diferenças que levaram os japoneses a adaptar os kanjis para a realidade de sua lÃngua que possui mais conjugaçō;es verbais que a chinesa - embora muito menos que a portuguesa - e, até conjugação de adjetivos, parte dos quais possuem flexão de tempo. Foram criados o hiragana e o katakana.
Hiragana e katakana são partes de kanjis à s quais foram atribuidas a representação de sons. Além das cinco vogais, os sons silábicos existentes na lÃngua japonesa são formados por consoante + vogal. As exceções são o "n" e os ditongos "wa", "wo", "ya", "yu" e "yo".
Além dos sons acima representados, algumas silábas podem ser modificadas a partir do uso de dois sinais chamados "ten-ten" (") e "maru" (°). Mas somente as famÃlias "ta", "ka" e "ha" (que são lidos como o nosso /rr/, exceto o "fu") permitem o uso do "ten-ten". Com o charmoso sÃmbolo que parece com as nossas aspas, o som da famÃlia "ta" se converte em "da", o dos "ka" passa a ser lido como "ga" e os "ha" viram "ba".
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O maru, que lembra o nosso sinal para representar graus, só pode ser utilizado na famÃlia "ha" que passa a ser lida como "pa".
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Além disso, os ditongos da famÃlia "ya" podem se juntar aos sÃmbolos que representam "shi" e "chi" para formar as sÃlabas "sha", "shu" e "sho"; "cha", "chu" e "cho". E os sÃmbolos que representam os sons consoante + vogal "i" ("ki", "ri", "mi" etc.) podem ser somados à queles ditongos para gerar sÃlabas como "kyo", "ryu" etc. Nesse caso, os ditongos aparecem em tamanho pequeno, ao lado do sÃmbolo principal.
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Hiragana e katakana foram criados por necessidades diferentes. O primeiro é utilizado para complementar os kanjis nas conjugaçō;es verbais e adjetivas, nas partÃculas usadas como elementos de conexão e em outras palavras cujos uso dos kanjis foi caindo em desuso. O hiragana também é a porta de entrada no mundo da leitura em japonês. A alfabetização de crianças e de adultos estrangeiros começa pela aprendizagem dos sÃmbolos silábicos, com o kanji propriamente dito sendo introduzido depois. O hiragana tem, ainda, a função de facilitar a leitura de kanjis. Neste caso, aparecem colocados acima destes e em tamanho menor, ao longo de texto. Essa técnica de "decodificação" foi inventada pelos portugueses se chama 'furigana', é uma mão-na-roda para iniciantes no aprendizado da lÃngua e no caso de kanjis cuja leitura é pouco conhecida ou utilizada.
O katakana, por sua vez, pode ser visto na escrita de neologismos (como "karaokê", por exemplo) e de palavras oriundas de outros idiomas (por exemplo, "bideo", em português, "vÃdeo"). Nomes de estrangeiros também são convertidos para katakana em boa parte dos documentos oficiais japoneses.
A maior dificuldade na leitura de kanjis em japonês é a quantidade de possibilidades sonoras que um mesmo sÃmbolo pode ter. Examinemos como exemplo um dos kanjis que vimos no exemplo lá de cima. Sozinho, ele é lido como "kurumá" e pode ser traduzido como "carro". Na palavra "densha", como sabemos, ele representa a mesma idéia, mas tem que ser lido como "sha". Com essa leitura, ele pode ser visto nas palavras "jidoosha" ("automóvel") e "jitensha" ("bicicleta"). Há kanjis que possuem um número muito maior de leituras, o que à s vezes, gera confusão entre os próprios japoneses, sobretudo quando o assunto é nome de pessoas e lugares os quais, muitas vezes, utilizam kanjis antigos ou pouco comuns. Não é raro um japonês adulto e alfabetizado admitir que não consegue ler uma palavra, devido a essa multiplicidade de leituras. Em filmes legendados e livros é comum o uso do 'furigana' para indicar como determinado kanji deve ser lido em certa palavra ou frase.
BacanÃssimo saber mais sobre a cultura oriental - no caso chinesa e japonesa. Namorei um japonês que mora lá do outro lado atualmente e ele me contou que nem todos os japoneses sabem escrever em kanji, segundo ele, é algo muito admirado por lá.
Glês Nascimento · Palmas, TO 8/7/2006 14:45BacanÃssimo saber mais sobre a cultura oriental - no caso chinesa e japonesa. Namorei um japonês que mora lá do outro lado atualmente e ele me contou que nem todos os japoneses sabem escrever em kanji, segundo ele, é algo muito admirado por lá.
Glês Nascimento · Palmas, TO 8/7/2006 14:45Bem, Gles, nao eh bem assim. Afinal, o kanji eh o "alfabeto" deles e se eles nao souberem escrever com esse alfabeto, eles nao sabem nada. Aqui se diz muito que o nivel da educacao caiu, que as pessoas nao se interessam mais pelo estudo e um monte de outras coisas... Na verdade, nao chega de longe ao que existe ai no Brasil, em termos de analfabetismo. O que ocorre e surpreende os estrangeiros eh que muitas vezes eles nao sao capazer de ler nomes com certeza ou de escrever kanjis de pouco uso. Dizem eles que sao necessarios 1500 kanjis para a leitura de um jornal, por exemplo. Imagina isso? Muito, neh? Um abracao.
Roberto Maxwell · Japão , WW 8/7/2006 20:42Bem, Gles, nao eh bem assim. Afinal, o kanji eh o "alfabeto" deles e se eles nao souberem escrever com esse alfabeto, eles nao sabem nada. Aqui se diz muito que o nivel da educacao caiu, que as pessoas nao se interessam mais pelo estudo e um monte de outras coisas... Na verdade, nao chega de longe ao que existe ai no Brasil, em termos de analfabetismo. O que ocorre e surpreende os estrangeiros eh que muitas vezes eles nao sao capazer de ler nomes com certeza ou de escrever kanjis de pouco uso. Dizem eles que sao necessarios 1500 kanjis para a leitura de um jornal, por exemplo. Imagina isso? Muito, neh? Um abracao.
Roberto Maxwell · Japão , WW 9/7/2006 07:21Td bom pessoal. Estou precisando traduzir uns nomes de pessoas para japonês mas nao entendo muito bem do assunto. Alguem poderia me mandar um email (justdoit8747@hotmail.com) com alguma informacao ou um site relacionado?
Soldier of Jah Army · Vila Velha, ES 16/8/2006 21:04Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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