apenas Koellreutter

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Valério Fiel da Costa · São Paulo, SP
6/12/2006 · 135 · 10
 

Quando conheci Koellreutter, estava estudando análise em Londrina durante um festival nas férias de julho de 1994. Não sabia que tinha sido justamente ele a ter inventado esse negócio de festival de música nas férias aqui no Brasil, entre outras contribuições. Eu não sabia nada de Koellreuter. Na primeira aula, para uma classe de jovens compositores de todo o país que formavam uma grande roda no meio da sala de um colégio estadual em Londrina numa manhã extremamente fria, o mestre perguntou com naturalidade: “O que vocês fazem aqui?â€. Nossos olhos esbugalhados, nossos dedos congelados, nossos ouvidos em dúvida. Fez-se um longo silêncio e alguém, ávido por destaque supôs ter a resposta: “viemos estudar análise, professor!â€. Já visivelmente impaciente Koellreutter retorna a pergunta: “Por que vocês vieram estudar análise?â€; “Para que serve a análise?â€. Como ninguém se manifestava, visto que o desconcerto havia sido geral, Koellreutter lançou um último desafio: “Vão para casa pensar! Amanhã vocês me explicam o que estão fazendo aqui e assim poderemos começar com o curso! Adeus!†E saiu da sala. Ficamos ainda mais uns bons quinze minutos sentados esperando alguma coisa acontecer. Para mim já havia acontecido.

Nos próximos dias fui descobrindo quem era Koellreutter por intermédio de alguns discípulos que o seguiram até Londrina. Descobri que o mestre chegara ao Brasil em 1937 fugindo do Nazismo e organizara um movimento chamado Música Viva junto com seus primeiros alunos brasileiros, entre eles, os primeiros dodecafonistas Cláudio Santoro e Guerra-Peixe. Fui informado da intensa atividade deste grupo que, em pleno debate populista a respeito da necessidade de se produzir uma música de raiz nacionalista baseada em ritmos e temáticas consideradas brasileiras, ousou sugerir que música nova deveria ser concebida livre de qualquer programa. Descobri também que a noção de liberdade do mestre Koellreutter o fez opositor mesmo do realismo socialista proposto pelos soviéticos como diretriz necessária para se realizar uma arte proletária. A esse respeito li, perplexo, a Carta aos músicos e críticos do Brasil escrita por Camargo Guarnieri em 1950, contra o mestre, onde o nacionalismo brasileiro de raiz stalinista finalmente mostrou suas verdadeiras intenções ao se referir ao perigo da música dodecafônica, vista como uma música degenerada, numa autêntica recaída fascista de nosso nacionalismo de raiz comunista. Em sua resposta, Koellreutter lembrava o óbvio: o dodecafonismo não passa de uma técnica... não se trata de um gênero nem tampouco de uma estética. Tal peleja, de maneira inacreditável, perdura até os dias de hoje. Um compositor para conseguir cair nas graças da elite, basta escrever uma sinfonia com ritmos regionais. Qualquer outra atitude poética ou estética acaba sendo considerada uma heresia.

Descobri que Koellreutter, no decorrer de toda a sua vida, não só foi um herético genial, como formou praticamente toda a vertente herética da música brasileira. Com o grupo Música Viva, orientou a geração de compositores que veio a orientar os signatários do Manifesto Música Nova no início da década de 60 (Gilberto Mendes, Rogério Duprat, Damiano Cozzella, Willy Correia de Oliveira, etc); com a invenção dos cursos de férias, em São Paulo e na Bahia, formou, entre outras coisas, toda a geração dos tropicalistas; A geração dos signatários do Música Nova, por sua vez, foi tutora de compositores e grupos vinculados à ECA-USP, como Arrigo Barnabé, Itamar Assunção, Premeditando o Breque, Terço, Luis Tatit, no campo da música popular, e Silvio Ferraz, Flô Menezes e Denise Garcia, no campo da música eletroacústica. Ou seja: mesmo que algum compositor não tenha tido aulas diretamente com Koellreutter, com certeza, se está envolvido com a criação de música nova, foi orientado por um ex-aluno do mestre.

Puxa! pensei: como alguém tão importante para a música brasileira pode permanecer tão oculto, mesmo em São Paulo? Nunca tinha ouvido falar dele. Quer dizer, já conhecia seus livros de Contraponto modal do séc. XVI e de Harmonia Funcional, mas não tinha idéia do alcance de suas propostas. O caso é que Koellreutter sempre se recusou a cantar afinado com o coro dos contentes. Não por querer dar uma de arauto da dissonância ou do experimentalismo, mas porque, para ele, a atividade musical deveria ser, essencialmente, uma atividade libertadora. Essa atitude representava, e continua representando, para a Instituição Música Brasileira um constrangimento, visto que seus compositores preferem seguir o seguro caminho proposto pela tradição. Toda proposta alternativa é logo taxada de excêntrica, inócua, ou mesmo inconseqüente. O experimental foi sacrificado em favor do tecnicismo. O risco, em favor de uma segurança estéril.

