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Overmundo + Mate com Angu
É com grande alegria que anunciamos a primeira Sessão Overmundo no cineclube Mate com Angu. Atuante há seis anos na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o cineclube chacoalha o que chama de “marasmo que impera na cultura local” com exibições mensais de vídeos, em geral curtas-metragens nacionais, seguidas de festas que invadem a madrugada caxiense.

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AMK - Auto do Manoel Kongo
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 8/8/2007 09:15 · 192 votos · 25 comentários ·  
 
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overponto
 Desenho de Spírito Santo (1983) - Nanquin sobre foto de autor anônimo (1880)
Escravos reais capturados na África em 1880
Resenha

História, Teatro e Turismo cultural
Uma experiência


Originalmente, o projeto de encenação do Auto do Manoel Kongo, foi concebido no contexto de um trabalho de ação cultural, desenvolvido junto com animadores culturais da Secretaria Especial de Programas Especiais do Estado do Rio de Janeiro, (Cieps), no âmbito dos municípios do Sul Fluminense (Vale do Rio Paraíba do Sul). Sob a orientação geral da musicóloga Cecília Conde e a inspiração do antropólogo Darcy Ribeiro, o programa de Animação cultural em Cieps, foi um formidável esforço de arte educação que abrangeu uma rede de centenas de escolas, entre os anos de 1982 e 1996.

Proposto pela coordenação de animação cultural da área (função que o autor desempenhava na ocasião) pretendeu-se com esta ação unir os esforços de diversas instituições oficiais, municipais, estaduais e federais, num amplo esforço, que servisse para estimular estratégias de turismo cultural (a exemplo do que ocorre em cidades como Nova Jerusalém, no nordeste), talvez uma das poucas alternativas para a (na época) combalida economia desta região fluminense.

Assim, constatando-se ser o passado histórico, representado, entre outras coisas, pela bem preservada cultura tradicional da população local, a única herança pública deixada pela decadência em que o Vale mergulhou com o fim dos áureos tempos do café, buscou-se um tema que, conjugando o rico patrimônio histórico e arquitetônico das cidades do local, servisse de subsídio para a elaboração de um texto para um auto teatral, que pudesse ser encenado nas ruas de uma cidade da região.

Sem muita dificuldade, o coletivo de animadores culturais optou pela história do Quilombo de Manoel Kongo e pela cidade de Vassouras, palco deste que é, sem dúvida, o evento histórico mais importante e abrangente, ocorrido naquela região quando de seu apogeu e, talvez em todos os modorrentos tempos que se seguiram.

Por conta de diversos fatores e percalços, as circunstâncias da época (1996) acabaram por tornar inviável a primeira tentativa de montagem do espetáculo que, do ponto de vista artístico, já estava em fase bastante adiantada (ensaio geral)

Dentre estes percalços, além dos problemas apresentados, à última hora, pela empresa que produzia o evento, foram também significativos (embora não determinantes), os problemas encontrados para se sensibilizar os empresários e fazendeiros da região quanto à pertinência do conceito de ‘Turismo Cultural’ que defendíamos, que não omitia alusões óbvias ao passado escravocrata da cidade, que, não podendo ser omitidas da trama do espetáculo, por serem a sua chave dramatúrgica, de certo modo constrangiam a estratificação social da região, como no tempo de Manoel Kongo, ainda hoje quase que inalterada, com muito nomes de tradicionais famílias da aristocracia cafeeira, citados no texto do auto como escravocratas empedernidos no passado, figurando ainda no quadro de poder local em prefeituras, câmaras e secretarias.

Tendo o seu texto baseado nos autos de condenação de Manoel Congo, reproduzidos no livro ’Insurreição negra e Justiça’ de João Luiz Duboc Pinaud e outros autores, a encenação abortada, contou também com o inestimável apoio do pesquisador vassourense Paulo Mandaro, da arquiteta Isabel Rocha (diretora do Iphan da área), da direção do Ciep de Vassouras na época, além dos cerca de 30 animadores culturais da região que envolvia, além de Vassouras e entre outras, as cidades de Paraíba do Sul, Rio das Flores, Paracambi, Paty do Alferes, Barra do Piraí, Valença e Pinheiral.

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A Forma

O Auto do Manoel Kongo foi escrito em 1996, especialmente para ser apresentado em cenários naturais, originalmente o perímetro urbano de Vassouras ou de outra cidade histórica qualquer, localizada no Vale do rio Paraíba do Sul, no estado do Rio de Janeiro.

