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Arqueologia: A magia de descobrir o passado

Pérola Pedrosa
Pós Graduandos, Bolsitas e voluntários participaram do sítio escola
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Pérola Pedrosa · Macapá, AP
26/7/2010 · 9 · 4
 

Sol forte, calos nas mãos, suor escorrendo pelo corpo, coluna em frangalho, pernas e braços doloridos, por quinze dias, entre manhãs e tardes, escavando pequenas quadrículas de 10 cm, para que? Para descobrir cacos? Isso aí – cacos!
Estão doidas essas pessoas? Não, elas estão em busca de vestígios do passado, de comprovar que por aqui viveram outras pessoas, num tempo distante, e que aqui deixaram marcas de sua existência.
Essas pessoas, são estudantes do curso de Especialização em Patrimônio Arqueológico da Amazônia, coordenadas por dois arqueólogos, Mariana Cabral e João Saldanha, além de bolsistas do IEPA de arqueologia, e voluntários que se aventuraram nessa empreitada.
O local é o campus da Unifap, isso mesmo, a única universidade do Brasil, com um sítio arqueológico em sua área. Fica logo depois da cantina, atrás dos dois últimos blocos.
E esta jornalista que escreve esta matéria, é uma dessas “doidas” que está escavando, e como relato nesta matéria, pode dizer que é emocionante encontrar vestígios arqueológicos, apesar da canseira que dá.
Desculpe aos mais rígidos comunicadores, que são contra exprimir emoção em matérias jornalísticas, mas eu não posso me eximir de opinar, afinal eu também sou parte desta matéria.
As escavações, iniciaram no dia 5 de julho, e o que encontramos foram muitas pedras, chamadas de lateritas, que por nós foram carinhosamente chamadas de vários nomes que não posso escrever aqui.
Segundo nosso coordenador Saldanha, as lateritas, são indícios da presença de povos antigos, pois essas pedras não são daquela região, logo foram trazidas até o local.
Mas o sítio arqueológico parece abranger uma grande área do campus da universidade, devido a presença de laterita, e até agora apresenta-se como um sítio cemitério, devido as urnas funerárias encontradas.
Mas as descobertas foram mais além, as formas, estilos e pinturas da urnas, como no nosso caso, encontramos 23 no total, aparentemente mostra um interação de cultura, entre diferentes povos, no sítio encontramos três urnas de estilo marajoara, mas com material local, o que faz os arqueólogos suporem que houve um certo intercâmbio entre povos que viviam aqui com os das Ilhas do Pára, como ocorre nos tempos atuais.
A escavação ainda não terminou, segue esta semana, para a retirada das urnas, de acordo com a arqueóloga Mariana Cabral, quem estiver interessado em conhecer o sítio escola e as urnas encontradas ainda pode visitar o local, a previsão da retirada é de segunda-feira (26) até a quarta-feira (28). Depois elas seguem para o Iepa, onde ficam guardas para pesquisa.
Durante as três semanas que passei escavando, aprendi que arqueologia é um trabalho de equipe, que é preciso organização, que é necessário muita força de vontade, atenção, dedicação, além de um espírito aventureiro, não igual ao Indiana Jones, com suas empreitas cheia de ação e aventuras, mas sim está pronta para pegar na enxada e capinar, depois raspar terra, tirar pedra, e com muita delicadeza raspar com colherzinha de plástico a borda de uma cerâmica, feita a muito tempo atrás, e que aos poucos diante dos seus olhos vão surgindo traços, desenhos e cores, parece mágica, mas é arqueologia!



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Hermano Vianna
 

olá Pérola: bacana o seu relato de iniciação à pesquisa. Por favor, mantenha o Overmundo informado sobre a evolução dos trabalhos e sobre outras notícias da arqueologia amazônica - abraços

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 28/7/2010 08:51
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Sinvaline
 

Pérola gostei muito, e sua participaçao direta no trabalho é demais! Se nao se pode exprimir emoções em textos eu nunca serei jornalista, parabens,,

sinvaline

Sinvaline · Uruaçu, GO 28/7/2010 08:58
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Ben-Hur Demeneck
 

O texto traz para mim um conteúdo inédito, como o de que há um sítio arqueológico a pleno vapor em Macapá e, mais, dentro do terreno de uma universidade. Desejo para a equipe sucesso com a reconstituição do passado e espero que vocês nos mantenham atualizados sobre os progressos e os enigmas que aparecerem durante as escavações. O relato me trouxe, de volta, a sensação de que o universo da arqueologia deveria receber mais incentivos e investimentos, para se descobrir informações como quais eram as tecnologias e as formas de representação dos grupos que viveram onde hoje é o Brasil. Antes, foi a leitura de "Sambaqui: arqueologia do litoral brasileiro", de Madu Gaspar (Jorge Zahar), meu primeiro contato com quem esteve aqui antes de nós. Parabéns à Unifap, aos coordenadores Mariana Cabral e João Saldanha por tocarem esse projeto no AP.

Ben-Hur Demeneck · São Paulo, SP 30/7/2010 14:17
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Dutra
 

Olá

Fique animado ao receber o texto via Overmundo, e deu certim para minha aula de Geografia.

Se você poder enviar mais infos sobre o trabalho em um sítio arqueológico agradeço.

Grato

Dutra · Granja, CE 16/8/2010 21:08
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