Animencontros: territórios de protagonismo juvenil

1
Ize · Rio de Janeiro, RJ
6/7/2008 · 145 · 52
 

Este texto traz alguns dos resultados da pesquisa institucional que coordenei nos √ļltimos dois anos. Um dos objetivos da investiga√ß√£o foi buscar subs√≠dios para entender a dist√Ęncia, cada vez mais acentuada, entre as culturas infantis e juvenis e a cultura da escola.

Um dos espaços escolhidos como campo de estudo foram os animencontros,
mega eventos presenciais, organizados por empresas da iniciativa privada, que re√ļnem f√£s da ind√ļstria de entretenimento nip√īnica (crian√ßas, jovens e adultos, embora o p√ļblico juvenil seja predominante) em torno de pr√°ticas relativas ao consumo e recep√ß√£o de mang√°s, animes e jogos eletr√īnicos, tais como: jogar cards, games; participar de palestras conferidas por editores de mang√°s, dubladores de animes e especialistas em videogames; participar de desfiles e concursos de cosplay (pr√°tica de fantasiar-se como her√≥is e hero√≠nas de mang√°s e animes); encenar jogos de arena pr√≥prios da cultura japonesa; participar de oficinas de produ√ß√£o de mang√°s e de dublagem de animes; trocar informa√ß√Ķes sobre os artefatos; adquirir mercadorias; constituir grupos de amizades referentes √† identifica√ß√£o com um ou mais artefatos.

Uma olhada de relance nesses eventos, como ocorreu nas primeiras idas do grupo de pesquisa aos mesmos, dá a impressão de um conjunto desordenado, desregrado de pessoas configurando a multidão, categoria que expressa o caos das metrópoles modernas, o desencontro dos indivíduos no espaço da cidade.

No entanto, a recorrência das idas, o olhar mais atento lançado aos eventos e o contato com os depoimentos dos jovens, nos permitiu descobrir regularidades ordenadoras que possibilitam pensar a juventude como uma categoria social e não apenas como uma fase biológica de transição para o mundo adulto.

Longe de configurar a multid√£o que homogene√≠za a massa, os eventos, como observamos, s√£o espa√ßos prop√≠cios √† constitui√ß√£o de socialidades que s√£o fabricadass em torno de prefer√™ncias por um ou outro produto; de identifica√ß√£o com os personagens; de habilidades indispens√°veis ao exerc√≠cio das pr√°ticas identificadas com os produtos. Nesse sentido, pudemos perceber que os animencontros n√£o s√£o espa√ßos que congregam individualidades juvenis euf√≥ricas, representativas da vis√£o atomizada e degradada dos grandes centros urbanos, mas lugares de identidades compartilhadas que constituem as ‚Äúcomunidades interpretativas‚ÄĚ (Varela apud Fernandes, 2006).

As comunidades interpretativas expressam o modo pelo qual grupos de indiv√≠duos compartilham gostos, objetivos, cren√ßas e id√©ias semelhantes, o que leva o consumo e a recep√ß√£o dos produtos a serem entendidos n√£o em fun√ß√£o de gestos irrefletidos de compuls√£o, mas como a√ß√Ķes capazes de possibilitar a intera√ß√£o, a troca e a produ√ß√£o de sentidos, como mostram essas falas de duas jovens entrevistadas : ‚ÄúEnt√£o, pra mim, evento √© um dia que eu posso ser quem eu sou, sem ter medo de errar, sem ter medo de falar besteira, porque eu sei que as pessoas v√£o estar me entendendo, porque elas s√£o iguais a mim, elas est√£o aqui pelo mesmo prop√≥sito‚ÄĚ, ‚ÄúBom, pra mim o evento √© um lugar especial. Um dia da semana que eu n√£o tenho aborrecimento. Um dia s√≥ de alegria, um dia s√≥ de amizade, um dia de companheirismo. Voc√™ t√° l√°, voc√™ t√° triste, as pessoas v√™m, te acalmam, te fazem... sabe, melhor.‚ÄĚ

O que estes e outros depoimentos parecem indicar √© que, diante da desterritorializa√ß√£o da sociedade contempor√Ęnea, os sujeitos necessitam de territ√≥rios em que possam buscar indicadores de pertencimento que lhes garantam seguran√ßa afetiva e clareza quanto aos grupos com os quais possam se relacionar e se entender. √Č a procura por esse entendimento compartilhado, comum √†s pr√°ticas observadas nos eventos, que configura as ‚Äúcomunidades interpretativas‚ÄĚ ou as redes de sociabilidade ou ainda os territ√≥rios de pertencimento.

Quanto a isso, percebemos, por exemplo, que o sucesso do mang√° entre os jovens pode estar relacionado aos novos modos de sociabilidade engendrados pela maneira como se constituem hoje as rela√ß√Ķes cotidianas (Mart√≠n-Barbero, 2001). Embora se relacionem individualmente com as HQs, √© no plano coletivo - atrav√©s da partilha das revistas, das competi√ß√Ķes sobre quem sabe mais sobre determinado her√≥i ou hero√≠na, da disputa sobre que cole√ß√£o √© mais rica do que a outra - que esse consumo adquire relevo e l√≥gica (Canclini, 1999). Ao contr√°rio da individualidade que a ‚Äúarcaica quietude do livro‚ÄĚ (Benjamin, 1987, p. 28) sup√Ķe, a recep√ß√£o do mang√° √© ruidosa, envolvendo animadas discuss√Ķes, trocas de conhecimento, sendo elemento de uni√£o e fortalecimento de amizades.

Al√©m disso, tamb√©m foi poss√≠vel observar que, ao contr√°rio da aliena√ß√£o que o senso comum ou as interpreta√ß√Ķes cient√≠ficas apocal√≠pticas computam aos consumidores de produtos da ind√ļstria cultural, esses jovens demonstraram um conhecimento esmerado de quest√Ķes hist√≥ricas, filos√≥ficas, mitol√≥gicas relacionadas √†s HQs e aos animes, que √© buscado em bibliotecas, na internet, na leitura minuciosa das pr√≥prios quadrinhos ou, ainda, com leitores mais experientes, inclusive professores.

No que se refere √† rela√ß√£o dos sujeitos com os games, ficou vis√≠vel, nos animencontros, o espa√ßo que esta m√≠dia ocupa no cotidiano de crian√ßas e jovens (especialmente estes √ļltimos) que v√™m produzindo sentidos sobre ela a partir dos usos e atribui√ß√Ķes que, coletivamente, conferem a este artefato cultural. Para eles, longe de serem uma amea√ßa √† sua capacidade criadora, como destaca a m√≠dia e os estudos que se voltam √† an√°lise da mensagem sem focalizar a recep√ß√£o, os jogos eletr√īnicos s√£o um incentivo a essa capacidade, inclusive quando os estimula a assumirem m√ļltiplas identidades, como revela o depoimento de uma jovem jogadora:
‚Äú[...] Ent√£o o videogame tem aquela coisa da fantasia, [...] no videogame voc√™ pode simplesmente apagar e come√ßar tudo de novo, na vida n√£o rola. [...] no videogame voc√™ tem milh√Ķes de vidas, ainda pode tirar um card e come√ßar tudo de novo, do zero, com 99 vidas. Ainda tem gente que tem jeito de golpear ali e ter mais 99 vidas. Na vida real infelizmente n√£o d√° para fazer isso. Esse √© o fasc√≠nio do videogame.‚ÄĚ

Com rela√ß√£o √† quest√£o da viol√™ncia contida nos jogos, veiculada frequentemente pela m√≠dia, as entrevistas e observa√ß√Ķes apontaram que n√£o √© o gosto gratuito pela viol√™ncia que seduz os jogadores. O que as entrevistas permitiram vislumbrar √© que, ao eleger para si o anseio em derrotar o maior n√ļmero de opoentes poss√≠veis em uma trama digital com outros jogadores, o que o jovem pode estar querendo √© garantir sua aceita√ß√£o em um grupo que compartilha com ele essa mesma vontade, o que garante e refor√ßa a constitui√ß√£o de sua identidade pelo que h√° em comum entre os jogadores: os anseios e desejos proporcionados pelos games.

Se as observa√ß√Ķes e as entrevistas mostraram que as sociabilidades que os eventos propiciam, principalmente aos jovens, s√£o o motivo primordial que os levam a freq√ľent√°-los, seu olhar cr√≠tico tamb√©m se voltou para a escola onde se chega ‚Äúcom vontade ir embora‚ÄĚ. A escola ‚Äúchata e s√©ria‚ÄĚ n√£o v√™ com bons olhos os grupamentos, os risos, a zoada. ‚ÄúLugar de mang√° na escola...s√≥ se for na mochila. E de videogame...s√≥ em casa‚ÄĚ.

Mas n√£o √© s√≥ a escola que n√£o investe na constitui√ß√£o das redes de sociabilidade. Chamou aten√ß√£o o fato de nenhum dos entrevistados ter mencionado a participa√ß√£o em pr√°ticas culturais coletivas em espa√ßos p√ļblicos. Brenner, Dayrell e Carrano (apud Abramo e Branco, 2005), comentando os dados da ‚ÄúPesquisa da juventude brasileira‚ÄĚ, mostram que tanto as escolas ainda est√£o longe de se transformar ‚Äúem equipamentos culturais que favore√ßam a expressividade juvenil e, ao mesmo tempo, dialoguem com os projetos pedag√≥gicos escolares‚ÄĚ, quanto chamam aten√ß√£o para o escasso envolvimento do Estado na promo√ß√£o de atividades culturais em espa√ßos p√ļblicos, indispens√°vel para garantir ‚Äúa apropria√ß√£o da cidade como espa√ßo educativo, de encontro e de sociabilidade‚ÄĚ.

Nesse sentido, causam estranheza as cr√≠ticas dirigidas aos jovens que se deixam cooptar pelo apelo das ind√ļstrias que promovem o consumo dos produtos da cultura de massa. Se isso vem ocorrendo talvez em demasia, √© porque elas ocupam um lugar que est√° vago.

Tendo em vista que estes resultados, apresentados de forma resumida, foram alcan√ßados por interm√©dio de estudo comprometido em trazer contribui√ß√Ķes ao campo da educa√ß√£o, cabe dizer que esses aspectos evidenciados, al√©m de outros que os limites desse texto n√£o comportam, trazem contribui√ß√Ķes importantes para pensarmos processos contempor√Ęneos de ensinar e aprender. Se como aponta a fala a seguir de um dos jovens, ‚Äúent√£o, talvez l√° [na escola] ningu√©m entenda o que a gente aqui [nos animencontros] sente lendo mang√° e vendo anime...‚ÄĚ, tudo indica que para garantir seu compromisso de educar as gera√ß√Ķes mais novas, promovendo que elas, de fato, se apropriem dos benef√≠cios da escolariza√ß√£o, a escola est√° precisando olhar alteritariamente para as experi√™ncias dos alunos, entendendo que elas prov√™m de atores sociais historicamente constitu√≠dos.

Se √© verdade que as gera√ß√Ķes mais velhas, inclusive os professores, precisam ficar atentas ao que ocorre contemporaneamente com a coopta√ß√£o das gera√ß√Ķes mais novas pela cultura de consumo, por outro lado, como ficou claro na investiga√ß√£o, n√£o d√° para continuar generalizando apocalipticamente a inadequa√ß√£o do contexto cultural dos mais jovens, como insiste em fazer a m√≠dia, sem a devida aproxima√ß√£o a ele.

Ao fazer isso, o que o estudo verificou foi que al√©m de ensejar o consumo e, portanto, a solidifica√ß√£o da poderosa ind√ļstria de entretenimento japonesa, e de possibilitar a divers√£o ruidosa e animada de seus f√£s no ex√≥tico universo dos animencontros, mang√°s, animes e videogames possibilitam √†s crian√ßas e aos jovens sonhar, pensar a respeito de suas condi√ß√Ķes de vida e de suas experi√™ncias, posicionar-se diante da sociedade e acreditar em ideais que entendem como escassos hoje. O alcance dessas aspira√ß√Ķes, motivadas pelas sociabilidades que o consumo e a recep√ß√£o dos produtos japoneses sup√Ķem, parece afetar seus modos de ser. Sua incompletude (das crian√ßas e jovens), que ganha visibilidade na escola, desaparece e eles parecem incorporar sua dimens√£o de protagonistas sociais.