Koellreutter, ao contrário do que possa sugerir a sua opção pelo experimental, pregava que, num futuro próximo, a música que não fosse funcional, deixaria de existir. Com tal declaração, o mestre experimentou críticas diversas. Alguns adornianos logo o acusaram de estimular o culto à Industria Cultural entendendo que o mestre defendia a pasteurização da música. Koellreutter se referia à derrocada iminente de uma realização musical voltada para a simples e pura contemplação a portas fechadas, em favor de algo mais afim com a forma como os homens no mundo real fazem música: para exercitar sua própria humanidade através do câmbio de estímulos sonoros dentro de eventos sociais interativos. O caminho da música nova seria, portanto, o caminho de uma música de caráter coletivo onde os conceitos de autoria, intérprete e fruidor acabariam re-definidos e as prerrogativas de uma elite musical se tornariam, pouco a pouco, prescindíveis. Tais preceitos fazem parte de um imenso pacote de idéias exposto no decorrer de muitas décadas a respeito de um fazer musical mais afinado com as necessidades estético-sociais da América Latina. Talvez os primeiros tratados do que poderíamos chamar de uma Prática Musical do Oprimido, só para citar a afinidade do mestre com os trabalhos de um outro herege genial chamado Paulo Freire.

Além de todas estas heresias, Koellreutter cometeu o pecado de, num país como o Brasil, ter nascido na Alemanha (em Freiburg). A elite brasileira nunca poupou saliva ao taxá-lo de estrangeiro. Nesse sentido não deixa de ser irônico que o mestre tenha se tornado compositor depois de adotar a nacionalidade brasileira: isso significa que ele é um compositor brasileiro desde o seu Op.1, e, considerando os anos em que viveu e se dedicou a este país, fora a década em que trabalhou pelo Instituto Goethe na Ãndia e no Japão, possuía uma vivência dos nossos problemas muito maior do que muitos de seus críticos.

Hans-Joachin Koellreutter, compositor, regente, flautista, ensaísta, educador musical, agitador cultural, faleceu ano passado, dia 14 de setembro de 2005, em São Paulo, aos 90 anos, em consequência de um ataque cardíaco. O mestre, já há quase oito anos, sofria do Mal de Alzheimer, uma doença degenerativa que eliminou sua memória aos poucos. O silêncio da imprensa brasileira sobre sua morte me parece um sinal de que vivemos uma fase preocupante: varremos para baixo do tapete da história aquele cuja atuação deixava nua a nossa falta de iniciativa diante do que poderia ou deveria ser feito para que saíssemos da condição de indigência cultural voluntária em que estamos envolvidos até hoje. Talvez agora, consciência pesada, achemos por bem divulgar seus trabalhos e adotar suas idéias como possibilidade, ao menos dentro da academia, lugar onde suas idéias nunca vingaram por preconceito, despreparo ou puro plebeísmo. Koellreutter foi a figura mais importante da história da música brasileira nos últimos 60 anos. Ponto. Teremos dado um enorme passo à frente quando tivermos compreendido isso.

Não sei para onde foi o mestre após a sua morte. Sua visão religiosa foi sempre um mistério. Certa vez lhe perguntei se era católico e ele respondeu com um sorriso terno “tambémâ€. Costumava despedir-se de mãos juntas e com um baixar de cabeça ao estilo dos indianos. Isso não diz muito sobre sua religião. Significa: o deus que habita em mim reverencia o deus que habita dentro de você. Isso é apenas... Koellreutter.

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Clara Bóia
 

Perfeito como está. Adorei o modo como você concluiu o texto.

Clara Bóia · Blumenau, SC 4/12/2006 12:29
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Hermano Vianna
 

bom encontrar Koellreuter por aqui - tive a honra de assistir um curso que ele deu sobre a história da música contemporânea, nos anos 80 (se não me engano) na Biblioteca Nacional aqui no Rio - meus ouvidos nunca mais foram os mesmos... ainda bem

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 4/12/2006 23:09
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Hermano Vianna
 

esta entrevista curtinha com Koellreutter é bem esclarecedora

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 5/12/2006 02:35
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Valério Fiel da Costa
 

Oi Hermano.