O roteiro do espetáculo obedece às condições gerais do espaço previsto para a encenação: Ruínas, sacadas de prédios históricos, trechos de rua, chafarizes ou quaisquer outros pedaços de passado preservado, que possam compor a cenografia (ou a geografia) do espetáculo.

O roteiro original propõe também a participação de grupos culturais da periferia da cidade (música e dança tradicionais) tanto no contexto dramático do espetáculo, quanto em eventos paralelos, à cargo de instituições e agentes culturais locais.

No elenco proposto, parcialmente, integrado por atores profissionais, está prevista também a participação de um número considerável de figurantes (não atores), recrutados entre a população local.

Como peça de divulgação (folder e programa) do espetáculo, o programa propõe a edição especial do tablóide fictício ‘ A Voz da Comarca’, a ser amplamente distribuído na região,a partir da semana que antecede ao espetáculo. Desta edição do tablóide (que reproduz um jornal do século 19), constará além da ficha técnica e demais informações sobre o espetáculo, peças de publicidade dos patrocinadores.

Para a véspera do espetáculo, também como estratégia para a divulgação do evento, o roteiro prevê a encenação de diversas situações do cotidiano de uma cidade do Vale, no século 19, com figurantes espalhados por ruas e espaços onde o auto será encenado .

Do mesmo modo, o programa sugere aos agentes culturais locais, a promoção de passeios de charrete (com cocheiros vestidos a caráter) e visitas guiadas às fazendas da região (com a possível realização de saraus de música popular ou erudita)

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A História

Com o esgotamento do ouro nas Minas Gerais, a economia brasileira se deslocou para o Vale do Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro. O posterior esplendor da região, com seu eixo localizado na Vila de Paty do Alferes e, logo em seguida, na Vila de Vassouras, alavancou o desenvolvimento do Brasil por quase todo o século 19.

O signo principal deste ciclo de desenvolvimento era o café, mercadoria com enorme importância no mercado internacional do período, do qual o Brasil foi, durante muito tempo, o maior produtor.

Brasil e sua economia dependiam, no entanto, de outra mercadoria, ainda mais essencial do que o café; A força de trabalho do escravo africano.

Ambos negros, escravo e café, fizeram algumas das maiores fortunas do mundo da época, fortunas estas que, concentradas quase todas na região do Vale do Paraíba do Sul, geraram a sociedade dos chamados ‘barões do café’, nababesca e prepotente, assentada numa estrutura social sem povo, composta, basicamente, por aristocratas e escravos.

Seqüestrados de Angola, Congo, Moçambique e trazidos a partir, principalmente, do porto de Luanda para serem vendidos no mercado do Valongo, próximo ao porto do Rio de Janeiro, os africanos que, depois de longa jornada a pé, chegavam à plantações de café do Vale do Paraíba, acabaram se tornando, não só um elemento essencial para a economia local mas também, como se pôde concluir mais tarde, num elemento capaz de ameaçar a própria segurança física daquela sociedade.

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A Trama

Em 6 de novembro de 1838, o africano Camilo Sapateiro, escravo da fazenda freguesia foi morto a tiros, quando se dirigia, clandestinamente, à fazenda Maravilha, ambas pertencentes ao maior proprietário de escravos e principal autoridade da comarca: o Capitão-Mor Manoel Francisco Xavier. O assassino, um capataz da fazenda, quase foi linchado pelos escravos.

O que pretendia fazer Camilo Sapateiro na fazenda vizinha quando foi morto? Teria sido a sua morte, pelo capataz (um incidente algo corriqueiro na rotina escravista), a verdadeira razão da insurreição de escravos de tão grandes proporções, que se seguiu?

De roldão, os escravos rebelados, divididos em dois grupos, saquearam as duas fazendas do Capitão-Mor e fugiram para a mata próxima. Num ponto, ao que tudo indica, previamente combinando desta mata, um dos grupos se encontrou com um número indeterminado de escravos de outras fazendas, além das duas de propriedade do Capitão-Mor.

A imediata adesão de escravos de outras fazendas chama, fortemente, a atenção para a possibilidade de ter havido algum tipo de articulação prévia entre os rebelados.

