Como diz o desassossego de Fernando Pessoa, os Homens que querem pensar o que sentem precisam estar acima da gramática. Ele bem colocou em seu único livro de prosa que, para fotografarmos em palavras, é preciso abdicarmos muitas vezes da correção gramatical. Ele cita:
“Suponhamos que vejo diante de nós uma rapariga de modos masculinos. Um ente humano vulgar dirá dela, “Aquela rapariga parece um rapazâ€. Um outro ente humano vulgar, já mais próximo da consciência de que falar é dizer, dirá dela, “Aquela rapariga é um rapazâ€. Outro ainda, igualmente consciente dos deveres da expressão, mas mais animado do afeto pela concisão, que é a luxúria do pensamento, dirá dela, “Aquele rapazâ€. Eu direi. “Aquela rapazâ€, violando a mais elementar das regras da gramática, que manda que haja concordância de gênero, como de número, entre a voz substantiva e adjetiva. E terei dito bem. Não terei falado: terei dito.
(...)
Obedeça à gramática quem não sabe pensar o que sente.â€
Proponho, baseado na desconstrução proposta por Pessoa, uma criação coletiva caótica e infinita, onde todos os participantes poderão criar a qualquer hora e por quantas vezes desejar, em prosa ou versos – em qualquer estilo. Os textos devem ser escritos no espaço dos comentários! Então não falemos: Diremos:
_______________________________________________________________
LIVRO 1
Aquela rapaz caminhava sozinha na multidão. O silêncio absurdo na avenida caótica da cidade grande era explicado pela interiorização interna do espÃrito dela. Não da mente, do espÃrito. Caminhava ali, mas seus passos ali não estavam. Pisavam nas lembranças do passado.
Obs.: O texto introdutório não saiu completo. Como sou novo no Overmundo e não sei como editar um texto enviado coloco aqui o texto de Pessoa como deveria: “Suponhamos que vejo diante de nós uma rapariga de modos masculinos. Um ente humano vulgar dirá dela, “Aquela rapariga parece um rapazâ€. Um outro ente humano vulgar, já mais próximo da consciência de que falar é dizer, dirá dela, “Aquela rapariga é um rapazâ€. Outro ainda, igualmente consciente dos deveres da expressão, mas mais animado do afeto pela concisão, que é a luxúria do pensamento, dirá dela, “Aquele rapazâ€. Eu direi. “Aquela rapazâ€, violando a mais elementar das regras da gramática, que manda que haja concordância de gênero, como de número, entre a voz substantiva e adjetiva. E terei dito bem. Não terei falado: terei dito.
(...)
Obedeça à gramática quem não sabe pensar o que sente.â€
Como perceberam, já aprendi a fazer a edição. Continuemos então a história:
Paulo Esdras · Brumado, BA 11/10/2007 15:05
Tudo jóia Paulo? se entendi bem sua proposta é criar um texto coletivo, ok? seria algo como esse romance coletivo? abçs
andre stangl · Salvador, BA 11/10/2007 22:11
Gostei do texto e do tema iluminado por Pessoa/Bernardo Soares. Por enqunto só deixo uma citação:
Fragmentos 12 "Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto."
Legal a iniciativa, Paulo. Eu mesmo participei de um poema coletivo, tempos atrás, com algumas overmanas. No entanto, creio que o Overblog não seja o lugar ideal para este tipo de atividade. Proponho, portanto, junto com as boas vindas que te dou, uma leitura do Participe. Lá poderás tirar as tuas dúvidas em relação a onde, o que e como postar as colaborações.
Abraço.
Legal Joana!
Obrigado pelas boas vindas, Labes. Tentei antes postar no Banco de Cultura (que seria o local mais adequado), porém, não sei porque motivo, não entrou.
E eu, até hoje apanho muito por aqui. Tentei botar o link da citação e não consegui. Ainda aprendo!! Beijão.
Joana Eleutério · BrasÃlia, DF 13/10/2007 10:31
Ela desconfiava que fazia parte de uma história coletiva. E que se o destino realmente existisse ele não estava escrito e sim sendo escrito por diversas pessoas desconhecidas. Essa era mais uma de suas sensações loucas responsáveis por levá-la até aquele beco.
Passei a proposta para o local correto. Banco de cultura. Vamos utilizar o espaço de comentários para criarmos juntos a obra. O link é
http://www.overmundo.com.br/banco/aquela-rapaz
abs
Ok PJ,
Acho que devemos transferir as colaborações para o link citado por você, no Banco de Cultura. Como esse texto já se encontra em votação, não é possÃvel mais deletá-lo. Estou indo pra lá ok? Um abs, seja bem vindo caro Overmano.
Bem-vindo ao Overmundo, Paulo!
Amigos, a proposta do Paulo é interessante!
Vejam, clicando aqui.
Que que isso, rapá ? É só arranjar um tempim e entro nessa coletiva. Boa mesmo. Como dizia o seu amigo aÃ, luso-escritor FP, que o mais importante do que ser é realizar.
abs
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