ALCEU VALENÇA: 'Me lixo para o lixo'

Assessoria de Imprensa/Divulgação/AV. Ipanema 1978
Alceu Valença em 1978
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Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS
13/12/2007 · 294 · 16
 

O pernambucano Alceu Valença prega a originalidade brasileira

O título acima é sugestão do próprio sujeito enfocado na entrevista. O entrevistado, aliás, é uma verdadeira usina de frases de efeito e idéias cheias de personalidade. É capaz de dizer muitas palavras em um curto espaço de tempo e misturar vários assuntos em uma mesma frase como os repentistas nordestinos. Um tópico, no entanto, que é freqüente em sua verdadeira explanação sobre qualquer tema é a necessidade do Brasil ser mais Brasil.

O nome da 'fera' é Alceu Valença, o artista que virou sinônimo de Nordeste e que consegue um feito para poucos: ser admirado por todas as classes e em todas as regiões do país. Neste domingo, o intrépido pernambucano vai constatar a sua popularidade em Campo Grande. Alceu foi a principal atração do projeto "MS Canta Brasil", que acontece sempre nos primeiros domingos de cada mês no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande. A entrada é gratuita. Oito mil pessoas compareceram ao show de Alceu!

O compositor de "Morena Tropicana", "Como Dois Animais" e "Coração Bobo" já veio algumas vezes ao Mato Grosso do Sul. Se apresentou no extinto "Temporada Populares", no "Festival de Inverno de Bonito" e "Festival América do Sul", em Corumbá.

Na entrevista por telefone de sua casa no Rio de Janeiro, citou os artistas sul-mato-grossenses Almir Sater e Tetê Espíndola como exemplos da originalidade que ele tanto prega e defende. "Está acontecendo uma total falta de originalidade no Brasil e as pessoas cada vez mais americanalizadas. O artista tem que ser incomparável", critica o pernambucano nascido em São Bento do Una em 1946.

Com dezenas de discos lançados, Alceu Valença iniciou a carreira em 1972, com um disco com o parceiro Geraldo Azevedo. Mas foi a apresentação ao vivo no "VII Festival Internacional da Canção" no Rio de Janeiro com a música "Papagaio do Futuro" com direito a presença no palco do emblemático Jackson do Pandeiro que definitivamente chamou a atenção de todos.

Muito antes do Greenpeace se tornar esta instituição tão (re)conhecida, Alceu já exercitava seu discurso irônico e inteligente bradando palavras como um 'papagaio do futuro' tipo 'eu fumo e tusso fumaça de gasolina, olha que eu fumo e tusso'. O sucesso, no entanto, chegou na década de 80, quando as rádios do Brasil inteiro não paravam de tocar hits de Alceu. Desde então, o compositor foi se tornando sinônimo de Nordeste até se transformar em uma unanimidade nacional.

Confira abaixo a entrevista com Alceu:

Rodrigo Teixeira - Você é pernambucano, mas se transformou em um artista brasileiro. Como você administra o regional e o universal em sua música?
Alceu Valença – O meu lado pernambucano está de forma intrínseca em toda a minha obra. Eu utilizo do rock o timbre e a distorção da guitarra, a sonoridade. Mas fazer arte é ser diferente, ser você mesmo. Por isso não tenho a menor vontade de ser Rolling Stones ou Elvis Presley. O artista não precisa ser igual a ninguém. Eu sou incomparável e faço as coisas da minha maneira. Atualmente paradigmas terríveis estão sendo criados. Todos estão pegando os trejeitos dos Estados Unidos. Acompanho este processo desde 1985 quando viajei para Portugal. E nesta onda entra o Brasil e a maioria dos países do mundo. Os cantores mudam a maneira de cantar em qualquer canto do planeta para parecer norte-americano.

Mas a sua obra tem também a influencia da música norte-americana.
Sim. Mas de forma diluída. O problema é imitar. Vejo os clipes de rap, por exemplo, e é uma imitação. Aponto o Marcelo D2 e o Gabriel Pensador como artistas que fazem um rap e funk diferentes. O resto é igual ao norte-americano, com boné, roupa, tênis e voz igualzinho ao pessoal dos Estados Unidos. É uma cópia deslavada.

E como você consegue se diferenciar e chegar a uma fórmula de música original ou mais brasileira?
Eu faço do meu jeito. Não sou contra o blues e o rock, sou até a favor. Mas gostaria de ver os artistas sendo mais originais, cada um com seu próprio jeito. Eu posso cantar uma música bem tradicional do Nordeste e colocar a influencia do blues. Mas desde que seja do seu modo.

