Ouvi de algum especialista, desses que vivem para estudar o mesmo tema, que "a internet não permite reflexões profundas", sugerindo que neste espaço a linguagem tem que ser rápida objetiva, direta, e não há lugar para textos gigantescos.
Como professor de Jornalismo On-line, especialista em Comunicação Digital, concordei à primeira vista com tal afirmação. É isso que ensino aos meus alunos: rapidez, texto enxuto, coeso, sem mas, mas...
Se formos analisar rapidamente, o lead do jornalismo impresso, da TV, está presente, ele faz parte da "chamada" na Internet. Nos sites a manchete já diz tudo, resume bem, o que vem a seguir.
Mas será que nós estamos preparados para essa leitura dinâmica? Ao acessar um portal como G1, Terra e Uol somos bombardeados por informações de todos os lados, notícias, publicidade e serviços.
Mas como organizar o entendimento disso tudo? Como entender que aquilo que o editor do site propõe como destaque, pode não ser o que mais nos importa para nós, leitores? Como saber que o que está diante de nossos olhos é informação que vai gerar conhecimento e portanto, aprendizado?
Digo isso por quê na mesma capa que o presidente eleito dos EUA, Obama, falou com Lula, leio que um ator global brigou com a namorada, que uma menina "recém-sequestrada" no interior de São Paulo visitou o time do Santos, que o Congresso discute a sucessão no Senado... Uma salada de informações, que para um internauta esclarecido como eu me considero ser, confunde, dá até dor de cabeça! Imagine então os internautas de primeira viagem, aqueles que estão criando o hábito de ler notícias pela internet?
É amigos, temos uma difícil missão pela frente, pelos próximos anos: aprender a ler e a escrever na REDE, sem empobrecermos os nossos textos, sem deixarmos de refletir sobre a cibercomunicação, sem deixar de pensar nos excluídos digitais, sem sermos prepotentes, e acharmos que nós dominamos o mundo, por quê sabemos acessar a World Wide Web de maneira rápida e fácil.
Sabe Bruno, em relação ao formato dos textos, eu nunca me preocupei com tamanho.
Gosto de colocar as informações e dar o máximo para o texto ficar agradável ao ponto de um parágrafo se tronar um convite a continuidade do próximo. É bem verdade que tem internauta que ao olhar o tamanho do texto já desiste, mas eu decidi que não escrevo para este tipo de leitor, seja ele maioria ou não.
Preocupação pertinente essa sua!
Valeu!
Bruno, muito oportuna a sua reflexão. Leio muito na internet, mas evito os jornais justamente pela dificuldade que tenho para selecionar a informção. E olha que não sou nenhum iniciante nesse veículo! Na verdade, tenho um relação afetiva com o jornal impresso e um astigmatatismo que não me deixa confortável para ler notícias em telas cheia de coisasinhas pipocando.
Abraço!
É, tudo isto é realidade. O volume de acontecimentos, a necessidade de informação, noticiação, leitura, trabalhar, etc.
etc. O que ainda não se sabe é o grau de utilidade proficuamente falando que este conjunto de pressa deixará.
Só o tempo irá dizer.
abraço
andre
A oportunidade de ler uma diversidade muito grande de conteúdos na web potencializou a questão volume de informação x informações essenciais para se viver com qualidade de vida. Acho que a TV a cabo, com o seu efeito colateral "zapping", já tinha antecipado um pouco isso. Por outro lado, a plataforma na web também oferece tecnologias para irmos filtrando o excesso. Eu atualmente estou fazendo uma "dieta de conteúdo": estou procurando consumir informações com baixo colesterol (noticiários policiais e sensacionalistas de TV aberta), que não agridam o meio ambiente (publicidade mais inteligente, menos agressiva) e que contribuam para uma vida simples.
Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 16/11/2008 13:31Retificando: onde digo "consumir informações com baixo colesterol (notícias policiais e sensacionalistas na TV aberta)" leia-se "consumir informações com baixo colesterol (diminuindo o contato com notícias policiais e sensacionalistas na TV aberta, jornais, internet e rádio)".
Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 16/11/2008 13:34
Oi Bruno, adorei o seu artigo. Gostaria do seu e-mail para uma outra ajuda. Obrigada
Gabriela
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