Indiscutivelmente, a história do Brasil é um tema amplo que, sem dúvida, provoca paixões e inúmeras discussões calorosas entre a população, devido a extrema riqueza em controvérsias de idéias, principalmente quando o foco está voltado para a tão debatida vinda da família real portuguesa para o Brasil que, neste ano, comemora-se (ou lamenta-se) historicamente os duzentos anos de seu acontecimento.
Todo esse fato dá-se início quando, em meio às guerras que amotinaram o continente europeu naquele período, dom João (ainda não VI), príncipe regente e futuro rei, desloca a Família Real de Lisboa para o Rio de Janeiro, conseguindo fugir, assim, das tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte. Essa simples mudança viria a acarretar profundas transformações políticas, econômicas e, principalmente, culturais na colônia Brasil.
Muito se especula, por muitos, o fato de que D. João transformara positivamente o Rio de Janeiro, deixando um legado e uma marca indelével na cultura e na construção desta nação.
É indubitável que devemos deveras ao príncipe regente pelas grandes obras e projetos deixados. Academia Brasileira de Belas Artes, Teatro São João, Jardim Botânico, Biblioteca Nacional, Banco do Brasil, importantes escolas e liceus, festividade carnavalesca... São apenas algumas das grandes heranças a se citar. E tais heranças são tão ovacionadas por uma grande parte dos brasileiros que os fazem chegar à conclusão de que essa vinda da Corte Portuguesa fora a melhor coisa que acontecera ao Brasil desde o seu "descobrimento" quanto a sua admnistração. Porém, não encontramos todo esse encómio sobre a vinda do regente no discurso de todos os brasileiros, digo, todo esse beija-mão não é algo a se generalizar. Há uma grande parte da população brasileira, incluindo-se vários historiadores, que não vêem tanta bondade e heroísmo assim na figura do regente, e eu, inclusive, faço parte dessa "massa de oposição". Penso que, apesar de ter contribuído para o Rio de Janeiro em vários aspectos, nos deixando um legado extraordináro, dom João o fizera não por simples simpatia à colônia, e sim, pelo maior conchego da própria corte portuguesa que agora se instalara naquelas terras, ou melhor dizendo, nada disso se deu por um caráter benevolente de dom João para com a colônia, e sim, como consequência da tentativa de melhorar a acomodação da Família Real Portuguesa. Podemos dar, como exemplo disso, o primeiro ato de dom João ao chegar ao Brasil, que fora a abertura dos portos às nações amigas (entenda-se Inglaterra), que, por sua vez, ajudou muito no desenvolvimento do país. Todavia isso só fora realizado devido a exigência feita pela Inglaterra em troca da escolta da corte de Portugal ao Brasil, ou seja, por puro interesse particular português.
Há também quem enxergue a fuga de dom João e sua corte para o Brasil como algo inteiramente negativo, que abalou profundamente a nossa economia. Tal afirmação é defendida pelo fato malevolente de que dom João, antes de partir de volta para Portugal, levou todas as reservas financeiras que havia trazido da Europa e esvaziou os cofres do Banco do Brasil, deixando o país em sérias dificuldades, às vésperas de sua independência, o que prova o total desmazelo de D. João para com o Brasil. Muitos dizem que o caráter mais condenável da presença portuguesa no Brasil, no entanto, fora a escravidão e sua permanência até 1888. Os aderentes a esse ponto de vista negativo defendem a idéia de que a mídia omite os aspectos maléficos da vinda portuguesa, tornando o ano de 1808 uma data celebrativa. Seguindo essa linha de raciocínio, podemos levar à tona o comentário do historiador Ubiratan Castro que argumenta:
"A rigor, o que está sendo tratado na mídia é o legado positivo da visita. Sinto falta de um lado crítico, que mostre aquilo que não foi feito, o que foi destruído com a presença da corte. Por exemplo, a infra-estrutura montada por eles representou a consolidação da burocracia e do escravismo."
Finalmente, podemos inferir que a vinda da Familia Real Portuguesa ao Brasil é um assunto bem polêmico que traz inúmeras interpretações e divergências de opiniões. Variados pontos de vista que são expressos através, principalmente, de documentários e livros. Basta nos darmos o interesse de pesquisar sobre o assunto e criarmos uma opinião própria a qual julgamos ser ideal. Mas uma coisa é certa e comum a todos os pensadores: o ano de 1808 dimanou em mudanças que, com certeza, têm seus reflexos presentes, ainda, nos dias de hoje. Sejam elas positivas, sejam negativas. E, mesmo que não seja algo crucial para nossa sociedade atual, a chegada da família real é um assunto que vai continuar a ser discutido pelos próximos 100, ou quem sabe, até 200 anos.
Wanderley, legal as tuas considerações e acho que elas devam
ser conduzidas assim - sem o tanto, nem o tão pouco.
E desse escrafunchar distante do patriotado tolo o Brasil recontará sua História. E desta recontação traçaremos um rumo melhor proveitoso.
Não se trata claro de amarrar uma corda na ponta do tempo e puxá-lo de volta, não.
Mas a História do brasil vem sendo comparada consigo mesma. Desde séculos e séculos. Fora Palmares nem um outro capítulo
gozou de comparação.
É preciso analisarmos o 1808 dentre a tantos fatos, dois:
a) A Revolução do Haiti, vitoriosa sobre Napoleão Bonaparte, o mais poderoso monarca da História, derrotado para um contingente humano, em desvantagem militar e tecnológica. Numericamente inferior, etal. Este é um dado - o AÇUCAR de lá e de cá.
b) a MÁQUINA A VAPOR. A máquina a vapor, vara o séc. XVIII, empiricamente, mas fustigando os mares da China. De qualquer maneira o progresso vararia a terra e vararia melhor onde souvbessem o aproveitar.
E é assim, vamos em frente.
um abraço andre.
Acredito que muitas coisa ainda estão por ser discutidas.
Parabéns pelo artigo.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!