Enfim, seria descabido supor que os resultados aqui apresentados poderiam vir a resolver os s√©rios problemas do sistema educativo. Mas n√£o parece demais supor que eles trazem contribui√ß√Ķes para se pensar a supera√ß√£o da contradi√ß√£o que vem sendo imposta √†s gera√ß√Ķes mais novas, inclusive as que vivem em condi√ß√Ķes de vida menos privilegiadas, de viverem num mundo high tech e terem que conviver com o anacronismo da escola. A aproxima√ß√£o mais sistem√°tica entre os campos da educa√ß√£o e da m√≠dia, que essa investiga√ß√£o se prop√īs a empreender, poderia contribuir para que a escola se instrumentalizasse para lidar com as transforma√ß√Ķes que v√™m ocorrendo na cultura, que influenciam a constitui√ß√£o das subjetividades e identidades de crian√ßas e jovens e, portanto, suas maneiras de lidar com o conhecimento e com as pr√°ticas que o promovem.

compartilhe

comentŠrios feed

+ comentar
Ize
 

Agrade√ßo as valiosas sugest√Ķes de edi√ß√£o do texto do meu amigo Joca, o anjo andarilho, inclusive a altera√ß√£o do t√≠tulo.
Joca querido, eu tinha colocado as referências bibliográficas, mas acho que por falta de espaço elas não foram regsitradas. Como vc está certíssimo, incluo-as aqui:
ABRAMO, Helena W. e BRANCO, Pedro Paulo M. Retratos da juventude brasileira: análises de uma pesquisa nacional. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2005.
BENJAMIN, Walter. Guarda-livros juramentado. In: ______. Obras Escolhidas II: Rua de M√£o √önica. S√£o Paulo: Brasiliense, 1985, p. 27-9.
CANCLINI, N. G. Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1999.
FERNANDES, Adriana Hoffmann. Mang√° e narrativa: reflex√Ķes sobre a produ√ß√£o de sentidos dos jovens sobre as narrativas dos mang√°s. Trabalho apresentado no X CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC, 2006, Rio de Janeiro, UERJ. 1 CD-ROM
FERREIRA, Helenice Mirabelli Cassino. Modos alteritários de ser jovem. Capítulo de Dissertação de Mestrado, 2008, mímeo.
MART√ćN-BARBERO, Jes√ļs. Saberes hoy: diseminaciones, compet√™ncias y transversalidades. Revista Iberoamericanade Educaci√≥n, n. 32, mayo-agosto 2003. Dispon√≠vel em http://www.rieoei.org/rie32a01.htm Acesso em 22 de outubro de 2006.
Beijos
da Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 4/7/2008 18:47
sua opini„o: subir
Adroaldo Bauer
 

Benvinda de retorno às plagas overmundanas, te saudamos os da planície, Ize.
Aqui j√° falamos de refil√£o nesse teu conte√ļdo agora magistralmente apresentado, por douta ilustra√ß√£o, quando referimos a publica√ß√£o em que √©s co-respons√°vel pela organiza√ß√£o da edi√ß√£o.

Tamb√©m recordo que disse l√° do protagonismo, bem lembrado por ti e n√£o referido aqui, da constru√ß√£o do conhecimento enquanto exist√™ncia que as juventudes realizam, enquanto vivenciam o mundo, da mesma forma que podem apreend√™-lo e nos ensinar a ver que n√£o s√≥ de letras se faz uma sopa, que tamb√©m de desenhos, imagens que nos acompanham, perd√£o a redund√Ęncia, o imagin√°rio desde as rupestres ilustra√ß√Ķes em paredes e cavernas.
Posso depor tamb√©m que sou formado na escolinha da matin√™ (curiosamente √† tarde, em nossa mais perfeita tradu√ß√£o), em que se trocavam gibis, novos, usados, e antigo mesmo valia dois, at√© tr√™s se raro o exemplar de um Tarzan, de um Superman, de um Zorro (o mascarado do cavalo branco Silver - ai√īu!, das balas de prata, e da discrimina√ß√£o do fiel companheiro, o √≠ndio apelidado Tonto), da fant√°stica Nioka, uma rainha das selvas em plenos anos 50 ainda, do impag√°vel Gato F√©lix .
E que também formamos tribos roqueiras e hyppies nos anos 60, uns outros mais comportados ficaram na Jovem Guarda e nos Beatles até 70, e outros nos Stones e na Tropicália + Mutantes + Raul Seixas e Tom Zé, depois Hendrix e Joplin e Led, mas não se deixou de ir fazer a escola formal e havia grupos articulados até para a política quando era proibido fazer política e também proibido proibir.
Menos imagens, mais gestos, como dos panteras negras, ou de Muhamad Ali, deixando de ser Cassius clay, em protesto contra a guerra de coupação do Vietnã pelosm EUA que hoje desocupados e para queimar uns estoques ocupam o Iraque.
Ali perdendo na justiça WASP dos EUA e voltando a ganhar o título de campeão mundial de boxe de todos os pesos na memorável batalha do Zaire.
Ent√£o, Ize, os grupos, tribos, gangues, crews do hip-hop e da galera das noites de correrias pelas paredes murais ou mesmo apenas assinaturas tais, s√£o reedi√ß√Ķes, reciclagens, revitaliza√ß√Ķes, reinaugura√ß√Ķes e - sim! - tamb√©m inova√ß√Ķes.
E h√° ind√ļstria l√° nos idos dos 50.
E h√° ind√ļstria nos 60, nos 70, nos 80, nos 90, nos 2000.
E h√° indu√ļstria hoje.
E o dono da vaca não é a multidão quem necessita beber o leite.
√Č uma discuss√£o que tamb√©m carece de ser feita, porque fanzine e parede, por exemplo, se faz em contracultura, contra a hegemonia burra dos nossos media tupiniquins.
Burra porque tendo a tecnologia n√£o tem vida inteligente nela. √© s√≥ repeteco da explora√ß√£o, antes laurenbacalizada, marilymonroeizada, brigittebardotizada, hoje niponizada, amanh√£, espere e espero que vivamos pra ver, chinizada, porque essa tampa vai saltar em breve, que n√£o se tem 1bilh√£o e 300 milh√Ķes de almas socadas num canto sem que algo delas se relacione com os outros quatro quintos de gentes, ou, pelo menos com alguns cantos de rela√ß√£o de pertin√™ncia e influ√™ncia.
Continuo pensando que o campo principal da batalha, o território a libertar, é o da consciência.
O das pessoas para si, por seus objetivos humanos.
Assim feito, a reprodu√ß√£o material da vida j√° assegurada, vamos ao prazer das possibilidades, aos animes, aos jogos, aos dubl√™s e, por que n√£o, aos pr√≥prios her√≥is locais de nosso pa√≠s mesmo, que poder√£o ser todos os que vivemos a vida pelo amor contra a opress√£o e a iniq√ľidade.

A teu convite vim aqui.

Ninguém, nem tu, é obrigado a ler tudo o que escrevi, porque simplesmente tive vontade de escrever e podia, e não tenho auitorização médica para fazer o que a maioria das pessoas todas fazem às festas-feiras.
Ainda não posso sair à noite.

Agradecido

Adroaldo

(a Juli mandou uma cartinha de rom-c√īngui!).

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 4/7/2008 22:22
sua opini„o: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Adroaldo:
Li, com aten√ß√£o, mesmo sem ter sido obrigado, a tua colabora√ß√£o e, de maneira geral, concordo com ela. A sociabiliza√ß√£o dos adolescentes, n√£o √© de hoje, se faz ao largo, e mesmo, √† revelia da escola. E a Ize tem raz√£o, a natureza odeia o v√°cuo. Ent√£o esta ind√ļstria cultural globalizante aproveita-se da fal√™ncia da Escola, institui√ß√£o que, gra√ßas a Deus, tem pessoas, como a Ize, ocupadas em repens√°-la, e investe pesado nesta juventude. O que aparentemente, e de forma alentadora, parecem indicar as pesquisas coordenada pela Ize, √© que a apropria√ß√£o que muitos jovens fazem do massacre cultural intentado pela ind√ļstria √© criativa a ponto de torn√°-los sujeitos de sua pr√≥pria hist√≥ria.

Na outra ponta gostaria de pedir-lhes que lessem com aten√ß√£o um relato de exce√ß√£o que tentei contar neste texto mas que s√≥ pode ser entendido em toda a sua dimens√£o acessando o Blog da Mo√ßa. Claro que √© uma bastante grande exce√ß√£o ‚Äď na contram√£o mesmo de tudo o que se pode esperar de uma jovem de 16 anos, saud√°vel, esportista (jogadora de futsal na sua escola), isto √©, com um n√≠vel aparentemente satisfat√≥ria de sociabilidade ‚Äď mas creio que bem pode nos fazer pensar melhor na regra, ou, pelo menos, deve ser digna de registro.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 5/7/2008 03:32
sua opini„o: subir
Ize
 

Ei Adro, a essa hora da manh√£, j√° trocando as bolas, fiz de um tudo pra entender seu coment√°rio, mas ficou dif√≠cil. Se estou certa, ainda que depois do vinho que tomei, ao final e ao cabo, vc considera que o consumo e a recep√ß√£o da m√≠dia "niponizada", l√° no fundinho, coloniza e domestica as mentes. Pois n√£o foi isso que encontrei n√£o. Sabe por qu√™? Porque se a poderosa ind√ļstria de entretenimento japonesa chega aqui, como tem chegado ao mundo inteiro, de olho no mercado e, qui√ß√°, na reprodu√ß√£o do capital simb√≥lico dos seus produtos massivos, do lado de c√° dos produtos tem gente que pensa e que n√£o se deixa cooptar t√£o ingenuamente pela mensagem. At√© pq entre a mensagem e a audi√™ncia existem in√ļmeros mediadores que garantem que os consumidores n√£o sejam docilmente capturados. Diante de um Estado que est√° longe de se preocupar em ser esse mediador, √© nas micro inst√Ęncias que essa media√ß√£o vai ocorrer. E, se por √≥bvio, n√£o podemos deixar de nos preocupar, de lutar ou at√© de sonhar com transforma√ß√Ķes de cunho estrutural que garantam √† sociedade, entre outras coisas, uma redistribui√ß√£o mais justa de educa√ß√£o e cultura que promovam a liberdade da consci√™ncia, por outro lado n√£o d√° pra ignorar que essa consci√™ncia tb pode ser "fabricada" politicamente no dia a dia das pessoas, cujos objetivos humanos n√£o sup√Ķem que fiquem a esperar que milagres aconte√ßam. N√£o consigo imaginar que s√≥ depois da reprodu√ß√£o material assegurada √© que venha o prazer dos animes, dos jogos, dos dubles. Essa perspectiva dura e por demais s√≥bria n√£o combina com a perspectiva dos jovens com quem tenho convivido. Vou dormir lembrando Gonzaguinha: "Viver e n√£o ter a vergonha de ser feliz...Eu sei que a vida devia ser bem melhor e ser√°, mas isso n√£o impede que eu repita √© bonita, √© bonita e √© bonita".
Agradeço por sua vinda aqui, esclarecendo que vc entendeu mal
o convite. Não convido ninguém pra ler meus postados. Como amiga que sou de vc, avisei que tinha colocado um texto no overblog pensando que vc podia se distrair com a leitura.
Bjs da
Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2008 04:10
sua opini„o: subir
Ize
 

Oi Joca, consertei o "nesses eventos". Qto √† repeti√ß√£o dos termos "entrevistas e observa√ß√Ķes", amanh√£ depois do meio dia rsrsrsrsrsrrs vejo como posso resolver.
Obrigadíssima meu editor favorito.
Bjs
da
Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2008 04:19
sua opini„o: subir
Spírito Santo
 

Ize,

Bom que você a esta altura dos acontecimentos já saiba o que penso sobre isto, pelo menos assim, de leve. Eu também já havia tido a oportunidade de ler, ainda que, parcialmente, o seu projeto e gosto de poder comentar alguma coisa agora, mesmo percebendo uma certa eletricidade fluindo nos comentários, gerando quase um debate entre a pertinência evidente do seu projeto e alguns aspectos subjacentes, não explícitos no enunciado dele, mas contidos nas entrelinhas da discussão, talvez por serem inevitáveis.

Se bem entendi, de certo modo concordo com o que dizem Adro e Joca a respeito dos processos socio educativos observados nestes animencontros n√£o representarem, a rigor, nada de realmente novo (e est√° mais do que claro que o ineditismo n√£o √© um par√Ęmetro, necessariamente, v√°lido para se atestar a pertin√™ncia de um projeto, existem outros mais bem mais precisos).

Contudo, √© f√°cil se reconhecer o peso decisivo que representou na nossa forma√ß√£o de pra l√° de cinquent√Ķes, a presen√ßa de gibis, seriados de cinema, cole√ß√Ķes de figurinhas e uma enormidade de outras m√≠dias alternativas, modern√≠ssimas em nossa √©poca (at√© pelo fato de serem produtos da mesma ind√ļstria cultural).

Não é fortuito nos lembrarmos também que a nossa paixão por estas mídias infanto-juvenis propiciou animados encontros, com a formação de grupos específicos, clubes de colecionadores fanáticos e tudo o mais que os atuais animencontros propiciam, sem tirar nem por.

√Č mais ou menos not√≥rio tamb√©m que todos n√≥s intu√≠mos, rapidamente, a exist√™ncia de uma enorme contradi√ß√£o entre a rapidez e o dinamismo impressionante da nossa alfabetiza√ß√£o, na forma√ß√£o de nossas habilidades para 'ler' e entender o mundo por meio destas m√≠dias, em compara√ß√£o com a rigidez quase est√ļpida da ‚Äėlousa fria‚Äô, do quadro-negro (mesmo quando verde), do 'cuspe-e-giz', das apostilas e do ‚Äėcalem-a-boca!‚Äôda escola convencional, at√© hoje enfernizando os sonhos de tantas mentes pueris.

Enfim, s√£o muito recorrentes - e todo mundo est√° careca de saber - que o anacronismo da escola convencional, no que diz respeito √°s m√≠dias e pedagogias, √© absolutamente deprimente. Um problema elementar de comunica√ß√£o (e √© isto que nos assusta). Alunos, professores, pedagogos, psicopedagogos, notadamente a chamada ‚ÄėAcademia‚Äô (sem nenhum ju√≠zo de valor) praticamente todas as institui√ß√Ķes voltadas para a Educa√ß√£o (principalmente a Educa√ß√£o p√ļblica) est√£o conscientes desta incongru√™ncia secular da escola convencional e se debru√ßam honesta e diuturnamente na supera√ß√£o deste quadro. E mesmo assim, nada muda.

O que se discute pouco, no meu leigo entender, √© a que se deve a perpetua√ß√£o deste anacronismo, a eterniza√ß√£o deste conservadorismo cristalizado e doentio que todos conhecem, todos combatem, mas que permanece assim, inalterado, insuper√°vel. Ao que parece, existe uma certa inapet√™ncia social (ou institucional) para avaliar, profundamente, a efici√™ncia destas institui√ß√Ķes que, pelo menos sob olhar deste leigo, colaboram de algum modo - e por raz√Ķes que precisam ser conhecidas - na manuten√ß√£o
Deste estado de coisas. Falta de mecanismos eficientes de autoavaliação, ausência de procedimentos de autocrítica, empáfia, talvez seja esta uma razão importante no caso.

√Č esta, com efeito, a cr√≠tica cifrada que os ‚Äė de fora‚Äô fazem √† Academia (e n√£o aos acad√™micos, particularmente). Se ela, a cr√≠tica, √© pertinente ou n√£o, √© outra quest√£o que precisa ser debatida. J√° seria um bom mecanismo de avalia√ß√£o.

O que se sup√Ķe - e est√° sujacente em nosso ainda estreito debate (e que coloco aqui me arriscando a estar tamb√©m trocando as bolas), considerando-se √© claro a grav√≠ssima situa√ß√£o de incompet√™ncia da Educa√ß√£o p√ļblica brasileira, talvez sejam perguntas do tipo:

Que rela√ß√£o t√£o pertinente assim existe entre estes animencontros e os demais encontros de jovens em geral relacionados a m√≠dias similares do tipo HQs de outra origem, RPGs, n√£o necessariamente nip√īnicas (ou americonip√īnicas, como talvez preferisse o nosso Adro)
que justificasse um projeto de pesquisa exclusivamente voltado para este aspecto da quest√£o?

Mais precisamente (e me arriscando, de novo, a cair numa armadilha positivista) os praticantes deste animencontros representam, socialmente, um grupo generalizado e significativo de jovens ou integram um grupo social restrito, em especial?

Mais no foco ainda: A experi√™ncia desta pesquisa, com este tipo espec√≠fico de jovem (se for o caso) estaria diretamente relacionada ou contribuiria para o aumento da qualidade da educa√ß√£o p√ļblica no Brasil e com a supera√ß√£o do acima proposto anacronismo ling√ľistico-pedag√≥gico da escola convencional? Em que aspectos?

(segue)

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2008 11:21
sua opini„o: subir
Spírito Santo
 

(concluindo)

Como j√° se disse, um projeto acad√™mico, pin√ßado isoladamente, retirado de seu contexto, n√£o poderia ser visto jamais como sendo capaz de resolver esta quest√£o t√£o complexa, mas, talvez esteja ainda mal compreendido na ‚Äėdefesa desta tese‚Äô, onde os animes e certo tipo de jogos eletr√īnicos, assim t√£o isolados de seu √Ęmbito geral (m√≠dias gr√°ficas, etc.) se encaixariam no campo das propostas para a Educa√ß√£o p√ļblica do Brasil (mesmo que n√£o tenha sido estes os seus objetivos espec√≠ficos) e a que outros aspectos lingu√≠stico-pedag√≥gicos eles poderiam ser associados (o grafitti do hip hop, os murais daquela escola entrariam nesta discuss√£o ou n√£o?)

Acho que foi s√≥ isto que faltou para convencer velhos meninos rabugentos que, cada um a seu modo, insinuam ‚Äėj√° terem visto este filme‚Äô.

Mais papo à vista, é o que espero.

Abs

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2008 11:24
sua opini„o: subir
Adroaldo Bauer
 

Ize,
Desculpa ter entendido o aviso dapublicação como um convite à leitura.
√Č t√™nue a diferen√ßa entre os dois, inda mais que, quando considero do interesse das pessoas aqui, as que conhe√ßo, eu convido.
Mas tenho de parar em definitivo de ficar tirando as demais por mim, porque de inten√ß√Ķes boas ou m√°s h√° muito equ√≠voco em outro lugar.
Ent√£o, do que dizes, tendo acordo de conjunto, apenas reparo que n√£o me passa a id√©ia de resolver antes uma quest√£o material para depois solver as demais quest√Ķes em uma transforma√ß√£o necess√°ria da sociedade, n√£o s√≥ a nossa, nacional, mas penso j√° planet√°ria, posto que a supremacia do modo esse que reproduz as rela√ß√Ķes sociais que quero mudar (revolucionar para o bem, quem sabe?) est√° em toda terra.
Ao contr√°rio, creio que √© a conscientiza√ß√£o sobre a import√Ęncias das artes, da cultura, das rela√ß√Ķes humanas, do respeito e preserva√ß√£o √† biodiversidade, hoje, que impor√£o as transofrma√ß√Ķes, j√° penso que at√© √© poss√≠vel passo a passo, posto que a classe que necessitaria de urgentes trasnforma√ß√Ķes melhora de condi√ß√Ķes materiais aqui e ali e reduziu-se expressivamente de import√Ęncia f√≠sica no mundo cada vez mais uma mir√≠ade de sujeitos individuais ou micro-coletivos de garagens ou mesmo de barracos e cho√ßas em todo o plaenta.
Saliento que, mesmo adepto dos gibis e dos bang-bangues, deixei de aplaudir o assassinato de índios pelos facas compridas-cabelos-longos e caras-pálidas assim que tomei conhecimento, já aos 13 anos de idade, superada a fantasia infantil, do livro Enterrem meu coração na curva do rio, que nem me foi indicado na escola formal, onde a recomendação era Memórias de um sargento de milícias e o Ateneu, sobre a nossa realidade colonial local.
Penso que h√° necessidade de sinergia nas circunst√Ęncias, tanto as existentes como as que necessitem ser revolucionadas.
S√≥ afirmo uma coisa nisso tudo, n√£o se p√Ķe abaixo o edif√≠cio da explora√ß√£o com as ferramentas da explora√ß√£o, da√≠ que um movimento de pessoas para si, por uma motiva√ß√£o objetiva e um tempo determinado ainda sejam quest√Ķes necess√°rias a se pensar, como pensou-se a partir do Que Fazer?, tamb√©m num in√≠cio de s√©culo, no mil√™nio passsado.
pensar e agir, porque só o pensamento nada muda na realidade objetiva.
Um abraço.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 5/7/2008 13:14
sua opini„o: subir
Ize
 

Meu Deus Spirito Santo, j√° l√° se vai o meu s√°bado depois de quest√Ķes t√£o instigantes que v√£o exigir de mim um certo recolhimento. Mas sabe de uma coisa, vou me divertir mais tentando responder aos "meninos rabugentos" do que saindo por a√≠ pros chopes da vida. Ou quem sabe, saio pros chopes e volto mais inspirada: a divers√£o √© esclarecedora tanto ou mais do que o recolhimento, n√© n√£o?
Pra vcs não pensarem que fugi da raia, divido aqui com vcs o conceito de "barbárie positiva" de W. Benjamin só pra instigar o papo (que seria melhor que estivesse acontecendo com nós quatro nos olhando nos olhos, certo?).
Só pra lembrar, Benjamin foi um crítico da cultura, tal como ela se apresentou no entre guerras, mas sem adotar a postura apocalíptica, inclusive por causa da perspectiva utópica de seu marxismo. Quem tiver interesse, indico: "Walter Benjamin: o marxismo da melancolia" de Leandro Konder.
"Pobreza de experi√™ncia: n√£o se deve imaginar que os homens aspirem a novas experi√™ncias. N√£o, eles aspiram a libertar-se de toda experi√™ncia, aspiram a um mundo em que possam ostentar t√£o pura e t√£o claramente sua pobreza externa e interna, que algo de decente possa resultar disso. Nem sempre eles s√£o ignorantes ou inexperientes. Muitas vezes, podemos afirmar o oposto: eles "devoraram" tudo, a "cultura" e os "homens", e ficaram saciados e exaustos. "Voc√™s est√£o todos t√£o cansados ‚ÄĒ e tudo porque n√£o concentraram todos os seus pensamentos num plano totalmente simples mas absolutamente grandioso." Ao cansa√ßo segue-se o sonho, e n√£o √© raro que o sonho compense a tristeza e o des√Ęnimo do dia, realizando a exist√™ncia inteiramente simples e absolutamente grandiosa que n√£o pode ser realizada durante o dia, por falta de for√ßas. A exist√™ncia do camundongo Mickey √© um desses sonhos do homem contempor√Ęneo. √Č uma exist√™ncia cheia de milagres, que n√£o somente superam os milagres t√©cnicos como zombam deles. Pois o mais extraordin√°rio neles √© que todos, sem qualquer improvisadamente, saem do corpo do camundongo Mickey, dos seus aliados e perseguidores, dos m√≥veis mais cotidianos, das √°rvores, nuvens e lagos. A natureza e a t√©cnica, o primitivismo e o conforto se unificam completamente, e aos olhos das pessoas, fatigadas com as complica√ß√Ķes infinitas da vida di√°ria e que v√™em o objetivo da vida apenas como o mais remoto ponto de fuga numa intermin√°vel perspectiva de meios, surge uma exist√™ncia que se basta a si mesma, em cada epis√≥dio, do modo mais simples e mais c√īmodo, e na qual um autom√≥vel n√£o pesa mais que um chap√©u de palha, e uma fruta na √°rvore se arredonda como a g√īndola de um bal√£o". (Tirado do ensaio "Experi√™ncia e Pobreza")
Bjs e até
Ize


Ize · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2008 13:16
sua opini„o: subir
Spírito Santo
 

Pois então? Não é exatamente isto que estamos dizendo os quatro, uns para os outros?

..."Pobreza de experiência: não se deve imaginar que os homens aspirem a novas experiências. Não, eles aspiram a libertar-se de toda experiência, aspiram a um mundo em que possam ostentar tão pura e tão claramente sua pobreza externa e interna, que algo de decente possa resultar disso.

Senão for isto, paradoxo total pois, estaríamos na Babel daqueles alguns que não deveríamos ser, de modo algum.

Convicto convencido Sa√ļdo Benjamim bem lido e suas luzes.

Abs

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2008 13:32
sua opini„o: subir
Spírito Santo
 

Ize,

(E olha que os outros rabugentos - com todo o respeito - nem mesmo me deram procuração).

Como diria o genial entomologista ango-su√≠√ßo Larry Br√ľssel (que a mais que discreta Ilhandarilha tamb√©m conhece):
"...Qualquer qualquer fogueira na qual se colocou boa lenha, esta, além de espantar os mosquitos, também assa batatas".

Abs

..'Braim storm evolution ist not, explosion

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2008 14:30
sua opini„o: subir
Spírito Santo
 

Corrigindo a tradução livre do alemão:

...Como qualquer qualquer fogueira na qual se colocou boa lenha, esta, além de espantar os mosquitos, também assa batatas".