O Nordeste parece longe demais dos países da América do Sul, apesar do Brasil ser um deles. Esta latinidade que estados como o Mato Grosso do Sul possuem por ser mais próximo das fronteiras deveria ser mais usado na música brasileira?
Com certeza e acho até que os sertanejos já utilizam isso bem e 'abrasileiram' a música latina. Mas não acho que deve ser algo obrigatório só pelo fato de ser perto da fronteira. Tem que modificar a influencia de forma natural e não política. Porque mesmo estados mais próximos da fronteira, como a Argentina, são mais influenciados pela cultura dos Estados Unidos por uma questão política, econômica e de colonização. Esta é uma responsabilidade que os órgãos competentes deveriam tratar com seriedade. Porque estão destruindo a música brasileira. Rock é bom, mas tem o apoio do governo norte-americano e de Hollywood. Não é possível só fazer cópia e imitação. Temos que combater a indústria como negócio e os empresários que lançam modas que não ajudam a verdadeira cultura brasileira.

Como assim?
Existem donos de bandas no Nordeste que estão destruindo o forró. Em Pernambuco, depois que veio a geração de Chico César e Zeca Baleiro, não apareceu mais nada. E mesmo estes dois não foram bem divulgados. Então o que acontece é que os artistas acabam indo para a Europa porque não tem mais lugar aqui no próprio Brasil. Os culpados são os donos de bandas que imprimem a marca forró em conjuntos que são contratados deles.

Mas isso acontece com outros gêneros também. O frevo, por exemplo, não é sufocado pelo axé music?
O frevo é algo mais de Pernambuco e que tem destaque mais nas semanas de Carnaval. O axé tem todo direito de sê-lo porque ainda é brasileiro, embora se possa gostar ou não. E na época que o axé estourou realmente muitas pessoas foram beneficiadas. É diferente destas bandas de forró que caem na moda. Porque fazem um forró que não é forró. São estas bandas que misturam um nome com outro, como 'alhos com bugalhos' entende?

Sim. Você acredita que estas bandas não seguem a tradição de Gonzagão, por exemplo?
Com certeza não.

Quais os artistas que você citaria como bons exemplos de novos talentos do Nordeste?
O Silvério Pessoa, por exemplo, é sensacional e acaba indo tocar mais na Europa. O Mestre Ambrósio que é maravilhoso é uma banda que não aconteceu.

Qual a sua opinião sobre o manguebeat?
Um grande movimento, mas que ainda não existia quando o Chico Science morreu. Na época que eles vieram ao Rio pela primeira fui aos shows. E não foi aquele pipoco todo que tinha que ser. Hoje comparam a banda Calypso com a Nação Zumbi, que é muito melhor e uma das maiores bandas de rock do Brasil. Mas no nosso país o que é bom tem que ser imitação.

Quais os artistas que são originais na sua opinião?
Vamos ver artistas originais e com sentimento. O próprio Almir (Sater) é genial. Gosto muito da menina Tetê (Espíndola). Ela é clássica. Não posso deixar de citar o Luiz Melodia. Outros artistas de personalidade são os conterrâneos Geraldo Azevedo, Chico César e Zeca Baleiro. O que eu não suporto é lixo cultural. Aliás, pode colocar como título da entrevista 'Me Lixo para o Lixo'.

Como analisa a questão de hoje em dia as gravadoras não terem mais tanta força como no passado?
A partir dos anos 90 eu fui me tornando independente. Porque percebi que estava começando a ter que sentar com pessoas que dirigiam as gravadoras, mas não entendiam nada de música e sim de vender sabonete e carro. E eles então não tinham assunto comigo. Porque até então eu conversava com diretores do gabarito de um Mazzola e de um Guto Graça Mello, que são pessoas a favor da boa música. Então decidi começar a rodar o Brasil e desde então tive que parar de fazer o circuito da Europa que fiz muito até os anos 80. Só voltei este ano. Fui trabalhar o público do Brasil para não ter interferência e ser engolido por eles.