O fato é que, um grande grupo se embrenha na mata, rumo a alto da Serra da Estrela, montando um arranchamento para pernoite, á cada fim de tarde do trajeto da fuga.

Perseguida por tropas da Guarda Nacional e homens recrutados pelo juiz de paz da comarca, uma parte deste grupo é atacada e dominada, quando ainda dormia, no quarto dia de fuga. Tropas do Exército Imperial, convocadas às pressas, comandadas pelo então Capitão Luiz Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, só chegam na área do conflito quando tudo já havia terminado.

No grupo de escravos derrotados, está o suposto chefe da insurreição, denominado ‘Rei’, Manoel Congo, ferreiro da fazenda Maravilha e uma mulher, denominada ‘Rainha’, a costureira Marianna Crioula, escrava de confiança da senhora dos escravos das fazendas Maravilha e Freguesia, Dona Elisa Xavier. A um escravo morto na refrega, mas, não identificado nos autos, é atribuída a função de ‘Vice-rei’ da insurreição e do futuro suposto quilombo. Este escravo pode ser identificado, nas entrelinhas dos autos, como sendo o africano de nação Munhambane Epifânio Moçambique.

Um número indeterminado de negros do grupo atacado consegue se embrenhar na mata, serra acima e dele não se tem mais notícias. Não se tem notícias também do segundo grupo, comandado por um escravo chamado João Angola que, não estando presente no ponto de encontro com o ‘Rei’, nem presente no momento do ataque, foi visto no dia anterior prestes a assaltar a fábrica de pólvora da região, desaparecendo por outro caminho, rumo á Serra do Couto, próxima à Serra a Estrela, aparentemente, o destino final de todos os rebelados.

Pode-se, por estas evidências, entre outras surgidas na pesquisa, supor que os relatos que dão conta da existência de um quilombo na região, jamais desbaratado, são factíveis.

A despeito destas evidências, a maioria dos proprietários alegou que seus escravos retornaram, espontaneamente, à suas fazendas, mas, não existem registros seguros dando conta de quantos, efetivamente, fugiram e retornaram. A alegação livrava os fazendeiros das pesadas custas processuais, caso tivessem negros de sua propriedade (e responsabilidade) arrolados como rebeldes. O peso total destas custas processuais acabou recaindo sobre o Capitão-Mor Manoel Francisco Xavier, que, depois dos escravos presos e condenados, passa a ser a principal vítima dos incidentes.

De um total de cerca de trezentos escravos fugidos e rebelados, apenas vinte e três (todos pertencentes a Manoel Francisco Xavier) são aprisionados (sete haviam sido mortos na refrega). Destes vinte e três presos, sete são mulheres (é significativo, do ponto de vista logístico, o fato deste grupo de presos, a maioria feridos na refrega, ser aquele onde estavam a maioria das mulheres e, provavelmente, os homens mais velhos e as crianças).

Cerca de dezesseis presos deste grupo são, efetivamente, julgados. A maioria é condenada, com uma única exceção: o escravo Adão Benguela que, apesar de estar tão envolvido quanto todos os outros nos conflitos, é estranhamente absolvido.

O suposto ‘Rei’ Manoel Congo’, é condenado à forca e executado em 1839 em Vassouras.

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Os Antecedentes

A observação acurada - e crítica - de fatos descritos em documentos da época, principalmente os autos do processo montado na ocasião, contendo os depoimentos dos escravos presos, pequenos indícios ou omissões aparentemente deliberadas, contradições entre os depoimentos, etc., formam a base principal utilizada para a elaboração deste texto teatral. Formam também a base de dados da pesquisa, textos esparsos, de outras fontes e um raro e inestimável relato, ao vivo, extraído pelo autor de uma entrevista (veja neste link) por ele realizada em 1975, com uma ex-escrava de uma das fazendas da região, que ali viveu, alguns anos após os incidentes descritos pelos autos.

A intenção foi, portanto, construir a trama, mais ou menos como uma reportagem (‘Teatro-Verdade’, talvez fosse o conceito mais apropriado) sempre que possível, a partir de dados verídicos, mais ou menos à maneira de uma reconstituição policial.

Com efeito, coisas muito inusitadas ocorriam naquela região nesta época de grande efervescência social.