Obrigado pelo texto. Já tinha passado os olhos nele. Talvez seja necessário realizar alguns reparos no texto introdutório (não assinado) para evitar mal-entendidos:
1) Já havia música de vanguarda no Brasil antes de Koellreutter
2) Segundo o próprio Koellreutter, Santoro já trabalhava com a técnica dodecafônica antes dele chegar no Brasil em 37. O Grupo Música Viva, que veio em seguida, o cultivou como forma de libertar a música de qualquer padrão estético-ideológico. Para tanto é necessário enxegar o dodecafonismo como técnica e não como estética.
3) o dodecafonismo é uma técnica baseada numa série de doze notas (numa configuração pré-arranjada da escala cromática) e não de doze 'semitons' (que são intervalos entre notas)
4) Como falei antes, o dodecafonismo era apenas uma técnica. Na carta a Camargo Guarnieri, Koellreutter nota que o compositor nacionalista não tinha entendido isso ao referir-se a uma "música dodecafônica".
5) Não entendi a frase "Venceu Koellreutter". Me parece precipitado. Primeiro porque a música brasileira jamais libertou-se de tutelas estético-ideológicas baseadas na noção de cultura regional ou nacional e o sistema de composição preponderante no país, seja "popular", seja "clássico", continua sendo o tonalismo. Alem do mais, essa noção de 'vencido e derrotado' passa longe de como funcionava a cabeça do Koellreutter.
6) Koellreutter dava aulas sobre música de todo o mundo muito antes de viajar, contratado pelo Instituto Goethe, para a Ãndia e para o Japão. É claro que esta experiência o marcou e que suas idéias sobre superação de paradigmas ditos "ocidentais" foram reforçadas, mas o universalismo sempre esteve presente em suas atividades: não foi "causado" pela sua estadia no oriente.

Bela entrevista, porém.

Gostei especialmente da última resposta do mestre sobre a necessidade de se garantir a criação de ponta num mundo de demandas cada vez mais imediatistas. Dá uma idéia de como são sutis suas opiniões sobre o termo "música funcional".

Um abraço

Valério Fiel da Costa · São Paulo, SP 5/12/2006 12:59
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Hermano Vianna
 

ops! nem tinha lido a introdução - gostei mesmo das respostas do Koellreutter - gosto muito da idéia de música funcional - sem querer me comparar com o mestre: mas eu disse algo parecido nesta entrevista (ficou sem acentos - escrevi totalmente afobadamente...)

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 5/12/2006 16:55
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Valério Fiel da Costa
 

Oi Hermano.

Outra bela entrevista. Comungo com essa visão sobre o papel do compositor e de todos os agentes que até agora buscaram manter a música em cativeiro para melhor extrair dela seus sumos.

A internet nos proporcionou dar uma bela banana à tradição musical vigente. Na academia e nos conservatórios afloram críticas a essa "generalização" do fenômeno musical. Porém, esta crítica reacionária vem sendo esvaziada, os espaços aristocráticos da música vem decaindo e muito mais coisas circulam em grande velocidade sem que seja necessário pagar pedágio algum.

Antes haviam duas alternativas: derrotar ou ser derrotado. Para existir era necessário lutar diretamente pelo espaço. Na melhor das hipóteses, forçando uma mudança, tornando-o mais permeável. O problema é que tais operações "revolucionárias" ao passo em que conseguiam tirar do trono um déspota, jamais tomaram a atitude de destruir o próprio trono. Ora, para o poder nada melhor do que oportunidades de aperfeiçoamento pela via da força. Obter o poder assim apenas fortalece a própria idéia de poder.

A possibilidade que a internet traz com sua estrutura aberta é a de gerar na penumbra forças que passam ao largo dos poderes estabelecidos, que possuem velocidades insuspeitas, que ocupam espaços inimagináveis, que operam em todos os níveis. O quadro é similar ao da guerrilha. Nada incomoda mais o poder que sentir que está em curso uma mudança e não conseguir mapeá-la. É como se o trono começasse a ser devorado por cupins e ninguém soubesse mais onde puseram a creolina.

É por isso que eu acho, por outro lado, que nossa farra libertária não vai durar para sempre. Espero que o suficiente...

O Cage falava que a função do artista era a de "engrossar o caldo". Com a internet, o potencial do artista em fazê-lo, nunca foi tão claro.

Aliás, parabéns pelo Overmundo. Indelicadeza minha não ter falado isso ainda.