Você é conhecido por falar o que pensa. Estamos em um período de que no Brasil?
Eu mantenho o mesmo discurso que tinha desde os anos 70. O Brasil não cuida do Brasil. As coisas brasileiras precisam pedir licença em seu próprio país. A Lapa, no Rio de Janeiro, é tipo o último reduto do choro. Mas agora as grandes empresas estão invadindo e montando casas de espetáculos. E aí a alma vai se perdendo. Por que não existem mais festivais de música brasileira? Porque o povo não gosta do Brasil? É mentira. Em agosto de 2006, por exemplo, eu reuni no meu show 'Marco Zero' aproximadamente 140 mil pessoas em Pernambuco. Era uma homenagem aos 100 anos do frevo e pedi para todo mundo ir fantasiado. Muitos disseram para mim que ninguém iria. Acabou que até gente vestido de Che Guevara apareceu. Ou seja. Ficam querendo vender que a moda é ser 'emo', ser triste. Eu acho que deveriam aproveitar e se suicidarem todos. Porque no Brasil tem que ser o contrário. Ter alegria e cumplicidade. Isto sim é a música brasileira. Uma coisa de namoro, sensualidade e não violência. Quando o Che apareceu como o grande rebelde do mundo os Estados Unidos inventaram a rebeldia do rock, mas uma rebeldia sem causa, ao contrário do Che. Por isso eu acho ridículo quem quebra uma guitarra elétrica. Em vez disso seria melhor que o cara fosse namorar, catar uma mulher...

Em 'Papagaio do Futuro', ainda na década de 70, você dizia na letra 'eu fumo e tusso fumaça de gasolina', já fazendo uma crítica em relação ao mau trato do meio ambiente. O que você pensa disso hoje em dia?
O discurso político em torno do meio ambiente ainda é necessário. Esta música 'Papagaio do Futuro' foi criada por causa da crise no petróleo na época. Eu nasci no interior e o disco 'Espelho Cristalino', em 1977, foi inspirado nos rios que não corriam mais por causa da seca. Me preocupo muito com isto ainda. E acho que os estados do Brasil Centrais, como o MS, têm que se preocupar mais ainda. Porque na verdade esconderam por muito tempo os problemas relacionados ao meio ambiente. Os EUA não assinarem Protocolo de Kioto, por exemplo, e isso foi destinar a humanidade ao suicídio. Para nós que já estamos rodados ainda tudo, mas temos filhos que estarão lá na frente. Então é o que eu falo. Não somos nada sem conhecer o passado, viver o presente de forma honesta e projetar o futuro. E eu sou o Papagaio do Futuro.

O país avançou em termos de política cultural?
Os pontos de cultura criados pelo MinC são pontos a favor. Este projeto favorece realmente os mais carentes, mas a barreira ainda está na mídia, na imprensa. Nós temos que aprofundar a discussão e a divulgação da cultura brasileira tem que ser em escala bem maior. Eu não sou do PT e de nenhum partido, embora tenha votado no Lula, e acho que o assistencialismo é emergencial, porque estamos ficando 'americanalizados'. Nós temos que mostrar a cultura brasileira. Valorizar. Porque hoje em dia no Brasil o cara de 50 anos que perde um emprego não trabalha nunca mais. O cara vai deitar para morrer? Não dá. Ser Humano é igual a educação e sabedoria para mim. Eu digo tudo isso não por mim, porque para mim está cada vez melhor. Faço muitos shows e meu negócio anda bem. O problema é que hoje no Brasil não tem mais espaço para artistas novos. Um artista de talento se destacar hoje no país não é mais apenas difícil e sim quase impossível.

* Matéria publicada no jornal 'O Estado de MS' em 01/12/2007

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Mestre Jeronimo - JC
 

Axe' Baba!

Essa valeu mesmo!

Podes crer amizade... falou e disse:

Hoje comparam a banda Calypso com a Nação Zumbi, que é muito melhor e uma das maiores bandas de rock do Brasil. Mas no nosso país o que é bom tem que ser imitação.

Pois eh, inteh aqui no evermundo teve gente da "alta" sintonia que patrocina esse site, patrocinado pela Petrobras, dizendo que o Calipso merece medalha cultural... -- ???

Acredita quem quiser, mas o Hermano jogou essa no ar.

Bom, baseado que no 'baseado' vagal 'viaja'... e tem quem ate usa viagra, nada contra, o Alceu ta dando o recado bem dentro... mandando pra fora o que seria de coisa que nao acrescenta pra educacao, nem, pra edificacao de nossa cultura de base, ja que se tem tanto que oferecer, e inventar no BR.

A cesar o de cesar... e pra que idiotizar o povo, se temos o que conscientizar o povo. Pra que copiar, realmente, se temos coisa que vale mais do que o original.

Enfim, eh realmente impossivel de se acreditar que nois artistas possamos chegar a algum lugar a mais, se na REAL, ficam exaltando porcaria, que vende em numero, mas a qualidade, deixa a desejar; alem de que vira tudo um apelo pra prostituicao e degenegracao da nossa raca, e cultura do BR.