Segundo dados descritos na crônica da cidade de Vassouras, um ano antes da fundação da vila, ocorrida em 1833, um grupo de proprietários criava a Sociedade Promotora da Civilização e da Indústria, de verniz positivista, e dedicada, entre outras coisas, à formação de artífices escravos, como mão de obra especializada, com o fim de possibilitar a manutenção de equipamentos, até então, feita por engenheiros vindos da Inglaterra e até - suprema ousadia - iniciar talvez a própria substituição da importação de máquinas e ferramentas agrícolas que, oriundas da Europa, obviamente com a mão de obra dos escravos-operários especializados, formados pela SCPI, passariam a ser fabricadas por aqui mesmo.

Ferreiros e marceneiros eram as principais especialidades indispensáveis à incrível proposta desenvolvimentista da SCPI. Os artífices a serem treinados, seriam recrutados, por seus proprietários, entre os seus escravos mais hábeis e inteligentes.

A mais incrível das coincidências era que o ofício de ferreiro era, ainda nesta época, a partir de uma tradição africana que remonta o século 15, uma ocupação exclusiva de reis e nobres, um status de poder hierárquico superior na cultura dos Kimbundos, grupo étnico angolano que, em grande maioria, contribuiu com escravos para as plantações de café do vale do Paraíba do Sul.

Sabe-se pelas mesmas fontes que, um ano depois (por volta de 1834), uma curiosa sociedade secreta, composta por negros escravos e libertos, com uma elaborada estrutura, havia surgido em Vassouras, quatro anos, portanto, antes da insurreição de Manoel Congo. Esta ‘insidiosa’ organização, segundo foi descrito por esta mesma crônica da Cidade de vassouras, andava ruminando um levante que pretendia libertar todos os escravos da área.

Somente nove anos depois, ou seja, em 1847, a tal organização secreta pode ser desbaratada. Os registros policiais da ocasião, afirmaram que ela se autodenominava Elbanda (Embanda, mais propriamente talvez, por ser a expressão o mesmo que sacerdote ou médico no idioma de origem) e era formada por núcleos ou células clandestinas, dirigidas, obrigatoriamente, por escravos ferreiros e marceneiros, chamados pelos outros escravos de ‘Pais’ (ou ‘Tatas’) Korongos.

Também curiosamente, pesquisas bem recentes sobre a cultura dos Kimbundos, nos dão conta que era por demais comum na sociedade angolana do século 19, a proliferação de seitas e sociedades secretas, por diversas motivações, prática que pode ter sido seguida pelos escravos de Vassouras.

Esta emocionante reconstituição nos dá conta, enfim, de uma malha de estranhas relações, interesses e contradições, bastante incomuns na história oficial do escravismo brasileiro, estabelecidas entre proprietários e escravos, escravos entre si, além de proprietários, do mesmo modo entre si. Um impressionante conflito humano sacudindo os alicerces daquela sociedade imperial, questionando o seu anacronismo. Matéria pura para teatro. Drama.

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Você vai poder ler num próximo momento, neste mesmo site, o texto completo deste emocionante Auto do Manoel Kongo, cuja extensa resenha disponibilizamos aqui.

Saiba desde já, contudo, que para a felicidade geral da nação (mesmo que incomode a alguns poucos) toda história que precisa ser contada, mais cedo ou mais tarde o será.

O Quilombo do Manoel Kongo vive!


Spírito Santo
Agosto de 2007

tags: Rio de Janeiro RJ cultura-e-sociedade spirito-santo escravidao seculo-19 vassouras vale-do-paraiba-do-sul cafe


 
canto_esquerdo comentários rss postar novo comentário canto_direito
 
Spirito, uma verdadeira beleza essa sua resenha.
Desde a foto - em que o contraste entre as vestimentas que falam da vida dos dois homens e da mulher na terra de origem e as cordas que os destituem dessa origem expõe explicitamente o horror da escravidão - passando pela descrição do importante projeto de encenação do auto e dos prováveis motivos de seu aborto, até a fascinante trama do levante que acabou com o enforcamento de Manoel Congo em 1939, 51 anos depois da abolição. De tudo, isso foi o que mais me impressionou, tanto que fui buscar mais detalhes da história, mas não consegui descobrir nada. Vc sabe me dizer com base em que prerrogativas este homem foi enforcado em pleno período do Estado Novo?
Parabéns !!!
Ize · Rio de Janeiro (RJ) · 6/8/2007 16:09 
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Voltei,

fiquei tão interessada no assunto que, na falta de material pra matar minha curiosidade, peguei o Dialética da Colonização do Bosi pra dar uma relida. Veja o que encontrei: nesse trechinho do livro Bosi mostra como o jesuita Antonil, em 1711, se vale da gramática para justificar a moral mercantilista que permitiria ao Brasil valer-se da mão de obra escrava como algo natural. Coisas que a gente já sabe, mas que é sempre bom relembrar.

