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Observatório
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Situando a produção artística amazonense em um contexto internacional, podemos considerar que somos totalmente marginalizados. Dentro do contexto nacional, também somos periféricos. Separados dos grandes centros que dominam a cultura, não participamos de nenhum estágio do mercado cultural brasileiro ou internacional, o que criamos não sai daqui e o que é pior, é pouco consumido pelos que estão aqui.
Muito já se foi visto e dito sobre o Amazonas. As belezas naturais do Estado servem de inspiração para muitos artistas, que recriam e reinventam nossas paisagens. Porém, a leitura de nossas paisagens pelos artistas forasteiros é especialmente diferente da nossa e são esses artistas que nos representam fora de nossos domínios. Quantos filmes, livros, obras de arte ou bens culturais sobre o Amazonas já vimos no mercado internacional e quantos deles foram produzidos por autores de nossa região?
Poderia justificar parte das mazelas culturais evidenciando a dominação e o poder que a arte tem em segregar culturas, mas muito já se foi dito a esse respeito, por isso esse discurso para mim não mais agrega. Proponho aqui, uma análise crítica coletiva da produção artística de nosso Estado.
Atiro então a primeira pedra...
Parto do princípio que arte é também uma forma de comunicação, onde o artista expressa sua interpretação da realidade. E a comunicação tem por concepção a compreensão da mensagem por quem a recebe, sendo assim, para um artista comunicar sua obra o espectador deve compreendê-la.
Quando o artista amazonense resgata as crenças e valores tão complexos de sua terra, está expondo uma realidade muito particular e misteriosa, pouco compreendida pelos estrangeiros. Grande parte das manifestações regionalistas que tantos artistas trabalham no Amazonas, só pode ser apreciada pelos que são daqui e convivem no mesmo universo.
Um paulista não consegue entender o conceito das obras do artista plástico Turenko Beça, que usa o piracuí de peixe como base para suas “Mantas de Acrílico”, já que não conhece o valor da farinha de peixe no Amazonas. Assim como um inglês não consegue apreciar a letra “Acari-Bodó” do grupo musical Tucumanos, porque não conhece o peixe ou sua relação com a cultura amazonense.
Em um mundo globalizado, onde a criação e produção artística estão cada vez mais dependentes de um conceito forte, não existe espaço para manifestações regionalistas que não estejam inseridas em um contexto transnacional. É claro que o artista deve representar a realidade que o cerca, seus valores, crenças e cultura, porém existem maneiras distintas de expressar-se.
Acredito que falte no Amazonas uma produção artística que tenha uma linguagem mundializada, para que pessoas de qualquer origem, cultura ou etnia, consiga compreender nossa arte e se sinta parte integrante de nossa realidade. Existe uma identidade que transcende culturas, pessoas que criam artes similares em distintas partes do mundo e pessoas que criam coletivamente com diferentes partes do mundo. Porque então não criamos vínculos, buscamos cooperações e tentamos explorar também as afinidades de nossa cultura com outras?
tags: Manaus AM cultura-e-sociedade
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meus votos com carinho!
beijo no coração
celina vasques · Manaus (AM) · 18/7/2008 19:49
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Oi, Lilian,
Interessante o seu artigo. Me fez lembrar um pouco a discussão que se travou aqui, sobre a cena cultural pernambucana. Mas acho que você podia trabalhar o artigo para torná-lo ainda mais denso, com talvez entrevistas com artistas amazonenses, fotos etc.
Viktor Chagas · Rio de Janeiro (RJ) · 19/7/2008 09:39
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Lilian, concordo com o Viktor quanto a vc trabalhar mais o artigo. E fico aqui pensando sobre esse conceito de marginalidade na arte e sobre a questão que vc coloca de que os artistas devem "universalizar" sua produção. Não sei não... acho que mesmo num mundo globalizado (ou talvez por causa da globalização), a gente se encanta mais com o que é particular de cada cultura do que com o que nela é universal (se é que isso existe). Daqui de longe vemos pouco da arte contemporânea amazonense, mas o que chega é forte. Além disso, me parece que ai, mais do que no sudeste e no sul, existe uma cultura local consumida localmente. Isso talvez seja mais importante e valioso para a cultura do que exportar artistas.
abraços!
Ilhandarilha · Vitória (ES) · 19/7/2008 11:57
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No Brasil ainda não nos inserimos totalmente. Há realmente este
quê de primeiro ser "batizado no eixo-Rio/SP".
abraços
andre
Andre Pessego · São Paulo (SP) · 20/7/2008 08:06
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Olá Lilian, muito interessante os pontos que você aborda, mas concordo com o comentário da Ilhandarilha logo acima. Em que surgem três pontos: 1- A linguagem cabocla regional precisa ser desmistificada ao mundo (um trabalho como você falou que muita gente ´de fora´ vem fazendo). E o que seria de grande valia se alguém daqui pudesse fazê-la. 2- Talvez não seja precisa essa facilitação forçada. Uma banda ou um artista que se proponha a isto de forma espontânea e natural é uma coisa, agora forçar é complicado, podem parecer ridículos e mal compreendidos (vide carrapinho e aparições dos bumbás em programas como o do Gugu). 3- Vou postar um texto parecido com o seu, não é cola não. Se quiser debater + sobre isso, pode mandar um e-mail ou algo do tipo. Abraços =)
Rafael D. · Manaus (AM) · 23/7/2008 12:12
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