Abraço

Valério Fiel da Costa · São Paulo, SP 5/12/2006 22:14
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Caçapa
 

Oi, Valério
Gostei muito do seu texto e da iniciativa de introduzir, num espaço aberto e não acadêmico como o Overmundo, a figura importantíssima de Koellreutter.
Muitas questões surgem... muito mais do que respostas...

Algumas questões que você levanta, no entanto, me incomodam um pouco: às vezes tenho a impressão de que há um certo "ódio" a tudo que se refere à tradição, principalmente à tradição musical construída no Brasil. Por exemplo: "dar uma bela banana à tradição musical vigente"... ou "Um compositor para conseguir cair nas graças da elite, basta escrever uma sinfonia com ritmos regionais" (será possível dizer o mesmo ainda hoje?????).

Lembro do exemplo de Arnold Schoenberg que, a partir do conhecimento profundo e do amor à tradição musical da Europa Ocidental, imaginou e materializou a própria técnica dodecafônica disseminada no Brasil por Koellreuter, entre outros.

Uma outra questão: por que não incluir a tradição brasileira neste conhecimento musical universal (do qual Koellreuter é representante), onde já cabem a música ocidental e os conhecimentos milenares dos indianos e japoneses?

Mais um ponto: será que "o prazer de produzir a música coletivamente, muito mais que o produto em si mesmo" (palavras de Hermano), apontado como uma tendência libertadora para a música do século XXI graças ao poder descentralizador da internet, já não seria justamente o principal "método" criativo empregado em grande parte da tradição musical transmitida oralmente no Brasil há séculos???

No mais, entendo e concordo com você quando aponta a tendência imobilizadora e reacionária de muitos defensores da tradição, e acredito que a liberdade e a ausência de preconceitos ainda é a melhor saída.

Parabéns pelo texto!

Caçapa · Recife, PE 6/12/2006 18:17
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Valério Fiel da Costa
 

Oi Caçapa.

Koellreutter não era contra o nacionalismo. Porém os nacionalistas eram contra Koellreutter e contra qualquer forma de alternativa ao remédio cívico populista que eles pretendiam administrar no país.

O curioso é que nesse assunto, contra Koellreutter, tanto realistas-socialistas quanto nacional-socialistas brasileiros concordavam. Koellreutter argumentava em favor da liberdade criativa e não contra qualquer estética considerada "má". Não era um entrincheirado no Brasil, um "defensor das idéias do estrangeiro". Era um defensor do livre pensar. Basta entender isso.

obrigado pelo comentário

Valério Fiel da Costa · São Paulo, SP 7/12/2006 00:36
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Caçapa
 

Concordo com você, Valério.
Apenas toquei no ponto da "disputa" entre tradição e liberdade para lembrar que, hoje em dia, talvez esteja muito banalizado o discurso que renega o conhecimento tradicional como forma de afirmar a superioridade da inovação a qualquer custo...

Sei que não é o seu caso e nem era o de Koellreuter, como fica claro no final do seu texto e aproveito para dizer que este é um dos artigos mais lúcidos e interessantes que li aqui no Overmundo.

(Onde escrevi "ainda é a melhor saída", no comentário acima, leia-se "ainda são a melhor saída".)

Caçapa · Recife, PE 7/12/2006 09:59
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Mansur
 

Tive a sorte de nos anos 80 conviver com o mestre como um dos seus tantos discípulos. Tive aulas de harmonia, contra-ponto e estética. A sua casa no Rio era linda, na Urca, com uma belíssima vista e o piano alocado bem de frente pra baía. Ali eu e alguns amigos músicos ficávamos completamente desconcertados com seu jeito de ser. Lembro de alguns pensamentos soltos: " Êxito é diferente de sucesso, quando vc fizer sucesso alguma coisa está errada, você têm que ter êxito no que faz", pra citar apenas um. No final dos anos 90 estive em sua casa para que ele me desse uma carta de recomendação a constar em algum projeto que eu estava envolvido...Ele já estava com a memória bem abalada, digamos assim, mas foi, como sempre, extremamente gentil e prontamente assinou a carta. Me perguntou oq eu tinha aprendido com ele, e eu respondi: estética. Ele riu, me desejou boa sorte e em seguida perguntou ao motorista oq eles iam fazer naquele dia, o motorista respondeu: Temos um conserto hoje maestro. Ele fez um movimento com a cabeça resignado e se despediu, com aquelas sombrancelhas de fazer inveja a língua do Einstein...
Tom Jobim, Paulo Moura e Tim Rescala também passaram por ali.
Existe uma máxima árabe que diz "o segredo se protege a si mesmo". De qq forma lembrar e saudar Kollreutter pra quem o conheceu um pouco será sempre uma alegria.

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 21/7/2007 00:13
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