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2008 14:31
sua opini„o: subir
Ize
 

Bom dia Adro! Quando que eu podia imaginar que ao postar esse texto por aqui, fossemos enveredar por um papo t√£o cabe√ßa. N√£o estou reclamando n√£o, acho que este √© um dos poucos espa√ßos da internet em que isso pode acontecer. √Č incr√≠vel que uma ferramenta que comprova o qto o capitalismo p√≥s-industrial √© perversamente excludente, dividindo os habitantes do planeta entre os de cima e os de baixo, ou entre "turistas e vagabundos", como diz Bauman, pode, por outro lado, juntar pessoas de lugares t√£o extremos desse Brasil pra pensar quest√Ķes que v√£o muito al√©m do que meu texto pretendeu. Que bom que ele est√° servindo pra isso. Agora vou me trancar no quarto pra refletir sobre tudo que vcs disseram. Por enqto queria dizer que, como vc, lastimo que o contexto hist√≥rico atual n√£o enseje a presen√ßa de um Lenin. "Que fazer" qdo os partidos em que tanto acreditamos, que deveriam ser revolucion√°rios, se empenharam mais com a causa dos de cima, passando por cima dos de baixo pra negociar de forma t√£o esquisita a edifica√ß√£o de uma sociedade mais justa e solid√°ria.
Na minha maneira de pensar (que pode estar equivocada), as ferramentas da explora√ß√£o podem ser subvertidas, implodidas, por aqueles que - como os jovens que se reunem nos animencontros, no movimento hip-hop, nos bailes funk, nos eventos de RPG, no grafitti etc, etc - encontram maneiras criativas de fazer pol√≠tica que poderiam apontar para outras formas de botar abaixo o edif√≠cio da explora√ß√£o. √Č o que eu, talvez simploriamente, penso. Mas n√£o como representante daqueles que s√≥ pensam, e sim como algu√©m que envolvida at√© a tampa com a causa dos de baixo (que √© a minha causa), vou fazendo a minha parte e conseguindo aqui e ali instituir movimentos de mudan√ßa.
Bjs
da Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2008 14:50
sua opini„o: subir
Adroaldo Bauer
 

Me alcan√ßa um remo que t√ī nessa barca.
Ou me dá o balde, mesmo sem alça e furado, pra eu ir tirando a água que tá entrando pelo casco.
Vamos cachoeira acima, devagar, mas vamos, como um salm√£o aos saltos, tentando escapar dos ursos!
Beijo
do Adro

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 5/7/2008 19:23
sua opini„o: subir
Spírito Santo
 

E pobres dos ursos claro, porque estes hão de morrer de fome (até porque patata - quero dizer, pancada - de amor não dói.)
Vamos que vamos!
Abs

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2008 20:11
sua opini„o: subir
Ize
 

Ei meninos, estava um pouco angustiada com nossos desencontros. Que bom que agora nos entendemos: ent√£o, t√° combinado, vambora cachoeira acima.
Bjs da
Ize
E que a fogueira asse as batatas. Quem sabe elas apaziguem a gula dos ursos

Ize · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2008 21:30
sua opini„o: subir
Nic NIlson
 

Como diria Bocaccio " com licença de entrar na rodinha". Ola amigos, li todos os comentarios e o texto. Sinceramente reconheço a importancia da pesquisa apenas como averiguação. Registro de um tempo. Não pode ela mudar nada. Nem costumes e nem empresas e muito menos a cabeça da juventude, q hoje em dia começa aos 12 anos e vara a casa dos 30.
Mas nada me assusta. Quando tomei conhecimento das juras do povo japones: " Dominaremos o mundo nao pela guerra ou pelas armas, como as bombas que hora nos arrasam, mas o povo japones vai dominar pela cultura, inteligência e principalmente pelo comércio, a mãe de todos!" E aassim estão a cumprir esta promessa. Dominaram o proprio EUA praticando um comércio agressivo e chegando a suplantar até mesmo a menina dos olhos amaericanos: a industria de carros. Depois, suplantou a todos os países com a inteligencia, abocanando em todas as universidades as melhores vagas. E nao bastasse isto, começaram o tempo do dominio das mentes, através do eletroncio. E hoje dominam as mentes de jovens incautos, assim como os americanos fizeram com nossa geração através dos gibis e super herois. Nao crescemos assim? E morreremos vendo a expansao do imperio do sol nascente!

Nic NIlson · Campinas, SP 5/7/2008 23:12
sua opini„o: subir
Nic NIlson
 

Corrigindo: eletronicos.

Nic NIlson · Campinas, SP 5/7/2008 23:13
sua opini„o: subir
Ize
 

Obrigada Nic por ter se dado a tanto trabalho. Respeito seu modo de encarar a recep√ß√£o dos produtos das ind√ļstrias de entretenimento, embora discorde dele.
Agradecida, fica aqui meu abraço
Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2008 23:44
sua opini„o: subir
Ilhandarilha
 

Parece que entro no meio de um papo j√° enveredado por um caminho bem diferente do que realmente me interessou seguir ao ler sobre a pesquisa do grupo da Ize. Me interesso particularmente sobre a pesquisa pq, como a Ize e seu grupo, estou debru√ßada sobre essas duas quest√Ķes fundamentais da educa√ß√£o hoje: o descompasso entre a escola e a inf√Ęncia e juventude, e a investiga√ß√£o sobre a produ√ß√£o de sentidos desses (que a escola solenemente ignora).

Para simplificar bem o papo, acho que as coisas estão nesse pé: a escola continua (apesar de todas as teorias pedagógicas bacanas) a ignorar que a criança e o jovem são sujeitos produtores de sentidos e que têm um histórico de vida anterior e paralelo à escola.

Ignorando Paulo Freire, para quem todos s√£o sujeitos no processo educativo (educador e educando), a institui√ß√£o e os professores (com rar√≠ssimas exce√ß√Ķes) continuam a agir como se seus alunos fossem um recept√°culo vazio onde eles podem despejar todos os conte√ļdos curriculares. A escola e a vida est√£o cada vez mais distantes. E a crian√ßa e o jovem, nesse v√°cuo, constroem suas subjetividades. E que subjetividade √© essa? Essa √© uma quest√£o que nenhum educador pode se furtar a tentar responder, n√£o √©? Dai a import√Ęncia de trabalhos como esse realizado pelo grupo de pesquisa da Ize e por tantos outros que est√£o acontecendo na academia.

O Jesus Barbero (s√≥ pra citar um autor que a Ize j√° citou) fala num artigo sobre a TV alguma coisa sobre n√≥s, adultos, termos dado √†s crian√ßas um passe livre especial para o mundo adulto ao deixarmos que ela participe - por meio da TV - de assuntos que antes s√≥ eram permitidos e s√≥ diziam respeito ao mundo dos adultos - sexo, trai√ß√£o, intrigas, guerras, trag√©dias etc. A crian√ßa na redoma do lar, cuidada, protegida e monitorada pelos pais e pela escola, poupada da parte ruim da vida, n√£o existe mais. Todas essas coisas entram sala a dentro das casas tanto para os adultos quanto para os beb√™s de colo. Seria muita ingenuidade nossa esperar que eles n√£o produzam, a partir disso o que v√™m e ouvem, algum sentido. Assim como seria ingenuidade esperar que as crian√ßas de hoje tenham com os velhos contos de fadas a mesma rela√ß√£o que n√≥s, adultos oralizados (e letrados) de hoje, tivemos na nossa inf√Ęncia.

Esse mundo dos mangás e afins é um mundo que a maior parte dos adultos de hoje não domina. Difícil para nós ver algum sentido ali. E também no que disso se origina - os encontros citados pela Ize, os cosplay, a fantasia de herói etc. Mas que há, há. E se quisermos estabelecer alguma comunicação com a juventude é necessário buscar compreender que sentido é esse.

A educa√ß√£o n√£o pode se fechar no velho chav√£o da diferen√ßa entre gera√ß√Ķes e ignorar o protagonismo dos jovens. N√£o mais. Reverter esse quadro de descompasso entre a escola e a juventude deve ser uma miss√£o meio c√°lice sagrado para educadores e pesquisadores da educa√ß√£o (olha eu usando essa met√°fora velha! Coisas da gera√ß√£o Indiana Jones!). E acho que a import√Ęncia e relev√Ęncia da pesquisa que a Ize apresenta aqui √© que esses pesquisadores est√£o reconhecendo e tentando conhecer esses sentidos gerados. Seja usando como campo de pesquisa esse mundo dos mang√°s, seja o dos video games, o da nova constru√ß√£o do discurso nos msn da vida, da produ√ß√£o audiovisual etc.
Aconselho aos interessados no assunto a entrar na página do Lab Educação e Imagens. O grupo de pesquisa coordenado pela Ize está lá.

Ize, valeu por apresentar aqui a pontinha do iceberg que esse vasto campo de pesquisa.

Ilhandarilha · Vit√≥ria, ES 6/7/2008 00:22
sua opini„o: subir
Ize
 

Oi Nic gostaria de completar esclarecendo que a investiga√ß√Ķes que realizo, dentro da maior seriedade e responsabilidade, n√£o se limitam a averiguar os objetos de estudo, como ocorre no campo das ci√™ncias exatas. No campo das Ci√™ncias Humanas e Sociais, em que o objeto da pesquisa √© simultaneamente sujeito, o ran√ßo positivista de se fazer pesquisa de forma neutra, sem a intencionalidade de que pesquisar seja uma forma de intervir na realidade, n√£o existe mais h√° algum tempo.
Logicamente, a interven√ß√£o n√£o sup√Ķe mudar "nem costumes e nem empresas e muito menos a cabe√ßa da juventude". Nem Deus alcan√ßaria esse tento. O alcance das investiga√ß√Ķes de cunho qualitativo-etnogr√°fico √© bem menor. Que pena que os jovens com quem vc convive lhe d√™em essa impress√£o t√£o equivocada da juventude. Ainda bem que aqueles com quem eu tenho contato, mesmo os que vivem em condi√ß√Ķes bastante adversas, n√£o t√™m cansado de me mostrar que n√£o t√° tudo dominado n√£o .
Outro abraço
Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 6/7/2008 00:29
sua opini„o: subir
Ize
 

Ilha querida, que bom que vc apareceu por aqui e colocou o bonde dessa conversa nos trilhos. Vc é uma interlocutora e tanto!!! Precisamos dar um jeito de aproximar nossos projetos. Pensando nisso, queria lhe fazer um convite pra participar de um dos dois jornais que o Laboratório Educação e Imagem produz para professores de algumas redes municipais de ensino aqui do Estado do Rio. Como não encontro seu e-mail, vou lá no seu perfil explicar do que se trata, esperando que vc nos honre com com sua participação.
Bjs da Ize
Para quem se interessar pelos jornais, ambos estão no site do Laboratório (é só clicar no link no comentário da Ilha)

Ize · Rio de Janeiro, RJ 6/7/2008 02:30
sua opini„o: subir
Ize
 

Oi Joca querido,
em primeiro lugar queria dizer que esse peda√ßo do seu coment√°rio - "o que aparentemente, e de forma alentadora, parecem indicar as pesquisas coordenadas pela Ize, √© que a apropria√ß√£o que muitos jovens fazem do massacre cultural intentado pela ind√ļstria √© criativa a ponto de torn√°-los sujeitos de sua pr√≥pria hist√≥ria."- mostra que vc n√£o s√≥ me ajudou a editar o texto, mas entendeu meu objetivo de tentar mostrar para a escola que os alunos t√™m raz√Ķes que ela (por se pautar nos princ√≠pio da raz√£o iluminista) muitas vezes ignora. Queria apenas ponderar que se a recep√ß√£o √© criativa, a id√©ia de "massacre cultural" poderia ser relativizada.
Sobre a menina Vanessa que vc traz l√° no texto indicado, cujo blog li, n√£o me parece que ela seja t√£o excess√£o como vc aponta. Sem d√ļvida, ela √© incr√≠vel, mas vc precisa ver o que tenho encontrado em blogs de garotos e garotas com menos idade que a Vanessa. N√£o posso disponibilizar os endere√ßos aqui pq esses blogs s√£o objeto de estudo de uma doutoranda e ficaria pouco √©tico socializ√°-los sem a permiss√£o de seus autores. Isso mostra que o discurso que julga a inf√Ęncia e a juventude pelo seu "pouco siso" ("pouco siso, muito riso") √© meio que opinativo, repeteco do senso comum que atravessa os s√©culos colocando as gera√ß√Ķes mais novas como devedoras da grande experi√™ncia das gera√ß√Ķes mais velhas. N√£o foi o que nossos pais e mestres fizeram com a gente, e que os pais e mestres de nossos pais a av√≥s fizeram com eles? Conflito de gera√ß√Ķes √© o nome da coisa que, por certo, hj se complexificou pq as inova√ß√Ķes tecnol√≥gicas colocam, muitas vezes, os mais jovens em posi√ß√£o de superioridade diante dos mais velhos que, contraditoriamente, s√£o mais inexperientes. Pasolini tem um texto lindo, intitulado Os jovens infelizes, que diz que a infelicidade dos jovens vem da obriga√ß√£o que lhes √© imposta de terem que assumir os gestos cansados e a desesperan√ßa da √©poca que os antecedeu. √Č uma esp√©cie de sina que √© transmitida de gera√ß√£o para gera√ß√£o. E √© uma urg√™ncia que esse continuum seja rompido pq √© do esp√≠rito jovem que nascem os sonhos florescentes e a utopia. √Č o que eu penso e isso acaba me rejuvenescendo, o que √© muito bom.
Beijo grande
da Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 6/7/2008 04:04
sua opini„o: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querida Ize:

N√£o sei se me fiz compreender completamente ao sugerir a leitura do Blog da Vanessa. Apesar dela ter, evidentemente, uma intelig√™ncia acima da m√©dia, n√£o foi este aspecto que procurei ressaltar, mas sim o conte√ļdo de suas preocupa√ß√Ķes e escolhas, a come√ßar pelo √≠dolo, mas n√£o apenas, por todas as sua prefer√™ncias, digamos, culturais e principalmente por seu caminho solit√°rio. Curioso √© notar, por exemplo, a maneira que ela nomeou seu blog "f√£ de Jo√£o Cl√°udio Moreno", isto √©, se, de um lado, faz tudo para divulgar a carreira do √≠dolo, por outro, jamais aventa a possibilidade de criar um f√£-clube, isto √©, pouco est√° se importamdo em encontrar "iguais" no gosto. √Č isso o que me chama mais a aten√ß√£o na Vanessa, essa coisa de ter, decididamente, opini√£o formada a respeito das coisas que a afetam, o que, havemos de concordar, √© raro nos adolescentes, que costumam mimetizar-se nas tribos. Como eu disse antes, trata-se de uma exce√ß√£o cujo conhecimento nos faz pensar melhor sobre a regra.
Mudando de assunto, mas ficando no mesmo, gostaria de sugerir sua leitura da entrevista que fiz com o Jo√£o Cl√°udio Moreno, principalmente na parte em que ele fala da sua inf√Ęncia e juventude.

beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 6/7/2008 07:10
sua opini„o: subir
Adroaldo Bauer
 

Ize, Ilha, demais,
Em 76/77 fiz parte de um grupo de estudantes universit√°rios que come√ßou um estudo da Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, com uma camarada que desenvolvera a a√ß√£o com o pr√≥prio Freire na √©poca anterior ao golpe militar de 64. O Barreto e mais 32 guris e gurias, fizemos o grupo e fomos trocar saberes com pessoas analfabetas da classe oper√°ria em uma ocupa√ß√£o de √°rea verde (terra p√ļblica) num morro da zona sul da cidade. Das pesquisas de levantamento social √† formata√ß√£o das a√ß√Ķes dos encontros, para encontrar as palavras e os temas geradores, sentimos que fic√°ramos tamb√©m amigos das pessoas daquela comunidade e elas de n√≥s... que apenas ainda n√£o sabiam ler um alfabeto, mas tinham as suas leituras de mundo e viv√™ncias ricas para trocar, sejam as oriundas do interior, expulsas pela mecaniza√ß√£o da lavoura, seja as j√° nascidads nas cidades, √† beira do asfalto.
No torneio de futebol, nosso time, o Bola Murcha, foi o √ļltimo colocado. E, por uma extrema curiosidade, goleiro mais vazado, eu, fui o destaque do campeonato.
Falo disso porque comemorava, como goleiro, mas não muito bom de bola, cada gol dos times adversários, numa conduta de aplaudir o bem feito e o sucesso deles também. O que foi reconhecido com a láurea de destaque.
Quero dizer; mesmo entre os que não lêem escritos, há leituras.
Mesmo entre os jovens, h√° sentimentos de pertecimento √†s gera√ß√Ķes que lhes antecederam... s√£o humanos, assim se reconhecem.
Mesmo entre os mais velhos, h√° o sentimento de que os jovens t√™m, sim!, uma compreens√£o de mundo que lhes pode dar uma outra alternativa (talvez o sucesso at√© financeiro e econ√īmico e social que n√£o tiveram, √© o que primeiro pensam, em raz√£o das deprimentes circunst√Ęncias materiais que lhes oprimem).
O que temos acordo √© que h√° uma falta grande de humanidade entre as pessoas, ainda muita orienta√ß√£o ego√≠sta oriunda e preconizada pelas rela√ß√Ķes sociais, e muito pouco altru√≠smo nas a√ß√Ķes que se prop√Ķe a reencantar quaisquer pessoas sobre aquela id√©ia de "mudar o mundo".
Que se mude, se mudar, pelo menos para melhorar as condiçoes da existência da maioria, no que devemos incluir o continente africano para os cálculos gerais.
N√£o fujo ao tema. Me incluo no rol dos que l√™em, mas aprecio a paisagem, as fotos, as ilustra√ß√Ķes, as fantasias, n√£o s√≥ as do carnaval, as do dia a dia nas urbes tamb√©m, que as h√°... e uma boa pintura ou mesmo um bom jogo de futebol.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 6/7/2008 11:35
sua opini„o: subir
Ize
 

Bom dia querido Adro, que coisa linda vc escreveu. Me lembrou que as concep√ß√Ķes de inf√Ęncia, de juventude, de idade adulta e de velhice que constru√≠mos est√£o interelacionadas. Uma erige a outra: alteritariamente, ou n√£o. O problema est√° justamente na falta de alteridade com que as gera√ß√Ķes se olham. E o que est√° faltando √© mesmo essa dose de humanidade, de que vc fala, que levaria as pessoas a precisarem do outro pra lhes dar acabamento. Com as crian√ßas, isso ocorre com mais facilidade: tanto pedem a m√£o do adulto pra lhes ajudar a seguir pela estrada, como, qdo menos se espera, enfiam a m√£o m√£o na nossa pra nos apontar o caminho. Mesmo que n√£o pe√ßamos, porque guardam aquela sensibilidade, ou humanidade, que vamos perdendo qdo crescemos e nos consideramos maduros, prontos e acabados. Sentimento de inacabamento √© o que falta pras rela√ß√Ķes se humanizarem. E pra isso, √© preciso olhar em volta como vc faz. J√° conversamos sobre isso qdo falamos de filhos, lembra? Pq a mudan√ßa precisa come√ßar com os que nos cercam num exerc√≠cio di√°rio de amorosidade, de inclus√£o m√ļtua.
Vc é mto querido e não fugiu do tema não, só um pouquinho lá no primeiro comentário qdo deixou o pensamento jorrar para a escrita e me confundiu um bocado.
Beijo pra vc e ótimo domingo. O sol aí já saiu?
Sua amiga Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 6/7/2008 12:22
sua opini„o: subir
Adroaldo Bauer
 

O sol brilha l√° fora, Ize.
Onde o latido incessante de cachorros tr√°s uma cadela no cio enlouquece
e anima
a pensar que a vida seguir√°, pelo menos para os c√£es.
Eu pus os fones e ouço concerto para aranjuez ao máximo volume, com a orquestra de varsóvia, os latidos ao fundo.
Ofrio danou, a friagem e a neblina obumbraram.
mas tudo é já passado,
Agora √© ver o meu futuro milharal j√° um broto e as pimenteiras e feij√Ķes surgirem verdes da terra molhada, atr√°s desse t√™nue sol do inverno.
O que acontece quando uma criança enfia a mão na tua mão e te guia é o futuro que se cria, guria.
E o que acontece quando tu escreves, é esse destrabelho das palavras quererem chegar primeiro que o pensamento no teclado e uma pouca confusão conceitual, mínima para os tempos sem paradigmas.
Eu até diria e acredito que tudo vai mudar, um dia, quem sabe, talvez.... ou não. Matrix fala disso, se erra, se erra , se erra, até que, se erra de novo...
O melhor de tudo é que o sol saiu a passear e eu vou atrás dele, feito um Zé Pereira enlouqecido por uma porta bandeira, linda.
O que me recordam os cachoirros... que deram uma trégua. Acho que desataram a cadela.
E, inda bem para vocês, só posso tomar 100 ml de vinho.
O domingo et√° cada vez melhor.
Se assim continuar, quero só que deus me dê uma mãozinha.
Ontem, estivemos o artista pl√°stico Dan√ļbio Gon√ßalves, o esvcritor e poeta Affonso romano, a R√ī, editora do jornal, e o poeta Z√© Augustho num belo ch√° de 14 anos do Fala Brasil. Del√≠cia de programa.
Fui de √īnibus e sozinho.
Tamb√©m tive coragem e maturidade para voltar de √īnibus e s√≥.
Um beijo.
Quer dizer que andar de √īnibus ajua a seguir em frente sem perder o passo com a hist√≥ria... o Sp√≠rito podefalar bem disso, que √© como ele vai junto com o povo e aprende a poetar porque o povo l√° est√°, no banquinho do lado dele.
Té.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 6/7/2008 14:51
sua opini„o: subir
Ize
 

Quer dizer que quem n√£o anda de √īnibus perde o passo da hist√≥ria...Pois eu n√£o ando e n√£o perco n√£o...√†s vezes, sim, mas quem n√£o perde?
Mas o que eu queria dizer mesmo, depois de ler esse recado arretado aí de cima, é que vc é o meu herói. E que ninguém venha dizer que isso está descambando prum site de relacionamento. Nosso papo cabeça aí de cima permite que nos desdobremos em nós mesmos e falemos da vida e do que ela tem de bom.
Que o domingo continue maravilhoso pra vc! Ah! e n√£o vai ultrapassar os 100 mlde vinho.
Bj estalado da
Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 6/7/2008 15:32
sua opini„o: subir
Spírito Santo
 

Citado ali pelo Adro (se ele √© o her√≥i dela, eu sou o her√≥i dele, pelo visto) afirmo que s√≥ ando de √īnibus porque n√£o sei dirigir. Sempre desconfiei disto, mas, s√≥ agora, que tenho carro, confirmei. Vejo a fubequinha parada na vaga e n√£o sinto a m√≠nima vontade. Outro dia entupiu um treco l√°, de tanto que o bicho fica parado.
Agora numa coisa o Adro est√° coberto de raz√£o, ter 'o povo no banquinho ao lado' (fazer parte, reconhecer-se como integrante, 'vestir a camisa', estar junto, falar a mesma l√≠ngua, etc.) √© uma condi√ß√£o essencial para n√£o se perder o passo da hist√≥ria. √Č uma condi√ß√£o essencial √† nossa humanidade.

Abs

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 6/7/2008 15:50
sua opini„o: subir
Jair Jnusi
 

muito bom, votado e aplaudido de pé!

Jair Jnusi · Rio de Janeiro, RJ 6/7/2008 17:46
sua opini„o: subir
Sérgio Franck
 

Ize, seu texto é uma aula bem interessante. Coisa de boa professora leciona com amor e paixão. Algum tempo atrás, escrevi um texto infantil e pedi que uma certa professora o lesse pra posteriormente falar a respeito dele, comentar a respeito. Ela passou um mês aroximadamente e após esse tempo, ela respondeu: adorei a conversa do cachorro. Na história sequer havia cachorro.

S√©rgio Franck · Belo Horizonte, MG 6/7/2008 20:15
sua opini„o: subir
Ize
 

OI Jair, puxa que honra que vc tenha gostado da leitura e dos coment√°rios que enriqueceram tanto minhas reflex√Ķes. Muito obrigada.
Abraço pra vc
Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 6/7/2008 22:47
sua opini„o: subir
Ize
 

Franck querido, meu texto n√£o √© bem uma aula, pelo menos n√£o foi essa minha inten√ß√£o, embora me orgulhe de ser uma excelente professora. Tenho mesmo amor e paix√£o pelo magist√©rio que, ao contr√°rio do que muitos acham, n√£o √© pra mim uma miss√£o ou um sacerd√≥cio, mas uma profiss√£o t√£o importante quanto outra qualquer. Outra coisa √© que, tamb√©m ao contr√°rio do que muitas professoras dizem, n√£o escolhi o magist√©rio por voca√ß√£o, por amor imenso √†s criancinhas. Nem ao menos escolhi o magist√©rio. Ele caiu na minha cabe√ßa por for√ßa da necessidade. J√° com 3 filhos, aos 25 anos, precisei trabalhar e a √ļnica coisa que eu sabia fazer era lecionar. Carlos Drummond de Andrade diz que amar se aprende amando. Pois foi isso que aconteceu: foi praticando o magist√©rio que aprendi a amar o que fa√ßo e a me comprometer de corpo e alma com a causa do ensino p√ļblico. Costumo dizer pros meus alunos - futuros professores - que um dos direitos do professor √© o de ser feliz na sala de aula. E exer√ßo esse direito sempre.
Embora seu comentário não tenha muito a ver com o que escrevi, agradeço a vc a oportunidade de ter falado disso aqui.
Tenho certeza que não foi seu objetivo, mas ao engatar a crítica a essa profª tão irresponsável que o deixou na mão, vc deu impressão de que A Professora é assim. E não é querido. Há professores e professores, como há médicos e médicos, jornalistas e jornalistas, advogados e advogados... Se vc tivesse me mandado seu texto, ou pra tantos e tantos professores e professoras maravilhosos que há por aí, com certeza a atitude seria outra.
Se fosse outro que tivesse deixado esse recado, eu agradeceria e ponto. Mas achei que vc, a quem tenho na mais alta estima, merecia essa extensa explicação.
Beijo grande
da Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 6/7/2008 23:31
sua opini„o: subir
Ize
 