"São construções verbais passivas e impessoais que Antonil enfileira para descrever o plantio da cana: a terra roça-se (quem a roça?), queima-se (quem o faz?), alimpa-se (quem?) [...] Dirá a gramática tradicional que em todos esses casos o sujeito é a terra ou a cana; e aqui a razão formal do gramático coincide com a do economista da era mercantil. O objeto exterior ganha foros de sujeito na linguagem de Antonil. Ao mesmo tempo, o agente real (o escravo que roça, queima, alimpa, abafa, deita, cobre...) omite-se por um jogo perverso de perspectivas no qual a mercadoria é omnipresente e todo-poderosa antes mesmo de chegar ao mercado, e precisamente porque deve chegar ap mercado inteira, branca e brunida".

Abrç grande
Ize · Rio de Janeiro (RJ) · 6/8/2007 16:42 
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Ize,
vc tem toda razão, lá no último § de A Trama ele escreveu 1939, mas depois ele começa com 1838. Não, não foi no Estado Novo. Foi no Império, bem no começo da colonização em massa do Vale do Paraíba.

Concordo com vc é "uma beleza de resenha". Spirito escreve maravilhosamente bem, parabéns e obrigada.

Só mais uma: eu sou ARQUITETA e não Antropóloga (rss, não tenho para tanto não).

Bjs
Isabel

Isbel Rocha · Barra do Piraí (RJ) · 6/8/2007 20:07 
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esqueci de fechar o negrito! rss... analfabeta digital tem essas coisas!
Isbel Rocha · Barra do Piraí (RJ) · 6/8/2007 20:07 
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Ize e Isabel,

Cruzes! Claro, óbvio que o enforcamento foi em 1839. Foi erro de digitação. Ainda bem que cheguei aqui a tempo.

Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 6/8/2007 20:10 
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Isabel,

Pronto. És arquiteta e o enforcamento foi em 1839. E o outro link que eu te mandei? Se não leu, quando puder, leia, por favor.
Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 6/8/2007 20:23 
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Isabel,

Li a pouco, lá no post do Egeu, o comentário do João Henrique, lá de Vassouras. A tropa é grande e boa.

Abs
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 6/8/2007 20:38 
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Eu já tinha lido o seu texto, e já conhecia as resenhas da época
legal a sua exposição. Confesso que do que li antes, se não posso dizer que não valeu a pena. É aquilo, ou falta de informação ou o propósito de descaracterizar, informar menos.
um abraço, andre.
Andre Pessego · São Paulo (SP) · 8/8/2007 04:48 
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Spirito, estou estupefata de não ter me dado conta que aquela troca de datas só podia ser engano de digitação mesmo! Mta gente deve ter morrido, ou sofrido bastante nos porões do Estado Novo, mas enforcado????
DEpois se fosse em 1939, MK seria um prodigio de longevidade. Não sei aonde estava com a cabeça.
Bj e bom dia pra vc
Ize · Rio de Janeiro (RJ) · 8/8/2007 07:09 
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Spírito, você me aguçou a curiosidade. Estou sperando o drama. Gosto muito de pesquisa e sei que o resgate histórico é muito importante para um País. abcs
jjLeandro · Araguaína (TO) · 8/8/2007 07:54 
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Spírito, você me aguçou a curiosidade. Estou esperando o drama. Gosto muito de pesquisa e sei que o resgate histórico é muito importante para um País. abcs
jjLeandro · Araguaína (TO) · 8/8/2007 07:54 
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Rapaz, que história. E que iniciativa bacana. Gostei muito do lance de pessoas trajadas com roupas de época circulando pela cidade divulgando o espetáculo. Se a cultura escravocrata só serviu pra subjulgar um povo no passado, que pelo menos possa servir como mote de reflexão e cultura.

