Ao „meu velho“ que abre meus olhos para a coisas que estão no mundo.
Continuando minha série de artigos sobre MPB, gostaria de colaborar com algumas linhas em homenagem ao „filósofo popular“ brasileiro Paulinho da Viola.
Na Grécia antiga, além dos renomados filósofos, que conhecemos e lemos até hoje, havia os chamados „filósofos populares“. Senhores de barbas e cabelos brancos diplomados na escola da vida. Estes falavam de maneira clara para o povo; ensinando-o as „regras“ do mundo.
No Brasil há algumas décadas, uma voz macia acompanhada de uma viola tocada com uma venerável mestria parece saída da tradição da Grécia de outrora.
É Paulinho da Viola um fenômeno, que nos mostra muito da dignidade e da coerência do samba.
Samba, este tantas vezes menosprezado, já anunciado como morto – até já fizeram um túmulo para ele – vide Sampa! Na verdade nenhum outro tipo de música toca (desculpem-me, mas não resisti!) a alma brasileira e a traduz tão por completo. Nosso coração balança sim ao som de um tamborim! Como já o dissera o Caretano* Tropicalista. Mesmo no peito dos roqueiros desafinados tupiniquins ele bate assim!
A filosofia popular empírica, simples, humilde e sincera baseada em meras vivências e sobretudo alheia as deduções complexas da sisuda filosofia, digamos, "padrão". Assim são as pérolas com que Paulinho da Viola nos presenteia.
Para não me prolongar muito, pois me referi no início a „algumas linhas“ passo a palavra a quem sabe o que diz.
„ Partir é quase sempre voltar para o mesmo lugar“ Samba do Amor
„Dinheiro na mão é vendaval(…) na vida de um sonhador“ Pecado Capital
„As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender.“ Coisas do Mundo minha Nega
„(…)quem não sabe amar tem que sofrer
Porque não poderá compreender
Que o amor que morre é uma ilusão,
E uma ilusão deve morrer“ Coração Vulgar
„Quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado“ Dança da Solidão
„Quem sabe de tudo não fale, quem não sabe nada se cale“ Para ver as meninas
Nota
*Não se trata aqui de uma ofensa. Na verdade é apenas uma singela citação, posto que Caetano Veloso já admitiu publicamente gostar de ser chamado assim.
Bela homenagem ao nosso príncipe!
Eu ouço de tudo, mas quando um samba vêm, sincopado de filosofia, meu coração é só poesia.
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