Spirito, ainda que correndo o risco de ficarmos aqui nessa "rodinha" e tb de afastarmos os possíveis leitores com esses imensos comentários, não resisto a contemplar, ainda que não de uma só vez, sua excelente intervenção ao meu texto. Selecionei este trecho pra comentar agora:
"Se bem entendi, de certo modo concordo com o que dizem Adro e Joca a respeito dos processos socio educativos observados nestes animencontros n√£o representarem, a rigor, nada de realmente novo (e est√° mais do que claro que o ineditismo n√£o √© um par√Ęmetro, necessariamente, v√°lido para se atestar a pertin√™ncia de um projeto, existem outros mais bem mais precisos)".
Nos parágrafos seguintes vc continua, mostrando como as práticas juvenis de entretenimento (vá lá que seja, embora eu prefira chamá-las de práticas culturais) da nossa geração tb suscitaram "a formação de grupos específicos, clubes de colecionadores fanáticos e tudo o mais que os atuais animencontros propiciam, sem tirar nem por".
Depois vc segue destacando "a enorme contradi√ß√£o entre a rapidez e o dinamismo impressionante da nossa alfabetiza√ß√£o, na forma√ß√£o de nossas habilidades para 'ler' e entender o mundo por meio destas m√≠dias [ gibis, seriados de cinema, cole√ß√Ķes de figurinhas e uma enormidade de outras m√≠dias alternativas] em compara√ß√£o com a rigidez quase est√ļpida da ‚Äėlousa fria‚Äô, do quadro-negro (mesmo quando verde), do 'cuspe-e-giz', das apostilas e do ‚Äėcalem-a-boca!‚Äôda escola convencional
Perfeito em rela√ß√£o √† costitui√ß√£o das grupalidades juvenis em torno desses artefatos e perfeito em rela√ß√£o √† contradi√ß√£o entre a alfabetiza√ß√£o din√Ęmica proporcionada por essas m√≠dias e o anacronismo da escola.
O que n√£o est√° assim t√£o perfeito √© a afirma√ß√£o de que o que ocorre hoje em termos dos processos s√≥cio-educativos n√£o difere do que ocorreu em d√©cadas passadas. N√£o √© bem assim. A Ilha j√° explicou muito bem isso, mas me deu vontade de refor√ßar o que ela comentou, dada a import√Ęncia da quest√£o. Acontece que a rapidez das inova√ß√Ķes tecnol√≥gicas, e o consequente contato, cada vez mais intenso, de crian√ßas e jovens com as m√≠dias visuais, com as hiperm√≠dias e com as m√≠dias digitais, tem mudado, de forma surpreendente, a maneira pela qual as gera√ß√Ķes que j√° nasceram sob esse contexto se relacionam com o conhecimento e a cultura. O pensamento hj √© processado hipertextualmente, enqto na nossa √©poca ele era processado textualmente. Essa √© a diferen√ßa. E ela tem aumentado ainda mais a tal contradi√ß√£o entre a l√≥gica que os mais jovens usam nos processos de aprendizagem e a maneira pela qual a escola ensina. Chegamos, ent√£o, a um limite em termos do conflito de gera√ß√Ķes que ultrapassa significativamene a quest√£o do choque entre valores, estilos de vida, prefer√™ncias culturais (t√£o bem abordado por Hobsbawn no que tange aos conflitos geracionais das d√©cadas de 50, 60 e 70. Qto a isso [e bom lembrar o que j√° cantava a m√ļsica: "N√£o confie em ningu√©m com mais de 30 anos"). Contemporaneamente, este choque persiste, mas √© complexificado, entre outras coisas, pela maneira como hoje tempo e espa√ßo s√£o percebidos e apropriados, o que obviamente influencia a aprendizagem. Pensar no ciberespa√ßo ajuda a entender porque h√° sim um ineditismo nos processos contempor√Ęneos de aprendizagem. Falar disso hoje implica tamb√©m falar de migra√ß√Ķes e mobilidade, de redes e de fluxos, de instantaneidade e fluidez, coisas que n√£o existiam na nossa √©poca.
Continuo amanh√£
Bj

Ize · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2008 03:07
sua opini„o: subir
Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

"Falar disso hoje implica tamb√©m falar de migra√ß√Ķes e mobilidade, de redes e de fluxos, de instantaneidade e fluidez, coisas que n√£o existiam na nossa √©poca."



Querida Ize:
Desculpe, meu bem, mas professora que você se orgulha de ser, com toda a razão, não pode se dar o luxo de se utilizar de conceitos como os apontados acima, ou essa história de "textual" e "hipertextual" dando de barato que todo mundo sabe de que se trata, isto é, elitizando, ainda mais, um papo que você mesma chama de "cabeça". Isto não é "correr o risco de ficar nesta "rodinha" e tb de afastarmos os possíveis leitores com esses imensos comentários" mas sim apostar na certeza de que isto vai ocorrer. Penso que o problema não seja a extensão do comentário mas a maneira, me desculpe a franqueza, pouco didática com que você, às vezes, nem sempre, aborda o assunto. Acho, de uma maneira geral, que nada é óbvio, isto é, que nenhum conhecimento, mormente conceitual, pode ser considerado universal.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 7/7/2008 07:37
sua opini„o: subir
Adroaldo Bauer
 

Quando li o E. Hobsbaun sobre isso, Ize, li em uma rede de pano, em uma praia, olhando céu azul e ouvindo o mar de janeiro.
Tirando o livro, era tudo tão parecido como sempre foi ao início da observação humana, sem as letras.
Céu, imenso e lindo mar azul da Pinheira, pássaros, uma baía em ferradura belíssima, cingida ao fim à esquerda, pela Praia do Sonho.
Esse era o Hipertexto. √Č ainda para quem queira. V√™, inclusive o nome da pousada era apropriado: Pas√°rgada, e eu era amigo do pr√≠cnipe, da princesa e da Rainha, e dos cachoros e gatos deles.
A imgem como hipertexto é pré-existente ao homem que lê.
A velocidade com que a mesma imagem é percebida por mais pessoas é que mudou de um tempo pouco pra cá.
Há muito um homem ou uma mulher olham o céu e o mar embevecidos. Desdde a terra, desde o barco no mar, desde mesmo o ar.
O fato de Hobsbaun dizer das massas percebendo a m√ļsica, e dan√ßando conforme ela se apresentava, com at√© uma qualidade n√£o percebida antes por ele, nem pela academia, diz dessa m√ļsica o que os dan√ßadores de √Āfrica sentiam ao redor do fogo, em noite de lua, ao som ancestral de tambores provocantes e incessantes (e n√£o eram todos eles pigmeus de Bandar, observados pelo Espirito que Anda, o senhor Walker, a identidade secreta do Fantasma em qualquer gera√ß√£o da personagem imortal).
Eu n√£o tenho reparos ao contexto, tenho algumas concord√Ęncias com o Joca sobre o tratamento do texto, mas linguagem √© mesmo assim, parte de grupos para outros grupos e vai afinando conforme se a exercita, at√© porque, nem todas as pessoas trabalham conceitos, escrita, fala e comunica√ß√£o da mesma forma, fe-liz-men-te.
Também queria dizer que o observado pelo Hobsbaun (eu insisto no U porque ele mesmo fala disso na autobiografia) é correto.
Eu quero renitentemente afirmar que n√£o h√° 'um nosso tempo outro' que esse de hoje.
Quiseste, por certo, dizer de um tempo em que éramos de juventudes outras, a alguns 'detalhes' fisicos e biológicos passados.
Se os comentários te parecem longos, não me importam que assim sejam, se dizem sobre o que pretendem, com a qualidade necessária. Algum trabalho sempre é necessário no garimpo e na lapidação mesmo de pedras brutas.
Mesmo uma conversa de bar, olho no olho, gera curiosidade sobre conceitos e termos ao ponto de nos levar a repensar práticas e consultar até dicionários.
A troca com o saber de outros não pode impor a anulação do espaço da manifestação de qualquer saber.
O rebaixamento do discurso não é requerido, o que é requerido, penso, é a qualidade do que o discurso vá comunciar; sutil, mas profunda diferença.
Inda sendo em português, citadas as fontes, vamos bem...
Um bom dia.
um beijo.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 7/7/2008 10:55
sua opini„o: subir
Ize
 

Queridos Joca e Adroaldo,
bom dia. S√≥ estou aqui agora por acaso pq j√° deveria estar trabalhando, mas conting√™ncias me prendem em casa. Ent√£o passei por aqui e sabem o que constatei? Que viver o mundo real - com as pessoas pr√≥ximas da gente, podendo interagir, ou melhor, falando no p√© do ouvido, com gestos, express√Ķes faciais, proximidade do corpo - √© milh√Ķes de vezes melhor do que viver no mundo virtual. Desculpe Joca e Adro, um dia vou a Oeiras, e depois dou uma passada em Porto Alegr, pra bater um papo com vcs e explicar tin-tin por tin-tin o que eu disse. S√≥ de pensar no tempo que eu iria gastar para traduzir teclando o que falei em linguagem por demais did√°tica (vcs t√™m raz√£o), me desanima. E sabe Adro pq? Pq na intera√ß√£o virtual a gente diz uma coisa, o interlocutor entende outra, a√≠ a gente explica daqui, o outro diz coisas que a gente sequer tinha cogitado e a conversa vai se esticando como conversa de doido. Com um chope na frente at√© que √© legal e animado, mas desse jeito vai ficando mto cansativo. Por ex, o que vc explicou sobre hipertexto, a partir do Hobsbawn (mantenho o w porque √© assim que o nome dele est√° grfado na capa do livro que tenho em m√£os), em linguagem po√©tica, √© lindo, mas n√£o d√° conta de explicar o que o hipertexto representa na era digital, certo?
Esse par√°grafo a seguir √© de uma beleza sem par, mas n√£o entendi o que vc quis dizer com ele. "O fato de Hobsbaun dizer das massas percebendo a m√ļsica, e dan√ßando conforme ela se apresentava, com at√© uma qualidade n√£o percebida antes por ele, nem pela academia, diz dessa m√ļsica o que os dan√ßadores de √Āfrica sentiam ao redor do fogo, em noite de lua, ao som ancestral de tambores provocantes e incessantes (e n√£o eram todos eles pigmeus de Bandar, observados pelo Espirito que Anda, o senhor Walker, a identidade secreta do Fantasma em qualquer gera√ß√£o da personagem imortal)." Nem entendi o que isso tem objetivamente a ver com as quest√Ķes que eu abordo.
Por isso, meus lindos amigos, pra não enlouquecermos os leitores, é melhor deixar do jeito que está.
S√≥ uma √ļltima coisa: o que eu quis dizer sobre as diferen√ßas que se colocam entre as nossas juventude e as de hj n√£o s√£o meros detalhes f√≠sicos e biol√≥gicos. S√£o expressivas diferen√ßas que s√£o determinadas pelas revolu√ß√£o cultural que vivemos e que afeta, inclusive, o biol√≥gico.
Joca, enqto espero que as conting√™ncias se desenrolem pra eu poder ir pra uerj, tento explicar pra vc o que rola com a linguagem hipertextual que afeta a maneira de pensar das criaturas do tempo de hj. Essa tal linguagem sup√Ķe a sopreposi√ß√£o quase que simult√Ęnea das falas, o que n√£o ocorre com o texto escrito, presente no livro, suporte ainda primordialmente usado pela escola. Ent√£o, essa sobreposi√ß√£o das falas, dos enunciados que os interlocutores usam para se comunicar, quebra, de certa forma, a linearidade can√īnica da narrativa escrita, estruturada de forma fixa. Desse modo, o pensamento que, no Ocidente, estava preparado para funcionar a partir da orienat√ß√£o da cultura escrita - da esquerda para a direita e de cima para baixo - perde o p√©, pira. Isso pq a l√≥gica da tecnologia computacional - n√£o linear - invadindo o ambiente, afeta o pr√≥prio funcionamento do c√©rebro que passa a n√£o mais aceitar as mensagens cifradas com base na linearidade e na sequencialidade da cultura escrita. √Č como se as mentes hj pensassem a partir da l√≥gica audio-visual. Isto, obviamnete, n√£o significa que as crian√ßas e os jovens n√£o saibam ler ou escrever. Nunca se leu e escreveu tanto como hj, haja vista o orkut, o msn, os blogs, os chats etc, etc. O que rola √© que nessas h√≠perm√≠dias a leitura e a escrita acontecem fora da "arcaica quietude do livro", num formato n√£o linear, mais adequado √† maneira pela qual o pensamento das crian√ßas e dos jovens funciona.
Espero que agora tenha ficado mais claro.
Vou indo que as contingências me favorecem.
Beijos para vcs. e um ótimo dia.
PS Spirito se vc tiver alguma d√ļvida sobre o que falei a√≠ em cima, me poupe da tecla√ß√£o. Conversamos pessoalmente. Como dizia minha adorada Clarice, escrever √© duro feito quebrar pedras. Um dia ainda aprendo, √© o que mais quero, a destituir a minha escrita do vi√©s de poder que essa pr√°tica tem. Tenho esperan√ßas que o conv√≠vio com as formas de escrever hipertextuais das crian√ßas e dos jovens com quem convivo, que dobram a arrog√Ęncia da escrita, me ensinem isso logo, logo.
Bj pra vc tb

Ize · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2008 12:30
sua opini„o: subir
Sérgio Franck
 

Ize, primeiramente corrijo-me: Mat√©ria bem interessante. No mais, me recuso a pedir desculpas pelo simpl√≥rio e falho coment√°rio. Em segundo lugar, deixo bem claro que a inten√ß√£o n√£o foi de criticar a classe das professoras, n√£o me sobra cacife pra isso. A minha critica foi direcionada a atitude de um indiv√≠duo que, por estar diretamente ligado ao p√ļblico infanto-juvenil, poderia contribuir muito para o meu trabalho.
O que quis dizer e, acabou se tornando um ato falho, é que, se um elemento cultural exerce tanta influência e fascinação sobre variadas faixa etárias de consumidores, por quê não utilizar tais linguagens que despertam tanta paixão, para somar às ferramentas tradicionais de ensino?
Como jogos de vídeo game, mangás e principalmente os animes. O novo está aí, não dá pra simplesmente guiar-se de costas pra ele e, com radicalismos, questionar sobre os benefícios ou malefícios que eles podem trazer ao comportamento de nossos jovens e crianças.

