“O modelo da Rádio Alto Falante deveria ser copiado por outras rádios pernambucanas.” – Alberto Infante, Diário Austral
“Tenho uma banda indie (não gosto desse nome) de rock-pop-folk-techno e ainda não tive espaço nessa rádio...” – músico injustiçado em busca do sucesso perdido
"Leio três jornais e quinze blogs por dia, e, no fim me pergunto: o que fazer com tanta informação?" - Albert Chevalier, Le monde Decadence.
“Não acredito nos blogs, nem nos jornais... só acredito no semáforo! – Fã clube anônimo da cena folk contemporânea
“Essa frase enigmática não vai me deixar dormir...” – Poeta anônimo, Clube de Literatura dos Corações Solitários do Sargento Carrero
Espero que a entrevista com Gonzalo Diniz saia bem... ou melhor, o meu espanhol arranhado... ¡Ojala!
Bom... segue abaixo uma entrevista feita com Tarcísio Camêlo que divulga tudo (ou quase tudo) sobre o que está acontecendo na cena cultural pernambucana com o seu blog Jornal Cultural, além disso, ele trabalha na Rádio Alto Falante que fica no famoso Alto José do Pinho.
Amélie: Acredito que um jornal que se denomina cultural deve cultivar as informações, ou seja, fazer com que ela não seja só transmitida, mas que desenvolva o conhecimento dos leitores. Diante de tantos músicos, shows e cartazes você nunca teve vontade de ir além das divulgações no Jornal Cultural?
Tarcísio: Ao transmitir a mensagem, acho que existe um desenvolvimento do conhecimento dos leitores, pois permite que as pessoas conheçam novos horizontes, novas bandas, novos lugares, novas pessoas, isso é bacana. O blog vai além das divulgações ao realizar coberturas de festivais e expressar suas opiniões sobre o que aconteceu por lá e isso faz com que o leitor procure outros sons e não fique preso somente aos ditados pela mídia. E ainda rola o programa de rádio, Jornal Cultural, na Rádio Alto Falante do Alto José do Pinho, onde abro espaço para as bandas do cenário independente, além de rolarem entrevistas e debates, não só sobre arte, mas também sobre comunicação, política, sociedade entre outras coisas sempre com convidados.
Amélie: De tudo que você postou no Jornal Cultural o que você considerou importante ter acontecido em Recife e o que você considerou enfadonho? Você procura ir a algumas atrações que você divulga?
Tarcísio: Eventos como o Recbeat e o Coquetel Molotov são importantes que aconteçam na cidade para divulgar a música independente. O show do Teatro Mágico no Festival de Circo lá na Praça do Arsenal não conseguiu roubar minha atenção, achei enfadonho. Sempre procuro ir a todos os eventos que divulgo, mas não posso estar em todos.
Amélie: Atualmente recebemos informações de todos os lugares, cada qual com a sua verdade e o seu nível de criticidade. Você considera os jornais pernambucanos preocupados em informar e educar os seus leitores? Para você o jornal é capaz de educar?
Tarcísio: Os Jornais pernambucanos se preocupam em informar e educar os seus leitores até um certo ponto, até onde vão seus interesses. Vez ou outra rola uma matéria legal, uma que realmente vale a pena. E com certeza o jornal é capaz de educar, bastar querer e ter mais responsabilidade social, muita coisa poderia ser evitada se os jornais fizessem campanhas educativas para abordar alguns assuntos.
Amélie: Música, cinema e dança são produções artísticas capazes de expressar qualquer tipo de ideologia, de forma consciente ou não. Em sua opinião, essas produções podem definir a cultura de uma sociedade?
Tarcísio: Acho que o conjunto destas manifestações é que expressa a cultura de uma sociedade. Religião, política, economia, música, dança são elementos culturais que identificam um determinado povo.
Amélie: Alguns consideram que a internet acabou desvalorizando o trabalho dos jornalistas, outros acham que os jornalistas já se desvalorizaram há muito tempo. Você acha que a proliferação de blogs discutindo sobre cultura ajudou a essa sensação de desvalorização do jornalismo cultural?
Tarcísio: Não acredito que o blog desvalorizou o jornalismo cultural, pelo contrário, o blog funciona como auxiliar dele; muitos jornalistas utilizam o formato de blog por ser um veículo que possibilita uma interatividade bem maior com seu público. O que acontece com o blog (de Jornalismo Cultural) é que, por ser um meio de comunicação mais acessível para todo mundo qualquer um pode ter, mas nem todo mundo tá preparado, nem todo mundo tem a responsabilidade que um veículo de comunicação deve ter, e isso faz perder o verdadeiro sentido, mas existem muitos blogs de jornalismo cultural, de gente sem diploma, que conseguem fazer um bom trabalho e têm responsabilidade social. O público é seletivo e consegue perceber os blogs confiáveis depois de um tempo.
Um curta metragem pernambucano, uma frase enigmática e um estilo por Tarcísio Camêlo:
Ventilador, de Leonardo Lacca.
"Charles vai dormir".
Estilo livre.
Um espaço de resistência por Amélie a Tarcísio:
Forró de Arlindo dos oito baixos
publicada originalmente no blog outros críticos
Nanda Maia · Recife, PE 27/1/2009 15:07Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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