Excelente contribuição como sempre ó Spírito Santo. Um abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal (RN) · 8/8/2007 09:31 
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Spirito,
Urgente formatar o projeto pra a Lei do ICMS (Lei Estadual) e tambem Rouanet (federal).
abraco!
Egeu Laus · Rio de Janeiro (RJ) · 8/8/2007 23:15 
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Spírito,
encontrei esse texto sobre Manoel Kongo, no site do Instituto de Pesquisas e Análises Históricas e de Ciências Sociais da Baixada Fluminense.
Abraço.
Tetê Oliveira · Nova Iguaçu (RJ) · 9/8/2007 00:29 
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Egeu,

Digo que farei isto, mas, você deve imaginar a quantidade de coisas que a gente sempre tem para formatar. Imagine que nem o livro conseguimos ainda formatar. Acho que o que preciso mesmo é de um empresa, um grupo, sei lá. Nos anos 70, lembra? A gente criava moviemntos e tocávamos os projetos uns dos outros e ganhávamos o mundo. Hoje, nesse cada um por si que predomina, as idéias vagam solteiras por aí. Aqui no Over é bacan. Rola solidariedade, mas, é tudo virtual. Mas vou cuidar disso sim, claro. Na época eu tinha um certificado de incentivos fiscais do Estado. Sei que esta fase não é difícil. Vamos ver.

de qualquer modo obrigado pela força.

Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 9/8/2007 08:06 
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Tetê,

Excelente referência este texto. Fiquei até animado em comentá-lo aqui, já que, como quase tudo na história do negro brasileiro, as controvérsias são muitas. Como a minha pesquisa foi feita a partir de uma análise 'investigativa' dos autos do processo (monto a história a partir da versão dos escravos, falando em juízo) algumas divergências surgem. Por exemplo: O combate que resulta na prisão de um dos fugitivos (e não todos os rebelados) segundo os escravos, foi bem mais prosaico. Eles, os escravos foram pegos ainda bem cedinho, alguns dormiam até. Um deles acordou e pressentiu o cerco e atirou. O combate foi rápido e a maioria dos escravos fugiu para a mata. Apenas os feridos, entre eles as mulheres, foram pegos. Manoel Congo, estava entre os feridos.
Neste combate estavam apenas a tropa convocada às pressas pelo juiz de paz Souza Werneck. A tropa era comosta por 'pedestres' ou seja, civis, cidadãos comuns improvisados como soldados. Uma espécie de milícia meio 'brancaleonica'.
O exército e o futuro Duque de Caxias, chegaram depois, quando tudo já havia acabado. O nome da mulher a quem se atribuíu o título de 'rainha' do quilombo era Marianna (e não Maria). É dado como certo que eram vários os líderes da revolta que foi muito bem articulada, mas, que teve que ser precipitada por causa de um traidor que abriu o jogo para um feitor. Provavelmente, Manoel Congo era apenas um do chefes que, por ter sido preso, acabou servindo como bode expiatório, pagando pelos outros. A história em suma, tem muitos pontos obscuros e é muito ideologizada. O pessoal do Movimento Negro procura dar um tom exageradamente épico a rebelião que é heróica sim, mas, não de forma tão simplista com a apresentam. Os intelectuais 'brancos' (a academia, por assim dizer) procedem em sentido inverso, subestimando a capacidade organizativa dos rebeldes, omitindo certos antecedentes e preparativos da revolta que teve ligações muito profundas com a conjuntura política da região do Vale do Paraíba do Sul no período, além de intensa relação com práticas culturais ancestrais, africanas (bantu, angolanas, exatamente) por parte destes escravos, fatores, indícios, sem os quais, jamais compreenderemos o que ocorreu precisamente.
O mais curioso da história é que esta ideologização da questão prossegue até hoje, porque a estratificação social do seculo 19 perdura. Os descendentes dos escravos continuam a trabalhar (em sua maioria) para os descendentes das mesmas famílias que possuíam escravos na época da revolta. Por esta razão, falar desta parte do passado do Vale, nem sempre é fácil. talvez este seja o 'pecado original' do meu texto: Tocar em velhas chagas.
O tempo é quem dirá.

Abs,

Bom. Vou publicar o texto do Auto um dia destes e depois voltamos à conversa.

Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 9/8/2007 08:47 
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Espírito Santo, acompanhei, meio de longe, toda esta discussão em torno do seu texto, lá pelos idos de 1996, quando a Prefeitura inaugurou o Memorial Manoel Congo, na Pedreira. O debate que este texto traz, é sim muito atual. Sua visão é correta: está tudo mais ou menos do jeito que estava no século XIX. Acredito que a encenação do Auto traria enormes dividendos financeiros ao turismo da cidade e serviria para implementar uma discussão muito importante: o que Vassouras fez para mudar a vida dos descendentes de Congo e Mariana Crioula. O problema é que entra ano e sai ano, este tema não entra na pauta da cidade. São necessárias políticas públicas que garantam inclusão social. É uma pena que, mesmo lá em 1996, o que moveu o poder público local não foi uma deferência à luta ou à contribuição africana para a história da Cidade. No português correto: muita gente no governo queria, na verdade, um despacho. Acender uma vela para "a crioulada não atrapalhar mais o desenvolvimento da cidade". Este, acredito, foi um dos motivos para o seu Auto não chegar a ser encenado. Mas um dia a gente chega lá. Espero que em breve.
João Henrique · Vassouras (RJ) · 9/8/2007 18:56 
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Henrique,

Reconfortante e, que é melhor, estimulante este seu comentário. Me convenceu de vez a retomar a luta pela encenação.
As condições objetivas para que sejamos bem sucedidos desta vez, são grandes. Tenho conhecidos com algum acesso (e até algum poder) junto à Fundação Palmares e, embora eu não seja produtor, posso dar, como autor, um restart nesta história.
Sei que vou poder contar, de novo, com o apoio do elenco anterior, formado por atores brilhantes aqui do Rio de Janeiro para quem a encenação do Auto, na época (e ainda hoje) representava a redenção de suas carreiras, empacadas nos papéis medíocres de marginais e empregadas domésticas que a mídia televisiva sempre lhes reservava (infelizmente, Paulão Barbosa, o melhor ator negro de sua geração, que representava o papel central da trama - que não é Manoel Congo - faleceu ano passado em Paris).
Penso que teremos de novo o apoio da Isabel Rocha, do Iphan, que nos facilitou o acesso aos principais cenários locais (entre os quais a Casa da Hera, onde localizamos a fazenda onde ocorrem os principais incidentes)
O esforço maior será mesmo o de levantar os custos de produção, que, embora tenha parecido na época da montagem anterior, já não eram cobertos pela Prefeitura que só nos garantiu algumas soluções logísticas, tipo uma casa para a sediar a produção, alimentação para o elenco, etc. pelo que me lembro, a prefeitura da época bancou também a obra do Memorial do Manoel Congo que, a bem da verdade, não tinha nada a ver, diretamente, com a encenação do Auto em si. O fato é que, a produção do espetáculo precisará mesmo é de recursos externos, pelo menos em sua primeira oportunidade (a idéia é que os recursos, no futuro, possam ser bancados por meios e interesses locais)


Minha idéia inicial é lançar a idéia entre antigos colaboradores aqui do Rio e em Brasília e, ao mesmo tempo, aceitar o gentil convide da Isabel para subir a serra, onde, gostaria de encontrar com você que - espero que aceite - seria o segundo braço (eu sou o outro) desta tentativa aí na região.

(Ihh! Tempo esgotado. Nos falamos mais adiante)
Grande abraço,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 10/8/2007 07:17 
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João Henrique,

(Acabo de receber um e.mail do André Monteiro, daí de perto de você, cujo contato foi estabelecido pelo Egeu.)
Estou pensando em, assim que me sobrar um temo, aceitar o convite da Isabel Rocha e dar uma passada por aí para conversarmos melhor. A idéia é discutir com vocês a possibilidade de se tentar, de novo, a encenação do auto, desta feita com a ampla participação de vocês e de outros agentes culturais que vocês queiram convidar. Ano que vem, como você sabe, fazem 170 anos da revolta de Manoel Congo.
Embora não tenha voltado a Vassouras depois de 1996, ando atento ao que tem ocorrido por aí, pelo menos no que diz respeito ao festival do Café e, presumo que não seja muito fácil
viabilizar, financeiramente, a empreitada, mas, isto já faz parte do processo que, obviamente, vai depender muito mais de recursos externos ao Vale.
Se houver o interesse de vocês, estou a postos.