Hoje comparam a banda Calypso com a Nação Zumbi, que é muito melhor e uma das maiores bandas de rock do Brasil. Mas no nosso país o que é bom tem que ser imitação.

Pode crer amizade... valeu essa... O que eu não suporto é lixo cultural. ..

Voto ta feito... e o jogo eleito!

Sarava!

Mestre Jeronimo - JC · Austrália , WW 12/12/2007 16:27
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Roberto Maxwell
 

Grande entrevista. Mas, continuo não acreditando nesse rótulo Brasil, assim como não acredito no rótulo nordeste, nem mesmo no Pernambuco. Tampouco no rótulo América. Mas, acredito em ser original como ser a si mesmo. Não importa se alguém nasce no Brasil e faz uma música que as pessoas rotulam como japonesa ou angolana. O importa é o artista fazer a música da sua alma. É isso que o torna original. Alceu é original por ser Alceu e nisso, embora ele ainda se prenda a rótulos nacionais, ele mandou muito bem. Tem muito mais efeito do que falar de "lixo".

Roberto Maxwell · Japão , WW 13/12/2007 14:28
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Hermano Vianna
 

valeu pela entrevista Rodrigo: realmente justifica ter algo sobre o Alceu Valença aqui no Overmundo, pois a grande mídia não tem dado muitas notícias sobre suas últimas atividades - vi grandes shows do Alceu durante minha vida - acho até que o primeiro show que vi na vida (na época em que tive a sorte de estar também na platéia do Atrás do Porto Tem uma Cidade, da Rita Lee, ou do Refavela, do Gil) foi o mais marcante: Alceu tocando só com um violeiro excelente e personalíssimo chamado Ivinho - Ivinho depois lançou um disco brilhante ao vivo em Montreux, acho que nunca editado em CD - alguém sabe do paradeiro do Ivinho? procurei agora no Google e não achei nada recente...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 13/12/2007 16:57
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Rodrigo Teixeira
 

Olá pessoal! Realmente o Alceu é polêmico e sabe usar as palavras. Eu respeito o Calypso, por tudo que eles conseguiram, uma grande estrutura, mídia nacional e tudo mais, mas realmente musicalmente eu não gosto. É questão de gosto ou desgosto mesmo. O Alceu deixou claro que quando se refere a 'lixo', pelo menos para mim, ele está falando de coisas nem que são originais e se vendem como a coisa mais nova do Planeta.

O que mais me bateu na entrevista com o Alceu foi a vontade verdadeira dele em protestar por uma Brasil mais Brasil. E ele foi sincero falando que para o artista novo é hoje bem mais dificil do que antes. Na verdade, os caminhos antes construídos acabaram. Estão se construindo outros e muita gente está perdida no meio de tanta inovação e novos tempos.

Concordo com o Roberto de que a região ou local não importa tanto e sim a originalidade do artista. Ser ele mesmo e acho que isto o Alceu falou com todas as letras certo? Também não vejo problema se o artistas vestir a camisa do 'regional' e fizer um bom trabalho. Tudo é muito relativo.

E tb concordo com o Hermano (alowww Hermanoooo) de que a grande mídia nacional não tem dado espaço para o Alceu. Mas fiquei pensando, para quem afinal que a grande mídia da espaço? Mesmo 'grandes' como Zeca Baleiro, Lenine, Chico César, Cordel, Vitor Ramil e tantos outros eu não vejo matéria em lugar algum.

E quando o Hermano fala que foi testemunha ocular de grandes shows, como o de Rita e Gil, fico pensando mais ainda nesta juventude que cresce escutando as duplas de sertanejo universitário que só tocam covers ou mesmo os que vão as micaretas de axé! Até que ponto isso influencia na formação na cabeça desta moçada????
abração a todos!