Sem medo de aprender, pois são as palavras que têm poder...

‚ÄúEnt√£o, pra mim, evento √© um dia que eu posso ser quem eu sou, sem ter medo de errar, sem ter medo de falar besteira, porque eu sei que as pessoas v√£o estar me entendendo, porque elas s√£o iguais a mim, elas est√£o aqui pelo mesmo prop√≥sito‚ÄĚ, ‚ÄúBom, pra mim o evento √© um lugar especial. Um dia da semana que eu n√£o tenho aborrecimento. Um dia s√≥ de alegria, um dia s√≥ de amizade, um dia de companheirismo. Voc√™ t√° l√°, voc√™ t√° triste, as pessoas v√™m, te acalmam, te fazem... sabe, melhor.‚ÄĚ

Ize, obrigado pela categoria...

S√©rgio Franck · Belo Horizonte, MG 7/7/2008 12:47
sua opini„o: subir
Ize
 

Queridíssimo Franck, desculpar-se por quê? Fui até procurar se tinha insinuado em algum lugar que queria suas desculpas. Não encontrei. Bom que vc voltou.
Bjs
da Ize

Ize · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2008 13:16
sua opini„o: subir
Adroaldo Bauer
 

Vê só Ize, posso para de escrever também, é te aguardar em Porto alegre para o chá... mas concluo:
Eric. H. confessa que não tinha um gosto pelo Jazz, por desconhecê-lo e passou a apreciá-lo como estilo musical e de envolvimento social a partir de conhecer jaz e o ambiente dele nos bares londrinos e nos eua, a posteriori, quando lá ia a trabalho.
O jazz tem alma e construção primordial no lamento negro;
os tambores de √°frica soam no jazz at√© nas cordas do contrabaixo ac√ļstico, ent√£o, nem parece que s√£o cordas, no balan√ßo dos quadris, nos passos dan√ßados, no estalar compassado dos dedos.
As pessoas dançam jazz como ritual, como se dançassem em torno de algo sagrado, que me parece faziam os tribais africanos dançar em torno ao fogo, ao som de tambores.
S√£o imagens, apenas no entanto.
O que Eric. H. observa em rela√ß√£o a tudo isso, pelo que percebo, √© que o bom gosto, o geralmente aceito, a qualidade em m√ļsica (naquela √©poca descrita), o que a cr√©me de la cr√©me pensava do jazz √© que era coisa vulgar, defeituosa de origem porque n√£o estava ainda nos sal√Ķes da nobreza, nem nascera l√°.
Bem, isso foi uma tentativa minha de compara√ß√£o do que pensa a academia hoje sobre qualquer coisa popular que n√£o lhe d√™ m√©ritos imediatos nas rela√ß√Ķes sociais arcaixas que permancem e quer perpetuar.
√Č por tal raz√£o, por ser popular e para o povo, com o povo, que Paulo Freire at√© hoje sobreviva em guetos, ou ilhas de intelig√™ncia no Brasil, embora festejado conceitualmente no esxterior no que respeite a apreens√£o ou apropria√ß√£o do saber por qualquer do povo e a forma de aproximarem-se os saberes.
Eu n√£o saberia dizer o que disse de outra forma. Lamento n√£o ter me feito compreender.
Eu ainda estou aprendendo a dizer menos com o coração do que com a razão.
Isso me atrapalha h√° uns 50 anos.
A alus√£o marginal √† figura HQ do Fantasma foi mero xiste, porque africanos n√£o s√£o apenas pigmeus e her√≥is brancos em √Āfrica pululam nos quadrinhos produzidos nas d√©cadas de 50/60, Jim das Selvas tamb√©m era um deles.
Tarzan (e Jane!) outro.
Até Nioka, que saudei heroína em tempos de HQs de pura macharia, era um moça brança de cabelos ruivos.
Té.
Benção.
Beijos.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 7/7/2008 13:58
sua opini„o: subir
Spírito Santo
 

(Papo delícia este)

J√° havia tirado, modestamente o meu time de campo, mas, volto apenas para me penitenciar por ter sido t√£o lac√īnico, em parte da minha argumenta√ß√£o, me reportando √© claro, ao que a Ize fala l√° em cima, na sua r√©plica ao meu coment√°rio (o papo √© t√£o denso que a conversa escrita vai ficando loooonga...)

Só para ressaltar, me refiro a este trecho da Ize:

‚Äú...O que n√£o est√° assim t√£o perfeito √© a afirma√ß√£o de que o que ocorre hoje em termos dos processos s√≥cio-educativos n√£o difere do que ocorreu em d√©cadas passadas... a rapidez das inova√ß√Ķes tecnol√≥gicas, e o consequente contato, cada vez mais intenso, de crian√ßas e jovens com as m√≠dias visuais, com as hiperm√≠dias e com as m√≠dias digitais, tem mudado... a maneira pela qual as gera√ß√Ķes que j√° nasceram sob esse contexto se relacionam com o conhecimento e a cultura. O pensamento hj √© processado hipertextualmente, enqto na nossa √©poca ele era processado textualmente...‚ÄĚ

√Č que pique do coment√°rio esqueci de dizer que, entre todas as outras atabalhoadas alega√ß√Ķes que fiz, esta √© uma das que posso, seguramente, citar a fonte, base que √© de toda a minha argumenta√ß√£o. Ela se baseia em Noam Chomsky, refer√™ncia que uso, (at√© de forma, √†s vezes, exagerada) para afirmar que: 1 -Linguagem √© um conceito que deve envolver todos os mecanismos que n√≥s seres humanos usamos para nos relacionarmos com o meio (ver, ouvir e sentir e ter contacto - ‚Äėtato‚Äô); 2- Estas ‚Äėhabilidades ling√ľ√≠sticas‚Äô (ou ‚Äėintelig√™ncias‚Äô, por extens√£o) funcionam de forma hol√≠stica, em perfeita sinergia e intera√ß√£o 3- (o cerne da quest√£o interposta por Ize) Esta condi√ß√£o estritamente biol√≥gica na nossa constitui√ß√£o de seres humanos √© uma condi√ß√£o pr√©-determinada por nossa constitui√ß√£o biol√≥gica (somos assim, porque assim somos constitu√≠dos), ou seja, n√£o haveria, rigorosamente, nenhuma diferen√ßa no processamento do pensamento de um homem das cavernas, do velho rabugento com seu gibi e o de um adolescente fan√°tico por jogos eletr√īnicos e anime.

A tal comunica√ß√£o hipertextual, por este ponto de vista, seria um velho e essencial atributo de nossa condi√ß√£o humana, sabe-se l√° por que raz√Ķes, pulverizado, deturpado, demolido pelas modernas sociedades letradas. S√≥ falta agora as nossas instancias e estruturas educacionais, se darem conta desta que √© uma lei elementar da natureza. Descobrirem a p√≥lvora enfim.

A coisa fica mais bem melhor embasada quando colocamos o próprio Chomsky
, falando por si mesmo:

‚Äú...Porque se aceitou, t√£o facilmente, a id√©ia de que existe uma ‚Äėteoria da aprendizagem‚Äô que pode explicar a aquisi√ß√£o de estruturas cognitivas atrav√©s da experi√™ncia? Haver√° um conjunto de evid√™ncias, estabelecido pela indaga√ß√£o cient√≠fica ‚Äď ou observa√ß√£o, ou introspec√ß√£o-, que nos leve a considerar, diferentemente, o desenvolvimento mental e f√≠sico? A resposta √©, certamente, n√£o...‚ÄĚ

( Em ‚ÄėReflex√Ķes sobre a Linguagem‚Äô,1975)

Ou, mais claramente ainda e ainda com Chomsky:

‚Äú...Nossos sistemas de cren√ßa s√£o o que o esp√≠rito, enquanto estrutura biol√≥gica, est√° destinado a construir. Interpretamos a experi√™ncia de determinada maneira em fun√ß√£o das caracter√≠sticas espec√≠ficas do esp√≠rito. Atingimos o conhecimento quando as ‚Äėid√©ias interiores ao pr√≥prio esp√≠rito‚Äô e as estruturas que ele cria se conformam com a natureza das coisas...‚ÄĚ

...‚ÄĚ O comportamento de aprendizagem ocorre atrav√©s da modifica√ß√£o de uma organiza√ß√£o estrutural que j√° √© funcional...‚ÄĚ

‚Äú...A sobreviv√™ncia seria improv√°vel se na natureza a aprendizagem exigisse a repeti√ß√£o prolongada caracter√≠stica da maioria dos procedimentos condicionadores...‚ÄĚ

Pois bem, foi nisto que nos baseamos para afirmar que os gibis do ‚ÄėMandrake‚Äô que os velhos rabugentos acenam, insistentemente, foram sim formas de processamento intelectual iguais aos, supostamente, modernos eventos dos animencontros...sem tirar nem por. Pra Chomsky ‚Äď e para mim, por enquanto- √Č bem assim.

Ressalte-se sobretudo e com ênfase que chamar a atenção para a necessidade urgente de se empreender já esta velha revolução (re-evolução) é o grande e inegável mérito, a mensagem gritantemente afirmada pelos Animencontros.

Fecho com a minha citação preferida:
“Cuide dos sentidos que os sons cuidarão de si
mesmos...’


(A duquesa em Alice no País das Maravilhas’ de Lewis Carroll)

Grande abraço

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2008 14:32
sua opini„o: subir
Spírito Santo
 

Galera,

Hobsbaum (o baum deev ter a ver com 'barriga' em alemão, como o cara tem ascendência polonesa, o nome com 'm' faz mais sentido (ele, como disse o Adro, já reclamou)

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2008 14:47
sua opini„o: subir
Spírito Santo
 

Desculpem-me. Baum é árvore. Tive que olhar no diconário (meu alemão, que nunaca foi lá estas coisas, anda deplorável). O nome do homem contudo está valendo: HobsBaum

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2008 19:29
sua opini„o: subir
Ize
 

Oi Adro e Spírito,
tava aqui pensando que o texto que a gente publica na internet deixa um pouco de ser autoral e passa a ter a co-autoria do leitor (" Eles s√£o lidos, onde s√£o escritos e s√£o escritos ao serem lidos‚ÄĚ). Legal isso. Vc Adro enveredou nesse √ļltimo coment√°rio na quest√£o do bom, e por conseguinte, do mau gosto trazendo √† baila o tema do jazz que Adorno, talvez por n√£o ter tido a oportunidade de apreci√°-lo como Hobsbaum (que seja), considerava uma regress√£o em rela√ß√£o ao valor genu√≠no da arte que teria a propriedade de levar as massas ao esclarecimento. V√°rios autores, inclusive Benjamin, colocam em xeque essa posi√ß√£o de Adorno, a partir de argumentos que n√£o vale a pena trazer para esse espa√ßo pq esse coment√°rio ficaria do tamanho de um bonde. O que eu queria lembrar √© que n√£o sei se procederia relacionar os produtos que eu citei no meu texto com a cultura popular - que vc diz, em outras palavras, que a academia n√£o valorizaria pq n√£o lhe traz m√©ritos imediatos (o que n√£o √© bem assim, com certeza). O problema n√£o √© a cultura popular, mas a cultura de massa (ou para a massa como diz Bosi). E a√≠ √© que est√° o problema porque se, desde o s√©culo XVI, j√° havia uma circularidade entre cultura erudita e cultura popular (ver O queijo e o vermes de Carlo Ginsburg), hj a imbrica√ß√£o entre essas duas e a cultura massiva √© da ordem do irredut√≠vel (Ver Culturas H√≠bridas de N. Canclini). Por isso digo que seus argumentos de defesa da cultura popular, com os quais concordo inteiramente, n√£o t√™m, entretanto, muito a ver com o que falo sobre a ind√ļstria de entretenimento. Mas isso n√£o tem a menor import√Ęncia porque o que est√° ocorrendo aqui √© a configura√ß√£o de um hipertexto. Por isso, sinta-se em casa pra continuar escrevendo (isso n√£o impede que eu v√° tomar um ch√° a√≠ com vc, a√≠ nesse friozinho).
E Spirito n√£o reconhe√ßo neste par√°grafo a seguir o "cerne da minha quest√£o": "Esta condi√ß√£o estritamente biol√≥gica na nossa constitui√ß√£o de seres humanos √© uma condi√ß√£o pr√©-determinada por nossa constitui√ß√£o biol√≥gica (somos assim, porque assim somos constitu√≠dos), ou seja, n√£o haveria, rigorosamente, nenhuma diferen√ßa no processamento do pensamento de um homem das cavernas, do velho rabugento com seu gibi e o de um adolescente fan√°tico por jogos eletr√īnicos e anime". N√£o conhe√ßo Chomsky t√£o a fundo, mas por enqto pelo menos n√£o me afino com sua teoria da Gram√°tica Gerativa que d√° um salto em rela√ß√£o √† teoria behaviorista da linguagem, mas rec√°i no limite do inatismo. Pra mim, claro que fundamentada nos meus interlocutores, o contexto cultural √© respons√°vel pelas modifica√ß√Ķes no sensorium humano. Por isso, n√£o concordo que "os gibis do ‚ÄėMandrake‚Äô foram sim formas de processamento intelectual iguais aos, supostamente, modernos eventos dos animencontros...sem tirar nem por."