Grande abraço
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 10/8/2007 12:13 
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Spírito
hehehehe velhos sonhos desengavetados, nada melhor que isso. Muita coisa mudou por aqui e, como já lhe disse, sobre a minha maneira de olhar a insurreição... Tô com o texto engavetado mas qq hora dou forma a ele que, espero, possa contribuir para a sua leitura. Parceiros como João Henrique e André Monteiro poderão ser a chave para sua empreitada. Boa sorte. Bjs
Isbel Rocha · Barra do Piraí (RJ) · 10/8/2007 14:51 
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Finalmente pude vir aqui ler seu Auto. Fico besta, Spírito, com a continuação do poder dessas oligarquias rurais. Quer dizer que um projeto tão bonito e fundamental quanto o Auto foi engavetado porque trata de questões históricas que todo mundo quer, no fundo, jogar para baixo do tapete?
Os responsáveis pelo projeto deve aproveitar agora para coloca-lo em todos os editais possíveis.
Aqui no estado temos uma história da Insurreição de Queimados (no município da Serra): um grupo de escravos foi induzido a trabalhar dia e noite na construção de uma igreja, com a promessa de libertação. É claro que quando a igreja ficou pronta e linda, não veio nenhuma carta de alforria e eles se revoltaram, sendo punidos "exemplarmente" com prisão e enforcamento. Já imaginou um Auto sobre essa história aqui? Vc me deu uma idéia com esse post.
Abraços!
Ilhandarilha · Vitória (ES) · 10/8/2007 16:41 
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Isabel,

Pois é. Já contactei os dois (o André, imagine! É filho de uma amiga antiga, arte educadora como eu, colega de trabalho, a Lena que estava comigo hoje mesmo, na hora em que abri o e.mail dele). Saiba que comuniquei a eles que aceitei o seu convite para subir a serra e conversarmos sobre a possibilidade - e apontarmos as formas de abrirmos à luz estes meus sonhos engavetados.

Ilha,
História forte esta aí também. O formato deste meu Auto é muito recorrente (acho que foi o Gil Vicente, seguido pelo Anchieta e o Manoel de Nóbrega, que desenvolveram esta forma que tem um inpacto muito forte como teatro popular, acho que, desde a idade média).
Para o Barsil, com este patrimônio cultural e histórico tão intenso, tantos dramas sociais, com nossas cidades tão engolfadas pelos males da globalização, o turismo cultural (sem panos quentes, sem elitismos ou corporativismos, é claro) costuma ser uma saída muito positiva, em todos os aspectos. O formato, você vai ver que é simples: É como cinema (chamei na época de ' cinema ao vivo'). Um bom story line, tirado de incidentes fortes como este que voce contou, marcado na memória da população, um bom roteiro, e cenas móveis, impactantes, se possível com a participação da platéia, organizadas em seqüências com um climax. Boa iluminação bom som e nada de frescuras e concessões globais, sem enrolação em suma. A fórmula visa fazer com que as pessoas visitem a cidade, consumam os produtos culturais dela, auxiliando na sua preservação, sabendo o quando de sangue e suor humano está contido naquele patrimônio, e se emocionem com isto.

Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 10/8/2007 21:30 
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Spirito,
A cidade já conta com um "auto" (se podemos chamá-lo assim) da "Paixão de Cristo" que acontece numa das fazendas, com iluminação e som. Portanto nourrau local já existe. Há que saber se há interesse. Por outro lado a "Paixão" é, em termos de encenação, bastante fraquinha, com romanos e filisteus à caráter, sem nenhuma visão atual. Mas junta um certo público.

Egeu Laus · Rio de Janeiro (RJ) · 14/8/2007 22:56 
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Egeu,

A questão do 'norrau' é mole porque, geralmente, as funções essenciais são facilmente cobertas por gente da região, com certeza. Espetáculos de grande porte são comuns em qualquer lugar. Tenho também um trunfo fundamental que é o diretor da encenação já escolhidíssimo, o Aurélio Mesquita, experimentado na direção de Autos (dirige há séculos o da Rocinha) com atores e não atores. Ele já tem a encenação toda projetada, desde 1996, e este Auto é o sonho da vida dele.
A questão do interesse local é uma prospecção que penso fazer em fazer com a Isabel, o André e o João henrique, mas, já sei de antemão que os recursos virão mesmo de fontes de fora da região.
Ontem fiz o primeiro contato com um produtora aqui do Rio. Vamos avançando assim.

Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 15/8/2007 07:50 
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Egeu,

Aliás, estou sem um telefone atual do Aurélio. Se você tiver algum contato lá na Rocinha que tenha...
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 15/8/2007 07:51 
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