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 13/12/2007 20:03
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Carlos ETC
 

Ótimo texto! O Alceu realmente é um dos maiores representantes do nosso nordeste, num estilo sofisticado e sempre moderno.
Abraço
http://interludios.blogspot.com

Carlos ETC · Salvador, BA 13/12/2007 23:15
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stefano ferreira
 

Simplesmente maravilhosa essa entrevista.
Alceu continua o mesmo artista profundo de outrora.
As posições dele quanto á valorização de nossa identidade cultural me emocionaram muito, por que sei que tudo isso é uma verdade.
Somente com a força de artistas como ele é que acreditamos em dias melhores para os artistas novos.
Valeu Alceu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

stefano ferreira · Oeiras, PI 14/12/2007 13:34
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Sander
 

Valeu Rodrigo!
também concordo com essa idéia de que precisamos dar mais valor ao que é nosso, ou seja, às nossas raízes culturais, ser original sem se perder no meio de tantas influências.
um abração!
Sander

Sander · Cassilândia, MS 14/12/2007 14:03
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Mansur
 

Uma coisa é a influência, que é benéfica e natural já que somos parte desse planetinha que é bem diverso. Outra coisa é se deixar embasbacar pelo que é de fora (leia-se USA), e querer ser, o que não se é. Improdutivo, ineficiente, revelador d baixa auto-estima etc...essa atitude.

Fale sobre sua aldeia e serás universal.

O Maxwell fala sobre fazer uma música angolana ou japonesa sair da alma, que não acredita no "rótulo". Mas veja bem, se eu moro em Luanda, eu vejo as pessoas andando, falando, gesticulando de uma maneira que têm haver com o semba, têm o ritmo do semba, aí está a alma coletiva, uma situação natural.

Outra coisa é a alma individual, aquela que expressa anseios existênciais da pessoa independente do país ou lugar que se vive. Seria o diferencial do artista, como ele vê individualmente e como ele se expressa. Acho que o Alceu aborda a questão dos dois ângulos, o coletivo e o individual.

Bom, eu sou muito feliz com a cultura brasileira, que é misturada, mas também já têm fôlego para gerar matrizes rítmicas e esteticas atemporais. O choro por exemplo nasce da mistura de música clássica (européia) e música negra e sei lá mais o que...mas se sedimentou como matriz estética, se você compôr um choro de duas partes, tudo bem, não há nada de mal nisso. Mas o choro completo, é o choro de três partes, porque? Porque o desenvolvimento do estilo chegou a essa forma musical "perfeita" para o estilo e se tranformou em matriz musical.

Nós já temos matrizes. Várias matrizes. Olhar para elas e ser diferenciado é o que o Alceu clama aos artistas.

Viva o Alceu Valença, nosso papagaio do fuuro.

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 14/12/2007 14:55
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Mansur
 

Não sei se fui claro, mas valeu o esforço...

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 14/12/2007 14:58
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Mansur
 

Ah, pra ser bem abrangente na abordagem: O funk carioca, por exemplo, mistura uma levada de camdomblé com uma alusão melódica a tradição da ciranda, já é matriz. Melhor que colocar boné de gringo. E dançar como gringo. E falar como gringo. Mas acho também que, se quiser fazer papel de gringo e colocar um aspecto individual na coisa, agrada. Não é o que eu prefiro, mas agrada.

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 14/12/2007 15:04
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Mansur
 

Penso que o melhor caminho é juntar a alma individual e a alma coletiva, pronto. Já falei demais.

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 14/12/2007 15:07
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Mansur
 

Mas o ser humano é livre pra fazer o que quiser, aonde quiser, do jeito que quiser. Se essa liberdade vai gerar valor artístico, isso já são esses outros quinhentos que falei acima...desculpem o exagero da explanação...

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 14/12/2007 15:12
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Daniel Cariello
 

Caro Rodrigo!
Sensacional matéria. Vi uns dois shows do Alceu na vida, ambos muito bons. Grande músico. Uma vez topei com ele num boteco em Brasília. Um dos amigos soltou a clássica "olha o Moraes Moreira" (o Moraes, aliás, tem uma música que fala sobre essa confusão, que é normal). Ele não riu da piada. Mas depois alguém completou: "Não, é o Bob Marley!". E aí ele adorou e morreu de rir.

Abraços!

Daniel Cariello · Brasília, DF 14/12/2007 20:55
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Karine Pegoraro
 

Fantástico o show do Alceu. Nunca vi tanta gente conhecida e das mais diversas classes financeiras e musicais em um mesmo ambiente na mais completa paz. Grande projeto, e realmente, esse show foi o 'grande' entre os outros...

Karine Pegoraro · Campo Grande, MS 14/12/2007 22:05
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Natália Amorim
 

Bicho Maluco Beleza!!! Quero ver!! Abs!

Natália Amorim · Rio de Janeiro, RJ 18/4/2008 14:33
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Abílio Neto
 

Melhor entrevista que eu li de Alceu Valença. Parabéns, Rodrigo, pelas suas inteligentes perguntas!

Abílio Neto · Abreu e Lima, PE 14/12/2011 18:12
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