Joca vc é testemunha né, de que esses dois estão me provocando. Eu tentei falar em linguagem comum, mas eles vieram de Hobsbaum e Chomsky...Fazer o quê? rsrsrsr

Adro e Spirito, se vcs quiserem podemos continuar a polca (como já fizemos de outras vezes). Dá uma trabalheira teclar tudo isso, mas é mto instigante debater com vcs dois, ainda mais sendo uma mulher contra dois gigantes ( A Ilha me abandonou).
Bjs

Ize · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2008 22:15
sua opini„o: subir
Adroaldo Bauer
 

Ize, ninguém te abandonou, oh gigante das peleias!
Estamos também a teu lado, embora alguma vez em paralelo.
Veja que não oponho popular e acadêmico, como parece ou como possa ter sugerido algum exemplo meu e permitido assim uma leitura tua.
Oponho ilhas vetustas (dominantes) da academia, a manifesta√ß√Ķes √≥bvias de que as massas, e as juventudes em primeiro lugar, v√£o levando o mundo para outrops rumos.
N√£o √© papel da u-ni-ver-si-da-de congelar o mundo e reproduzi-lo. N√£o √© ela uma redoma, um domo, osequer o √ļnico p√ļlpito ou farol.
√Č papel da Universidade ajudar a fazer a compreens√£o do mundo e a investiga√ß√£o do futuro dele, de prefer√™ncia participando da inagura√ß√£o do reino das possibilidades, aqui, na terra e em muito breve.
Então, o que se passa com o protagonismo juvenil é que a escola, como antes, quer conformar, quer impor uma bitola, fora talvez o laboratório de ciências, ou os de química, em que alguma explosão ocorra acidentalmente, tudo parece correr mansamente conforme uma rotina prévia planejada em um gabinete e sugerida em uma cartilha.
Paulo Freire negava que isso fosse aprendizado.
Chamava a isto de educação bancária, em que o professor tomava o aluno por um cofre, em que fosse depositar ali o saber.
Há muito isto é denunciado e muito pouca gente se sensibilizou com isso.
Do mesmo modo que Freire, Milton Santos é acatado no planeta inteligente todo e não aparece como paradigma sequer para cursos inciais de geografia elementar no país dele que, por acaso, é esse mesmo nosso país, sempre e ainda e por muito, voltado senhjoril de costas para o próprio Brasil, querendo encontrar verdades sobre os brasileiro na sobonne ou em harvard, locais da intelig~encia de verdade.
Não é o teu caso, nem o do teu texto, nem mesmo o da tua pesquisa.
Não é o caso de alguma ilhas de investigação similares, mas é o caso do oceano, do dramático oceano em que as caravelas ainda enfrentam as calmarias, enquanto as massas rumam céleres em foguetes à velocidade da luz para Antares.
As juventudes e os adultos, nós, queremos ser, como dizes corretamente na apresentação do teu livro, quem produzimos cultura ao mesmo tempo em que nos produzimos nela.
Não querendo ser insistente nem grosseiro, mas Paulo Freire referia que o papel de reproduzir o mundo à semelhança do que já é o da vaca, que o tem apenas como suporte da existência.
Por mim, considero, sempre estivemos de acordo, afora as dificuldades do di√°logo n√£o presencial e dos meus arroubos textuais.
O ch√° est√° quente.
√Č de flores e frutas.
Três gotas de limão, vão bem para ti?
Há também um vinho, mas temo que tenhas trabalho cedo pela manhã.
Eu farei o mevitei hoje por que faço exames amanhã e já me pus de jejum.

boa noite querida e paciente amiga.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 7/7/2008 23:03
sua opini„o: subir
Ize
 

Ai Adro, como vc é gentil e cavalheiro. Já me conhecendo como conhece, sabia que, à menor incitação, eu voltaria porque não me compraz fugir da raia. Mas me sabendo com sono a essa hora vc veio despacito e eu, concordando com tudo, vou dormir feliz. O chá fica prá próxima... De flores e frutas huuuummmmm e com três gotinhas de limão.
Boa noite e bons exames
Bj

Ize · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2008 23:59
sua opini„o: subir
Spírito Santo
 

Ize e todo mundo (esta meia d√ļzia de tr√™s ou quatro)

Não há como estender esta conversa aqui, reconheço, mas, me ocorreu agora o quanto é difícil o estabelecimento de nexos comuns, convergências numa conversa quando o tema é esmiuçado por meio deste processo de análise a que chamo - erroneamente talvez - de 'acadêmico'.

'Complexificando' tudo (as vezes sem a menor ncessidade j√° que, simplificar devia ser sempre mais sensato) no af√£ de colocar na mesa argumentos cada vez mais irrefut√°veis, acabamos tendo que nos remeter a outros autores, e a mais outros, nos obrigando a cit√°-los - e a seus jarg√Ķes, sua linguagem cifrada e seus 'conceitos-s√≠ntese', literalmente, autores estes que, na maioria das vezes est√£o - ou foram postos - em oposi√ß√£o a outros, quase sempre apenas por uma ou outra filigrana de seu racioc√≠nio (os quais a gente, muitas vezes nem teve chance de assimilar direito por conta da mesma tend√™ncia deles de tornar tudo mais complexo do que efetivamente √©), oposi√ß√£o esta (entre eles) que, transferida para o nosso debate, nos obriga a, viciosamente, retomar todo o tedioso processo de 'complexifica√ß√£o', at√© nos afastarmos, totalmente do assunto (algu√©m devia escrever uma tese sobre isto)

Ora, no meu caso √ļltimo, n√£o se tratava de criar uma oposi√ß√£o fortuita entre Chomsky e qualquer outro autor (nenhum √© perfeito), era apenas para atestar com um trecho espec√≠fico do pensamento dele que me parece irrefut√°vel (√© dif√≠cil refutar a biologia, certo?), o fato de que, por mais que nos surpreendamos com a modernidade das m√≠dias de hoje, os est√≠mulos aos quais o pessoal dos animencontros est√£o expostos (ou a eles est√£o dispon√≠veis), para suas experi√™ncias de aprendizagem, n√£o s√£o modernos em si mesmos, porque n√£o existe modernidade poss√≠vel neste caso (pelo menos, como entendo, diz Chomsky) est√≠mulos iguais a estes sempre estiveram dispon√≠veis aos seres humanos (uma determina√ß√£o biol√≥gica), √© tudo uma quest√£o de relatividade. Basta a gente perceber que o que temos de mais moderno hoje que √© o computador (a ferramenta mater da hipertextualidade), n√£o passa de uma imita√ß√£o prec√°ria, muito limitada ainda, da forma como os nossos c√©rebros funcionam, uma proje√ß√£o de n√≥s mesmos, do que j√° somos, portanto. A modernidade j√° estaria, desde h√° muito tempo em n√≥s. Pelo menos neste caso, n√£o seria inatismo- ou racionalismo, como outros cr√≠ticos afirmam, a cerca do pensamento do cara √© que como n√£o somos deuses re-criadores de n√≥s mesmos (ainda?), precisamos admitir que tudo na natureza √© relativo e limitado e que usar estas limita√ß√Ķes (simplificando-as, otimizando-as, socializando-as enfim) da melhor forma √© a nossa √ļnica chance de sobreviv√™ncia.

Talvez seja pelo fato de insistirmos em n√£o admitir isto - nossas limita√ß√Ķes absolutas - que o nosso meio ambiente esteja t√£o amea√ßado e n√≥s condenados, por nossa pr√≥pria a√ß√£o, em certo prazo √† extin√ß√£o...mas, isto j√° √© desviar mais ainda a conversa.

Abs

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 8/7/2008 09:13
sua opini„o: subir
Ize
 

Bom dia Spirito,
Dia lindo hj, né? Nem pensar em extinção hj rsrsrsrs
Sabe, reconhe√ßo os limites da academia, mas acho que vcs exageram nas cr√≠ticas a ela. L√° n√£o √© s√≥ lugar de ficar entrando em controv√©rsias te√≥ricas intermin√°aaaaaaaaveis a partir de discuss√Ķes sobre que autor vale mais na encarteirada. E com certeza absoluta, n√£o falamos em academic√™s nem nos momentos mais s√©rios, embora nossas atitudes estejam relacionadas √†s teorias que se fizeram carne. Vc n√£o percebeu isso n√£o? A teoria pra muitos de n√≥s que l√° estamos √© encarada como hip√≥tese e n√£o pra nos guiar cegamente na interpreta√ß√£o das coisas que existem na vida real, e que transformamos em objetos de estudo porque temos necessidade de entender melhor a vida, as rela√ß√Ķes sociais, a socializa√ß√£o de crian√ßas e jovens, a escola, a forma√ß√£o de professores, o uso das novas tecnologias, as subjetividades e identidades dos alunos etc, etc, etc
Sobre o determinismo biológico aprendi até mais com a vida do que com a teoria (e certamente não na academia) que ele pode e deve ser relativizado (odeio este termo, mas não tenho outro). Aliás, não simpatizo com qualquer tipo de determinismo: o social tb me dá engulhos.
Não podemos concordar com tudo na vida (seria de uma monotonia insuportável) e eu não simpatizo com o cara e penso diferente de vc e não é por isso que vamos deixar de lutar (até juntos) por aquilo que acreditamos, embora por diferentes caminhos. Por falar nisso, me lembrei daquele diálogo maravilhoso da Alice com o coelho sobre os caminhos. Lembra? Pois então, cada qual com seu caminho, desde que saibamos aonde queremos chegar. Nisso concordamos, certo?
Abrs e bom dia pra vc

Ize · Rio de Janeiro, RJ 8/7/2008 10:17
sua opini„o: subir
Spírito Santo
 

J√° sei qual √© o 'xis' da nossa quest√£o. Eu acho que determinismo biol√≥gico √© uma coisa fora do alcance de n√≥s, humanos. Determinismo social, claro que n√£o creio, at√© porque √©, virtualmente, imposs√≠vel. Ou seja, acredito que, algumas coisas s√£o determinadas sim, e s√≥ mudam em milh√Ķes de anos, a nossa revelia. Mas, entretanto, sobretudo, contudo...Ok, voc√™ venceu!

Sp√≠rito Santo · Rio de Janeiro, RJ 8/7/2008 10:42
sua opini„o: subir
Ize
 

YYYYYYEEEEEEEEEEEEEEEESSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS!!!!!!!!!!
E agora que tal dançar outra polca que essa já deu tudo que tinha que dar?

Ize · Rio de Janeiro, RJ 8/7/2008 10:50
sua opini„o: subir
Adroaldo Bauer
 

O chá é às cinco,
antes da soirée.
Santé!

Sem determinismo,
sendo tudo relativo,
presente e simultaneamente ,
resta observar que o espaço
mesmo é que se dobra
até contrária prova,
sendo ent√£o acertado
que a coexistência,
mesmo imagética, gramatical ou fonética
arquétipica ou porvir, ainda herética
apenas é, agora, já!, como era.


(E não há qualquer minha presunção ou foros de verdade nisso,
apenas uma compreensão particular, também minha, da relatividade exposta por Einstein, que eu parei aí na história e pode já ter avançado mais que isso, embora não tenha eu ainda aprendido.)

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 8/7/2008 13:14
sua opini„o: subir
Joana Eleutério
 

Ize,

Que banho de cultura e que "papo cabe" isso daqui, heim? Pena que não deu pra ler todo o diálogo dos comentários. Mas quero registar o quanto fico encantada por você ousar andar por esses territórios e navegar por esses mares proibidos pela intelectualidade. Muito legal.
Quanto aos "sujeitos necessitam de territórios em que possam buscar indicadores de pertencimento que lhes garantam segurança afetiva e clareza quanto aos grupos com os quais possam se relacionar e se entender.": Ize, minha querida, estamos todos procurando "nossa praia" e batalhando para defender nosso direito (talvez dever) de sermos "sujeitos produtores e sentido". O Overmundo taí para nos mostrar isso.
Parabéns e um grande beijo.

Joana Eleut√©rio · Bras√≠lia, DF 16/7/2008 14:01
1 pessoa achou ķtil · sua opini„o: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. FaÁa primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

VocÍ conhece a Revista Overmundo? Baixe jŠ no seu iPad ou em formato PDF -- ť grŠtis!

+conheÁa agora

overmixter

feed

No Overmixter vocÍ encontra samples, vocais e remixes em licenÁas livres. Confira os mais votados, ou envie seu průprio remix!

+conheÁa o overmixter