Brasil.gov.br Petrobras Ministério da Cultura
 
 

Alma Barroca

Tetê Oliveira
Da praça, não se imagina a ebulição de arte que ocorre neste endereço.

Imagine uma casa pequenina, com um portão duplo de madeira. À entrada, no quintal, cavaletes, telas e tintas ou lápis de desenho, móveis e peças antigas de decoração, livros, quadros e esculturas. Tudo cercado por plantas como buganville, murta, bromélia, palmeira, pés de acerola e de jamelão, lírio da paz, antúrio, hera, felicidade fêmea e macho. De fundo musical, uma canção suave, talvez italiana, embala e inspira ainda mais os traços de artistas em suas primeiras obras. Bem-vindos ao Centro de Convivência, Artes, Cultura e Humanismo Alma Barroca, em Nilópolis (Baixada Fluminense).

O Alma Barroca fica meio escondidinho, na Praça Osmar Serpa de Carvalho, número 73 (21 3760-1414), numa área mais residencial. A simplicidade da casa contrasta com a intensa programação cultural que ela abriga: shows de música brasileira, saraus de poesia e música, cursos de desenho de retrato, crayon, aquarela, óleo sobre tela e nanquim, dança de salão, brechó e até uma biblioteca, em fase de catalogação do acervo, que, em breve, será aberta à comunidade.

Fundado oficialmente em 25 de novembro de 2000, o Alma Barroca é uma organização não-governamental e um projeto do casal Dilu Mello e Jô Guimarães. Ela, professora de História da rede estadual do Rio de Janeiro e artista plástica (“Eu pinto um pouquinho”, diz modesta); ele, artesão.

Inicialmente, o casal alugou a casa, que estava abandonada e quase caindo aos pedaços, para instalar ali a marcenaria de Jô. Ele cria peças decorativas e de mobiliário, em geral, em madeira. A abertura da casa à comunidade foi uma alternativa para expor o trabalho do artesão, mas a idéia evoluiu e surgiu então o centro de convivência.

“A essência do espaço seria a de ser um lugar em que as pessoas pudessem pintar, bordar, rir, cantar, fazer coisas boas pro seu bem-estar, todos juntos”, explica Dilu. “A arte é uma necessidade da alma, do espírito, assim como o pão é uma necessidade do corpo”, compara.

Hoje o Alma Barroca desenvolve diferentes subprojetos. O Alma Brasileira abre espaço para músicos de Nilópolis e da Baixada Fluminense, principalmente, com shows mensais, nas segundas sextas-feiras de cada mês, no próprio quintal. Os ingressos, a preços populares, garantem o cachê dos artistas. Por lá já passaram cantores e compositores como Antônio Carlos Mariano (Nova Iguaçu), Fernanda Moraes (Mesquita), Roberto Lara (Nova Iguaçu), Kelce Moraes (Olinda, distrito de Nilópolis), Julinho do Violão (Nilópolis) e Robson Gabiru (Nova Iguaçu), além do Cambada Mineira. “Esse projeto é a menina dos meus olhos. A gente abre espaço para a valorização da música de qualidade”, diz Dilu.

O sarau de poesia e música acontece às quintas-feiras, a partir das 21h, com entrada franca. É só chegar e participar. “Queremos que o Alma seja um espaço alternativo em Nilópolis. a proposta é criar um lugar em que as pessoas possam se expressar, mostrar o que sabem fazer”, acrescenta a professora, que ministra palestras sobre arte barroca – e provavelmente esse seu interesse pelo Barroco tenha inspirado o nome da ONG.

Outro projeto é o Grupo Alma da Terra, que está voltado para atividades ligadas ao meio ambiente, como caminhadas ecológicas, palestras e oficinas de reaproveitamento de material reciclável. Recentemente, o grupo promoveu uma visita guiada de alunos a Gericinó, campo de instrução do Exército, na cidade, e que tem projeto para virar um parque ecológico. As crianças e jovens registraram o passeio em pinturas de óleo sobre tela, que integraram a exposição “As cores do Gericinó”. O passeio rendeu até uma exposição fotográfica!

O Alma Barroca promove ainda um encontro mensal para troca de idéias e reflexões sobre arte, filosofia, política, educação etc. E o Brechó Passado a Limpo, que revende calçados, livros, roupas e outras peças doadas ou dos próprios administradores do centro.

Já o SolidariedArte é um projeto mais recente. “A gente promove ações voltadas pra despertar o ser voluntário nas pessoas. São grupos que visitam orfanatos, asilos etc.”, explica Dilu. Segundo ela, o Alma Barroca cede espaço para o grupo espírita Seara de Jesus, que trabalha com população de rua. Na sede da ONG, o pessoal organiza eventos para captação de recursos para o seu trabalho junto aos sem-teto.

Sem qualquer patrocínio público ou de grandes empresas (atualmente uns poucos comerciantes da cidade colaboram, eventualmente, com o projeto), o Alma Barroca vive de doações de um pequeno grupo de amigos – meia dúzia de pessoas (literalmente!) que contribuem com R$ 10 mensais -, da encomenda de pinturas de retratos, da venda de um ou outro mobiliário assinado por Jô e de garrafas de mel – produzido por familiares do artesão, moradores da Serra da Mantiqueira -, de um percentual nas mensalidades dos cursos de pintura (que ficam sob responsabilidade de professores voluntários), e da renda de um barzinho que funciona de quinta a sábado, a partir das 18h, no próprio espaço. Tudo o mais, sai do bolso de Dilu e de Jô mesmo!

O “Restaurante” Alma Arte e Sabores oferece em seu cardápio aperitivos como caldos diversos – inhame, verde, de camarão etc. -, bolinhos de bacalhau e aipim com carne seca, e bebidas como cerveja, vinho, refrigerantes e até chá. O movimento maior é nas noites de shows e eventos. Mas o ambiente também é bem freqüentado pela comunidade, como ponto de encontro para uma boa conversa e confraternização entre amigos.

O Alma Barroca ainda está desenvolvendo seu próprio site. Mas quem quiser conhecer um pouco mais sobre o projeto, pode visitar a comunidade dele no Orkut: Amigos do Alma Barroca.

Só mais um detalhe: a sala onde funcionava a marcenaria de Jô hoje abriga a biblioteca e aulas de dança de salão. O Alma Barroca emana arte por todos os cantos da casa!

(Pretendia publicar o texto em Guia, mas o Alma Barroca revelou-se bem maior do que a casa pequenina que ocupa. E estourou o limite de caracteres da seção.)

compartilhe

comentários feed

+ comentar

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

imagens clique para ampliar

Alunos de pintura e desenho zoom
Alunos de pintura e desenho
No mobiliário antigo, esse fogão branco é um dos destaques. zoom
No mobiliário antigo, esse fogão branco é um dos destaques.
Charles Berton Trio no Alma Brasileira zoom
Charles Berton Trio no Alma Brasileira
Poeta João Prado, participando de sarau zoom
Poeta João Prado, participando de sarau
Exposição fotográfica de Danilo Sérgio zoom
Exposição fotográfica de Danilo Sérgio
Panorâmica do Alma Barroca zoom
Panorâmica do Alma Barroca

veja também

filtro por estado

busca por tag

observatório

feed
Nova jornada para o Overmundo

O poema de Murilo Mendes que inspirou o batismo do Overmundo ecoa o "grito eletrônico" de um “cavaleiro do mundo”, que “anda, voa, está em... +leia

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados